17 de setembro de 2017

Resenha: Inventei Você?

Alex está no último ano do ensino médio e trava uma batalha diária para diferenciar realidade de ilusão. Armada com uma atitude implacável, sua máquina fotográfica, uma Bola 8 Mágica e sua única aliada — a irmã mais nova —, ela declara guerra contra sua esquizofrenia, determinada a permanecer sã o suficiente para entrar na faculdade. E Alex está bem otimista com suas chances, até se deparar com Miles. Será mesmo aquele garoto de olhos azuis com quem ela compartilhou um momento marcante no passado? Mas ele não tinha sido produto da sua imaginação? Antes que possa perceber, Alex está fazendo amigos, indo a festas, se apaixonando e experimentando todos os ritos de passagem tipicamente adolescentes. O problema é que ela não está preparada para ser normal. Engraçado, provocativo e emocionante, com sua protagonista nada confiável, Inventei você? vai fazer os leitores virarem as páginas alucinadamente, tentando decifrar o que é real e o que é invenção de Alex.

Título Original: Made You Up
Autora: Francesca Zappia
Páginas: 346
Tradução: Monique D'Orazio
Editora: Verus
Livro recebido em parceria com a editora

Inventei Você? tem como protagonista a jovem Alex que, após ter sido diagnosticada com esquizofrenia, transtorno psicológico que causa alucinações e delírios, precisa estar sempre atenta a tudo aquilo que vê e ouve, para tentar identificar o que é real e o que é apenas fruto de sua mente.

Quando criança, Alex libertou as lagostas de um tanque em um supermercado com a ajuda de um garoto de olhos azuis de quem ela nunca mais ouviu falar. Foi após esse episódio que Alex recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. No entanto, a mãe da protagonista lhe contou que, na verdade, Alex nunca libertou lagosta nenhuma e que tudo isso não passava de alucinações.

Anos depois, Alex muda de escola para cursar o último ano do ensino médio. Eis que lá ela conhece um rapaz que tem os mesmos olhos azuis do menino que a ajudou na “libertação das lagostas”. Agora, Alex está em uma batalha interna para tentar compreender o que está acontecendo. Olhos Azuis, como ela o chama, era real ou apenas fruta de sua imaginação? Miles é Olhos Azuis? Como podem ambos ter os mesmos olhos? Para piorar, Miles não é uma pessoa muito agradável e Alex não sabe o que seria pior: Olhos Azuis ter se tornado um idiota ou simplesmente não existir.

Um livro que traz a esquizofrenia em sua sinopse certamente chama a atenção de muitas pessoas. E também chamou a minha. A forma como Alex lida com seu diagnóstico, especialmente as estratégias que criou para tentar identificar o que é real e o que não é, é muito interessante e esses certamente são os melhores momentos do livro.

A protagonista possui alguns interesses bem marcados e um claro delírio de perseguição que, de tão absurdo, chega a ser engraçado. A autora escolheu abordar a doença de forma leve e descontraída na maior parte do livro, o que, apesar de perigoso, acabou dando certo.

A narrativa, os personagens e o enredo de modo geral são bem mais indicados para um público mais jovem do que para o público adulto. E esse foi o ponto que mais me desagradou no livro. Alex e Miles passam boa parte do livro tentando provar um ao outro e para si mesmos que eles se odeiam e, para garantir isso, eles se utilizam de provocações extremamente infantis, como, por exemplo, arrancar todas as capas dos livros ou colar a porta do armário um do outro.

O livro cai em muitos clichês de livros adolescentes, incluindo a menina linda e superpopular que pratica bullying com a protagonista, uma protagonista que, apesar de possuir grande potencial para ser uma personagem forte, é retratada como fraca e desprotegida; o garoto misterioso, que começa sendo um babaca, mas vai, aos poucos, provando ser um cara legal e, claro, a terapeuta que é considerada uma bruxa pela protagonista apesar de não haver nenhum real motivo para isso.

O grande diferencial do livro é, justamente, a esquizofrenia, mas, acho que esse tema acabou ficando em segundo plano para dar lugar às tramas secundárias e à rotina escolar.

Alex, apesar de ser divertida, oscila muito e em determinados momentos não conseguimos ter uma definição clara de quem ela é. Nem ela sabe se ela quer ser a garota forte, a mocinha indefesa, a injustiçada, a rebelde ou a conformada. Ela oscila entre odiar a mãe e ser a filha boazinha, ser madura no que diz respeito ao seu diagnóstico e esconder isso de todo mundo por medo de ser discriminada. Enfim, a personagem não tem uma personalidade clara, o que dificulta a criação de vínculo por parte do leitor. Porém, isso pode ser parcialmente justificado por sua juventude.

Fora o mistério que envolve o Miles e sua possível relação com Olhos Azuis, o livro tenta introduzir novos enigmas para tentar prender o leitor, mas, novamente, é tudo muito infanto-juvenil e nada me deixou realmente interessada.

Todas essas questões não são necessariamente defeitos, mas, foram os aspectos que fizeram o livro não funcionar pra mim. No entanto, tudo isso é justificado pelo fato de a autora ter terminado o livro quando tinha apenas 18 anos. Portanto, se você é mais jovem ou se simplesmente gosta de histórias com temas mais adolescentes, o livro pode funcionar para você.

Enfim, Inventei Você? é um livro que traz uma proposta muito interessante, com grande potencial, mas que se perdeu no meio do caminho e preferiu trabalhar temas adolescentes ao invés de investir em sua premissa que era a esquizofrenia. Mesmo assim, o livro é engraçado, divertido e possui um plot central que consegue nos manter interessados pela história.

20 comentários:

  1. Olá Priscilla!
    Não conhecia o livro e a autora. Achei a premissa e o tema abordado bem interessante. Sempre acabo lendo livros que envolvam o mundo adolescente e vou dar uma chance para esse :)
    Beijos!

    Books & Impressions

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  2. Oi Priscilla.
    Eu gostei muito da premissa, porém concordo com você, tirando o assunto da esquizofrenia o livro cai em diversos clichês, foi ousado por parte da autora abordar o tema de uma forma mais leve, porém fico feliz em saber que ela não errou nisso, o que eu sei que me incomodaria nesse livro são as atitudes infantis, por isso não sei se ele é um livro para mim, mas uma grande parte também quer conferir.
    Bjs.

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  3. A sinopse é bem legal e quando li pensei que iria tratar de um tema bem mais forte e profundo. Já que está falando de uma doença,. jurava que o livro seria bem mais profundo e com personagens tentando lidar com aquilo diariamente.
    Porém me pareceu que o livro é jovem e imaturo demais. Não sei se gostaria de ler, mesmo sendo um pouco engraçado.

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  4. Que pena! Pela sinopse, tinha tudo para ser um excelente livro.
    Achei super interessante a autora tratar um tema forte de uma maneira leve. E a forma com que a Alex lida com este problema, lutando contra é admirável. Se Francesca tivesse focado mais nisso seria lindo.
    E Miles é ou não é os Olhos azuis? Fica a dúvida no ar...
    Gostei muito da resenha, já o livro não me chamou tanta atenção.

    Beijos

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  5. Achei interessante mesmo o tema de esquizofrenia e foi o que me chamou atenção pra ler. Que ela tenha abordado a doença de uma forma mais leve deve ser interessante por informar mas não ficar muito pesado. Se tem aqueles clichês de história adolescente não sei se iria gostar taaaanto, mas aí depende de como fica na trama. Se não é exagerado...
    Pode acabar não sendo lá muito pra minha idade mas até gosto de ler umas coisas assim mais jovens. Talvez gostasse bastante dessa trama. De todo forma parece bom pra ler quando bate aquela ressaca, algo interessante e leve.

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  6. Olá! Tudo bem?
    Acho muito interessante essa doença psicológica e que faz o leitor não poder confiar totalmente, porque pode ser um delírio ou não, então faz com que a leitura seja bem cativante e que prende o leitor. Gostaria muito de ler esse livro.
    Adorei a resenha, beijos.

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  7. Priscila!
    Deve ser um daqueles livros em que ficamos na dúvida se o que a protagonista vê e sente faz parte da realidade ou se é apenas alucinação, criação de um mundo na cabeça dela e parece real, mas na verdade para ela é real, é assim que essa doença se manifesta.
    Como tenho formação em psicologia, gostaria muito de apreciar a leitura.
    Desejo uma semana de muito amor no coração!
    “Inteligência não é não cometer erros, mas saber resolvê-los rapidamente.” (Bertolt Brecht)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  8. Que ena que deixa a desejar, estava ficando bem interessada e curiosa em saber se o garoto dos olhos azuis existe mesmo ou se não passa da imaginação da personagem, poderia ter rendido uma boa historia, pois isso mexe com a mente do leitor, nos aguçando e deixando com a pulga atrás da orelha rs.

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  9. Olá Priscila!

    Já li algumas críticas e confesso que gostei bastante do que li, mas ainda não tive vontade de ler o livro em si.

    Grande abraço,
    www.cafeidilico.com

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  10. Creio que este livro já nos chama a atenção de cara por esta linda capa ♥
    Fiquei surpresa ao saber que a historia se tratava de uma personagem com esquizofrenia. Historias com temáticas de doenças sempre me despertam o interesse, pois abrange nosso conhecimento. Apesar de ser ainda sim, algo mais jovem e tal, creio que seja uma leitura bacana para se fazer!

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  11. Oi, Priscilla!
    Já vi outras opiniões instáveis sobre esse livro, uma delas bem negativa ressaltando os mesmos pontos que você sobre a esquizofrenia ter caído em segundo plano e mesmo pela abordagem de mais temas escolares do que o plot inicial e mais em auge dele. Complicado lidar com personagens instáveis como essa protagonista, mas dadas as circunstâncias do livro e mesmo a idade dela, realmente pode ser parcialmente justificável. Além disso, porém, acaba se tornando algo mais pessoal mesmo, se se gosta ou não de algo mais juvenil. Sinceramente? Não sei se leria, o livro não me atraiu, mas também não me repeliu de todo, então pode ser que um dia ainda o leia, mas, enfim, valeu a dica.
    Beijos!

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  12. Oi, Priscilla!
    Essa é a primeira resenha que leio sobre esse livro é achei bem interessante a tema abordado no livro, mas que pena que o livro deixou a desejar em vários pontos. Mesmo assim é uma excelente indicação de leitura.
    Bjoss

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  13. A primeira coisa que me interessou nesse livro foi a capa, acho ela bem bonita. Geralmente eu gosto de ler livros com problemas, doenças e todos esses dramas então acho que eu ia gostar de ler, e nunca li nenhum livro com algum personagem com esquizofrenia. É uma pena que o livro seja clichê, mas mesmo assim estou com vontade de ler ele, e acho que vou gostar mesmo ele sendo bem adolescente...
    Bjss ^^

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  14. Oi Priscilla,
    Quando a mente é nosso maior inimigo as simples tarefas diárias podem ser grandes desafios, principalmente para uma adolescente como a Alex que só quer ter uma vida normal. A trama, aparentemente, tem elementos importantes e séries ao mesmo tempo em que a autora trabalha com uma narrativa mais descontraída e redireciona o foco da história. Mesmo o enredo de Inventei você? ser bem clichê e voltado para um público mais jovem, o livro conseguiu chamar minha atenção, pois nunca li nenhuma obra com um(a) protagonista esquizofrênico. Só uma pena a autora não ter explorado mais a doença.

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  15. Oi, Priscila!
    Até hoje nunca li um livro que aborda o tema esquizofrenia, nunca me interessei, mas a forma como a autora de Inventei Você? aborda esse tema - leve e descontraída na maior parte do livro - foi o que mais me chamou a atenção, mas essas atitudes imaturas de Alex e Miles, e essa indefinição da personalidade da Alex são pontos bastantes negativos para mim -  principalmente essa imaturidade dos protagonistas - e por isso acredito que esse livro não é pra mim, então não vou nem me arriscar na leitura...
    Abraços!

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  16. Geralmente não gosto de livros que parecem ter como público alvo os jovens, mas por abordar a esquizofrenia acaba sendo mais chamativo para mim. Acho necessário mais obras que abordem temas mais complexos.

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  17. Nossa que pena que o livro não foi tudo aquilo.
    Eu estava gostando da resenha querendo ler o livro, mas quando você disse que tem momento infantis, com clichês adolescentes, acabou me desanimando um pouco.

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  18. Oii Priscilla ;)
    Estou a um tempo namorando esse livro, e doida pra ler... to só esperando uma promoção pra conseguir comprar kkkk
    Nunca li um livro com uma personagem, ainda mais a protagonista, que tivesse a doença. Gostei da história porque achei isso diferente, apesar de a temática que era pra ser a principal, ficar em segundo plano as vezes, como você disse.
    Enfim, ainda estou com muita vontade de ler, obrigada pela dica e adorei a resenha ;)
    Bjos

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  19. Ola, tudo bom?
    Que pena que o livro não te agradou tanto, realmente quando vi que ele tinha caso de esquizofrenia nele, pena que a historia se perdeu, pois eu não li nenhum livro que tivesse alguém com esse tipo de doença, quem sabe mais para frente eu venha a ler o livro, e goste dele.
    Beijos *-*

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  20. Oi! O livro parece ser bem interessante. Que pena que a narrativa se perdeu e não focou tanto na esquizofrenia. Eu iria achar muito interessante, já que não sei muito sobre essa doença. Mesmo assim quero ler. Beijoss

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