17 de junho de 2018

Resenha: Uma Proposta e Nada Mais

Primeiro livro da série Clube dos Sobreviventes, Uma Proposta e Nada Mais é uma história intensa e cativante sobre segundas chances e sobre a perseverança do amor.
Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.
Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.
Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Título Original: The Proposal
Autora: Mary Balogh
Páginas: 272
Tradução: Livia de Almeida
Editora: Arquiro
Livro recebido em parceria com a editora

Quando eu tinha mais ou menos dezessete anos, li uma trilogia de época que ganhou o meu coração. Desde então, nunca mais achei nenhuma que me agradasse. Ouvi falar tão bem da Mary Balogh que resolvi dar uma chande para Uma Proposta e Nada Mais, primeiro volume da trilogia O Clube dos Sobreviventes. Infelizmente, foi com esse livro que eu descobri que nunca mais terei um relacionamento sério com um romance de época na vida.

Nesse primeiro livro, somos apresentados aos sete amigos que fazem parte do clube, onde todos os membros foram marcados pelas Guerras Napoleônicas: Imogen Hayes, Flavian Arnott, George Crabbe, Ralph Stockwood, Hugo Emes, Vincent Hunt e Benedict Harper. Apesar de conhecermos um pouco da história de cada personagem, o enredo gira em torno de Hugo. O par romântico de Uma Proposta e Nada Mais se forma de um jeito muito estranho, quando Hugo encontra Gwendoline — viúva do Visconde de Muir — dentro de Penderris Hall, propriedade de um dos seus amigos, com o tornozelo torcido. Ao levá-la para a mansão, Hugo não imaginaria nunca que uma história de amor se desenrolaria entre eles.

Gente, sabem aquelas cenas de filme de romance em que um casal está terminando e, em dado momento, um deles vira e fala "o problema não é você, sou eu"? Ai, pois foi isso mesmo que eu quis falar antes mesmo de terminar esse livro, mas vou ao menos tentar explicar o porquê. Primeiro, eu só queria dizer que não há nada de errado com essa história, é o gênero em questão que não me atrai de jeito nenhum por diversos motivos que acredito que são característicos dele, e que vão contra todos os meus pensamentos. 

Para início de conversa, eu não consigo ler e aceitar de boas a submissão das personagens femininas e as falas e atitudes machistas dos personagens masculinos. Sim, eu estou muito bem ciente de que a história se passa em uma época bem diferente da nossa — e que, na realidade, a maioria das mulheres retratadas aqui estão a frente do seu tempo —, mas EU estou no século 21 e é extremamente difícil para mim assimilar isso tudo, mesmo sabendo que o machismo ainda existe. Resumindo, o que eu não aceito é ler tanta baboseira e ter que aceitar porque "ah, ok, eles estão em outro século".

Por exemplo, logo no início do livro Lady Muir revela em uma conversa com Hugo que esteve grávida e perdeu o bebê no sexto mês de gravidez, quando caiu de um cavalo. Vocês sabem o que o homem falou? "Ah, mas o que você estava fazendo num cavalo nessa condição? Você queria mesmo esse bebê? Mas nossa, quanta irresponsabilidade", como se gravidez fosse doença ou empecilho para as mulheres fazerem o que gostam, como se ela fosse culpada pelo acidente ou como se ele simplesmente tivesse o direito de falar alguma merda com ela, sendo que foi ela perdeu o bebê e sofreu muito por isso. Misericórdia, não tenho paciência. Acho que vocês conseguiram entender um pouco o meu nível de ranço pelo gênero, porque em qualquer livro acontecem diálogos desse tipo.

Eu tenho certeza que uma pessoa que ama esse estilo de história vai se apaixonar por esse livro. Eu não posso mentir falando que ele é um lixo, porque ele têm todos os elementos que uma boa obra deve ter: personagens bem construídos — inclusive os secundários, que aparecerão nos outros volumes da trilogia , enredo de fácil compreensão, um romance chove-não-molha característico do gênero e uma protagonista feminina que consegue salvar o conjunto da obra. Portanto, acredito de verdade que  Uma Proposta e Nada Mais é um bom livro, apenas não funcionou para mim, assim como qualquer outro romance de época que eu pegasse para ler. 

17 comentários:

  1. Oi, Ana.

    É uma pena que não tenha sido uma boa leitura, por o livro ter inserido elementos degradantes, ainda em uma época como aquela, pois o mesmo apresenta personagens marcantes e fortes e com um bom enredo.

    E, entendo o seu ponto de vista.

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  2. Oi Ana,
    Sempre vejo ótimas críticas sobre os livros de Mary Balogh, mas como não tenho costume de ler romances de época ainda não pude conferir sua escrita. O mais interessante de Uma proposta e nada mais e, talvez o maior diferencial, está no fato de que a relação entre os protagonista não irá surgir através de um arranjo ou acordo. Todo o envolvimento será de uma forma natural entre personagens maduros que já tiveram grandes acontecimentos na vida. Trazer a questão da guerra e suas consequências para quem sobreviveu a ela conferem uma certa seriedade a mais na história e, também, já fiquei curiosa para saber mais sobre as histórias dos outros integrantes do Clube dos Sobreviventes. Uma pena que a história não tenha funcionado para você, mas entendo bem seus pontos e acho eles bem relevantes.

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  3. Que pena que não foi dessa vez que os romances de Época conquistaram você.
    Eu por outro lado sou completamente apaixonada por esse gênero. Inclusive minha leitura atual é uma quadrilogia de Época da Loretta Chase.
    Estou com muita vontade de ler esse livro será meu primeiro contato com a escrita de Mary.

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  4. Que pena que a estória não funcionou para você, mas te entendo perfeitamente. Eu gosto muito de romances de época e já li algumas resenhas bem boas sobre o livro. O bom saber que os personagens são bem construídos, tanto os principais quanto os secundários. Eu quero ler ele.

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  5. Nossa, eu adoro romances de época mas eu fico pensando o mesmo que você, tem uns que são difíceis mesmo de engolir porque deixa a gente incomodado de como era essa época, essa questão de submissão. Até quando eu vejo isso pessoalmente já fico louca, imagina lendo o que não da vontade de fazer. Não é um livro que tenho vontade de ler no momento não, mas um dia quem sabe.

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  6. Oi Ana,
    Eu amo as capas desses livros! Já fiquei interessada só por causa delas. Não sabia muito sobre a história desse livro, por isso que sempre adiava a leitura, mas acho que vou colocar como umas das minhas próximas

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  7. Ana!
    Entendo todas suas observações e ressalvas, e em alguns pontos até concordo se a época em que o romance se passa fosse na atualidade, mas temos de ver que é em um século onde as mulheres não tinham vez, nem voz. O ideal é ler imaginando aquela época e entender o que elas passavam.
    Desejo que a semana seja abençoado!
    “Nunca sei se quero descansar porque estou realmente cansada, ou se quero descansar para desistir. “ (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  8. Oi, Ana!!
    Que pena que o livro não funcionou para você. Mas como sou apaixonada por romances de época fiquei bem curiosa para conhecer essa nova série da Mary Balogh.
    Bjos

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  9. Puxa, primeira resenha não tão positiva que leio sobre este livro. Mas entendo de boa seus motivos para não ter curtido.
    Realmente era outra época, onde os costumes eram totalmente opostos ao que vivemos hoje e ver a submissão, indelicadeza e a aceitação de tantas coisas mais voltadas para baixo, é algo que ainda fere a gente por dentro. Saber que era daquela forma ainda machuca.
    Mas sou apaixonada por romances de época e este livro está na minha listinha de desejados.
    Espero poder conferir ele sim..e tomara que eu tenha uma opinião diferente.rs
    Beijo

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  10. Eu sou uma que adora esse gênero e costumo ler bastante dos livros do tipo e gostar. Dessa autora nunca li nada e aí não sei bem como ela apresenta as coisas. Mas também me irrito muito quando aparece algum macho alfa besta, machista e os caramba nesses livros. Aquelas atitudes e falas bobas que dão vergonha alheia, o jeito tosco de tratar as mulheres...tem livro assim do gênero que fazem o vilão desse tipo e ai que nojo, é um horror de ler quando falam das partes deles. Mas normalmente os que leio não me dão esse negócio de passar raiva com mocinhos e aí faz valer a pena. Até quando um mocinho é um terror de homem no começo, costuma melhorar depois e até esqueço umas atitudes. Mas acho que é inevitável, vai ter coisas totalmente diferentes de hoje em dia e tem razão, não é qualquer pessoa que lê numa boa e joga a culpa na época e fica por isso. Acho que aí depende muito do que foi escrito na trama toda, do que o autor quis passar ali com isso e da pessoa mesmo. Se não funciona não dá pra insistir.
    Ainda quero ler uns livros dessa autora pra ver como ela escreve. Espero não me incomodar desse jeito, isso é terrível na hora de ler.

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  11. Você descreveu o que sinto em relação aos romances de época; não tenho tanto contato com esses livros para ter uma base, mas os poucos que li não me despertaram tanta paixão.
    Prefiro romances históricos.

    Beijos

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  12. Li pouquíssimos romances de época, dessa autora ainda não li nenhum, eu também não tenho paciência com a submissão das mulheres e nem o machismo mesmo em séculos passado, mas esperava mais desse, afinal muitos as mulheres são bem decididas e acabam pondo os homens na linha rs.

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  13. Só li críticas boas desse livro, os personagens são bem distintos e cada um vai atrás do que acha certo e gosta, embora sejam diferentes um do outro, ambos tem uma garra e personalidade forte. Espero que tenham superado suas diferenças e deixem o que sentem um pelo outro fluir!!

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  14. Achei isso das personagens femininas de todos os livros da Julia Quinn na verdade e em comparação com esse livro da Mary a protagonista Até que não é tão submissa mas mesmo assim era o bastante para me tirar do sério mesmo sendo Clichê ainda chamou minha atenção pelo romance fofinho

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  15. Ana, comecei ler ele mês retrasado, e até tava gostando, mas quando chega nessa parte que o lorde começa a falar essas coisas pra Gwen, tive que parar também!
    Continuei segundo na leitura mas achei ele muito chato e arrogante, além de ficar tentando seduzi-la do nada e meio que a força, sem deixar a mulher o conhecer bem primeiro.
    Não sei se vou terminar. Mas não gostei até a parte que li.
    bjs

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  16. Olá, Ana
    Gosto de romances, mas de época leio pouco.
    Pode até ser interessante, mas não tenho certeza se quero ler. Porque não me agrada.
    Beijos

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  17. Curto muito essa història, ainda mais sendo de època. È uma història simples, mas gosto muito, o título diz tudo, somente a capa deveria ser mais elaborada.

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