3 de abril de 2019

Resenha: Querido Evan Hansen

Dos criadores do premiado musical da Broadway Dear Evan Hansen, esta é uma história emocionante sobre solidão, luto, saúde mental e amizades inesperadas.
Evan Hansen sempre teve muita dificuldade de fazer amigos. Para mudar isso, decide seguir as recomendações de seu psicólogo e escrever cartas encorajadoras para si mesmo, com esperança de que seu último ano na escola seja um pouco melhor. O que não esperava era que uma das cartas fosse parar nas mãos de Connor Murphy, o aluno mais encrenqueiro da turma. Quando Connor comete suicídio e sua família encontra a carta de Evan, todos começam a pensar que os dois eram melhores amigos. Sem conseguir explicar a situação, Evan acaba refém de uma grande mentira.
Ao mesmo tempo, graças a essa (falsa) amizade, o garoto finalmente se aproxima de Zoe, a menina de seus sonhos, e passa a ser notado no colégio. No fundo, Evan sabe que não está fazendo a coisa certa, mas se está ajudando a família de Connor a superar a perda, que mal pode ter? Evan agora tem um propósito de vida. Até que a verdade ameaça vir à tona, e ele precisa enfrentar seu maior inimigo: ele mesmo.

Título Original: Dear Evan Hansen
Autores: Val Emich com Steve Leverson, Benj Pasek e Justin Paul
Páginas: 336
Tradução: Guilherme Miranda
Editora: Seguinte 
Livro recebido em parceria com a editora
Isso me lembra daquele ditado: “O fruto nunca cai longe da árvore”. Acho que quer dizer que somos apenas produtos de quem nos fez e não temos muito controle sobre isso. A questão é que quando as pessoas usam essa frase, ignoram a parte mais fundamental: a queda. Segundo a lógica desse ditado, o fruto cai toda vez. Não cair não é uma opção. Então, se o fruto precisa cair, a questão mais importante para mim é o que acontece quando ele atinge o chão? Ele cai sem nenhum arranhão? Ou é esmagado pelo impacto? Dois destinos completamente diferentes. Quando se pensa sobre isso, quem se importa com a proximidade da árvore ou o tipo de árvore que o gerou? O que realmente faz a diferença é como pousamos.

Querido Evan Hansen é um livro emocional. A história é sobre Evan, um rapaz na casa dos 17 anos que lida com depressão e ansiedade. Ele faz acompanhamento terapêutico, mas nada parece ajudar muito. Nem os remédios. Ele se sente só, não tem amigos e enfim, sem esperança.

Ele queria me ver. Mas havia partes sombrias demais para mostrar. Partes de que ele não iria gostar. Partes que o fariam fugir.

As coisas mudam de figura quando Connor Murphy, um “garoto problema” se aproxima dele pra perguntar sobre o gesso no braço de Evan. Mas a história não termina exatamente bem, já que Connor descobre uma das tarefas de Evan para seu terapeuta. Uma carta pra ele mesmo, falando que o dia seria “bom”.

O problema é que na carta, Evan fala de várias hipóteses, fala sobre o próprio Connor, sobre o que ele sente e fala sobre Zoe, irmã de Connor. Isso gatilha Evan, ele entra em completo desespero de saber que essa carta está nas mãos do próprio Connor (que não ficou lá muito feliz).

[...] Tento não pensar no que Jared disse e em como ele disse, mas falho miseravelmente. Não demora para aquele peso horrível voltar, tomar conta do meu corpo e deixar ainda mais difícil carregar as minhas próprias pernas pela calçada.

No dia seguinte de aula, Connor e Zoe não aparecem na escola e todas as espirais de pensamento de Evan se voltam negativamente. Mas as notícias não são ruins para Evan e sim para Zoe e sua família: Connor se suicidou. E a carta encontrada com ele foi a de Evan, mas os pais de Connor interpretam tudo do jeito errado, e acreditam MUITO que Evan era o único amigo de Connor. Evan não consegue tirar essa ilusão dos pais de Connor e decide levar a mentira em frente. E isso vai trazer consequências boas e ruins para Evan.

É claro que soava bem. Ficção sempre soa bem, mas não ajuda muito quando a realidade vem e joga você de cara no chão.

Esse livro é intenso de um jeito leve, se é que isso faz sentido. Evan passa por vários processos com a ansiedade e depressão  ou seja, o livro pode ser um gatilho pra você, principalmente em relação a solidão   toda essa situação da carta ajuda e atrapalha. Ajuda porque ele finalmente consegue ser visto pelas outras pessoas, começa a ter “amigos” e a viver de verdade. Atrapalha porque o peso da mentira vai aumentando, e as coisas viram uma bola de neve.

É uma história que é sincera do início ao fim, não temos floreios do que é a depressão e a ansiedade em caso de jovens. Temos conflitos familiares, conflitos nos relacionamentos interpessoais e até conflitos com si mesmos. Eu não sei se realmente gostei da forma como Connor foi tratado na história, não que tenha atrapalhado a leitura, mas me incomodou um tiquinho. Temos dois narradores aqui, na maioria dos capítulos a narração vem de Evan na primeira pessoa e os autores expuseram voz a Connor em alguns momentos, e ali ele revela sua própria verdade. Disso eu gostei muito. Eu queria muito que isso tivesse sido exposto aos outros personagens da história sabe? Os autores tentam dar a deixa de que isso aconteceria, mas eu queria ter visto se algo mudaria se outras pessoas soubessem isso dentro da história.

A questão é que era para ela fazer parte da minha equipe. Minha mãe é tipo um técnico que faz discursos impressionantes antes do jogo, mas, então, quando o juiz apita e chega a hora de eu entrar no campo, ela some.

Mas acredito que o ponto do livro era justamente trazer a reflexão de que muitas vezes as pessoas não têm noção de quem nós somos de verdade, e que talvez elas nunca vão saber. Ou nem todas vão saber. Ou nem querem saber. O livro termina com um sentimento agridoce ao leitor, não porque o final é insatisfatório, mas porque ele é bem cru. Como eu falei, nada de floreios. Apenas a verdade, mesmo que seja dolorida. 

Não acho que seja certo deixar alguém de lado assim. Em um minuto as pessoas se importam com ele e, no outro, não. Parece que estão… esquecendo ele.

É um livro muito emocional, acredito que quem ler vai sentir esse impacto e ele é necessário. Às vezes é preciso doer pra existir mudança. Gostei muito de Querido Evan Hansen, precisava de algumas coisas que li nesse livro. Espero que você leia e sinta o que eu senti. O livro será lançado pela editora Seguinte dia 12 de abril de 2019 aqui no Brasil.

Você pode me seguir lá no @belapsicose

14 comentários:

  1. O livro trata de assuntos sérios e bastante relevantes para o público que lê YA. Mas de uma forma leve, com seriedade, e as vezes com pitadas de humor.
    Enquanto lia, fiquei pensando que Evan, ficou em um dilema e tanto! Como contar e se deve contar a verdade a fragilizads família do Connor e ao fazer isso se desnudar completamente diante de todos. Eu não saberia o que fazer.
    Eque traz reflexões de como conviver com se sofre de depressão e também como lidar quando temos casos próximos a nós.

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  2. Boa noite Ana!
    Essa é a primeira resenha que leio sobre "Querido Evan Hansen", não sei como o livro pode ser intenso, mas de forma leve (confesso que me deixou curiosa!). O que certamente me deixou com vontade de ler esse livro é a parte de não ter rodeios, acho que precisamos entender o que é depressão e ansiedade. Quero ter a oportunidade de fazer essa reflexão.

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  3. Que capa maravilhosa. Quero muito poder ler esse livro um dia, será minha primeira experiência lendo algo desse autor e desse gênero. Amei a resenha também. Parabéns pelo blog.

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  4. Resenha sensacional!
    É o tipo de história que amo, ainda mais quando é reflexivo.
    Desejando esse livro!

    Beijos

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  5. Puxa, primeira resenha que leio deste livro e já quero demais conhecer Evan e sua solidão! As vezes penso que somos seres solitários por natureza ou o mundo corrido tenha nos transformado em seres assim, mas até que ponto isso incomoda a nós mesmos?
    Sei lá...eu adoro este refletir durante e depois de uma leitura e este livro parece ter muito desta reflexão, não apenas sobre o ser só,mas também a amizade, o luto e o sentir-se parte de um todo.
    Com toda a certeza, vai para a lista de desejados!
    Beijo

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  6. Achei a proposta dele bem bonita e interessante por não ficar romantizando muito o assunto, coisas que podem ser pesadas. Tem livro que não parece lidar bem com esses temas e esse achei tão leve e fácil pelo jeito dele. Se for essa ideia como disse, de ser mais cru, mais a verdade e pronto, pode ser bem legal. Gostei das visões também, ser ser tudo de um personagem só, dando alguns pontos do outro. Quem você é e o que as pessoas veem é uma coisa boa de se falar, achei isso bem legal também. Queria ler.

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  7. Oi Ana,
    A história aborda temas bem profundos e que mexem com o leitor, só por isso já carrega um enorme peso de conseguir passar a mensagem desejada. Até que ponto uma mentira pode ser considerada inocente? Evan tem um papel muito importante nessa história, que vai além da sua própria. A confusão que a carta gera trás um bem maior para a família de Connor, mas considerando todos os problemas que Evan sofre será que ele não vai ser o único prejudicado nessa história? Gostei muito de receber essa indicação, pois mesmo que eu não leia muitos livros com essa temática é um assunto que me interessa.

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  8. Oi, Ana
    Adorei a capa, mais linda que as gringas.
    Gostei do enredo de como foi abordado o tema bem real, sem floreios, ou romantizado demais. Da visão de Evan com todos os seus dilemas, será que a mentira compensa? Mesmo fazendo bem para a família de Connor.
    Parece ser uma leitura envolvente que ao mesmo tempo nos faz pensar em atitudes, o quanto solitário podemos ser.
    Quero ter oportunidade para ler.
    Beijos

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  9. Ana!
    Livro que traz assuntos como depressão e ansiedade tem de ter o cuidado necessário para não afetar leitores mais sensíveis e percebi que aqui, houve esse cuidado, embora achei seus questionamentos bem pertinentes e devem ser analisado com cuidado mesmo.
    cheirinhos
    Rudy

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  10. Olá Ana! Essa é a primeira resenha que vejo desse livro, nossa parece mega emocionante, preciso desse livro pra ontem, curto muito esse tipo de leitura.
    Bjs

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  11. É ditado que a mentira tem perna curta. Então como Evan vai se sair nessa história? Ele que sofre com ansiedade e depressão deve ter passado por uma pressão maior ainda. Muito interessante a abordagem desses temas.
    Pela capa eu nunca iria conseguir imaginar que o livro é tão emocional e verdadeiro. Gostei demais e quero muito ler.

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  12. Oi, Ana!
    Depressão, ansiedade e suicídio... são assuntos difíceis para mim, os três me tocaram de várias formas em épocas diferentes na minha vida, e por isso prefiro não ler Querido Evan Hansen, pelo menos no momento, mas quem sabe futuramente?!... Bjos!

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  13. Oi, Ana!!
    Nossa que livro mais interessante!! Ainda não tinha lido nada sobre ele e fiquei bem impressionada por que esse livro traz assuntos tão importantes como a depressão e ansiedade. Adorei a indicação e quero sim conferir esse livro.

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  14. Oi, Ana!
    Ai, quero muitooooo mesmo esse livro!
    Parece ser bonito, simples e emocionante.
    É sempre bom lermos mais sobre depressão, nos ajuda e nos mostra como temos que ajudar e cuidar uns dos outros.
    bjs

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