5 de dezembro de 2018

Resenha: Dando um Tempo

 Amy e Hugh vivem o que se pode chamar de casamento perfeito, e apesar de o dinheiro ser curto e o estresse ser muito, sua vida segue uma rotina confortável... até que a morte do pai e de um grande amigo desencadeia em Hugh uma intensa crise durante a qual ele decide que precisa dar um tempo de tudo, sobretudo da vida a dois, e parte rumo ao sudeste asiático, por onde viajará por seis meses. Incapaz de fazer o marido mudar de ideia, Amy sabe que muita coisa pode mudar nesses seis meses. Quando Hugh voltar — se voltar —, será ainda o mesmo homem com quem se casou? E será ela a mesma mulher? Afinal, se ele está dando um tempo do casamento, ela também está, não é?

Título Original: The Break
Autora: Marian Keyes
Tradução: Carolina Simmer
Páginas: 588
Editora: Bertrand Brasil
Livro recebido em parceria com a editora
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Fã confessa de livros com temáticas pesadas, sempre fugi da obra de Marian Keyes, ao mesmo tempo que a curiosidade por uma best-seller invicta me atraía magneticamente. De fato, não foi a melhor leitura da vida, mas me tirou do limbo da dúvida se gostaria ou não. E, como prometido, a escrita da autora é fluida, rápida de ler e incrivelmente bem humorada. Neste novo livro, a abordagem do fim de relacionamento ganhou uma roupagem totalmente inusitada. Confesso que me diverti bastante, mas ainda continuo uma admiradora de leituras mais propositadas e não tão fast-reading. 

Amy O'Connell tinha um relacionamento totalmente tranquilo com o marido Hugh, até que subitamente lhe sugere um tempo no casamento. Mas, ora, em tempos de amor líquido, qualquer momento de solterice pode virar uma isca para desistir do relacionamento e tal realidade assombra Amy, mas não por muito tempo, pois estamos em um chick-lit com uma personagem feminina diferente das demais. Enquanto seu Hugh vaga sem rumo pelo Sudeste Asiático, ela não ficará sentada esperando, afinal, não existem garantias de um futuro a dois após o retorno dele. 

O que sempre me incomoda com a temática chick-lit é a forma como as personagens femininas são totalmente condicionadas aos seus parceiros nas histórias. Um futuro ou ex amor sempre torna o ponto central da vida da moça. Vivendo a ascensão do feminismo, sinto que falta um maior despertar da Marian para isto, pois ela não está escrevendo para o mesmo público feminino que comprou milhões de exemplares de Melancia (seu primeiro e mais famoso romance). 

Apesar disso, a forma como a narrativa é conduzida me prendeu até o final e tudo começa a ter um propósito. O tempo pedido por Hugh foi motivado pelo falecimento de seu pai e do seu melhor amigo, assim, a Amy vê-se sozinha com três filhas adolescentes, mas também tenta compreender o momento do marido. E é justamente aí que a Marian surpreendeu-me, com a relação das quatro mulheres da família e as lições de sororidade que são repassadas de umas as outras, ainda que enviesadas pela alta carga romântica do enredo. 

Em uma edição cor de rosa lindíssima e com a diagramação confortável já esperada do Grupo Record, o livro é um daqueles troféus que deixam a estante mais bonita. A volume de páginas dá lugar a uma lombada linda, mas acredito que o estilo diário pessoal dos capítulos podia ter sido evitado entregando uma leitura mais enxuta e mais divertido. Mas apesar dos pesares, acredito que as fãs de chick-lits vão adorar cada linha da vida louca e meio solteira de Amy.

10 comentários:

  1. Apesar dos pesares, eu gostei do enredo. Não conhecia a escrita da autora e esse parece ser um bom começo.
    Também fiquei interessada em ler Melancia, que você citou na sua resenha.
    Primeira vez que leio algo com essa temática. Realmente é bem difícil uma relação voltar ao que era antes depois de 6 meses "solteiros". Afinal, eles são casados e vão passar um tempo longe.
    É um dilema muito grande que Amy vivência.
    Gostei!!

    Bjos

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  2. A relação da Amy com as filhas é repleta de bons e divertidos momentos onde as 4 tentam se reencontrar nessa dinâmica familiar sem o marido e pai. Isso realmente mostra que os chick lits estão se adaptando aos novos momentos sem perder sua essência divertida e alegre.
    Outro ponto que curti foi que o tempo que o Marido pediu também serviu pra ela. Afinal ela não ficou na cama chorando esperando ele voltar ou tomar uma decisão definitiva

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  3. Gosto demais do trabalho da Marian e já li alguns bons livros da autora e confesso que me surpreendi quando vi este lançamento, pois fazia um bom tempo que não via ou lia nada dela!
    Mas pelo que li acima, ela conseguiu manter o bom humor no enredo e trazer mais uma vez, este lance do relacionamento que meio que "acaba". Vou admitir que também sou meio pé atrás com esse lance da mulher precisar do homem para ser feliz, pow, já passou o tempo de acreditar nisso.rs Mas, parece que a autora gosta mesmo é de coisas assim!
    Fiquei curiosa em relação a diagramação, parece realmente belíssima!
    Vai para a lista de desejados com certeza.
    Beijo

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  4. Eu não sou muito fã desse tipo de livro, apesar de gostar de muitos. Aquela coisa batida de fazer a mulher de tal forma e uns trem clichê que me desanima pra ler não ajuda. Mas achei legal que esse tenha um jeito diferente. É dos que gostaria de ler. Como ela vai lidar com esse tempo longe do marido, a força, as duvidas, o que acontece com os sentimentos dela e quem ajuda a passar por tudo isso e etc. Pode ter muita coisa legal aí e achei interessante.

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  5. Eu "li" Melancia; na realidade, eu não terminei porque não gostei da escrita da Mariam. Achei tudo muito cansativo e me incomodou a maneira como a família da protagonista se relacionava com ela. Depois disso perdi o interesse nos livros dela.
    Agora, sobre esse novo livro, ele até que tem uma premissa interessante, mas sinto que a escrita da Marian vai permanecer sem me agradar.

    Beijos

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  6. Esse negocio de dar tempo em relacionamento... Tem que ter muita maturidade viu hahaha, eu não concordaria, ou fica ou termina.
    Mas as vezes é bom, as vezes o casal só estar passando por uma crise, dentro de si, como o personagem do livro. Nem sempre é por causa de outra mulher/homem, é só pra se afastar um pouco pra colocar as coisas no lugar... Na verdade ele não quer terminar com ela nem com o casamento, por isso ele pediu um tempo, eles se amam(espero)
    E espero que de tudo certo no fim.
    Adorei a resenha, beijoos

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  7. Myla!
    Gosto dos chik-lits justamente por serem livros mais descontraídos e nos fazerem rir, embora concorde com você quanto a "submissão" das protagonistas femininas nos livros da autora. Já está na hora dela repensar e tentar adaptar a nossa realidade.
    “Bendita seja a data que une a todo mundo numa conspiração de amor.” (Hamilton Wright Mabi)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DEZEMBRO - 7 GANHADORES – BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  8. Oi Myla,
    É engraçado o quanto certos momentos atingem as pessoas de maneiras diferentes. Hugh passará por algo que o fará perceber certas coisas a respeito de sua vida e seu relacionamento, uma atitude que não seria problema se eu não a tivesse achado tão egoísta, principalmente porque ele exclui Amy desse seu desejo. Confesso que nunca fui atraída pelos livros de Marian Keyes, pois o gênero não é algo que curto e as sinopses não surtiam muito impacto em mim. É a primeira vez que estou lendo uma resenha de Dando um tempo e você apontou elementos bem interessantes, principalmente no que se refere as personagens femininas da autora. Esse livro poderia ter uma relevância bem mais significante, pois diferente que nos é apresentado normalmente a protagonista não fica a espera do mocinho e para nós mulheres é importante ter esse tipo de representatividade. Mas sinto que faltou algo e não fiquei muito curiosa sobre o livro.

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  9. Eu nunca fui fã de Chick-lit mas sempre gostei bastante dos livros da Marian Keyes e até comprei a coleção toda da família Walsh haha e os outros.
    Esse ainda não tive oportunidade de ler, mas gostei bastante da premissa e se tratando dessa autora eu estou louca para ler.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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