3 de setembro de 2018

Resenha: A Livraria

Foto: Resenhas à La Carte
O livro que deu origem ao filme estrelado por Emily Mortimer, de A ilha do medo, e Patricia Clarkson, de House of Cards Florence Green, uma viúva de meia-idade, decide abrir uma livraria — a única — na pequena Hardborough, uma cidade costeira no interior da Inglaterra. Florence não esperava, contudo, que seu projeto pudesse transformar Hardborough em um campo de batalha: enquanto a influente e ambiciosa Violet Gamart, que tinha outros planos para a centenária casa que ela escolheu como sede, faz de Florence sua inimiga, a empreendedora também conquista um aliado na figura do excêntrico Sr. Brundish. Na história de Florence Green enfrentando a cortês mas implacável oposição local, vê-se a denúncia de uma estrutura de privilégios apoiada em invejas e crueldades, e, no microcosmo de Hardborough, Penelope Fitzgerald monta um cenário repleto de detalhes precisos e personagens atemporais.

Título Original: The Bookshop
Autor: Penelope Fitzgerald
Páginas: 160
Tradução: Sônia Coutinho
Editora: Bertrand Brasil
Livro recebido em parceria com a editora

Florence Green é uma viúva de meia idade que mora em uma pequena cidade da Inglaterra chamada Hardborough. Ela almeja abrir uma livraria em uma das casas mais velhas da cidade, mas os habitantes da mesma estão um tanto resistentes quanto à ideia da mulher. Eles querem que a casa seja um Centro de Artes ao invés de uma livraria e farão de tudo para tirar a Sra. Green de lá.

Tive muita dificuldade para terminar a leitura, pois a escrita da autora é um tanto complicada e ultimamente só tenho lido livros com uma linguagem mais leve e moderna. Apesar disso, o enredo me chamou bastante atenção e eu consegui ver muitas semelhanças com coisas que acontecem na minha cidade, que também é pequena. Penelope consegue retratar a vida em uma cidadezinha, as fofocas, a velocidade com que elas se propagam, de uma forma impressionante.

Os que viviam em Hardborough havia algum tempo também sabiam que a propriedade era mal-assombrada. O assunto não era nem um pouco evitado, mostrando-se bastante familiar a todos. Por exemplo, uma figura de mulher podia ser vista, algumas vezes, na plataforma de desembarque da balsa, mais ou menos ao entardecer, à espera de que seu filho voltasse, embora ele tivesse morrido afogado mais de um século antes. Mas a Old House não era assombrada de maneira tão comovente. Era infestada por um espírito barulhento que, juntamente com a umidade e um problema não resolvido dos esgotos, explicava, em parte, a dificuldade para a venda da propriedade. O corretor da casa não estava, de forma alguma, legalmente obrigado a mencionar o fantasma, embora, algumas vezes, aludisse a ele com a expressão uma atmosfera antiga incomum.

O modo como todo mundo sabe quem é todo mundo e o que fazem, mesmo sem nunca terem conversado é típico dessas cidades e vemos essa característica extremamente presente no livro. Além dessa característica, a divisão das classes sociais também é muito bem delimitada, percebe-se claramente quem pertence à elite ou são mais simples. Existem eventos na cidade para os quais apenas as pessoas importantes, ou que interessam por alum motivo ao anfitrião, são convidadas.

Florence Green é uma mulher a frente do seu tempo, pois nos anos 50, uma mulher de meia idade e viúva, normalmente não tinha seu próprio negócio. Então os cidadãos de Hardborough a consideravam uma mulher ousada e corajosa. Fica claro pela escrita da autora como algumas pessoas a desprezavam de certa forma por fugir dos padrões esperados, e outros se incomodavam bastante também com o fato de não só ela querer abrir seu próprio negócio, como esse negócio ser uma livraria.

 Naturalmente, quero reduzir as despesas ao mínimo possível.  O gerente preparou-se para sorrir de uma forma compreensiva, mas poupou-se o trabalho quando Florence acrescentou bruscamente: - Mas eu não tenho nenhuma intenção de revender. É uma coisa estranha dar um passo assim na meia-idade, mas o fato é que não pretendo recuar, depois de fazê-lo. Para o que mais se pensa que a Old House poderia ser usada? Por que não fizeram nada com ela nos últimos sete anos? Há gralhas aninhando-se ali, metade das telhas está arrancada, e tudo aquilo fede a ratos. Não será melhor que se transforme num lugar em que as pessoas possam apreciar os livros?

Sinceramente, não consigo entender o porquê de tanta discriminação com os livros. Os personagens demonstravam sim algum interesse pela leitura, mas não tinha ninguém apaixonado por ela ou que a julgasse mais importante que artes. Não entendi também porque um Centro de Artes é mais socialmente aceito do que uma livraria, mas acredito que isso tenha a ver com a mentalidade das pessoas da época, e história não é exatamente o meu forte, então não posso julgar.

A autora consegue nos transportar para a época e a situação de Florence de tal forma que ao passar dos capítulos nos sentimos a própria Sra. Green. O livro é narrado em terceira pessoa e, apesar de ter poucas páginas, a leitura é densa e demorada. Mas nem por isso é cansativo, ele apenas te faz refletir sobre as questões abordadas e uma sociedade complicada. Para quem gosta do gênero, vale muito a pena ler.

13 comentários:

  1. Oi, Alê,

    O primeiro detalhe chamativo, é sem dúvidas o título do livro (a capa nem tanto), afinal, o mesmo tem como referência os nossos amados livros. Porém, as divergências contidas a partir da decisão da personagem, não me parecem ter muito o que explorar. Então, não sei se é um livro que eu curtiria.

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  2. Olá, Alê
    Gostaria de ler para tirar minha conclusão. Li várias resenhas e é um livro que tem muitas opiniões negativas e positivas.
    Pela sua resenha pude perceber que a autora poderia ter explorado muito mais o potencial do tema.
    Beijos!

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  3. Como fã incondicional das livrarias qualquer livro que se passe em uma me chama a atenção. Mas prefiro aqueles que tenham um toque de romance. Que não parece ser o caso de A Livraria. Acredito que pra mim funcione melhor no formato de filme

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  4. Olá Alê!
    Acompanhei poucas resenhas desse livro..
    O nome me deixou interessada em ler, quando vi sobre o filme fiquei ansiosa para conhecer também...
    Já está nos desejados!
    Bjs!

    https://aguardiadasresenhas.blogspot.com/

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  5. Tanto o livro quanto o filme dividiram opiniões. Há tantas coisas positivas e negativas que a gente não sabe por onde analisar..rs
    Mas sendo bem sincera, acho fabuloso estas divisões de opiniões. Sempre acaba deixando tudo mais interessante!
    Ainda não vi o filme e nem li o livro,mas pretendo fazer isso em breve. Histórias de mulheres ousadas e livros sempre me aquecem o coração!!!
    Beijo

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  6. Tinha achado interessante essa história pela coisa da livraria, mas confesso que não deu lá essas vontades de ler. Nao sei o que acharia disso de mostrar cidade pequena e toda aquela proximidade das pessoas. Tem umas coisas assim que me irritam porque é gente falando e falação que só me lembra coisa ruim, já faz pensar em fofoca e sei lá se isso é bom numa história pra mim. Faz lembrar de coisas.
    Doideira isso do preconceito com livros também. Nossa, que estranho. Coisa de época será? Achei meio louco demais. A personagem me chamou atenção e se fosse ler seria mais por ela, por ser diferente. Mas nao chamou muita atenção mesmo =/

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  7. Eu gostei do título, mas fui ler a sinopse e não me chamou atenção.
    É a primeira resenha que leio sobre e mais uma vez vejo que não quero ler esse livro.
    Acho interessante se passar em outra época e a protagonista parece uma ótima pessoa, mas tirando isso não tem nada que me conquiste.
    Já seria a favor de misturar o Centro de artes com a livraria, tudo é arte!

    Beijos

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  8. Oi, Alê!
    Não sou grande fã de livros que são uma leitura arrastada, a premissa da história até que é interessante, mas sinceramente não entendo tanta briga só por que a protagonista quer criar uma biblioteca que sem dúvida iria ser bom para todos na cidade.
    Bjoss

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  9. Não despertou meu interessa leituras arrastadas cansam e atrapalha a fila de livros para ler rs. É uma pena pois o tema é sobre uma livraria isso poderia ter deixado a historia mais interessante, pois o leitor adora quando se fala de livros. Achei estranho esse pessoal da cidade ser contra uma livraria.

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  10. Alê!
    Confesso que esperava que fosse um livro mais voltado para o universo do livro mesmo, tivesse mais algo haver com leitura, mas pelo jeito, fala mais sobre o comportamento das pessoas.
    E que difícil a leitura, hein?
    Desejo um mês repleto de alegrias e uma semana abençoada.
    “Só são verdadeiramente felizes aqueles que procuram ser úteis aos outros.” (Albert Schweitzer)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA SETEMBRO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  11. Oi Alê,
    A história pode não ter grandes acontecimentos, mas aborda questões muito importantes. Florence tem que enfrentar muito preconceito e, eu diria, ignorância para conseguir ter seu negócio, o que só demonstra o quão forte e determinada ela é e, talvez, outra pessoa em seu lugar fosse ceder aos olhares tortos ou resistência a ideia. Também não entendo o motivo de tanta descriminação com os livros, mas como você mesmo mencionou pode ser algo da época. Já tinha ouvido falar desse livro por causa da adaptação que havia chamado minha atenção na época de lançamento, mas a qual ainda não tive a oportunidade de conferir e nem de realizar a leitura do livro.

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  12. Lendo a sinopse e vendo a capa, deu até vontade de ler! Porém, ao ler sua resenha, deu para perceber como o livro não é tão bom quanto parece (e nem segue o "rumo" que imaginamos)! E o que mais me desanimou foi o fato de o livro ser lentamente desenvolvido! Não lerei

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  13. Não é muito do meu gênero, mas fiquei interessada.
    Tudo que tem a ver com livrarias já me interessa, e a Florence parece ser uma personagem muito determinada e ousada, que mesmo vivendo preconceitos e recebendo "nãos", ainda assim, continua com seus sonhos.
    É sempre bom ler livros assim.
    Bjsss

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