5 de novembro de 2018

Resenha: Graça e Fúria

Duas irmãs lutam para mudar o próprio destino no primeiro volume de uma série de fantasia repleta de romance, ação e intrigas políticas. Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro. Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes. Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar.

Título Original: Grace and Fury
Autora: Tracy Banghart
Páginas: 304
Tradução: Isadora Próspero
Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora
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As irmãs Tessaro, Serina e Nomi, vivem em Viridia, um reino onde as mulheres não têm nenhum direito. Não podem ler, escrever, estudar e fazer qualquer tipo de atividade que fuja de trabalhos domésticos ou cuidar dos filhos. Nesse contexto, onde as mulheres existem exclusivamente para servir, o superior escolhe três Graças — jovens treinadas em suas comunidades para serem bonitas, educadas e, principalmente, submissas — a cada três anos para servi-lo. Serina treinou a vida inteira para ser a Graça perfeita, enquanto Nomi nunca aceitou as regras que existiam para ela unicamente por causa do seu gênero.

No ano em que Serina foi enviada ao castelo para concorrer a uma vaga, o herdeiro escolheria suas primeiras Graças. Apesar de corresponder à todas as expectativas, por uma reviravolta do destino, sua irmã Nomi — que seria sua aia — é a escolhida. Não bastasse isso, devido a um ato de rebeldia de Nomi, Serina é pega com um livro na mão e, mesmo não sabendo ler, acaba sendo enviada a uma prisão para mulheres rebeldes, que fica em uma ilha dominada por homens. A partir daí, as duas protagonistas buscam se adaptar a uma vida que nenhuma delas desejou. 

Graça e Fúria é narrado em terceira pessoa sob o ponto de vista de Serina e Nomi, em capítulos alternados. Como cada personagem está inserida em um contexto diferente, é como se estivéssemos lendo dois livros em um — sacada que pode ser atrelada, inclusive, a capa do livro, que mostra uma irmã de cada lado. A história das duas é deveras interessante, mas o que mais surpreende é o que Tracy Banghart fez com cada uma. Se no começo Nomi era a minha favorita, a partir da metade do livro o jogo virou, trazendo uma Serina totalmente forte e empoderada, nada daquele ser submisso do início da trama. 

Nomi continuou questionando o espaço da mulher na sociedade, mas em um comparativo com sua irmã, a personagem não se desenvolveu da forma que eu esperava. Acho que grande parte dessa impressão se deu pelo pouco romance que aparece no livro. Apesar de não ser o foco em nenhum momento, não me agradou muito. Aí vem um spoiler: Nomi se envolve com o irmão mais novo de Malachi, o herdeiro, mas sabe quando um personagem não desce de forma alguma, como se você soubesse que existe alguma coisa errada com ele? Pois é... Daí você pode imaginar o que acontece. 

Apesar de Serina e Nomi serem as personagens principais, existem várias outras mulheres que lutam contra a sociedade patriarcal criada por Tracy Banghart, mas que é o retrato da nossa própria sociedade. Então, o que realmente chama atenção em Graça e Fúria é o protagonismo das mulheres, que se mantêm fortes e unidas apesar de toda a repressão. O engraçado é que a medida que a história vai passando, a gente percebe que os homens, na verdade, têm tanto medo das mulheres e da força delas que se torna necessário controlá-las e reprimi-las. 

Graça e Fúria, apesar de ser uma fantasia voltada ao público juvenil, tem um lado sombrio que pode incomodar alguns leitores. Enquanto acompanhamos a realeza pelos olhos de Nomi, com toda a riqueza que apresenta, do outro lado tem a Serina, que está vivendo em um ambiente brutal, onde as mulheres lutam umas com as outras até a morte para conseguir o mínimo de comida. Banghart conseguiu trabalhar esses dois lados muito bem.

No final do livro, que é bastante introdutório, há um plot twist que, sinceramente, se você for calejado como eu, vai sacar logo de cara. Eu já sabia o que ia acontecer há muito tempo, e o pior é que a gente fica querendo abrir os olhos da personagem que não enxerga de forma alguma o óbvio. Ao mesmo tempo, do outro lado da história, acontece uma coisa maravilhosa que mostra que realmente, ninguém consegue segurar um grupo de mulheres que luta unido. Ah, as últimas páginas são inacreditáveis, dá vontade de morrer de tanto desespero. 

A trama de Banghart tem muitos clichês, muitas coisas que já vimos em vários outros livros, mas ainda assim ela soube trabalhar os elementos de uma forma coesa. A luta pela igualdade de gênero está muito presente, aspecto muito importante e que traz muitas reflexões. Graça e Fúria é a típica história que começa bem, mas que se desenvolvida da forma correta, tem potencial para se tornar inesquecível e incomparável. 

16 comentários:

  1. A premissa é interessante não é? Cada irmã com personalidade distinta e um futuro praticamente traçado e que de repente tudo muda. Tinha tudo pra ser um livrão não é?
    Mas lá pelo meio se perde e mergulha nos clichês se tornando previsível.
    Entretanto gostei desse "dois em um" duas protagonistas e duas histórias que apesar de estarem em locais diferentes se complementam.
    Agora é esperar pra que os próximos livros sejam melhores

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  2. Quero muito ler esse livro; primeiro por conta da sinopse, e também porque li muitos comentários positivos.
    Acho a capa linda e original, muito bom saber que a narrativa segue o estilo.
    Sou nova nesse gênero, então não me incomodaria com o clichê da história.
    Passei correndo pelo spoiler haha e foi bom saber que tem uma parte forte, bom que já vou me preparando.

    Beijos

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  3. Ana!
    Gostei muito de todo plot do livro e chocada em ver uma sociedade onde a mulher é uma 'coisa', afinal não pode nada, a não ser satisfazer as vontades e necessidades dos homens.
    Bom saber que há um amadurecimento de ambas protagonistas no decorrer do livro e confesso que fiquei bem curiosa por fazer a leitura, ainda mais por ter esse lado mais sombrio que falou.
    Desejo uma ótima semana!
    “Para cada minuto que você se aborrece você perde sessenta segundos de felicidade.” (Ralph Waldo Emerson)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA NOVEMBRO - 5 GANHADORES – BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  4. Oi Ana!
    O livro já está nos meus desejados, quero mto conhecer essa história que me prendeu desde o lançamento.
    O enredo parece ser bem desenvolvido assim como os personagens, espero conhecer em breve.
    Bjs!

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  5. A capa deste livro é maravilhosa!!!E a ideia do enredo é genial. Duas irmãs tão distintas e ao mesmo tempo, tão iguais, tendo que se assumirem e descobrirem a si mesmas nesta batalha não só "de fora",mas também, internamente!
    A luta em ser mulher é algo que sempre rende cenários assim.
    O livro está na lista de desejados e espero ter e ler em breve!!!
    Beijo

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    1. Ai menina eu achei muito legal também.
      Gosto demais de protagonistas femininas assim. Quando você ler, me conta o que achou!

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  6. Achei legal ter esses dois pontos tão diferentes da trama, um lado de riqueza, outro de brutalidade. Ter uns elementos que lembrem outras coisas pode soar clichê, mas parece que ele tem uma boa graça, então dá pra relevar. E ahh, aqueles negócios que a gente vai manjando que vai dar alguma coisa muito errado e aí dá mesmo é uma coisa que gosto xD
    Vi mesmo falando que o final era de fazer a gente se roer pra ter mais, por isso já fiquei com vontade de esperar pelo próximo pra ver se leio, porque né. Parece valer a pena.

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  7. Que tirania hein? Mais confesso que gostei não é nada clichê depois que você começa a entrar na história, alias ótima resenha consegui me envolver mais com o enredo e criar simpatia pelo livro. Mas uma vez histórias de mulheres que surpreendem e contagiam, amo livros que contam as perspetivas dos personagens em capítulos diferentes o livro fica mais ricos. Bjs!!

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  8. Olá, Ana
    Namorava esse livro desde o lançamento pela capa.
    Ganhei ele num sorteio da Editora no Instagram chegou essa semana e a capa é maravilhosa fiquei um bom tempo olhando, passando a mão e admirando ela, tipo nem acredito que eu tenho o livro.
    Esta na fila aguardando a leitura quero logo conferir tudo sobre essas mulheres guerreiras.
    Beijos

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  9. Ana, que livro é esse?? Amei muito todo o enredo. 😍😍 já fiquei ansiosa e desesperada para ler rsrs
    Ultimamente estou amando ler livros sobre a força da mulher, o quanto elas lutam por seus direitos. E é bem verdade que eles tem medo da força delas, por isso que as oprimem tanto assim.
    Adorei terem inserido Nomi e Serina Onde elas menos esperavam. Caramba, fiquei imaginando: o que seria de mim se vivesse em um lugar onde sequer poderia ler? Acho que criaria uma revolução rsrs
    Amei a resenha.

    Bjos

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  10. Oi, Ana!!
    Estou bem curiosa com relação a esse livro desde o seu lançamento. Gosto da premissa da história e acho importante colocar como narradoras as irmãs Serina e Nomi. Enfim, espero muito em breve fazer essa leitura.
    Bjos

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  11. Oi Ana,
    Achei legal a autora ter mostrado como a aparência não importa, principalmente nesse enredo completamente machista, da até medo imaginar uma sociedade assim né?
    Sabe outro ponto que chama atenção, como as duas irmãs, que mesmo sendo opostas uma da outra, precisaram se unir, uma para salvar a outra, e em como as suas se mantiveram fortes perante a isso.
    Apesar de ser classificado como fantasia, senti um leve toque de distopia também!
    Beijos

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  12. O tema é interessante, e é legal esse lance de parecer estar acompanhando duas histórias diferentes, já que seguimos os passos de cada uma das irmãs. Bem legal o detalhe da capa que nos remete a isso. Mesmo com os pequenos clichês, como mencionado, o que realmente importa é como a autora desenvolve isso. Fiquei curioso.

    Evandro

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  13. Oi Ana,
    A capa deste livro, realmente, chama atenção, mas é a sinopse que desperta aquela curiosidade em realizar a leitura. Tem certos temas que sempre mexem mais com nós mulheres e Graça e Fúria vai fundo em alguns deles. Em uma terra onde a voz feminina não tem vez e a única forma de ser algo melhor na vida vem da submissão a um superior, faz com que muitas questões sejam levantadas. É como se o leitor fosse levado a tempos remotos e vivenciasse as injustiças da época. Não dá para julgar Serina pelo seu desejo de ser do Superior, pois a própria sociedade a criou para ter esse propósito e o que, inicialmente, viria a incomodar com uma protagonista sem personalidade mais forte, ou devo dizer independente, se mostra mais a frente no livro totalmente o oposto. O plot nos mostra caminhos bem diferentes a serem seguidos pelas irmãs e as complicações farão com que estes sigam para lados opostos aos desejados. Fiquei bem interessada neste livro, mas acho que vou esperar a editora lançar a sequência para iniciar as leituras.

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  14. AC Aparecida chama muito atenção por causa desse contraste entre o simples e o Rico A Princesa e a Plebeia e quando eu olhei pela primeira vez a história me lembrou muito had a rainha vermelha sei que não tem muito a ver mas toda vez que ele ia uma folha só consegui me livrar dos livros da Victoria aveyard

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  15. Gostei muito da sua resenha, deu pra entender mais sobre a trama toda, eu já tinha gostando e me interessado pelo livros após ler outras resenhas e agora fiquei mais curiosa ainda.
    Parece ser aquelas fantasias beeeeem ágeis e viciantes, apesar de alguns clichês.
    Achei interessantíssimo falar sobre a desvalorização da mulher. Precisamos falar e ler mais sobre né!
    Quero pra já!
    bjs

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