O Construtor de Pontes | Markus Zusak

Se em A menina que roubava livros é a morte quem conta a história, em O construtor de pontes, novo romance de Markus Zusak, presente e passado se fundem na voz de outro narrador igualmente potente: Matthew, o filho mais velho da família Dunbar. Sentado na cozinha de casa diante de uma máquina de escrever antiga, ele precisa nos contar sobre um dos seus quatro irmãos, Clay. Tudo aconteceu com ele. Todos mudaram por causa dele.
Anos antes, os cinco garotos haviam sido abandonados pelo pai sem qualquer explicação. No entanto, em uma tarde ensolarada e abafada o patriarca retorna com um pedido inusitado: precisa de ajuda para construir uma ponte. Escorraçado pelos jovens e por Aquiles, a mula de estimação da família, o homem vai embora novamente, mas deixa seu endereço num pedaço de papel. Acontece que havia um traidor entre eles: Clay.
É Clay, então, quem parte para a cidade do pai, e os dois, juntos, se dedicam ao projeto mais ambicioso e grandioso de suas vidas: uma ponte feita de pedras e também de lembranças — lembranças da mãe, do pai, dos irmãos e dele mesmo, do garoto que foi um dia, antes de tudo mudar. O tempo, assim como o rio sob a ponte, tem uma força avassaladora, capaz de destruir, mas também de construir novos caminhos.
O construtor de pontes narra a jornada de uma família marcada pela culpa e pela morte. Com uma linguagem poética e inventiva, Markus Zusak nos presenteia mais uma vez com uma história inesquecível, uma trama arrebatadora sobre o amor e o perdão em tempos de caos.

Título Original: Bridge of Clay
Autor: Markus Zusak
Páginas: 528
Tradução: Stephanie Fernandes e Thaís Paiva
Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

Eu ainda era adolescente quando li A Menina Que Roubava Livros e ainda lembro direitinho as sensações que a leitura me trouxe. Foi impactante e diferente, foi triste. Engraçado que eu me lembro até de sentir frio enquanto lia, o que pode não fazer sentido para vocês, só que é a mais pura verdade. Eu não esperava me sentir outra pessoa após ler O Construtor de Pontes, novo livro de Makus Zusak, mas a história de Clay também me marcou de uma forma inimaginável. 

Nesse livro, o narrador não é a morte, e sim um homem comum. Matthew Dunbar é o primogênito da família, irmão mais velho de outros quatro. Depois de perderem a mãe para uma doença fatal, o pai abandona os filhos, deixando uma ferida gigantesca neles. Muitos anos depois, o pai volta pedindo ajuda para construir uma ponte e somente um dos filhos resolve largar tudo (a escola, um amor) para ajudá-lo nessa tarefa misteriosa: Clay. Assim, após um acontecimento que se passa logo nas primeiras páginas, Matthew resolve contar a história de sua família através da história do irmão que abandonou os outros para ir atrás do pai traidor.

O Construtor de Pontes tem um início muito confuso, pois Zusak não utiliza uma narrativa temporal contínua. Ele alterna diversas vezes entre presente e passado, e até que o leitor se situe já se passaram várias páginas. Eu, por exemplo, só fui começar a entender a história lá pela página 200 e só a partir daí comecei me apegar a ela. Confesso que, na maioria das vezes, eu sinto um pouco de raiva quando escritores utilizam esse estilo de narrativa, porque eu gosto de entender tudo o que está acontecendo desde a primeira página. Porém, nesse caso, eu até dei uma perdoada porque o livro é muito mais do que muito bom, no final das contas. Os irmãos, a atmosfera, o casal Dunbar, todos os elementos descritos aqui conseguiram me conquistar de alguma forma, conseguiram ocupar um espaço no meu coração.

Devo ser sincera com vocês: quem me vê falando com tanto amor sobre O Construtor de Pontes não imagina que eu estive prestes a abandonar o livro. Isso porque, como eu disse anteriormente, nada faz sentido nos primeiro capítulos — senti como se estivesse lendo apenas frases soltas, não conseguia colocar o menor sentido em nada. O que eu posso dizer para quem está lendo esse livro com esse mesmo pensamento que eu tive é "por favor, não desista". Esse livro é um quebra-cabeças: todas as informações dadas, por mais loucas que pareçam, se encaixam em algum momento e o resultado é realmente impressionante. Acredito que a escrita de Zusak é peculiar a ponto de não existir meio termo, há quem ame e há quem odeie e fim.

O mais interessante desse livro é como ele foi construído. Não há fantasia ou mistério, é apenas a história de um casal que foi destinado a se encontrar para constituir uma família. Poderia ser a história das nossas famílias, quem sabe, mas a diferença está em cada detalhezinho narrado por Matthew. Nem uma vírgula está ali por acaso. A própria ponte, na minha opinião, é uma metáfora para a sensibilidade que existe nas relações humanas, uma forma de chegar até o perdão familiar, por exemplo. Tudo tem um significado: uma máquina de escrever, as teclas de um piano, um velho livro... Tudo faz parte da história desses irmãos tão machucados pelo tempo.

Acho realmente memorável quando um autor consegue sair da bolha de um sucesso anterior, porque tudo o que ele escreve a partir daí é motivo de comparação. Markus Zusak conseguiu sair da bolha de A Menina Que Roubava Livros de forma magistral, gigantesca, com uma escrita que é só dele — e mantendo sua especialidade ímpar em criar narradores fenomenais e personagens que são quase de carne e osso.

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13 Comentários

  1. Já li mais coisas do autor, mas nenhum que me pegasse tanto quanto aquele da menina dos livros. Nossa, também li na adolescência, um livro na escola e que até hoje quero uma edição pra mim só pra poder ter ali e reler, ver essa história de novo. Ela é forte. E por isso ja bate uma expectativa de outros livros dele do Tipo, essa coisa da bolha e das comparações é real mesmo. Esse novo livro dele parece ser bem difícil até a história apanhar Tipo, mas confesso que gosto disso, daquelas histórias que demoram pra pegar sentido, que tem muita coisa confusão até começar a te dar uma luz do que é no fim das contas. Dependendo da escrita, porque tem uns que a gente quase larga mesmo. Mas dele não largaria porque gosto do jeito que escreve. Essa parece ser uma história que vale a pena toda a enrolação e confusão. Uma história de uma casal, bem contada e que tem sua magia apenas pelo jeito de cada detalhe. Não parece extraordinário falando assim, mas tem sua beleza pelo visto. Só fico mais curiosa com ele e doida pra ler ^^

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  2. Jurava que você tinha desistido Ana, pelo que Vi seus stories. Mas ainda bem que persistiu.
    Apesar de não ter lido, ainda, percebi que é uma história profunda e tocante. Acredito que o pai teve razões para abandonar os filhos e que essa ponte é repleta de significados, como você bem citou.
    Zusak não se tornou autor de um best seller só, ainda bem!!!!

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  3. Oi Ana,
    Só tive uma experiência com a escrita do autor e foi através de A Menina Que Roubava Livros e, mesmo sendo pouco contato com sua narrativa, posso afirmar que Markus Zusak sabe escrever. Digo isso pois ele usa uma narrativa diferente, algo que não imaginávamos, mas que funciona, mesmo que possa parecer complexo demais ao inicio da leitura. Em O construtor de pontes, mesmo sem ter lido o livro, consigo ver esses detalhes na história. Quer estrutura melhor para trabalhar em drama do que a de uma família marcada pelo morte, abandono e traição? É pesado pensar em todos esses elementos juntos e vivenciados por crianças, mas acho que essa era a intenção do autor. Sobre a narrativa, geralmente, não me incomoda, mas quando a conexão com a história demora isso pode ser um problema. Mas como já fui fisgada pela escrita de Markus, sei que ao pegar este novo livro para ler a história que me espera não será fácil, mas tenho esperanças de que ao final valerá a pena.

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  4. Ana!
    Vindo de Zusak, acredito mesmo que o livro seja para 'construir pontes', ou seja, manter a união familiar e o amor mútuo, pelo menos foi a impressão que tive ao ler sua resenha, mesmo que o início tenha sido 'chato' e um tanto sem nexo.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Ai Rudy, é isso mesmo! Os laços familiares são muito importantes aqui. Que bom que consegui transmitir isso com minha resenha, nossa! Bem feliz!

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  5. Ah, quero muito esse livro!
    Ainda não li A menina que roubava livros, então não sei nem o que esperar da escrita dele; mas pretendo ler A menina que roubava livros antes desse.
    Muito bom saber desse início e também gostei de saber que vale a pena insistir.
    Espero ser tocada por essas histórias.

    Beijos

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  6. Oi, Ana
    Ganhei de presente de aniversário o livro A Menina Que Roubava Livros e sempre começava e abandonava a leitura. Concordo com você a escrita do autor é única ainda não li nenhum autor que escreva igual Zusak.
    Depois de 3 tentativas na quarta fui persistente e consegui ler, foi a melhor leitura do ano passado.
    Adorei o enredo desse novo livro e agora com sua resenha pude entender alguns detalhes que não vi em outras.
    Tenho certeza que é uma leitura que proporciona muitos sentimentos ao leitor.
    Quero muito ler, pois sei que vou amar e ser surpreendida.
    Beijos

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  7. A menina que roubava livros é um dos meus livros preferidos e também o abandonei na primeira vez que peguei para ler. Mas, depois ao insistir, amei muito, então , já tô me preparando para O Construtor de pontos, que parece lindo e tocante, embora seja lendo e com esses tempos soltos kkkkkk
    bjs

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  8. Oi, Ana!!
    Nunca li nada do Markus Zusak, sim não li A menina que roubava livros por que li algumas resenhas e opiniões não tão favoráveis na época é acabei não me interessando pela história, mas estou com muita vontade de conhecer O Construtor de pontos, pois parece ser uma história bem tocante e interessante.
    Bjos

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  9. Uma das minhas próximas leituras com certeza! Meu exemplar deve estar chegando(não vejo a hora).
    Amo as letras do Markus e A Menina marcou toda uma vida, ao menos, a minha vida. É um dos meus livros/filmes favoritos no mundo todo e mesmo que o autor tenha feito outros trabalhos, este marcou e muito.
    Por isso, acredito que O Construtor fará o mesmo, marcará!!
    Lerei com certeza!
    Beijo

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  10. Oi, Ana! Admito que não gosto de histórias não lineares, que mesclam passado e presente na narrativa. Entretanto, metaforicamente falando, esse enredo fundamentado na construção da ponte, me parece espetacular!

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    1. Também não gosto muito, mas acabou funcionando com esse livro. Mas é aquele trem, Zusak tem o dom.

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  11. Olá Ana! Estou doida pra ler esse livro, amei A menina que roubava livros, gostei muito da escrita desse autor e cada resenha que vejo desse livro me deixa ainda mais curiosa em conferi essa sua nova história.

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