16 de abril de 2019

Resenha: Mundo em Caos

Em um mundo pós-apocalíptico, uma infecção rara e perigosa causou o inimaginável: a morte de todas as mulheres. O mesmo germe fez com que os pensamentos dos homens se tornassem audíveis, e agora o caótico Ruído está por toda parte. É impossível guardar segredos no Novo Mundo.
Todd Hewitt é o único garoto entre os homens da cidade de Prentisstown, e mal pode esperar para se tornar um deles. No entanto, o lugar esconde algo grave, capaz de mudar o futuro de Todd e do Novo Mundo para sempre. A apenas um mês de se tornar homem, um segredo impensável é revelado, e ele se vê forçado a fugir antes que seja tarde demais. Acompanhado por seu fiel escudeiro, o cachorro Manchee, ele empreende uma jornada repleta de perigos e se depara com uma criatura estranha e silenciosa: uma garota. Mas quem é ela? E por que não foi morta pelo germe como todas as mulheres?
Publicado em mais de trinta países, Mundo em caos é o primeiro volume de uma distopia perturbadora sobre os laços que forjamos em situações extremas e traz à tona a infinita insensatez humana diante das diferenças. A adaptação cinematográfica da obra terá Tom Holland e Daisy Ridley como protagonistas. A Intrínseca relança em uma edição especial, com tradução inédita e um conto extra, a série que consagrou Patrick Ness como um dos maiores nomes da literatura jovem.

Título Original: The Knife of Never Letting Go
Autor: Patrick Ness
Páginas: 480
Tradução: Edmundo Barreiros
Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

A primeira frase da sinopse de Mundo em Caos é: "Em um mundo pós-apocalíptico, uma infecção rara e perigosa causou o inimaginável: a morte de todas as mulheres". Óbvio que eu nem precisei terminar de ler para ficar megacuriosa, né? O problema é que eu estava esperando justamente isso, uma história voltada para como seria um mundo sem mulheres — a reação dos homens, o que eles fazem para sobreviver, existiria alguma forma de gerar novos humanos? Não que as mulheres sejam ferramentas de procriação, mas sejamos sinceros: como perpetuar a espécie num lugar onde elas não existem? Acabei me decepcionando bastante quando notei que o foco do livro é totalmente outro.

Mundo em Caos é narrado em primeira pessoa por Todd, um garoto de quase treze anos que, segundo as leis do Novo Mundo, está prestes a se tornar um adulto. Todd vive em Prentisstown e é a última criança da cidade, e como já nasceu com todas as coisas acontecendo, para ele é totalmente normal escutar os pensamentos dos homens e dos animais, evento que todos chamam de Ruído. Tudo vai muito bem, obrigada, mas algo muito sinistro acontece, o que força o garoto a deixar o lugar onde vive. Mas espere um pouco, Prentisstown não é a única cidade do Novo Mundo? E por que todo mundo está atrás de Todd?

Uma coisa que me agradou muito nessa obra foi a estruturação do texto. É dividido em seis partes com vários capítulos bem curtos, com muitas falas e pensamentos breves do protagonista — lembrando que nada do que os homens pensam aqui é segredo, já que qualquer um tem acesso aos pensamentos deles. Esse estilo de narrativa é muito bom porque acaba deixando a leitura bem rápida. Interessante foi perceber que todos os livros do Patrick Ness que eu li têm alguma característica que torna a leitura fácil, o que é um ponto muito positivo.

Por mais que eu tenha lido o livro em uma sentada, confesso que esperava infinitamente mais dele. Primeiro porque o protagonista me irritou bastante: Todd é muitíssimo ignorante e eu não tenho um pingo de paciência para personagens que se acham espertos demais (e no fim das contas não sabem de nada). A situação piora um pouquinho quando a gente acrescenta o fato de ele nunca aceitar a verdade. Mas tudo bem, pode ser que ele seja assim por ter 13 anos e realmente ser bem imaturo. Outra coisa que me incomodou um pouco foi um certo vilão que nunca morre. Sério, acontece cada coisa bizarra e ele continua lá, nem que seja rastejando. Comecei a perder a paciência com isso, rs.

Como disse anteriormente, o que me chamou a atenção para esse livro foi o negócio das mulheres não existirem. Só que já no início a gente percebe que tem alguma coisa errada, porque Todd encontra uma menina perdida. Se o germe matou todas as mulheres, como Viola não foi infectada? A gente obtém todas as respostas bem no finalzinho desse primeiro volume, mas acaba que a história gira em torno de Todd e Viola fugindo de Prentisstown e eu achei isso um negócio deveras repetitivo. Praticamente não acontece mais nada além deles correndo pela estrada e tentando se esconder das pessoas que estão atrás deles, parecia que não ia terminar nunca, por isso fiquei tão decepcionada. Senti que a propaganda do livro foi um pouquinho enganosa, talvez eu também tenha me apegado muito à primeira informação e esquecido do resto, sei lá...

Vi que muitas pessoas se incomodaram a narrativa em si, porque a linguagem dos personagens representa o nível social e cultural em que eles vivem — praticamente ninguém em Prentisstown sabe ler ou escrever, então Todd cresceu sem aprender muito bem. Então sim, é bem estranho no começo ler uma história com uma linguagem tão coloquial, com erros ortográficos propositais, mas ela faz parte do contexto inserido. Inclusive achei bem legal, porque, dessa forma, Patrick Ness conseguiu explorar muito bem a personalidade dos personagens. 

Como todo primeiro volume de trilogia, Mundo em Caos deixa um gancho para o próximo livro. Fiquei meio pistola com a forma como acabou, mas acredito que era pra gente ter essa sensação mesmo. Patrick Ness criou um universo diferente de tudo o que eu conheço, principalmente se pensarmos na quantidade de distopias "mais do mesmo" que existem por aí. Não é um livro ruim, só é muito mais infantil do que eu esperava e juro que teria aproveitado muito mais leitura se eu tivesse aberto o livro tendo consciência disso. 

8 comentários:

  1. Ana!
    Me aborreço muito quando um livro promete uma coisa e traz outra bem diferente, acho propaganda enganosa e por isso, as vezes nem gosto de ler as sinopses e por isso mesmo gosto de ler as resenhas, são bem completinhas.
    De qualquer forma é uma ficção pós-apocalíptica e traz curiosidade em ler.
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Apesar de tudo Ana, achei a premissa bem interessante. Fiquei imaginando um mundo sem mulheres. Seria um caos! Ainda mais com esse Ruído. Escutar pensamento dos outros. Pode parecer bom mas contribuiria para aumentar o caos.
    Como será que Viola sobreviveu? Será que ela vai durar até o próximo livro?
    Espero que o segundo livro seja melhor

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  3. Ruim quando a gente deposita expectativas em algo e vê que no final não era nadinha daquilo que se esperava.
    Ainda não tinha lido nada a respeito desta obra e oh, que capa maravilhosa!Um enredo também que tinha tudo para ter dado certo, se tivesse seguido o que pregava.
    Mas pelo que entendi, o autor se perdeu e muito ao criar não só personagens não condizentes com as idades,mas também um cenário que não era o escrito desde o começo.
    Não digo que não lerei, mas não senti vontade agora não!
    Beijo

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  4. É, pelo jeito da história e o que faz a gente pensar que vai ter me deixou curiosa também. Mas aí mudar tanto o foco e pegar só o lado do menino e esse mistério da menina meio que...blergh. Tirou toda aquela graça que esperava. Não sei se leria tão fácil sendo desse jeito. A gente ir esperando uma coisa e achar outra é bem decepcionante né =(

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  5. Oi, Ana!
    Realmente a não existência das mulheres chama a atenção, mas pelo visto é uma não existência falsa, tipo propaganda enganosa, né?! Acho que é por isso que você ficou dasapontada com Mundo em Caos...
    Até hoje só li uma distopia - preciso até finalizar a leitura, faz parte de uma trilogia, li apenas o primeiro livro... - e apesar de ter gostado não é todos os livros pertencentes a esse gênero que desperta o meu interesse, e sinceramente Mundo em Caos não me interessou, não curto histórias pós-apocalíptica, e assim como você também não tenho paciência para personagens que se acham muito espertos igual ao Todd... por isso dificilmente eu leria esse livro. Bjos!

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  6. Oi Ana,
    Amo ler distopias, mas o gênero acabou ficando muito repetitivo para mim, então receber a indicação de uma história que trás alguns diferenciais em relação a outras distopias é algo que bem curioso. Então de cara algumas coisas me agradaram como o fato do mundo funcionar sem a presença de mulheres e os pensamentos masculinos terem seus pensamentos audíveis por todos que ainda habitam o mundo. Mas um protagonista tão jovem narrando uma história como essa não era algo que eu esperava. Nunca li nada do Patrick Ness, mas já ouvi ótimas críticas sobre sua escrita e acredito que sejam verdadeiras, pois você leu o livro de uma vez, mesmo este trazendo uma narrativa diferente. A grande questão aqui, talvez, esteja no rumo que a história tomou que acabou sendo como a de muitas outras do gênero. Ainda assim, quero ter a chance de conhecer a escrita do autor e talvez isso aconteça com Mundo em Caos.

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  7. Eu gostei muito da premissa e fiquei curiosa, mas quando disse que a história segue outro rumo, perdi o interesse.
    Interessante saber que é uma série, vou ficar atenta para ver se os próximos são melhores. Às vezes tem uma crescente.

    Beijos

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  8. É sempre ruim a gene começar uma leitura pensando que o enredo seguirá uma trajetória e ele ser completamente diferente. Decepciona. Por isso parei de criar expectativas. kkkk
    Apesar de ser mais infantil do que o normal, eu gostei do que foi descrito na sinopse. A trama toda parece muito boa e acredito que muita coisa ainda vai desenrolar no próximo volume.
    Quero muito ler mais essa trilogia.

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