20 de outubro de 2017

Resenha: Minha Vida (Não Tão) Perfeita

Dramas, confusões e uma boa dose de amor são os ingredientes do novo romance de Sophie Kinsella. Uma divertida crítica aos julgamentos errados que uma boa foto no Instagram pode gerar. Cat Brenner tem uma vida perfeita mora num flat em Londres, tem um emprego glamoroso e um perfil supercool no Instagram. Ah, ok... Não é bem assim... Seu flat tem um quarto minúsculo sem espaço nem para guarda-roupa , seu trabalho numa agência de publicidade é burocrático e chato, e a vida que compartilha no Instagram não reflete exatamente a realidade. E seu nome verdadeiro nem é Cat, é Katie. Mas um dia seus sonhos se tornarão realidade. Bom, é nisso que ela acredita até que, de repente, sua vida não tão perfeita desmorona. Demeter, sua chefe bem-sucedida, a demite. Tudo o que Katie sempre sonhou vai por água abaixo, e ela resolve dar um tempo na casa da família, em Somerset. Em sua cidadezinha natal, ela decide ajudar o pai e a madrasta com a nova empreitada do casal: os dois planejam transformar a fazenda da família em um glamping, uma espécie de camping de luxo e estão muito empolgados com o novo negócio, mas não sabem muito bem por onde começar. E não é justamente lá que o destino coloca Katie e sua ex-chefe cara a cara de novo? Demeter e a família vão passar as férias no glamping, e Katie tem a chance de, enfim, colocar aquela megera no seu devido lugar. Mas será que ela deve mesmo se vingar da pessoa que arruinou sua vida? Ou apenas tentar recuperar seu emprego? Demeter - a executiva que tem tudo a seus pés - possui mesmo uma vida tão perfeita, ou quem sabe, as duas têm mais em comum do que imaginam? Por que, pensando bem, o que há de errado em não ter uma vida (não tão) perfeita assim?

Título Original: My Not So Perfect Life
Autora: Sophie Kinsella
Páginas: 406
Tradução: Carolina Caires Coelho
Editora: Record
Livro recebido em parceria com a editora

Katie Brenner é uma garota do interior da Inglaterra cujo maior sonho é morar em Londres. Enquanto suas colegas tinham pôsteres de boybands na parede do quarto, Katie tinha o mapa do metrô de Londres. Seu sonho finalmente se realiza, mas nem tudo é como ela sempre sonhou.

O livro é dividido em duas partes, na primeira parte conhecemos Cat Brenner, que é uma "versão londrina" de Katie. Cat não tem mais o sotaque do interior, sua aparência é totalmente diferente da garota de Somerset. Ela dá o melhor de si para se adaptar a nova vida, mesmo morando duas horas de distância do trabalho (nos dias bons) e dividindo apartamento com duas pessoas que não são exatamente os melhores colegas que alguém poderia ter.

Mas nada disso impede Cat de imaginar o melhor possível, principalmente em relação ao trabalho. Sua chefe, Demeter, tem uma vida perfeita e, apesar de ela não ser nenhum paraíso, Cat a admira muito. Elas trabalham em uma agência de publicidade chamada Cooper Clemmow e devo dizer que me surpreende a infantilidade das ações dos profissionais desta área. Todos os livros que já li e filmes que já vi com pessoas que trabalham no ramo acabam me decepcionando um pouco nesse ponto. Sei que o mercado de trabalho é competitivo, mas simplesmente não vejo a necessidade de certas atitudes dos personagens e acho que como adultos responsáveis e donos do próprio nariz, um pouco mais de maturidade seria legal.

Primeiro: poderia ser pior. No que diz respeito à distância até o trabalho, poderia ser muito pior, e eu preciso me lembrar disso sempre. Segundo: vale a pena. Eu quero morar em Londres; eu quero viver isso; e a distância até o trabalho faz parte dessa coisa toda. Faz parte da experiência de Londres, como a Tate Modern.

Já na segunda parte, Katie foi demitida da Cooper Clemmow e acaba voltando para Somerset para ajudar seu pai e sua madrasta com o novo glamping deles. Apesar de estar trabalhando na fazenda e tudo estar bem por lá, Katie não para de mandar seu currículo para as empresas de publicidade de Londres na tentativa desesperada de conseguir um emprego rápido, pois seu pai e Biddy (sua madrasta) não sabem que ela foi demitida.

Tudo estava correndo muito bem até que Demeter chega na fazenda para fazer glamping. No começo Katie se desespera, mas Demeter não a reconhece (afinal, além do problema da ex-chefe com fisionomia, Katie está diferente). Então a protagonista vê a oportunidade perfeita para se vingar por tudo que aconteceu em Londres, mas acaba percebendo que nem tudo é o que parece. Gostei muito da evolução da relação das duas nessa parte do livro.

 Ah, e a escada que você mencionou: detesto aquela escada mais do que qualquer coisa no mundo. — Demeter começa a tremer da cabeça aos pés. Parece que ela chegou a outro nível de raiva. - Já tentou subir um lance de escada com carrinho de bebê? Porque é um pesadelo. Aquela escada tem sido um sofrimento na minha vida. Sabe o que aconteceu na véspera do Natal quando minha filha tinha 5 anos? Eu estava tirando os presentes do carro e levando tudo lá para cima, mas ela estava coberta de gelo, eu escorreguei e caí. Passei o dia de Natal inteiro no hospital.

Na primeira parte do livro minha leitura foi lenta e dolorosa, porque não consegui de forma alguma me identificar com os personagens e me irritei bastante com as atitudes da maioria deles. Cheguei a um ponto em que já não tinha mais nenhuma expectativa e nem esperança de gostar do livro, até mesmo porque o final é extremamente previsível e, no começo, não teve nenhum detalhe que me chamou a atenção ou me fez querer continuar.

Já a segunda parte me surpreendeu bastante, Katie evoluiu muito e começou a perceber que não existe uma vida perfeita, todo mundo passa por dificuldades, alguns mais e outros menos, mas ninguém está imune ao sofrimento. Uma coisa que me incomodou um pouco foi a relação de Katie com o pai, apesar de mencionar as dificuldades dos dois várias vezes e mostrar também o carinho enorme que ele tem com ela, senti que essa relação foi pouco explorada. Percebe-se a evolução de Mick (pai da Katie), mas acho que ele merecia um pouco mais de espaço na história.

Narrado em primeira pessoa, Minha Vida (Não Tão) Perfeita é uma leitura previsível, mas não deve ser descartada. Não sei se eu leria outras obras da autora, no entanto o livro não me decepcionou pois pela sinopse já percebemos muito do que pode vir pela frente.

16 comentários:

  1. Confesso que esse tipo de livro muitas vezes acaba me irritando e já não leio muita coisa assim. Só se for algum autor que já tenha me surpreendido ou veja muita coisa boa mesmo. Não sei se iria gostar tanto desse porque pelo visto o começo é bem o que odeio nesse tipo de história, com gente irritante e nada que chame muita atenção...ahh, nossa, mas passava tanta raiva lendo histórias assim que desanimei. Maaaas, lá pela segunda parte as coisas parecem melhorar bastante e isso me chamou atenção. Gosto da ideia de ver a garota evoluindo e percebendo umas coisas, crescendo... Isso é legal e faz valer a pena a leitura porque acaba passando algo, fazendo a gente pensar um pouco.
    Não sei se leio assim por vontade própria, mas se o livro me cair em mãos vou dar uma chance, acho.

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  2. Sempre tive vontade de ler os livros desta autora, pois muitas das vezes leio elogios positivos a respeito da obra, e foi ai que resolvi adquiri esta obra. No entanto o que mais tenho visto são resenha negativas, principalmente a respeito da personagem, a forma como os leitores não consegue se identificar com sua situação, e as situações em que ela se mete, como você mesma citou. Bom, irei ler o livro mesmo assim, mas estou com certo receio de não curti.

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  3. Ouvi falar da escrita da autora, me disseram que amaram e que super recomendavam. Geralmente cada obra de um autor pode ter uma pegada ou abordagem diferente e espero que se você der outra chance, que tenha uma experiência melhor. Curti muito a resenha, abraços!

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  4. Olá, como já ouvi muitos elogios à escrita da autora, sempre tive curiosidade de ler uma de suas obras. Confesso que mesmo com a evidente previsibilidade presente neste livro, o humor bem construído me chama atenção além de obras desse gênero serem perfeitas para ler em períodos de ressaca literária. Beijos.

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  5. Gostei da sinopse; e já li bons comentários sobre este livro.
    Legal mostrar que a vida (de alguns) não é tão perfeita quanto parece, ainda mais quando baseamos essa perfeição pelas redes sociais.
    Fiquei intrigada com uma coisa, como Demeter não reconhece Cat? Por mais que ela tenha problema de fisionomia e Cat esteja diferente, por ter sido chefe se lembraria em algum momento...
    Bom saber que há um crescimento da personagem, gosto quando tenho a oportunidade de ver algum personagem evoluindo.
    Gostei da resenha, parece ser um bom livro.

    Beijos

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  6. Confesso que a resenha me deixou dividade em relação ao livro. No primeiro momento não curti a premissa, já no segundo gosto do amadurecimento da relação entre as personagens que o livro parece abordar.

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  7. OI Alê.
    Tem uma coisa que eu concordo com você, a competição que os autores tentam passar na área de publicidade, para mim também soa infantil, enfim achei uma pena que no começo a leitura foi ruim para você e eu te entendo, a história inicialmente não me chamou a atenção, justamente por essa premissa, porém fiquei feliz em saber que ela evolui durante a leitura o que me deixou bem feliz, mas ainda não sei se leria.
    Bjs.

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  8. Fiquei em dúvida se leria esse livro, pois teria que ter paciência para conseguir passar da primeira parte sem desistir já que é lenta, mas pelo menos melhorou, é um bom tema esse das redes sociais, pois acontece muito na realidade também as pessoas vivem muito de aparências e na realidade nem é tudo isso.

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  9. Alê!
    Que delícia poder ver a resenha de mais um livro da Sophie.
    Mesmo que não seja tão hilário quanto os outros, mas traz grandes ensinamentos que não podemos deixar de absorver.
    Temos de aprender a valorizar mais o que temos e não ficar olhando para o que os outros tem.
    E tem romance, ainda melhor, né?
    Quero ler e pronto!
    Semaninha de muita luz e paz!
    “Todo o nosso saber se reduz a isto: renunciar à nossa existência para podermos existir.” (Johann Goethe)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  10. Não li ainda nada da autora, mas confesso que tenho vontade. Ganhei esse livro de presenta e fiquei doida para ler, achei a sinopse super leve e convidativa.
    Estou no meio de uma ressaca e quero algo mais leve e divertido para ler.
    Certeza que esse livro vai ser bom.

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  11. Ainda não tive a oportunidade de ler nada da autora, mas tenho vários de sues livros na lista de desejados. Quando este livro foi lançado fiquei bem curiosa pela sua sinopse e pelo seu título. Realmente a historia parece ser bem exagerada em relação aos extremos da personagem, mas bacana para ao iniciar a leitura ,não criamos tanta expectativa sobre o livro. Mas ainda sim seria um livro que teria vontade e curiosidade de ler.

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  12. Olá Alê!
    Já li várias resenhas desse livro e me interessei por ele, como curto mto o gênero qro mto conseguir ler um dia e conhecer o enredo que parece bem bacana, só pelo titulo já me conquistou.
    Bjs!

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  13. Olá, adorei o fato que o livro é lindo mesmo com o romance ficando em segundo plano. Já li alguns livros dessa autora e sempre dou boas risadas. Espero que aconteça o mesmo com esse livro.
    Ansiosa pra ler. Beijos.

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  14. Oi, Alê!!
    Gosto muito de ler os livros da Sophie Kinsella, e desde que vi esse novo livro dela estou louca de curiosidade para fazer essa leitura!! Gostei da premissa da estória que reflete bem o mundo consumista que estamos vivendo.
    Bjoss

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  15. Ainda não li nem um livro da autora Sophie Kinsella, mas sempre leio diversos comentários positivos referentes aos livros dela, uma pena este livro ser uma leitura previsível, dependendo a história isto me incomodaria, mas acho que mesmo assim eu leria Minha Vida Não Tão Perfeita.

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  16. Oi Alê,
    Sophie Kinsella é considerada por muito leitores uma das melhores autoras da atualidade, mas como não leio muito o seu gênero de escrita mais característico, nunca li nenhuma obra da autora. Sei que a autora escreve comédias românticas e para quem é acostumado com seus livros espera escontrar muita diversão em suas histórias. Mas em Minha vida não tão perfeita Sophie me parece que quis explorar um outro lado seu, uma lado mais dramático, pois o livro é o retrato da realidade de pessoas que sonham em mudar de vida e as consequências por trás das escolhas (tanto erradas quanto certas) e, isso, é um tema muito interessante de ser abordado. Ainda não me vi atraída para conhecer suas escrita, mas quem sabe isso mude no futuro.

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