11 de novembro de 2013

Resenha: Sobre Histórias de Fadas

Título Original: Tree and Leaf
Autor: J. R. R. Tolkien
Páginas: 118
Tradução: Ronald Kyrmse
Editora: Conrad

O que são histórias de fadas? Qual a sua origem? Para que servem? Em seu ensaio inédito "Sobre Histórias de Fadas", J. R. R. Tolkien parte dessas questões para formular sua própria teoria a respeito da fantasia e de seu papel na sociedade atual. Escrito ao mesmo tempo em que a trilogia “O Senhor dos Anéis” começava a tomar forma, esse ensaio é um dos elementos fundamentais para entender muitos dos pensamentos e das inquietações que levaram à criação do universo fantástico tolkieniano. Outra chave para a compreensão desse universo é o conto "Folha por Niggle", que completa esta edição. Considerado uma alegoria da vida do escritor e de sua relação com a obra-prima que estava criando, "Folha por Niggle" narra a história de um pintor que, obcecado por transpor para a tela a sua visão, se vê constantemente impedido de fazê-lo, seja pelos contratempos do dia a dia ou pelas convenções sociais. Muitas vezes deixando de lado a vida profissional como a acadêmica, Tolkien, assim como seu personagem, dedicava todo o tempo possível ao mundo fictício que construiu ininterruptamente de 1917, enquanto convalescia de uma doença contraída nas trincheiras da França, até sua morte, em 1973. Juntos, os dois textos reunidos neste “Sobre Histórias de Fadas” ajudam a esclarecer as razões e motivações que levaram um respeitado professor de Oxford a passar mais de meio século criando um mundo imaginário que prima não somente pela fantasia exuberante, mas também por sua complexidade e coerência interna.

Estava passeando pelos meus canais favoritos no You Tube, quando me deparei com uma tag, “13 Livros para Ler em Um Dia”, no canal da Jess. Devo confessar que de todos os livros que ela indicou, o que mais me chamou atenção foi o “Sobre Histórias de Fadas”, por três motivos: o nome, a capa e o autor. A obra contém um ensaio, apresentado na Universidade de St. Andrews em 1938, e um conto, publicado em 1947. 

Em seu ensaio, Tolkien analisa e comenta diversas obras de literatura infantil, a fim de mostrar e defender sua teoria de que “histórias de fadas” são, na verdade, um gênero literário mais indicado ao público adulto. Na obra, é citado o Belo Reino, o local onde se passam as histórias de fadas. 

O autor liga o Belo Reino aos principais sentimentos humanos, que, por sua vez, são elementos necessários para os adultos: fantasia, recuperação, escape e consolo. Tolkien crê que as crianças optam por gêneros literários mais realistas, mas não significando deixar a fantasia de lado. Ele afirma que as histórias de fadas são confundidas pelos adultos com fábulas, e que isso é passado para as crianças. Além disso, ele questiona se as histórias devem mesmo acabar sempre com o famoso "final feliz".

O reino das histórias de fadas é amplo, profundo e alto, repleto de muitas coisas: todas as espécies de animais e aves se encontram por lá; oceanos sem margem e estrelas incontáveis; uma beleza que é um encantamento, e um perigo sempre presente; alegrias e tristezas agudas como espadas. 

Em “Folha por Niggle”, Tokien nos conta a história de um pintor não muito bem-sucedido. Niggle tinha uma longa viagem a fazer, mas ficava adiando-a com o pretexto de terminar o seu quadro: uma grande árvore. Mas acontece que o homenzinho era frequentemente interrompido, seja por outras tarefas que tinha que fazer, seja pelo seu vizinho, que tinha uma enfermidade na perna e precisava constantemente da sua ajuda. 

Certo dia, Niggle se vê impedido de terminar o quadro, pois o dia de sua viagem tinha chegado e não podia mais adiá-la. Depois de muito tempo trabalhando arduamente numa espécie de prisão, Niggle é liberado e pode voltar para casa. Chegando lá, depara-se com sua árvore e percebe que sua falta de paciência, controle do tempo e imaginação o impediam de completar sua obra.

Apesar de esperar mais do livro justamente por ser uma obra do Tolkien, posso dizer que ele me surpreendeu, principalmente com o conto. É bem curto, fácil de ler e, apesar da maior parte ser o ensaio, não é entediante.

Classificação final: 

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