8 de agosto de 2018

Resenha: Garota-Ranho

Do mesmo criador do fenômeno Scott Pilgrim, Garota-ranho é uma das séries mais ousadas, engraçadas e espertas dos quadrinhos atuais. Lottie Person é uma blogueira de moda que vive uma vida absolutamente incrível — ou pelo menos é o que ela quer que você acredite. A verdade é que sua alergia está fora de controle, seu nariz não para de escorrer, o namorado a trocou por uma garota mais nova e é possível que ela tenha cometido um homicídio. Este é o primeiro volume do sensacional Garota-ranho, de Bryan Lee O'Malley, criador de Scott Pilgrim, e da desenhista Leslie Hung.

Título Original: Snotgirl
Autor: Bryan Lee O'Malley e Leslie Hung
Páginas: 136
Tradução: Érico Assis
Editora: Quadrinhos na Cia.
Livro recebido em parceria com a editora

Talvez essa resenha te deixe um pouco desnorteado... pois bem: eu amei Garota-ranho, ao mesmo tempo que detestei. Mas como assim? Deixa eu explicar então. A HQ vai contar a história de uma blogueira de moda, a Lottie, que tem cabelos verdes e é super fashion e maravilhosa na frente das câmeras, mas que aos 26 anos não passa de uma chorona, cheia de problemas que não consegue resolver sozinha, além de ter uma alergia muito forte que tenta esconder de todos ao seu redor.

Lottie acaba convivendo só com pessoas insuportáveis, desde a ex-secretária, o ex-namorado que ainda gosta, até os atendentes da cafeteria e seu médico novo. As amigas só falam de moda ou de caras bonitos, e são tão genéricas que ela acaba dando apelidos pejorativos para todas. Então um belo dia ela se depara com a mais nova blogueira do pedaço — Caroline, a Cool Girl — que além de linda, parece ser a pessoa perfeita (e uma ótima amiga). Numa noite em que as duas vão para um barzinho... Lottie acha que mata a Cool Girl. DÁ PRA IMAGINAR? Será que foi efeito da nova medicação da alergia e ela está alucinando ou ela é mesmo uma assassina?

Mas existe um ponto que me incomodou profundamente durante a leitura, e nem depois de ler uma entrevista do tradutor eu consegui compreender suas escolhas ou mesmo concordar com elas. Como sou tradutora, não posso ficar indiferente à essa adaptação e localização. O título me incomoda MUITO, não sei exatamente o que poderia sugerir para a substituição de "ranho", mas além de achar sim que é regionalismo da parte do tradutor, achei também que não faz jus à obra (por mais estranho que isso possa soar).

Lottie e as blogueiras vivem em LA e por conta disso elas falam em inglês ~ dã, eu sei ~. Mas o tradutor optou por não traduzir diversos termos que ele julgou serem bastante utilizados nesse mundo, do qual eu discordo piamente, já que acompanho diversas blogueiras brasileiras que não fazem uso de NENHUM dos termos que ele manteve no texto. Se isso não faz diferença para você, então pode seguir a leitura sem problemas!

Mas se vamos falar das partes boas, precisamos comentar da arte do quadrinho. As ilustrações e cores de Garota-Ranho são magníficas e mal cabem em palavras. Sério, é uma das coisas mais lindas que já vi. Inclusive ao final dessa edição, várias possíveis capas e artes não utilizadas podem ser encontradas, e a vontade que dá é de recortar e colar na parede!!

Além disso, a edição brasileira contém os 5 primeiros volumes da série americana. Ou seja: você não precisa ficar esperando loucamente depois de um cliffhanger, é só passar para a próxima página. A temática também é algo muito louco de acompanhar. Quando você acha que entendeu sobre o que a HQ vai tratar, ela te dá uma rasteira e prova que pode ser bem versátil, o que é um ponto bem positivo.

A questão maior aqui é que essa história podia ser incrível e não é — ainda. Provavelmente vou ler o resto por querer saber o que acontece na vida da Lottie a partir desse ponto de loucura em que o quadrinho deixa o leitor, e também por ter me identificado muito com ela, mas não sei se me interessaria tanto pela história caso não houvesse essa identificação com a protagonista. Achei que faltou alguma coisa para cativar mais leitores.

17 comentários:

  1. Em um primeiro esse título me incomodou um pouco e se tivesse visto em uma livraria ou site teria passado batido. Mas depois dessa resenha até que me interessei.
    Quanto a não tradução dos termos depende muito do contexto da história. Já vi termos traduzidos que na minha opinião não ficaram tão bons quanto se estivessem na língua original

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    1. O que me intriga bem no fim Chelle, foi a escolha dele manter certos termos no original... Por que como estou inserida nesse mundo das blogueiras diariamente, eu sei exatamente o que elas usariam no lugar das palavras em inglês, que fariam mais sentido e deixaria com cara de "realidade" e não a pieguice toda que ficou.
      O tradutor até comenta que pediu ajuda da esposa pra esses termos, mas eu sinceramente só vejo um homem totalmente fora do contexto tendo que traduzir as coisas das quais não entende - e não provou ser capaz de fazer pesquisa o suficiente pra isso.
      Fico triste por que tradução é a minha profissão né, e localização é mais importante do que tudo nesse meio. Concordo que algumas coisas traduzidas perdem um pouco (principalmente piadas), por isso é necessário estudar o contexto todo mesmo :(

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  2. A princípio, o título do livro causa uma certa repulsa..rs e ao ler a sinopse a gente vê que o título combina com todo o enredo.
    Então vamos lá!
    Não é muito meu gênero e sou bem sincera quando digo que não entendo nadinha sobre Hq e isso de blogueiras juvenis, mas pelo que li acima, o enredo não se resume a apenas isso, vai além deste tipo fútil.
    Andei dando uma olhada nas ilustrações e gostei muito do que vi, as cores, os traços!
    Se tiver oportunidade, quero muito poder conferir sim!
    Beijo

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    1. Vale a pena conferir sim, nem que seja pela parte da ilustração haha o enredo só deixa a impressão de que os autores querem passar muita coisa em pouco tempo, e aí fica meio confuso mesmo.

      Beijo!

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  3. Acho que o título não incomodou apenas a ti, rs, achei desconexo embora não tenha chegado a ler a obra e, sinceramente, não acredito que eu leria um dia. Notei há pouco tempo que não me dou bem com HQs, é algo extenso demais para mim e o tema central desta não me atrai nem um pouco :')

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    1. Eu nunca consigo acompanhar HQs! Uma pela falta de paciência de sair catando os volumes e outra por nem saber onde começar. Mas já que essa tá no início, vamos ver no que dá!

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  4. Sempre que vejo essa HQ eu leio Garota rebanho, mas bem que poderia ser garota-ranço.
    Confesso que não entendi o significado de ranho.
    Acho interessante mostrar essa futilidade e como isso atrapalha nossas vidas; gostei muito da capa, mas tirando isso não é uma história que me chama atenção.

    Beijos

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    1. Eu acho que ranho definitivamente não é a parte mais chamativa da protagonista haha é uma parte que sim, chama atenção e incomoda até o leitor, mas pra mim... podia até ser deixada de lado!

      Beijinhos!!

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  5. Não sei se iria conseguir ler porque já parece irritar muito só com essas amigas e o jeito da garota de ter duas vidas, ser uma pessoa e mostrar outra...Ah cara, parece um tanto irritante. Deve ter seus lados legais como disse, mas pesa muito pra mim quando uma coisa me irrita e aí fico naquele nojo a leitura toda. Sei lá se funcionaria comigo.

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    1. HAHAHA eu li muito mais pelo traço, cores e pelo fato de que eu queria saber o que diabos tava acontecendo do que pelo enredo em si que é no mínimo muito confuso! Vou te dizer que foi até fácil, mas se nos próximos volumes continuar esse povo chato, não sei não...

      Beijos!

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  6. Estranho esse título, não me chamou a atenção, é uma personagem que vive de aparência, nos deixa refletindo sobre as redes sociais. Não sei porque esconder a alergia, isso acontece com qualquer um, mas ela quem sabe rs. Não gostei que o autor não traduziu alguns termos, vai que não dá para saber o que é.

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  7. Oi Jéssica,
    Pelo título eu nunca iria me interessar pela leitura desta HQ, pois convenhamos que o nome não é atrativo. Falando da história, tenho percebido que enredos que trazem assuntos como blogs tem chamado bastante atenção, pois é algo que faz parte da vida da maioria das pessoas, seja influenciador ou como apreciador desse tipo de trabalho. A protagonista aqui faz o tipo que expõe para os outros uma vida bem diferente da que realmente é, algo onde pode ser possível tirar algumas lições. Há um pouco de mistério na trama, algo que gosto e que me deixou curiosa sobre o rumo que isso irá tomar. Acredito que um dos maiores problema desta HQ está na tradução, que não foi feita em sua totalidade e as desculpas do tradutor não me convenceram. Também gostei da arte e olha que não sou muita fã de coisas coloridas.

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  8. Jéssica!
    Gostei também dos traços da ilustradora, dá um visual inovador à HQ.
    Imagino que todas as blogueiras, mesmo que não sejam de moda, devem ler, afinal, traz uma realidade relacionada ao que está por traz do que o seguidores não sabem, não é?
    cheirinhos
    rudy

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  9. Oi, Jéssica,

    Ainda não li a HQ, mas já gostei desse cenário desenhado, por - assim como manter o leitor preso com esse suspense -, mostrar esses dois lados adotados pela personagem, longe das redes sociais e nas redes sociais.

    Não deixa de ser uma abordagem direta à quem faz jus a mesma.

    O título é mega esquisito, e meio nada a ver mesmo, mas ele traz uma certa curiosidade e chama um pouco atenção. Pelo menos esse foi o efeito causado em mim.

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  10. Olá Jéssica!
    Confesso que o nome não agradou nenhum pouco, mas qro ler essa HQ, como ando interessada nesse gênero espero conhecer em breve.
    Bjs!

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  11. Adoro o Bryan Lee O'Malley e scott pilgrim faz parte dos meu favoritos <3 Embora ainda não conhecia garota ranho me despertou muita vontade de já comprar pq sei que é bom (ou ñ) rsrs. Uma pena que não tenha te cativado tanto e detestar certos pontos, mas mesmo assim quero conhecer essa Lottie em hq

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  12. Oie!! Nossa, eu sou simplesmente apaixonada no Scott!! Ainda não havia ouvido falar nessa HQ, mas, assim como muita gente comentou, esse título não é nada chamativo! Acho muito ruim quando as traduções são feitas dessa forma, ainda mais em HQs, mas fiquei curiosa pela história, mesmo com os pontos que você colocou que não curtiu tanto!

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