Eu nunca fui uma leitora de thrillers, mas tenho me aventurado mais nesse estilo ultimamente. Nessa jornada de conhecer livros dentro desse gênero, eu já li muita coisa boa, mas também já li muita coisa ruim. Com Amor, Mamãe me chamou a atenção pela premissa: uma escritora famosa, Elizabeth Casper, morre após sofrer uma queda durante sua caminhada matinal e parece que os únicos comovidos são seus fãs. A família, em especial a filha, Mackenzie, não parece estar sofrendo.
Eu, que apesar de não ter tanta experiência com thrillers, amo um bom drama familiar, principalmente quando envolve assuntos de maternidade. Logo, a sinopse de Com Amor, Mamãe me ganhou. A forma como a Elizabeth morreu acaba levantando suspeitas: será que foi mesmo um acidente? Tudo fica ainda mais estranho quando Mackenzie começa a receber cartas estranhas que contam o passado de seus pais, um passado que envolve acontecimentos trágicos, traições e vingança.
A narrativa começa rápida, mas, eu senti que foi ficando lenta. A primeira carta chega já bem no início do livro e a história já mostra a que veio. Mas depois de alguns capítulos, eu senti que a história fica muito presa nos mesmos pontos, repetitiva e sem revelar nada de realmente novo. Particularmente, eu senti dificuldade em me envolver de verdade com a história e com os personagens. O mistério central, se a morte foi natural ou resultado de um assassinato, não me prendeu como eu esperava. Demorei para me importar, e essa sensação de distanciamento acompanhou boa parte da minha leitura.
Por outro lado, os capítulos curtos e o fato de o livro alternar perspectivas através das cartas deixou a leitura bem dinâmica. Talvez o problema não seja tanto o ritmo, mas o fato de que eu não me importei tanto assim com o desenvolvimento. Uma sensação de "Tá, mas, e daí?". Como se eu quisesse chegar logo ao desfecho, porque o processo não estava tão envolvente, principalmente por conta das repetições que parecem só "encher linguiça".
A Mackenzie é a típica jovem ressentida e insegura e, honestamente, acho que eu estou um pouco velha para esse tipo de narradora. Na maior parte do tempo, suas frases de impacto e sua "pseudorebeldia" só me faziam revirar os olhos de tédio. Fora o fato de que ela fica o tempo todo dizendo o quanto o amigo dela, por quem ela é apaixonada, é um gato musculoso (PREGUIÇAAAA). Eu realmente acho que o livro poderia ter sido bem mais profundo do que foi. Afinal, a gente tem uma jovem vivendo o luto por uma mãe que não era afetuosa ou acolhedora. Imaginem quantas emoções conflitantes isso não deve causar. Mas aí, a narrativa prefere se concentrar no romance adolescente entre ela e o melhor amigo que finge não perceber que ela é louca por ele.
Por outro lado, as cartas e os trechos que se concentravam na história de Elizabeth eram bem mais interessantes. A história de vida trágica da escritora foi, no geral, uma parte mais interessante do livro e tentar desvendar quem ela era de verdade foi divertido.
Mas o grande trunfo do livro são as reviravoltas finais. Quando elas começam a acontecer, o impacto é real. As revelações são chocantes e mudam completamente a leitura do que veio antes. É aquele tipo de plot twist que faz o leitor repensar tudo. Mas, infelizmente, as revelações demoram a acontecer, e como elas carregam quase todo o peso narrativo, o percurso até chegar nelas me pareceu arrastado. Fica a sensação de que o livro depende demais do final para justificar a jornada. Em vários momentos, eu senti vontade de fazer leitura dinâmica porque parecia que o livro estava demorando demais pra chegar onde precisava.
Além disso, as reviravoltas e soluções são bastante mirabolantes. Em alguns momentos, é preciso aceitar o absurdo das revelações e “entrar na onda”. Para quem já está habituado a thrillers, isso talvez seja parte da diversão. Para mim, que sou relativamente nova no gênero, tem sido um exercício de entender e aceitar que esse exagero faz parte.
No fim, Com Amor, Mamãe foi um livro que não me cativou durante o processo de leitura, mas foi um livro que me surpreendeu e ganhou meu interesse nos desfechos. É uma hitória repleta de clichês e os personagens são bem pouco desenvolvidos. No geral, a gente tem a mãe fria, a filha rejeitada, o pai que não faz diferença nenhuma em nada e outros personagens igualmente rasos.
É uma obra que pode frustrar leitores que valorizam ritmo, complexidade narrativa e envolvimento emocional constante, mas que provavelmente agradará quem gosta de finais impactantes e reviravoltas ousadas (mesmo que beirando o absurdo kk). Pra vocês, um final impactante compensa uma leitura que não cativou no desenvolvimento?

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