9 de julho de 2016

Resenha: Persépolis

Título Original: Persepolis 1, 2, 3 e 4
Autora: Marjane Satrapi
Páginas: 352
Tradução: Paulo Werneck
Editora: Quadrinhos na Cia
Livro recebido em parceria com a editora.

Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.

Não vou mentir para vocês. Solicitei esse livro para a Companhia das Letras unicamente porque ele estava no clube do livro da Emma Watson do mês passado. E sim, se tem uma coisa que eu confio é no gosto literário da Emma Watson. O que eu não sabia é que, além de gostar muito do quadrinho, ele ia mexer tanto comigo.

Persépolis é uma história em quadrinhos autobiográfica onde Marjane Satrapi, que é iraniana, conta sua história no país onde nasceu, em meio a guerra. Majane viu sua vida virar de pernas pro ar quando, em 1979, uma revolução é iniciada e, como consequência, transforma o Irã, um país monárquico e moderno em uma república islâmica extremamente conservadora. Majane  tinha apenas 10 anos e foi obrigada a usar véu,  se separar dos amigos do sexo oposto e várias outras coisas que eram consideradas normais em sua família moderna. 

Apesar da sua maior parte se tratar de política e religião, o que poderia tornar a leitura densa e maçanete, a autora conta a história de uma forma leve e até engraçada. Convenhamos que ler uma história sobre a vida no Irã, do ponto de vista de uma iraniana, levando em consideração todo o medo dos bombardeios, da polícia e do extremismo, deveria ser no mínimo triste. Sim, não vou dizer que não me emocionei, não fiquei abismada com os absurdos, mas foi muito mais fácil com o humor. 

Na vida você vai encontrar muita gente idiota. Se te ferirem, pensa que é a imbecilidade deles que os leva a fazer o mal. Assim você vai evitar responder às maldades deles. Porque não tem nada pior no mundo do que a amargura e a vingança. Seja sempre digna e fiel a você mesma.

As coisas se complicam tanto para  Majane  que ela é obrigada a se refugiar na Áustria, tanto para se refugiar da guerra no Irã quanto para viver sua liberdade, assim como seus pais a criaram. Porém, me desconectei completamente com a personagem nessa etapa. Marjane perdeu toda a sua essência: era engajada, politizada, corajosa e curiosa enquanto criança. Parece que a adolescência e o fato de morar um país estrangeiro tirou todas essas qualidades dela. Acabei aceitando os fatos por conta do preconceito que sofria, do perrengue que passava e principalmente por causa das suas crises de identidade, que perduraram até a vida adulta, quanto retornou à sua terra natal. 

Quando achei que as coisas iam começar a melhorar para ela, pá, pioraram. O fato de ter passado tanto tempo longe da sua cultura fez com que ela se sentisse deslocada, tanto que até tentou resolver isso de uma forma não muito legal. Foi depois disso que resolveu buscar sua verdadeira essência, já com 24 anos de idade.


Persépolis é, sem sombra de dúvidas, um obra sensacional. Rica em informações, principalmente para nós que vivemos, tecnicamente, em um país livre. Além disso, os diversos fatos histórias esclarecem até os leigos como eu. Esse é aquele tipo e livro que deveria ser incluído nas leituras obrigatórias para todo leitor.

Classificação final: 

11 comentários:

  1. Que livro incrível!!Parece ser uma história em quadrinhos muito interessante,ainda mais por se tratar de uma autobiografia.Nunca tive a oportunidade de lê-las mas essa seria uma que eu fiquei muito curiosa em ler.Ainda mais por se tratar da política e religião do Irã,parece ser muito fascinante e envolvente.Ótima resenha,bjss!

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  2. Como pode uma trama tão forte e pesada possuir toques de humor? Nossa, se eu já queria ler antes, agora quero ainda mais!!! Não tenho muita experiência com HQ's, mais um motivo para eu querer ler...

    Bj, Van - Retrô Books
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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  3. Amo livros em quadrinhos, e estava querendo aumentar minhas coleções, com alguns de caráter histórico ou pelo menos, com outras culturas. Mesmo tendo assuntos mais densos, eu gostei bastante do enredo, e fiquei com muita vontade de ler ao livro e conhecer mais sobre a Marjane.
    Adorei a resenha mesmo :D
    https://leitorironico.wordpress.com/

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  4. Oiii Ana, como vai?
    Eu nunca havia visto um livro assim, retratando a história da autora em quadrinhos, e diante de tudo que ela passou, sobre o véu, como uma criança enfrentaria isso, realmente despertou muito meu interesse, é sempre bom conhecermos outras culturas, correndo o risco até de gostar <3 parabéns pela resenha, dica anotada.
    Beijinhos

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  5. Oi Ana!
    Parabéns pela resenha! Não conhecia o livro e fiquei super curiosa para conhecer. Ainda mais por se em quadrinhos! Que legal que o livro trata de questões pertinentes e atuais! Dica anotada! Bj
    http://colecionandoromances.blogspot.com.br/

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  6. Já tinha ouvido falar dessa obra, mas confesso que até então nunca tinha tido vontade de ler. Sua resenha mudou meu interesse, gostei bastante do que é proposto, e só pela tirinha achei engraçada a situação, mas claro que imagino que o livro é bastante reflexivo, mas é bom saber que mesmo, como você disse, podendo se tornar algo maçante não aconteceu assim. Gostei.
    www.apenasumvicio.com

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  7. Oi Ana, sua linda, tudo bem?
    O que mais chamou minha atenção, foi que apesar de todos os problemas que o país dela tem, anda sim, é sua terra natal e se sente deslocada quando não está lá, até porque sofreu preconceito onde estava. Nunca vi esse argumento sendo trabalhado antes. Parece ser uma história incrível mesmo, e é uma ótima abordagem usar o humor para dar certa leveza. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  8. Olá, tudo bem??
    Adorei sua resenha e eu já havia me interessado em ler esse livro, que na realidade é um hq, espero gostar tanto quanto você!!!
    Beijus
    www.bibliotecaempoeirada.com.br

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  9. Oi miga linda.
    o livro é inteiro quadrinho?
    Já tinha visto ele por aí mas gostei muito de saber sua opinião. Essa coisa dela perder a essência quando muda de país deve ser estranho mesmo, mas compreensível. Nunca nem imaginei como deve ser a vida no Irã, ou sua história, não é um país sobre o qual a gente veja muita coisa né, e ter a história sobre o ponto de vista de alguem de la, que viu os dois lados do país, digamos assim, deve ser bem educativo.

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  10. Nossa Ana, fiquei surpresa com a sua resenha, eu não conhecia este e mais ainda em saber que a autora conseguiu trabalhar um tema tão maçante como religião e política de forma leve e bem humorada e ainda considerando o que ela deve ter vivido Irã e depois ter que se adaptar a um novo país. Anotei a dica

    Bjo
    Tânia Bueno

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  11. Oi, tudo bem?
    Não sabia sobre "Persépolis" e achei bem bacana, onde vou anotar a dica e dar uma olhada em preços para comprar depois. Esse formato em quadrinho é bem legal e achei muito interessante.

    Beijos
    www.leitorasempre.com

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