27 de maio de 2018

Resenha: Um Amor Perdido

Separados pela guerra, ligados pela memória: uma história envolvente e instigante no rastro da Segunda Guerra Mundial.
Na Praga do pré-guerra, Lenka, uma jovem estudante de arte, apaixona-se por Josef, um médico recém-formado. Eles vivem cheios de ideais e de sonhos para o futuro, mas também são judeus e muito ligados à família. Casam-se, mas, pouco tempo depois, como tantas outras famílias, são separados pela guerra. As escolhas impostas pelo destino os afastam, mas deixam marcas permanentes: o caos e as informações truncadas dos tempos de guerra os levam a crer que o outro morre.
Na América, Josef torna-se um obstetra bem-sucedido e constrói uma família, apesar de nunca esquecer a mulher que acredita ter morrido. No gueto de Terezín, Lenka sobrevive graças aos seus dotes artísticos e à memória de um marido que julgava nunca voltar a ver. Apesar de todas as provações e dos infortúnios, mantém a chama daquele primeiro amor acesa, guardada em seu coração.
Da glamorosa vida em Praga antes da ocupação aos horrores da Europa nazista, Um Amor Perdido explora o poder do primeiro amor, a resiliência do espírito humano e a eterna capacidade de recordar.

Título Original: The Lost Wife
Autor: Alyson Richman
Páginas: 336
Tradução: Ana Carolina Mesquita
Editora: Bertrand Brasil
Livro recebido em parceria com a editora

Comecei a ler Um Amor Perdido achando que encontraria apenas uma história de um jovem casal que foi separado pelos horrores da Segunda Guerra Mundial. Em partes, é disso que o livro fala, realmente, mas é muito mais um relato da vida e das tragédias no Gueto de Terezín — que eu nunca tinha ouvido falar até então —, um campo de concentração mostrado como um modelo de assentamento de judeus. Milhares de judeus da Tchecoslováquia foram levados para Terezín durante o Holocausto. 

O enredo gira em torno de Lenka, uma judia que estuda artes plásticas em uma ótima faculdade de Praga. Quando está cursando o segundo ano, a personagem se apaixona por Josef, um estudante de medicina e irmão mais velho da sua melhor amiga. Com a Guerra chegando, Josef pede Lenka em casamento para conseguir levá-la em segurança para os Estados Unidos, onde conseguiriam ter uma vida tranquila e feliz. Porém, os planos dele são totalmente frustados quando Lenka se recusa a ir sem a sua família, convencendo-o a ir primeiro. Assim, Josef consegue fugir, enquanto Lenka permanece em Praga, onde acaba sofrendo as consequências da Guerra. 

O livro é narrado sob dois pontos de vista, de uma forma diferente do que estamos acostumados. Enquanto Josef narra a sua vida no presente, contando detalhes a partir do momento que desembarcou nos Estados Unidos, conhecemos Lenka no passado, narrando os horrores que viveu no período anterior à Segunda Guerra e durante a mesma. Mesmo estando longes um do outro, é perceptível que nunca esqueceram o amor que viveram. 

Mesmo tendo refeito sua vida nos Estados Unidos, Josef nunca se perdoou por ter deixado Lenka para trás. Ele se casa com outra mulher, tem dois filhos com ela e vive uma vida relativamente tranquila, mas é constantemente atormentado pela culpa, pelo fantasma da ex-mulher, seu verdadeiro amor. As partes narradas por Lenka, que geralmente eram os capítulos mais longos, ocupam cerca 70% da narrativa e é o verdadeiro cerne da história. 

A escrita de Alyson Richman é extremamente detalhada. Tanto que, em certos momentos, senti como se a história não se desenvolvesse. Isso acontecia com frequência a partir do momento em que Lenka e sua família chegaram no gueto. Não sei se é por causa da monotonia e da rotina do lugar, mas a narrativa simplesmente não saía do lugar. É justamente por causa do ponto de vista de Lenka que não considero esse livro uma história de amor e sim uma história sobre a Guerra — e isso não é necessariamente uma coisa ruim. 

Josef e Lenka passaram um tempo mínimo juntos e, apesar de manterem viva a chama do primeiro amor, eles passaram por muitas coisas depois foram separados. Enquanto Lenka lutava para sobreviver, Josef estava reconstruindo sua carreira como médico. Não deixavam de pensar um no outro, mas tinham muito mais com o que se preocupar. Gostei da forma como a autora reconduziu a vida de ambos a partir do ponto em que pararam de ter notícias um do outro. 

O romance entre Lenka e Josef é apenas um pano de fundo para o que realmente Alyson Richman quis nos mostrar com Um Amor Perdido, além dos horrores da Guerra sob um ponto de vista que eu, particularmente, nunca tinha visto: é possível reconstruir a vida mesmo após grandes perdas. Apesar de tudo, é possível superar a dor e encontrar um final feliz. 

17 comentários:

  1. Oi, Ana.

    Por se passar em um período de muita dor, o livro acaba passando toda essa carga emocional para o leitor, por, assim como os personagens, termos a esperança de que tudo acabará bem, de que eles poderão viver esse amor como deveriam ter vivido.

    O tempo pode separar fisicamente duas pessoas, mas não é capaz de destruir um grande amor.

    Espero não me decepcionar com esse livro.

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  2. Adoro coisa com Segunda Guerra, que fale de algum detalhe que não sei e essas coisas. Uma história de amor sempre me chama atenção e essa parece forte, triste, bonita e melancólica. Ela ter resolvido ficar pela família e as consequências da separação para os dois...ai, só posso imaginar. Interessante a forma de contar também, achei legal essas diferenças de tempo.
    O livro já tinha me chamado atenção quando vi e pelo visto acho que iria gostar. Parece uma boa história.

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  3. Oi Ana,
    Conseguir sobreviver aos horrores da guerra não é fácil, não é para todos e, certamente, para quem consegue há muitas consequências e traumas a se lidar. Já li muitas sinopses de livros ambientados na 2ª guerra mundial, mas a de Um amor perdido foi a que mais me interessou. Lenka precisou escolher entre o amor pelo marido e o amor pela família e isto lhe teve um custo. Não dá para dizer que ela fez a escolha errada, mas vendo como ficou sua vida é de se pensar como as coisas poderiam ter sido melhores se tivesse ido com Josef. Alyson Richman abordou o primeiro amor de uma forma diferente aqui, apontando o quanto esse sentimento foi importante para que os protagonistas seguissem suas vidas separados. Achei a capa muito bonita, pois parece combinar bem com a trama e espero ter a oportunidade de conhecer essa história logo.

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  4. Recentemente li sobre Terezín; li o livro O diário de Helga, são relatos de uma menina que sobreviveu ao Holocausto. Foi muito tocante saber como essas pessoas sobreviveram no campo de concentração.
    Sobre Um amor perdido, está na minha lista.
    Fico feliz em saber que é uma boa leitura.
    Parece emocionante.

    Beijos

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  5. A Segunda Guerra Mundial é um período triste é horrível da história da Humanidade.
    Apesar de não ler muito sobre essa época quando leio sempre me toca muito.
    Conheci Um Amor Perdido no instagram da editora e me chamou a atenção por ser de Época / histórico, gênero que amo ler.
    Pela sua ótima resenha percebi que lencinhos de papel serão necessários!

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  6. Oi Ana.
    Interessante você não ter achado esse livro, um romance. Eu adoro história que conta, relatos da segunda guerra mundial, e desde que vi o anúncio desse lançamento, espero uma oportunidade para lê-lo, uma pena você ter achado tudo um tanto que monótono, mas tem livros que realmente não fluí, quando isso acontece comigo, sempre falso uma pauda de alguns dias, para ver se consigo continuar, mas enfim, quero muito ler.
    Bjs.

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  7. Ana!
    Gosto dos detalhes, principalmente em um enredo que tem a guerra omo pano de fundo, preciso saber de cada detalhe para me ambientar.
    E ainda tem o drama do amor perdido por causa da guerra.
    Quero poder ler.
    Maravilhosa semana!
    “O meu objetivo é colocar no papel aquilo que vejo e aquilo que sinto da mais simples e melhor maneira.. “(Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy

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  8. Tudo que é livro que aparece sobre esta parte negra do nosso passado e os horrores da Segunda Guerra me anima a ter e ler. Vivo tentando a duras penas, aumentar minha coleção com livros sobre o tema, mas parece que ainda há muito o que ser mostrado e falado sobre aquele época.
    Sei lá, é tão dolorido, mas ao mesmo tempo tão necessário a todos nós, para que saibamos até onde o ser humano pode ir, seja na maldade, quanto na força em querer sobreviver.
    Não conhecia o livro,mas claro que já está indo para a lista de mais desejados. Não é apenas um romance onde o casal se separa e mesmo com o tempo e distância, ainda mantém este amor na alma, mas vai muito além. Amor, dor, perdas, recomeço.
    Espero poder ler!
    Beijo

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  9. An-nyong-ha-se-yo!
    Realmente o livro não é apenas romance, mas sim, consegue trazer os sofrimentos de uma época de guerra e os vestígios que deixam nas pessoas. Acredito ser uma leitura bem triste...

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  10. Oi Ana.
    Gosto muito de histórias que se passam na Segunda Guerra. Ainda mais se é sobre amores que se desencontram, e mostra como está a vida de cada um.
    Parece que é um bom romance, com tragédias da guerra, mas com possibilidade de recomeço e um final feliz. Adoro histórias assim.
    Além disso, a capa é linda!
    Beijos

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  11. Olá Ana!
    Estou louca pra ler esse livro, desde que comecei acompanhar resenhas sobre ele tenho me encantado, a história parece ser linda e a escrita tbm, espero ter oportunidade de ler.
    Bjs!

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  12. Olá, gosto do fato de a autora explorar uma vertente pouco conhecida sobre a Guerra, o que deixa a trama sem dúvidas mais atrativa. Além disso, a mensagem deixada de que é possível se reerguer frente a alvo que parece nos quebrar é belíssima. Beijos.

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  13. Amei a resenha, a capa e ainda mais o livro! Livros que se passam na época da guerra não são os meus preferidos por ficar bastante tensa após a leitura, mas quando encontro uma pérola dessa assim, com certeza tenho que conferir. Achei legal de o livro ter dois pontos de vista, mas aposto que o da Lenka deve ser emocionante demais na sua luta pela sobrevivência. Gostei muito da capa, e capas pra mim tem um peso bem importante e o enredo então? Me ganhou. Esse vai pra minha lista de desejados agora mesmo.

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  14. Que resenha linda, não conhecia o livro mas estou encantada com a trama e principalmente com a capa.
    Gosto muito de tramas que contem sobre a segunda guerra, ainda mais quando tem um grande amor envolvido.
    Gostei dos dois personagens, mas a história de Lenka parece ser muito mais linda.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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  15. Gosto de historias de Guerra, deve ser muito revoltante os acontecimentos que a personagem passa e mexer muito com as nossas emoções. É triste que o romance dos personagens não tenha dado certo, isso mostra os horrores da Guerra e o sofrimento que causa. Só fiquei com receio dessa escrita muito detalhada pode ter ficado uma leitura cansativa.

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  16. Achei linda a capa e a história parece muito boa e emocionante, apesar de todo o terror da guerra.
    Gosto muito de ler sobre a segunda guerra, e esse parece ser um desses livros de emocionar, conscientizar e marcar!
    Vou ler em breve!
    bjss

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  17. Oi, Ana!!
    Até o momento li poucos livros que falam sobre a segunda guerra, mas ache bem interessante esse livro. E duro passar por uma guerra e pensar que o grande amor da sua vida morreu. Amei a indicação.
    Bjos

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