21 de junho de 2018

Resenha: A Heroína da Alvorada

Foto: Delirium Nerd
Quando a atiradora Amani Al-Hiza escapou da cidadezinha em que morava, jamais imaginava se envolver numa rebelião, muito menos ter de comandá-la. Depois que o cruel sultão de Miraji capturou as principais lideranças da revolta, a garota se vê obrigada a tomar as rédeas da situação e seguir até Eremot, uma cidade que não existe em nenhum mapa, apenas nas lendas — e onde seus amigos estariam aprisionados.
Armada com sua pistola, sua inteligência e seus poderes, ela vai atravessar as areias impiedosas para concluir essa missão de resgate, acompanhada do que restou da rebelião. Enquanto assiste àqueles que ama perderem a vida para soldados inimigos e criaturas do deserto, Amani se pergunta se pode ser a líder de que precisam ou se está conduzindo todos para a morte certa.

Título Original: Hero at the fall
Autor: Alwyn Hamilton
Páginas: 384
Tradução: Eric Novello
Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora

Chegar ao fim de uma série da qual se gostou muito pode ser sempre um problema. Não se trata apenas do conflito entre descobrir o final versus ficar sem mais volumes para ler, mas também aquele medo inevitável de que o desfecho não alcance todo o seu potencial. No caso de A Heroína da Alvorada, foi esse medo que me fez enrolar para ler um livro que eu tinha em mãos havia algumas semanas. Porém, ao concluir esse terceiro e último livro da série A Rebelde do Deserto, a sensação foi de alívio, misturada à emoção de que foi um desfecho perfeito para uma série tão incrível.

Nos primeiros livros, vimos a rebelião avançar, com grandes ganhos e perdas. Agora em meio à guerra, Amani precisa liderar os poucos que escaparam do sultão — após terem sido traídos por alguém em quem confiavam — para encontrar e libertar seus amigos presos em Eremot. O percurso à frente é longo e qualquer perda pode significar o fim de tudo por que lutaram.

Uma parte de mim seria sempre aquela garota egoísta da Vila da Poeira, tentando sobreviver.

Assim como nos outros volumes, o livro é narrado em primeira pessoa por Amani, com alguns capítulos intercalados que mostram os pontos de vistas de outros personagens em terceira pessoa. O interessante desses capítulos é que eles foram contados como se fossem contos ou lendas, histórias narradas por alguém muito tempo depois que haviam acontecido. Alguns desses trechos intercalados ilustravam passagens de antes da guerra; outros conseguiam nos situar sobre o que estava acontecendo com os personagens mantidos longe de Amani. Essa construção não só deu mais consistência ao enredo criado pela autora, mas também serviu para acelerar o coração do leitor, já que cada um deles implicava alguma reviravolta na história.

O enredo todo, aliás, é cheio de reviravoltas. A autora quase me matou de medo em diversos momentos. O perigo, dessa vez, está em cada canto, já que os inimigos estão espalhados por Miraji; não só o sultão e os abdals, mas também os estrangeiros e os djinnis, nunca se sabe em quem se pode confiar. Trata-se de uma guerra, afinal. E só por ter conhecimento disso, o medo de perder personagens que amamos é uma constante durante a leitura, a tensão é inevitável e, é claro, é impossível desgrudar do livro.

Continuávamos perdendo pessoas. E não só as nossas. Pessoas que pertenciam a outras. Pessoas cujas vidas não tínhamos o direito de sacrificar.

Eu amei a mistura que a série fez entre tópicos aparentemente diferentes entre si, mas que deram complexidade à trama. No enredo, há muita aventura, ação, fantasia, debate de questões políticas e geográficas, amizade e romance. Mas não é só isso: o enredo, embora não tenha de fato muito a ver com a nossa realidade, mostra a importância de acreditar em algo e lutar por isso e revela que é difícil, sim, mas é importante, e nada mudará se não fizermos nada.

A Heroína da Alvorada resgata ainda personagens que apareceram nos primeiros livros e consegue dar para todos eles um desfecho. Sinceramente, de alguns deles eu até já tinha me esquecido, mas não Alwyn Hamilton, que conseguiu trabalhar com um enredo fechadinho, aparou as arestas e trouxe um pouco de equilíbrio entre o passado sofrido de Amani e seu presente.

Quem eu pensava que era? A filha de um djinni. Uma rebelde. A conselheira do príncipe. Havia enfrentado soldados, pesadelos e andarilhos. Havia lutado e sobrevivido.

Sinceramente, nem podia imaginar a quantidade de emoções que esse livro me trouxe. É engraçado eu dizer isso porque é "só" uma fantasia, mas a obra envolve de tal modo que eu me senti uma amiga daquelas pessoas do deserto. Foi ótimo acompanhar o amadurecimento da protagonista e a forma como seu sentimento por Jin se tornou tão sólido. Foi maravilhoso ver como ela e Shazad se tornaram amigas, mesmo que a diferença entre elas fosse tão gritante. Eu me apaixonei por cada um desses personagens e por tantos outros, cada um construído com maestria, indivíduos cheios de paixão, de compaixão, de fogo e de brandura, tudo ao mesmo tempo, tão diferentes e tão iguais entre si.

Durante a leitura, eu ri muito - de nervoso e de diversão -, mas também chorei descontroladamente. Terminei o livro com lágrimas nos olhos e emocionada com a forma tocante e verdadeira com que Hamilton encerrou o livro. Amani e seus amigos se tornaram lendas, com suas histórias contadas noites adentro na areia do deserto, mas poucos saberiam de verdade a profundidade da dor e do amor envolvidos nela.

Nós contínhamos nossas próprias histórias. Milhares de pedacinhos dela morreriam conosco.

Se alguém procura uma boa fantasia para ler, por favor, escolha a trilogia A Rebelde do Deserto. É aquele tipo de história que parece não ter muito de novo a oferecer, mas que, quando se percebe, tomou conta de você por inteiro e A Heroína da Alvorada é o melhor final que a série poderia ter.

17 comentários:

  1. Eu tô é doida pra ler esses livros, mas preciso dos outros dois porque só tenho o primeiro e quero ler tudo de uma vez! Help! xD
    Mas é bem legal, gostei de ver que o final tá agradando muita gente, que a autora conseguiu dar um desfecho bom. Parece que fez as coisas num bom ritmo, deu desfechos para todos os personagens e fechou bem as tramas. Tem emoção e bons momentos pro leitor não botar defeito. Se for tudo isso mesmo que tô vendo tanta gente falar já espero altas emoções nessas leituras. E tomara que não tombe com a expectativa porque olha, tô esperando muito mesmo dessas histórias.

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  2. Oi, Ju.

    Por ser o último livro da série, esse livro tende a ser bastante denso, por os nervos estarem à flor da pele. Colocando assim, em pauta a saberia da Amani... Que em um confronto de extremo risco como esse, será de extrema importância.

    Nunca tinha me interessado por essa série, mas vi que ela vai mais além do que eu pensava.

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  3. Demorei algum tempo para me render a história de Amani.
    Só fui ler em maio desse ano. E foi amor à primeira leitura.
    Apesar de ter achado A Rebelde o livro mais fraco da trilogia, a autora comprou com A Traidora e principalmente com A Heroína da Alvorada.
    Realmente esse livro teve de tudo emoção amor alegria tristeza e fechou com chave de ouro a história da Amani.

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  4. Não consegui me conectar com A rebelde do deserto.
    Gostei da Amani e da força que ela tem junto com o jeito sem filtro e gostei do Jim, mas o restante da história não me conquistou.
    Achei muito confuso, muitas informações desconhecidas e... não quero continuar a série.

    Beijos

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  5. Desde o lançamento do primeiro livro, que namoro esta trilogia.
    Amani era apenas uma menina, já não tão ingênua, mas apenas uma menina no primeiro livro e pude acompanhar em todas as resenhas que li, o quanto ela cresceu. Seja em assumir todo o peso de uma rebelião, mas também carregar o peso de todo um povo e o defender até o fim.
    O autor conseguiu criar um enredo fantástico desde o início e pelo que li acima, fechou o ciclo com maestria.
    Espero muito ler os livros em breve.
    Beijo

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  6. Quero muito ler essa série. Ainda bem que o final agradou, adoro reviravoltas elas geralmente são surpreendentes e adorei que a autora terminou com tudo fechadinho, não gosto de finais em aberto e nem algo sem explicação. Parece ser uma leitura tensa e agitada com esses acontecimentos.

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  7. Oi Ju,
    Ainda não comecei a ler essa trilogia, mas não tenho dúvidas de que irei gostar. Alwyn Hamilton conseguiu desenvolver uma história inovadora com uma protagonista forte e em uma ambientação ainda pouco utilizada no gênero (pelo menos eu tive pouca experiência com livros de fantasia que se passem no deserto). Neste ponto da trama Amani carrega um peso muito grande nos ombros que é a libertação da rebelião e é certo que isso será um grande desafio. Fica claro que o livro tem muita ação, uma jogada genial da autora, pois não permite que a narrativa se arraste ou fique entediante. E que bom que esse desfecho foi digno da série o que só me deixa mais curiosa pela leitura dos livros.

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  8. Oi Ju,
    Quero muito ler a Rebelde do deserto, um monte de gente já me falou que é muito bom, então fiquei bem empolgada.

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  9. Sempre leio coisas positivas sobre esta trilogia e fico sempre muito curiosa para ler. Saber quer a trilogia se encerra com chave de ouro é um grande alívio porque da a sensação de que um ciclo se fechou. Já super anotei a dica e espero poder conferir em breve.Tua resenha só me leva a crer que eu preciso começar a ler o quanto antes!! Acho as capas desses livros tão lindass

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  10. Ju!
    Parece que o livro tocou fundo mesmo e a emocionou.
    Muito bom quando uma trilogia termina a contento e bem estruturada, acredito que a autora trouxe um final para Amani bem fechadinho, sem nenhuma falha.
    Bom final de semana!
    “.Aquilo que eu não sei é a minha melhor parte! “ (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy

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  11. Quando eu vou lendo séries também bate esse medo de que o desfecho não seja aquele tão bom! Que ótimo que você gostou do livro e recomenda. Eu gosto muito de fantasia e esse livro eu com certeza vou ler!

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  12. Ai que bom ler essa resenha, só aumenta minha vontade de ler o livro. Eu gosto muito quando o enredo tem muita reviravolta, sem fala que adoro uma história contada em primeira pessoa. E que bom que a autora da um desfecho pra os personagens porque me sinto tão triste quando alguns são esquecido.

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  13. Não gostei tanto desse livro foi o mais fraco da trilogia para mim quando eu li o primeiro livro eu fiquei completamente encantada com que a autora conseguiu escrever até ali mas quando eu fui para outros livros A história meio que foi perdendo o sentido original

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  14. Oi Ju,
    faz tempo que quero ler essa trilogia, mas comecei o primeiro e sei lá, não fluía, parei.
    Agora após ler sua resenha tão empolgada, me deu um up sabe, e acho que vou tentar terminar o primeiro livro novamente. Quem sabe não curto? Nem chegay a metade ainda,rs.
    Parece que o final foi muito bom, pelo o que você disse. Que ótimo né, porque me dá uma raiva quando o último livro de uma série que curto acaba chato, kkkk
    bjs

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  15. Oi, Ju
    Quero muito ler essa trilogia, vejo muitos comentários sobre ela.
    Com uma trama cheia de aventuras perigosas, fiquei muito curiosa.
    Beijos

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  16. Oi, Ju!!
    Sempre é um pouco triste quando acabamos uma série pois não queremos nos despedir da história e dos personagens. Ainda não li essa trilogia espetacular cheia de reviravoltas e personagens marcantes, mas tenho certeza que vou amar essa história fantástica!!
    Bjos

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  17. Totalmente por fora dessa sèrie, nem sei se li as resenhas dos outros livros. Se é uma història surpreendente como acho que è, vou querer ler todos.

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