1 de julho de 2014

Resenha: Sangue Quente

Título Original: Warm Bodies
Autor: Isaac Marion
Páginas: 256
Tradutor: Cassius Medauar
Editora: LeYa

R é um jovem vivendo uma crise existencial - ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a "vida" de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa.

Não sei se vocês sabem, mas tenho "quedinha" por zumbis. Quando li a sinopse de "Sangue Quente" em algum lugar na web, algo mexeu comigo. Eu sinceramente não sabia o que esperar de um zumbi que tem crises existenciais, que fala, pensa e muito menos que possui sentimentos. Num universo pós apocalíptico isso me pareceu simplesmente fora de cogitação. E continuo pensando assim, se querem mesmo saber.

R é um zumbi que vive em um aeroporto abandonado. Não se lembra de absolutamente nada da sua fase como Vivo: não tem ideia de como seja o seu nome, de nenhum momento importante da sua existência. A única coisa que sabe é que um dia acordou e estava morto. R não é um zumbi comum. Além de ter pensamentos, ele consegue proferir algumas palavras e também pode sentir. 

Como todo morto-vivo, R também precisa se alimentar, como todos nós já sabemos, de carne humana. É em uma dessas caçadas que nosso zumbi protagonista conhece Julie. Acontece que, logo após comer o cérebro de Perry - o namorado de Julie, por assim dizer -,  R começa a visualizar as lembranças guardadas no íntimo do garoto e assim, começa a nutrir uma paixão pela menina. Com o intuito de protegê-la da horda de zumbis que assolam todos os lugares, ele a leva para o seu esconderijo no aeroporto. 

A estória gira em torno disso: a fascinação de R pela mocinha. Inclusive, R guarda alguns pedaços do cérebro de Perry só pelo prazer de saborear suas lembranças relacionadas à Julie. R também tem um melhor amigo, M, que o ajuda nessa missão. 

Ela finalmente olha nos meus olhos. Ela parece uma criança perdida, confusa e triste.
— Obrigado por, hã... me salvar. De novo.
Com um grande esforço, deixo de lado meu sonho e dou um sorriso.
— Pode contar... sempre.

Eu juro que tentei levar essa leitura a sério, pessoal, mas eu não consegui. No meu mundo - e acho que no mundo da maioria das pessoas, para ser sincera -, zumbis não pensam. Muito menos falam, pelo amor de Deus. Desculpem-me o palavreado, mas simplesmente não me desce uma estória assim. É óbvio que o autor tem todo o direito de criar uma estória nos seus padrões, não nos meus, mas ainda me parece impossível. 

Para piorar só um pouquinho, o livro é narrado em primeira pessoa pelo próprio zumbi. É isso mesmo o que vocês leram. Além de ser um zumbi totalmente diferente dos que nós conhecemos, R ainda pode narrar uma estória. Não me critiquem por escrever isso aqui, mas ainda não estou conseguindo demonstrar toda a minha frustração para com esse livro. 

Apesar de tudo isso, consegui encontrar um ponto positivo na obra de Marion: as referências musicais. Frank Sinatra e meus amados Besouros de Liverpool aparecem em vários momentos da estória e confesso que foi daí que tirei forças para finalizar a leitura. Também gostei bastante da diagramação. No início de cada capítulo há um pequeno desenho de alguma parte do corpo humano, achei super condizente com a premissa do livro e bem original. 

Por falar em original, não posso negar que a ideia de Issac Marion é totalmente incomum. Em um mundo pós-apocalíptico a última coisa que eu iria pensar seria num romance... Muito menos entre uma humana e um zumbi. Essa originalidade, junto com a referência musical, foi a única coisa que me impediu de dar apenas uma estrelinha para livro. 

Inclusive, o livro ganhou uma adaptação: "Meu Namorado é Um Zumbi". Se, depois de todo esse meu falatório, vocês ainda estiverem curiosos, podem conferir o trailer clicando aqui. Mas olha, não sei não, eim!?

8 comentários:

  1. Oi, Ana!
    Primeira vez aqui, gostei muito. =D
    Você definiu o que sinto por esse livro e o motivo pelo qual ainda não comecei: me parece inverossímil DEMAIS, mesmo para uma fantasia de zumbis!
    Mas ouvi dizer que o foco é ser engraçado, bem no gênero comédia, e nisso eles (o livro e também o filme) seriam bons. Até baixei o livro e coloquei no Calibre, mas ainda não me animei.
    Beijos,

    Priscilla
    http://infinitasvidas.wordpress.com

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    1. Oi Priscilla!

      Que bom que gostou! Volte sempre. <3
      Olha, não sei não. Acho que o foco é mais o romance mesmo. Eu adoro zumbis, como eu disse na resenha, mas zumbis de verdade, se é que você me entende. hahaha

      Beijos!

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  2. Ei Ana

    Eu comprei este livro tem muito tempo, uma amiga leu e amou. Falou que é diferente que é isso e aquilo. E até hoje eu não li. Mas depois disso assisti The walking dead e acho que vou concordar com vc, não consigo imaginar vampiros assim. :P
    bjs

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    1. Oi Nanda!

      Acho que é justamente por isso que não gostei: depois que a gente assiste The Walking Dead, zumbis "diferentes" não descem de jeito nenhum.

      Beijos!

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  3. O nome do livro é forte, eu não costumo ler histórias com zumbis , mas me identifiquei com a capa talvez eu leia

    Tem resenha nova no blog, beijOoOo
    blog Livros com café

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  4. Oi Ana!

    Nunca li ''Sangue Quente'' mas vi o filme ''Meu namorado é um zumbi''! Até que gostei! rs
    Essa é a minha primeira vez aqui. Gostei muito do blog (estou seguindo ele) e da resenha também! :)

    http://tonylucasblog.blogspot.com

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    1. Oi Tony!

      Depois de ter lido o livro, não sei se verei o filme. Dizem que é um pouco diferente, que o filme é realmente engraçado, mas não sei não. Obrigada por seguir!

      Beijos!

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