19 de abril de 2018

Resenha: A Casa das Sete Mulheres

Durante a Revolução Farroupilha (1835-1845) — uma luta dos latifundiários rio-grandenses contra o Império brasileiro —, o líder do movimento, general Bento Gonçalves da Silva, isolou as mulheres de sua família em uma estância afastada das áreas em conflito, com o propósito de protegê-las. A guerra que se esperava curta começou a se prolongar. E a vida daquelas sete mulheres confinadas na solidão do pampa começou a se transformar. O que não está nos livros de história sobre a mais longa guerra civil do continente está neste livro de Leticia Wierzchowski, um exercício totalizador sobre a violência da guerra e sua influência maléfica sobre o destino de homens e de mulheres.

Título Original: A Casa das Sete Mulheres
Autora: Leticia Wierzchowski
Páginas: 462
Editora: Bertrand Brasil
Livro recebido em parceria com a editora

A Casa das Sete Mulheres é, sem sombra de dúvidas, um clássico da literatura brasileira. Leticia Wierzchowski narra com detalhes esplendorosos a Gerra dos Farrapos — que durou dez anos, de 1835 a 1845 —, sob os olhos das sete mulheres da família do general Bento Gonçalves: Ana, Antônia, Caetana, Perpétua, Rosário, Mariana e Manuela. A obra faz parte de uma trilogia e foi relançada no ano de 2017 pela editora Bertrand Brasil em uma edição de encher os olhos.

Sabendo que o perigo estava por vir devido a Revolução, Bento Gonçalves decidiu reunir as mulheres de sua família na Estância da Barra, uma fazenda distante onde, imaginava ele, elas poderiam viver tranquilas enquanto durasse a guerra. O que ninguém imaginava é que essa tormenta duraria dez longos anos. Vivendo no meio do nada, as sete mulheres só tinham umas as outras como companhia, além das crianças, dos escravos e da angústia que sempre as acompanhava, visto que as notícias só chegavam esporadicamente.

Em minha opinião, apesar de todas as mulheres terem um certo protagonismo na história, a mais importante delas era Manuela, uma jovem cheia de carisma e sonhos, mas muito mais inteligente e esperta do que todas as pessoas imaginavam — principalmente porque ela teve uma "premonição" da guerra. Manuela também se torna o foco de um dos romances mais aclamados da literatura, com Giuseppe Garibaldi. Vale lembrar que tal romance é muito bem inserido no enredo, sem parecer que foi enfiado ali só para dar um gás na história.

A Casa das Sete Mulheres possui uma narrativa cheia de detalhes, que envolve o leitor de uma forma única. A única coisa que talvez incomode o leitor é a monotonia dessa espera que parece durar uma eternidade. Digo isso porque em alguns momentos eu me sentia exausta de ter que esperar, quase como uma das personagens do livro, e uma ansiedade tomava conta de mim, como se fosse o meu marido que estivesse comandando uma revolução. Mas, como todo bom livro, acredito que essa ambientação foi feita para causar esse desconforto, para que a gente realmente sentisse também todo o sofrimento.

A narrativa, apesar de ser um pouco mais formal do que estamos acostumados, é muito fluida e fácil de entender. Isso para mim só prova que é possível inserir clássicos, por exemplo, na lista de leitura de uma turma do ensino médio sem ter a necessidade daquela linguagem tão complicada que afasta os adolescentes da literatura brasileira. Os capítulos têm a visão de vários personagens, e trechos do diário/caderno de Manuela também são usados o tempo inteiro para contextualizar o leitor.

Leticia Wierzchowski conseguiu com maestria intercalar realidade e ficção em A Casa das Sete Mulheres, uma própria representação da literatura do nosso país. A obra foi adaptada pela Rede Globo em 2003 através de uma minissérie que teve cinquenta capítulos. A adaptação fez tanto sucesso que foi reprisada em 2006 e, ainda hoje, é possível encontrá-la completa em DVD. 

17 comentários:

  1. Lembro que assisti a minissérie na televisão e curti muito.
    O livro com certeza é melhor e mais completo.
    Ainda não tive a oportunidade de ler.
    Tenho e adoro o livro A Muralha de Dinah Silveira de Queiroz cuja minissérie homônima foi baseada

    ResponderExcluir
  2. Olá Ana,
    Lembro que quando assisti a mini série senti esse mesmo desconforto de ter que ficar esperando, e como você disse, concordo que talvez foi exatamente isso que a autora desejava, passa para o leitor os mesmo sentimentos que os personagens sentiam, apesar de se tornar um tanto parado, acho isso muito legal.
    Não tive oportunidade de ler nenhuma das edições dessa história, mas concordo, é um clássico, e incrível por ser bem real.
    Beijos

    ResponderExcluir
  3. Oi, Ana.

    Eu imagino que de alguma forma, essas mulheres se sentiam aprisionadas, mesmo sabendo do perigo que rondava lá fora, mas que ao mesmo tempo, conseguiria construir uma vida ali.

    ResponderExcluir
  4. Puxa, acabei vendo esta série na época que passou na tv.rs Ficava acordada até tarde só para acompanhar.
    Não é apenas história do nosso país, parte fundamental não só a quem mora no sul do país, mas para todos nós que sempre buscamos mais aprender sobre nossa terra, mas também é romance, família, lutas pessoais e muito mais.
    Essa nova roupagem do livro está maravilhosa!!!E se tiver oportunidade, quero muito poder reler a obra, já que li uma edição bem antiga..rs
    Beijo

    ResponderExcluir
  5. A casa das sete mulheres está na minha lista já tem um tempinho; vi alguns da série, mas na época eu era pequena e não podia acompanhar. Mas pelas cenas que vi até hoje, parece uma história muito interessante.
    Gostei de saber esses detalhes sobre a narrativa e a escrita, acredito que apesar da monotonia eu vou gostar de conhecer a história.

    Beijos

    ResponderExcluir
  6. Nossa, lembro de ver um pouco daquela adaptação, mas quase nada da história. Quando descobri que era livro me deu uma enorme vontade de ler. E já li coisa dessa autora, ela tem uma escrita super envolvente e fácil de se jogar. A história aí é bem interessante. Ver a guerra pelos olhos dessas mulheres, poder acompanhar as consequências na vida de cada uma, como é a vida de cada uma, parece bem legal. É coisa pra aprender e personagem bem feito pelo visto. Adoraria ler alguma hora.

    ResponderExcluir
  7. Olá Ana!
    Desde que vi a minissérie na tv eu tenho admiração por essa história, infelizmente ainda não tive uma oportunidade de ler livros, então, espero que surja o qto antes.
    Bjs!

    ResponderExcluir
  8. Oi Ana.
    Esse livro é uma ótima dica para quem quer ler um clássico e um nacional.
    Adorei a premissa do livro, a ambientação e os personagens descritos. Todos parecem ter um propósito na história.
    Eu não sabia que esse livro fazia parte de uma trilogia. Pensei que era livro único.
    Adorei essa edição! A capa é linda.
    Beijos

    ResponderExcluir
  9. Já assisti o seriado que passava na Globo da Casa das 7 Mulheres, gostei muito de ver. O livro não cheguei a ler, mas deve ser tão bom quanto, uma história onde podemos vivenciar uma época de guerra e ainda poder conhecer mais sobre as mulheres que habitam a casa!!

    ResponderExcluir
  10. Oi!
    Vejo muitas pessoas comentarem sobre A Casa das Sete Mulheres, mas nunca tinha parado para ler a resenha desse livro e ver sobre o que a historia trata, achei bem interessante esse enrendo contato a historia através do olhar dessa mulheres, fiquei curiosa para saber mais e esse é um livro quero ler !!

    ResponderExcluir
  11. Não assisti e nem li, mas tenho muita vontade pois é bem comentado. Fiquei imaginando o sofrimento dessas mulheres que situação difícil e angustiante, deve ser uma leitura que deixa o leitor aflito por causa dos acontecimentos.

    ResponderExcluir
  12. Quando vi o título do post lembrei exatamente dessa série que a Globo produziu. Não assisti e pra ser sincera soube do que se trata a história agora aqui na sua resenha. Você não comentou mais imagino que o livro seja narrado em terceira pessoa. Acho que seria legal se fosse em primeira com cada uma delas narrando. Não lembro muito sobre a Revolução Farroupilha, mas pelo o que pude perceber a autora trabalhou bem a história no livro. Acho que essa monotonia pode ter sido até proposital, digamos assim, para que o leitor realmente se sentisse na pele dessas mulheres. Sem dúvidas a angústia, a ansiedade e a espera caracterizam bem o que elas sentiam. Não é uma leitura que eu realizaria agora, mas quem sabe um dia.

    ResponderExcluir
  13. Ana!
    Tive oportunidade de ver a adaptação televisiva, antes de ler a obra, infelizmente.
    É que o livro é mais cheio de detalhes, inclusive sobre a personalidade das personagens e sobre seus sentimentos em relação aos acontecimentos e amores.
    Adorei todos os dois e também recomendo, apesar das citações racistas, mas temos de entender que faziam parte naquela época...
    Para quem não gosta de detalhes, o livro pode mesmo ser um tanto cansativo.
    Bom final de semana!
    “Os piores estranhos são aqueles que vivem na mesma casa e fingem que se conhecem. Conversam banalidades, mas nunca o essencial.” (Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA ABRIL – ANIVERSÁRIO DO BLOG: 5 livros + vários kits, 7 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

    ResponderExcluir
  14. Oi, Ana!!
    Nunca tive oportunidade de ler esse livro, mas assisti a adaptação para minissérie que por sinal foi maravilhosa!! Mas ainda gostaria muito de ler esse livro da autora.
    Bjoss

    ResponderExcluir
  15. Amo a adaptação. É uma das coisas mais perfeitas - fotografia, trilha sonora, personagens - que já vi. Manuela com certeza é a grande figura do enredo, não desmerecendo as outras mulheres. A premonição, a narração, tudo é por conta de Manuela e isso tem um grande peso sobre a personagem e confesso que fiquei bem chateada com o rumos da vida de Manuela.

    ResponderExcluir
  16. Oi Ana!
    Lembro da adaptação da globo e que tinha gostado bastante.
    Acho muito interessante o livro retratar uma outra visão da guerra dos farrapos, mostrar como ela não afetou só diretamente como indiretamente a vida das pessoas que viviam na época. Imagino que realmente o desconforto é parte da proposta da autora pra entendermos melhor a vida dessas mulheres nesses anos. Concordo com você que livros assim tem toda as condições de serem inseridos na literatura juvenil das escolas.
    Bjs

    ResponderExcluir
  17. Assisti a série toda, corria para não perder um episòdio. Nem sabia que era baseado em um livro e muito menos que era baseado em uma història real, hoje como historiadora tenho que saber ne? Mas tenho muita vontade de ler o livro que deveria ser mais divulgado. Muito bom.

    ResponderExcluir

 
Layout feito por Vinícios Costa editado por Silviane Casemiro | Todos os direitos reservados ©