O Diamante | J. Courtney Sullivan

Título Original: The Engagements
Autora: J. Courtney Sullivan
Páginas: 480
Tradução: Ivar Panazzolo Junior e Robson Paulin
Editora: Novo Conceito
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Existem livros que, só pela capa e a promessa que trazem consigo, conseguem me deixar extremamente curiosa pela leitura. Outros simplesmente estão lá, na estante, e por um motivo qualquer, sem razão algum, decido tirá-los de lá e ler. Na grande maioria das vezes, essas escolhas de supetão me surpreendem. Em algumas outras mais raras, os livros dão tantas voltas que fico me perguntando qual, afinal, é o sentido deles. Na primeira metade do livro, achei que O Diamante, de J. Courtney Sullivan, se encaixaria na segunda classe; no entanto, depois que o enredo se desenvolveu, alguns elementos conseguiram me conquistar, ainda que não se possa dizer ser um livro incrível.

A trama se desenvolve com uma estruturação bastante notável: são cinco capítulos centrais que sempre se alternam para contar, cada um, uma história diferente, todas elas interligadas por um único elemento: o diamante. De uma forma que inicialmente parece não fazer qualquer sentido, a única coisa em comum naquelas vidas todas era a importância daquela pedrinha, o símbolo de um relacionamento criado por jogadas de marketing cheias de criatividade.

Em 1947, Frances trabalhava em uma empresa de publicidade responsável por inserir a ideia do diamante no inconsciente da sociedade; em 1972, Evelyn e o marido Gerald sofriam com a decisão do filho do casal de se separar da esposa, o que manteria as netas longe; em 1987, James tentava fazer o melhor que podia para dar tudo a sua esposa Sheila e aos seus filhos, apesar das dificuldades financeiras; em 2001, Delphine se mudou para Nova York com PJ, depois de abandonar seu marido e seu país, a França; em 2012, Kate não se encaixava nos padrões da sociedade e não desejava se casar, mas tinha a missão de ajudar seu primo Jeff a organizar o casamento com Toby.

Quando Frances começara a trabalhar na Ayer, em 1943, 103 funcionários estavam servindo na guerra - 10% da agência. [...] De junho de 1942 a setembro de 1943, a propaganda da De Beers ficara limitada a espalhar a notícia sobre a contribuição da empresa para a industrialização de diamantes para a guerra. Após isso, as propagandas de joias retornaram, mas eles tiveram de saber lidar com isso. Em 1945, Frances criara uma nova campanha, bem diferente do que já se tinha visto nas revistas americanas até então. Os anúncios celebravam os casamentos dos soldados que retornavam para suas casas com as garotas que haviam deixado para trás, mostrando ilustrações com cerimônias reais e histórias relativas aos casais. Ao mesmo tempo, eram passadas informações importantes sobre os diamantes

Aparentemente, a quantidade de tramas contadas no livro impediria o aprofundamento da história de cada personagem e um envolvimento com todos eles. De alguma forma, no entanto, a autora conseguiu desenvolver, nas poucas páginas de cada capítulo, complexidades psicológicas de todos os envolvidos, e impediu que o livro se tornasse superficial.

Tanta diferença de épocas e de enredos, no entanto, parecia tornar o livro uma colcha de retalhos sem qualquer lógica, causando certa frustração quando os capítulos mudavam. Isso porque, quando aquele enredo finalmente fisgava e se queria saber o que aconteceria em seguida, a trama passava a ser outra. E isso seguiu até o final do livro, sem escape.

O final, porém, surpreendeu. Não fosse por ele, talvez O Diamante se tornasse uma leitura sem qualquer grande atrativo; mas o último elemento a ser revelado demonstrou as grandes coincidências as quais a vida pode levar, e vinculou todas as histórias de uma forma inesperada - e fantástica.

O Diamante é, na verdade, um quebra-cabeças gostoso de acompanhar, que, em alguns momentos, frustra e cansa porque as peças parecem não se encaixar, mas que, ao final, vê-lo completo recompensa.

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