17 de agosto de 2017

Resenha: A Rebelde do Deserto + A Traidora do Trono

A Rebelde do Deserto: O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.
A Traidora do Trono: Amani Al’Hiza mal pôde acreditar quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal, montada num cavalo mágico junto com Jin, um forasteiro misterioso. Depois de pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser a própria liberdade- a garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que quer livrar o país inteiro do domínio do sultão. Em meio às perigosas batalhas ao lado dos rebeldes, Amani é traída quando menos espera e se vê prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela começa a espionar o sultão. Mas quanto mais tempo passa ali, mais Amani questiona se o governante de fato é o vilão que todos acreditam.

Títulos Originais: Rebel of the Sands e Traitor to the Throne
Autora: Alwyn Hamilton
Páginas: 283 e 440
Tradução: Eric Novello
Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora

Comecei a ler A Rebelde do Deserto sem saber nada sobre o enredo e, sem ter ideia sobre o que esperar, fui surpreendida desde a primeira linha. Fui surpreendida pelo gênero do livro, que eu não sabia se tratar de fantasia, pela crítica à diferenciação entre homens e mulheres impressa no texto e por todo o mundo criado por Alwyn Hamilton. Nesse primeiro livro da série, a autora nos apresenta um mundo cheio de magia e seres mitológicos rodeados pelas areias do deserto de Miraji, as quais parecem preencher cada pedaço de pele dos habitantes daquele lugar.

O livro traz ainda uma protagonista humana, cheia de erros e acertos, que tinha como único objetivo sair de sua cidade e fugir do destino inquietante que se aproximava, mas que se viu envolvida por algo muito maior, algo pelo que entendeu que valia a pena lutar. A Rebelde do Deserto tem uma daquelas tramas que faz o leitor prender o fôlego por medo do que a próxima linha vai revelar. O romance também está presente, mas o que mais pesa aqui é o valor da amizade e de ser fiel àquilo que se acredita.

— Você acabou de atirar em alguém ou foi impressão minha?
— Acabei de conseguir um emprego para a gente, isso sim. — Cocei a nuca e tentei parecer constrangida. Certamente não estava tendo sucesso, a julgar pelo jeito que Jin me olhava. — E só atirei no copo.
Ele passou o braço em torno do meu ombro, se apoiando em mim.
— É por isso que gosto de você, Bandida.

No início do segundo volume, antes de a história recomeçar, foi inserido um resumo com as principais características da trama e os personagens do livro anterior, para relembrar, entre outros detalhes, os mitos criados pela autora. Há também um mapa de Miraji e um breve prólogo para contextualizar a situação política do país. Isso porque A Traidora do Trono começa em um ponto além de onde o livro anterior parou; alguns acontecimentos entre os livros são brevemente citados, como algumas batalhas dos rebeldes, a situação dos exércitos estrangeiros e a ocupação do território, mas pouco desse período é detalhado e, para ser sincera, não faz falta, pois sabemos que a rebelião avançou, que é o que importa.

Apesar de a geopolítica de Miraji ser um assunto bastante relevante à trama, a autora consegue abordá-lo de uma maneira descomplicada, até interessante, mesmo para quem não gosta de acompanhar estratégias e posições de guerra, e não torna a leitura desgastante. Isso é relevante porque, nesse livro, Amani fica um pouco afastada da movimentação, já que se torna prisioneira no palácio do sultão, e tudo o que pode fazer é acompanhar de longe o que acontece com seus amigos, enquanto enfrenta seus próprios problemas.

Amani está perceptivelmente mais madura nesse livro, menos egoísta, mas isso não a impede de errar e de acreditar em quem não deveria. Os reencontros inesperados estão por toda parte e as traições e reviravoltas são ainda mais frequentes. Por ser tão dependente da verdade, Amani dificilmente consegue detectar uma mentira quando esta não toma forma de palavras expressas e, por consequência, coloca todos que ama em constante risco. É fato que o segundo volume tem um enredo menos intenso que o livro anterior, mas isso não quer dizer que seja menos interessante. Cheio de conspirações e intrigas, é difícil perder o foco da narrativa.

Jin me beijou como se fosse a primeira e a última vez. Como se nós dois fôssemos acabar queimados vivos por causa disso. E eu me desmanchei como se não me importasse com mais nada. A rebelião podia estar se despedaçando ao nosso redor, talvez até o deserto inteiro estivesse em perigo, mas por enquanto ainda estávamos vivos e juntos, e a raiva havia se transformado em um fogo diferente que nos engolira até eu não saber mais quem estava consumindo o outro.

Além disso, as aventuras e cenas de ação ainda se fazem presentes para injetar adrenalina na leitura. Eu adoro a forma como a autora intercala momentos de calmaria com acontecimentos de grande intensidade, fazendo tudo mudar em poucas linhas. Há vitórias importantes, mas há perdas também. Não se trata aqui somente de grandes batalhas, tiros e poderes djinnis, como no primeiro livro, mas de uma guerra verbal e psicológica, que exige ainda mais audácia da protagonista.

E, claro, ainda tem romance para alegrar os corações dos leitores mais românticos. Não se trata de nada muito meloso e o romance fica lá para terceiro ou quarto lugar no que se trata da importância no enredo, mas as cenas entre Jin e Amani são mais apaixonantes nesse segundo volume, além de alguns outros corações apaixonados que surgem entre nossos rebeldes.

A Traidora do Trono foi uma continuação perfeita para A Rebelde do Deserto, pois se aprofunda em questões que o primeiro livro não conseguiu contemplar, sem perder o vigor do primeiro livro e tudo aquilo que fez dele uma obra tão encantadora.

10 comentários:

  1. Faz tempo que quero ler esses livros, desde a primeira resenha que vi da Rebelde do Deserto.
    Adoro livros que são de fantasia, cheia de coisas místicas e a sinopse me deixou mais ansiosa para conferir esta obra.

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  2. Olá!
    É uma série que ainda quero ler, parece ser bastante interessante.
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas

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  3. Amei as capas desses livros, muuito lindas! Livros que conseguem fazer críticas sociais sutis me interessam muito e esse parece ser um dos bons!! Adoro narrativas que mostram o amadurecimento dos personagens, por isso já adicionei ele na minha lista!! Amei a resenha, beijos.

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  4. Ju!
    Bom ver as duas resenhas juntas.
    No primeiro livro me identifiquei com a protagonista, com as descobertas sobre ela mesma e sua rebeldia.
    Tenho lido ótimas resenhas sobre essa duologia, inclusive a sua, mas ainda não tive oportunidade de acompanhar toda ousadia de Amani e as, digamos, aventuras por qual ela passa.
    Deve ser um livro cheio de ação.
    Bom final de semana!
    "...Aceite com sabedoria o fato de que o caminho está cheio de contradições. Há momentos de alegria e desespero, confiança e falta de fé, mas vale a pena seguir adiante..."(Paulo Coelho)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  5. Esses livros parecem aquelas historia que te prende do inicio ao fim. Cheio de trama, fantasia e uma escrita boa. E foi muito bom ler a resenha de dois livros porque pra mim já fico sabendo se realmente vale a pena a leitura ou não, e saber como é historia por trás dessas capas lindas, que por sinal me chamaram muita a minha atenção. Quero saber de todas as ousadas e aventuras que Amani passa, fiquei empolgada com esse livro. E com certeza já entrou pra minha lista de desejos.
    Beijos.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Amo literatura fantastica e esses livros parecem que não vão me decepcionar.
    E essas capas lindissimas?!
    Livros que abordam questões sociais por diferentes perspectivas merecem nossa atenção.

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  8. Quero muito ler esses livros. Tem tudo que gosto reviravoltas, ação e uma protagonista de tirar o chapéu. É muito bom quando o próximo volume satisfaz o leitor. Parece uma historia bem elaborada e com muitos acontecimentos que faz com que a leitura seja bem ágil.

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  9. Eu tenho muita vontade de ler os dois livros, parecem ser bons, sabe daqueles livros que te prendem, e sem contar que temos uma cultura totalmente diferente aí, e acredito que isso é uma das coisas que mais atrai no livro, fico feliz em saber que tem romance, pois eu amo hahahah e que não é nada meloso, espero poder ler o livro o mais breve possível.
    Beijos *-*

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  10. Estou louca para ler esses livros, ainda mais por se passarem em uma cultura totalmente diferente da que estou acostumada, também gosto bastante de fantasia e fiquei super curiosa para saber o que acontecerá com a protagonista no fim de tudo.
    Beijos!

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