30 de julho de 2019

Resenha: Nem Tudo Será Esquecido

Um dos suspenses psicológicos mais elogiados nos Estados Unidos Tudo parece perfeito na pequena Fairview, em Connecticut, até a noite em que a adolescente Jenny Kramer é violentada durante uma festa. Nas horas posteriores, ela é medicada com uma droga controversa para que as memórias da violência sejam apagadas. Mas, nas semanas que se seguem, enquanto se cura das dores físicas, Jenny percebe que guardou nuances daquela noite. O pai, obcecado por sua incapacidade de descobrir quem abusou de sua filha, busca justiça, enquanto a mãe tenta fazer de conta de que o crime não abalou seu mundo cuidadosamente construído. Segredos da família e do círculo próximo começam a vir à tona durante a busca incessante pelo monstro que invadiu a comunidade – ou que talvez sempre tenha estado lá –, guiando este thriller psicológico para um fim chocante e inesperado.

Título Original: All Is Not Forgotten
Autora: Wendy Walker
Páginas: 288
Tradução: Maryanne Linz
Editora: Planeta

Provavelmente eu nem repararia na existência desse livro não fosse o clube de leitura da Pam Gonçalves, o @pamdle ― aqui, a Pam indica pra gente ler apenas obras disponíveis no Kindle Unlimited, o que é uma mão na roda para quem assina o programa ou o pontapé para quem tem vontade de assinar ―, simplesmente porque não sou muito de ler thriller psicológico. Esse gênero costuma me deixar muito ansiosa, então tento evitar. Mas enfim, resolvi aceitar esse "desafio" e sinceramente não consigo dizer com clareza o que senti por Nem Tudo Será Esquecido.

A história gira em torno de uma adolescente de 16 anos que foi estuprada durante uma festa. Algumas horas mais tarde, depois de passar por várias cirurgias no hospital, os médicos dão um medicamento para Jenny para que as lembranças da violência fossem simplesmente apagadas de sua memória. Porém, por mais que a garota não conseguisse lembrar de nada, algo muito ruim impregnava o seu corpo de forma insuportável, então Jenny chegou a conclusão de que era preciso lembrar para conseguir esquecer.

A primeira coisa que super chama atenção nesse livro é o narrador: apesar de a história ser, teoricamente, sobre Jenny Kramer, quem narra todos os acontecimentos é um homem que sabe tudo sobre o caso ― inclusive detalhes sobre o estupro, que ele faz questão de expor logo nos primeiros capítulos. Dada essa informação, devo alertá-los dos milhares de gatilhos contidos em Nem Tudo Será Esquecido. Como o narrador é onisciente, ele é portador dos detalhes mais absurdos sobre as pessoas que estão envolvidas na história. Por exemplo, em certo ponto do livro, um suicídio foi descrito com tanta clareza que eu me senti enjoada.

Então é aquela coisa, acho que o leitor tem que estar 100% preparado psicologicamente para ter acesso à essa leitura. Imagino a angústia que uma pessoa que já foi violentada/abusada sexualmente sentiria com os detalhes expostos. Não consigo nem pensar em uma pessoa que já tentou suicídio ou que está deprimida lendo basicamente um passo a passo de como fazê-lo. É, de verdade, uma leitura para se ter cautela.

Logo no início também somos apresentados a alguns personagens importantes, como os pais de Jenny. Infelizmente a mãe da garota mal tinha aparecido e eu já não gostava dela. A sensação que eu tive e ainda tenho, é que ela estava muito mais preocupada com o que as pessoas iam falar da filha & da família num geral do que com o bem estar da menina. A raiva só foi aumentando enquanto vários segredos da mulher iam sendo expostos pelo narrador ― o que faz bastante sentido para uma pessoa que vive de aparências. rs

E por falar nele, o próprio narrador também não deixa de ser um personagem, talvez até mais importante que Jenny. Ele vai alternando a história entre passado e futuro, incluindo pessoas e fatos, de modo que a trama se tornou uma imensa colcha de retalhos. Digamos, também, que ele não é o ser humano mais adorável da face da Terra: se eu já odiava o narrador no começo, passei a odiá-lo ainda mais na medida que o crime contra Jenny ia sendo solucionado. Além de tudo, as ações dele simplesmente não condizem com quem ele é.

O final eu realmente não esperava. Por causa disso, posso dizer que Wendy Walker surpreendeu. Acho que um autor precisa ser realmente muito bom para fazer o que ela fez com a narrativa de Nem Tudo Será Esquecido. Ainda sim, pelos diversos fatos que citei anteriormente, é uma leitura controversa. É por isso que não sei o que pensar dela, principalmente porque me causou muita angústia e incômodo. Para quem gosta desse tipo de livro e não é atingido pelas sensações, acredito que seja uma boa pedida, sim. 

17 comentários:

  1. Também não leio muito thriller psicológico, quando o faço são de autores que já conheço, geralmente os que tem uma série.
    Nem Tudo Será Esquecido me pareceu bem forte. Os gatilhos que tem são pesados e sem ler o livro, me pareceu um tanto quanto desnecessários.
    Fiquei refletindo em uma frase que você escreveu na resenha: ela precisava lembrar para esquecer. Realmente nesse caso, a tal droga só piorou a recuperação mental (se é que alguém se recupera disso) da Jenny.
    Sem ler, já tô com ranço da mãe dela, imagine lendo....

    ResponderExcluir
  2. Admito que não conhecia o livro e estou aqui sem palavras para falar sobre um enredo destes. Eu amo coisas fortes, que afloram os sentimentos que cada um de nós carrega, mas sei lá, falar de estupro, lembranças, dores físicas e emocionais é algo muito além disso.
    É pessoal demais, é intenso demais e por tudo que li acima, toda a história é muito forte, turva e dolorida.
    Mas eu amo o gênero, amo este sentir agonia e até desespero, por isso, o livro vai para a lista dos mais desejados com certeza!
    Beijo

    ResponderExcluir
  3. Olha, achei interessante pelo jeito que as coisas são contadas, não pela personagem mas por outro narrador. E as surpresas que podem aparecer, reviravoltas e etc. Mas não leria. Pesado demais e tô passando longe de sentir todas essas coisas ruins que a leitura parece deixar. É um livro inteiro focado numa coisa que...ai cara, não dá. Não leria mesmo. Tem que ter coragem mesmo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Achei muito original o estilo da narrativa, até porque você não tem ideia de quem é o narrador e se ele é realmente confiável. Dá um toque a mais. Entendo, não indico ler mesmo se você num tiver uma cabeça bem boa quanto ao tema. É muito visual, cheio de gatilhos. Às vezes é melhor passar bem longe.

      Excluir
  4. Eu realmente gosto desses livros com temática mais forte, então não precisei nem ler a resenha pra comçar a querer ler o livro hahaha Ssaber que olivro é bom e foi bem trabalhado só me fazem ter mais vontade de ler. Parecido, mas não exatamente, recomendo a leitura de Menina morta-viva, 3096 e também Amor Amargo.

    ResponderExcluir
  5. Olá!
    Bom, eu nunca cheguei a ler livros desse gênero mas sempre que leio alguma resenha fico bastante curiosa pela trama, não seria diferente com esse. Fiquei bastante curiosa por esse livro e pela trama com certeza deixará o leitor bastante agonizado mas espero poder ler em algum momento.

    Meu blog:
    Tempos Literários

    ResponderExcluir
  6. Oi, Ana!!
    Conheço clube de leitura da Pam Gonçalves e infelizmente não consegui ler Nem Tudo Será Esquecido na época que ela indicou mais estou doida para ler esse suspense psicológico. E da para ver que esse livro é bem interessante e vou com certeza colocar na minha meta para ler esse ano ainda.
    Bjs

    ResponderExcluir
  7. Eu não conseguiria ler Nem Tudo Será Esquecido, pelo excesso de detalhes oferecidos pelo narrador, que parece ser um personagem asqueroso. Então, não teria estrutura psicológica para a leitura que envolve temas muito fortes como o abuso sexual e o suicídio.

    ResponderExcluir
  8. Eu não conhecia o livro, mas a capa chamaria a minha atenção, até pelo título, que achei interessante. Gosto desse tipo de leitura, e fiquei curioso como papel do narrador. Muito interessante o papel que ele exerce, deixando de ser apenas um simples narrador para ter papel importante na trama.

    ResponderExcluir
  9. Oi, Ana
    Thriller é um dos meus gêneros preferidos. Eu vi quando você postou que estava lendo no twitter.
    É uma leitura que incomoda um pouco pelo excesso dos detalhes, mas estou muito curiosa para ler e parece que o livro mesmo com esse problema é bem interessante e prende o leitor com um final surpreendente.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É incômoda sim, mas acredito que o intuito da autora era incomodar. Mas ela trabalha bem o assunto, não romantiza o estupro e nem nada do tipo. Mas assim, é bem impactante porque alguns detalhes são muito visuais, sabe?

      Excluir
  10. Que legal esse projeto da Pam, não sou assinante, mas acredito que tenha muita coisa boa por lá.
    Thriller não é o meu forte, me deixa com medo mesmo; bem agoniada. Então com certeza não vou fazer essa leitura, o tema abordado é forte.
    Mas fico feliz que a autora tenha surpreendido.

    Beijos

    ResponderExcluir
  11. Olá! Acho muito interessante esse projeto da Pam, tem muitos livros bons para serem explorados no Kindle.
    Gosto de thiller e o título do livro chamou minha atenção, mas acho que esse livro não é para mim. Não sei se conseguirei fazer essa leitura algum dia, mas no momento sei que eu não a faria, já que a trama é pesada e cheia de gatilhos.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  12. Oiii ❤ Adoro as indicações de leitura da Pam, ela sempre indica livros muito bons, alguns até se tornaram meus favoritos.
    Entretanto, acho que não leria esse livro devido às cenas fortes, pois acabo ficando com isso na cabeça por ficar impressionada facilmente com cenas fortes.
    Acho que não tenho um psicológico bom o suficiente pra fazer essa leitura.
    Beijos ❤

    ResponderExcluir
  13. Oi Ana,
    Gostei da sua resenha, me deixou com muita vontade de lê-lo e ao mesmo já ansiosa e angustiada por ter essas cenas tão fortes e descritivas.
    O tema é interessante.
    Vamos ver se tenho coragem kkkk
    Bjs

    ResponderExcluir
  14. Olá Ana!
    Tudo que envolve esse tema de abuso é bem intenso para mim, não sei porque! Sempre me toca de uma forma que nem sei explicar.
    A história da Jenny parece muito triste, ainda mais porque além do abuso físico houve esse abuso por parte dos médicos que fizeram ela esquecer do que aconteceu sem o consentimento dela!
    Costumo gostar muito de livros desse gênero, e como você disse que o final é surpreendente tem grandes chances de eu gostar do livro.
    Bjos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse tema é bem pesado mesmo, tem que ter uma cabeça muito boa pra ler. Por isso que não indico para todo mundo, sabe? E realmente, pensando por esse lado, houve um abuso dos médicos e dos pais também, que concordaram com tudo.

      Excluir

 
Layout feito por Vinícios Costa editado por Silviane Casemiro | Todos os direitos reservados ©