A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil | Becky Chambers

Ficção científica é um gênero que não costuma entrar muito nas minhas metas de leitura. Não é que eu não goste, eu só prefiro ler outras coisas, de modo geral. A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil caiu de paraquedas nas minhas mãos, quando minha amiga Ju me deu de presente de aniversário. O mais legal é que resolvemos ler juntas, através de uma leitura coletiva que até que deu certo. Fiquei feliz porque além de tudo, acabei gostando bastante do livro!

Em resumo, a história acompanha o dia a dia de uma equipe que trabalha furando buracos de minhoca no espaço. A Terra não existe mais, já que os humanos acabaram com ela, e todos da espécie que ainda existem ou fugiram de lá a tempo ou nasceram em outros planetas, como o caso da protagonista Rosemary, que nasceu e cresceu em Marte. Além de terráqueos, os habitantes da nave Andarilha são originários de outros planetas e possuem características únicas, inclusive uma Inteligência Artificial simpática e cheia de sentimentos — e juro, foi a coisa mais incrível que já li.

A trama em si é muito simples, já que tudo gira em torno do trabalho dos tripulantes. O que chama mais atenção, na realidade, é forma como Chambers constrói seus personagens. Cada um é único, não necessariamente por serem de espécies criadas pela autora, mas por causa das suas personalidades, hábitos, culturas e histórias de vida. O Dr. Chefe, por exemplo, é médico e chefe de cozinha, e sua espécie é gênero fluido, ou seja, transita entre os dois sexos durante sua existência. Cada um desses nove seres é essencial: a nave não funciona sem um ou outro.

Dessa forma, o ponto principal de A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil não é exatamente a viagem que os personagens fazem, e sim suas relações interpessoais e os caminhos que eles trilham individualmente. Apesar de conhecermos planetas, termos aquele choque inicial que é comum quando conhecemos culturas diferentes e assim por diante, o que importa mesmo são as ações dos personagens. É através deles que Becky Chambers desconstrói preconceitos e conceitos inerentes à nossa sociedade, ou seja, questões como homossexualidade, estereótipos de gênero e relações interespécies são tratadas com naturalidade e sensibilidade, como deveria ser.

Uma das minhas coisas preferidas nesse livro é o espaço dado às mulheres. De forma geral, a  ficção científica é direcionada aos homens e a maioria dos personagens são homens, principalmente se envolve muita tecnologia. Então, quando temos a oportunidade de ler uma obra tão completa do gênero escrita por uma mulher que dá vida a personagens femininas tão importantes, é no mínimo muito bacana.
 
Sinceramente, tenho apenas duas ressalvas para essa obra. A primeira é relacionada à diagramação: a fonte é muito pequena e o espaçamento entre linhas e das margens é muito apertado, o que dá aquela terrível sensação que a gente lê, lê, lê e não sai do lugar. A segunda é sobre o início da trama, que é bastante lento. Apesar de melhorar consideravelmente, é preciso força de vontade para passar da página 50-60 para ver as coisas começarem a acontecer de verdade — mas eu garanto que vale a pena!

A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil é sobre família, amor e amizade, no fim das contas. O final acabou sendo bastante triste por causa de um acontecimento em específico, mas que acabou servindo para me deixar com muita vontade de ler os outros volumes da série. Os volumes da saga Wayfarers, apesar de se passarem no mesmo universo, podem ser lidos separadamente. Até então, os outros livros lançados são A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada e Os Registros Estelares de Uma Notável Odisseia Espacial.
 
Título Original:  ✦ Autor: Becky Chambers ✦ Páginas: 352
Tradução: Flora Pinheiro ✦ Editora: DarkSide Books
Livro recebido em parceria com a editora

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10 Comentários

  1. Bem curiosa pra ler essa série. Ficção cientifica acho que nao li quase nada, mas essas que falam muito do ser humano, mais existencialistas que nao ficam só em batalhas espaciais to bem curiosa pra ler e conhecer mais.
    Espero conseguir iniciar essa serie esse ano ainda!

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  2. Não tem como começar sem dizer que essa foto tá linda, aliás, amo todas as fotos que você coloca nos posts :)
    Eu não leio ficção também, mas gosto muito quando o destino coloca livros na minha mão que geralmente eu não escolheria. Já ganhei vários presentes assim e a gente acaba dando uma chance e gostando né?
    Também não gosto quando os livros trazem uma fonte muito pequena, prefiro mais páginas, mas como espaço maior, assim você sente que realmente tá avançando. Mas, tirando isso, todos os pontos que você trouxe foram muito legais!

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  3. Acredito que seja o tipo de ensinamento assim: aproveitar o caminho e não ficar centrado somente no ponto final!
    Eu nunca li estes livros,mas sim, tenho muita vontade. Mesmo achando que talvez eu não vá curtir tanto.
    Fora as edições sempre impecáveis, há isso das relações que acabam servindo a todos nós e isso para mim, é muito importante.
    Foi lindo saber sua opinião!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  4. Olá, Ana

    Achei a história desse livro muito interessante!!
    Apesar de ficção científica não ser meu gênero favorito, eu gosto de ler, e já anotei essa dica.
    Amei a capa, muito linda mesmoooo

    beijos

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  5. Que foto mais linda, Ana!
    Também quase não leio ficção científica. Nessa minha longa vida de leitora, li apenas 2 livros do gênero.
    Curti muito a premissa de Longa Viagem. Mas acho que talvez achasse a leitura não muito fluida.

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  6. Olá Ana! Curto muito ficção científica, já estou bastante curiosa em ler esse livro, não quem ele fazia parte de uma série, mas ainda bem que a leitura pode ser feita separadamente.
    Bjs

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  7. Olá Ana
    Também náo sou muito de ficção científica mas todas as resenhas que li desse livro foram positivas.
    Talvez eu de uma chance para esse livro algum dia .
    Pela sua resenha dá para ver que o livro traz mensagens boas sobre amor família amizade e isso é maravilhoso.
    Bjs

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  8. Olá! Esse também é um gênero que não costumo ler muito, mas que cada vez mais, tenho curiosidade em conferir, além de ter uma edição linda, gostei de saber que o enredo possui personagens tão diversos.

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  9. Ana!
    Tão bacana ver uma ficção que consegue mostrar toda uma diversidade, tanto de culturas, quanto de peesonagens que nos fazem pensar nas conexões com nossa própria realidade, meio que uma distopia.
    cheirinhos
    Rudy

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  10. Olá Ana Clara!
    Também não sou lá grande fã de ficção científica, mas às vezes é bom ler pra diversificar um pouco. Adorei saber sobre o protagonismo feminino na história, realmente é algo que quebra alguns paradoxos literários do gênero. E a representatividade dos personagens e a importância das relações interpessoais foi algo que me chamou bastante a atenção. Confesso que não estava muito animada pra ler o livro mas depois da resenha fiquei mais curiosa. Uma pena a Darkside ter vacilado um pouco na diagramação, mas vou passar o pano porque ela ainda é a editora que mais arrasa no que diz respeito à estética dos livros.
    Beijos

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