Eve é espirituosa e engraçada, aquele tipo de pessoa que solta piadas autodepreciativas sem nem perceber. Apesar de levar (quase) tudo numa boa, é claro que Eve fica assustada e ansiosa com a gravidez. Para conseguir atravessar esse momento, ela conta com sua melhor amiga, Willa, e o irmão dela, Shep. Ambos são seus amigos de infância e o livro explora muito bem essa relação, principalmente porque a mãe de Willa e Shep, que faleceu recentemente, foi uma figura materna para Eve também.
Eve não é a grávida perfeita, sempre segura e grata, nem a mulher completamente desestruturada pela situação. Ela oscila, como qualquer pessoa real, entre momentos de leveza e aceitação e momentos de medo e irritação. Essa humanidade torna fácil criar empatia por ela e acompanhar sua jornada sem julgamentos, mesmo quando suas decisões não são as mais óbvias ou organizadas.
Apesar de ser um livro leve, a obra traz reflexões interessantes. Ainda que não se aprofunde muito, o livro toca indiretamente em questões importantes, como o fato de que, socialmente, a participação do pai muitas vezes é tratada como opcional, enquanto a responsabilidade materna nunca é. Outra reflexão interessante envolve Willa. A melhor amiga de Eve tenta engravidar há anos, mas não consegue. Ao ver que a amiga conseguiu engravidar tão "fácil", Willa tem emoções conflitantes que podem afetar a relação de amizade das duas. Esses elementos acrescentam sensibilidade à narrativa e ajudam a construir melhor os personagens.
No meio de tudo isso, Eve se percebe desenvolvendo sentimentos romanticos pelo amigo, Shep. O desenrolar desse romance é muito gostosinho de acompanhar. Shep é realmente um querido e é quem mais ajuda Eve ao longo de sua gravidez. Eu leio muitos livros de fantasia, mais que romances, e nas fantasias é comum termos homens brutos e grosseiros como pares romanticos. Ter encontrado Shep entre uma leitura e outra foi um refresco pra mim. Ele é doce, gentil, desajeitado e fofo.
A escrita é simples e direta, sem grandes floreios ou ambições literárias, e isso funciona a favor da proposta do livro. Os capítulos são curtos, o ritmo é ágil e a narrativa flui com naturalidade, tornando a leitura quase automática. É aquele tipo de livro que você pega só pra ler um pouquinho e, quando percebe, já avançou várias páginas. Não há grandes reviravoltas ou conflitos mirabolantes. O foco está justamente no cotidiano, nas relações e nas pequenas transformações emocionais.
Livros assim eu gosto de escutar enquanto faço faxina ou enquanto me arrumo. E foi o que fiz com esse. Coloquei a Alexa pra ler pra mim e foi muito fácil de acompanhar. Alguns livros são mais difíceis de funcionar como áudiobook, mas Quando Menos Se Espera é perfeito nesse formato.
O único ponto que me incomodou no livro foi o final. O livro se estende demais em diálogos explicativos sobre sentimentos e acontecimentos que já estavam subentendidos ao longo da história. Para mim, soou como se o texto estivesse subestimando o leitor. Muitas coisas já estavam bem construídas nas entrelinhas e não precisavam ser ditas com todas as letras, o que acabou tornando essa parte um pouco cansativa.
Ainda assim, Quando Menos Se Espera cumpre muito bem sua proposta. É um livro gostoso, divertido, com momentos engraçadinhos e zero complicação. Uma leitura para usar pouquíssimos neurônios, ideal para quando tudo o que você precisa é de algo leve, acolhedor e confortável. E, para o momento que estou vivendo, foi exatamente o que eu precisava.
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