25 de dezembro de 2017

Resenha: Sangue por Sangue

Para o Terceiro Reich, a Segunda Guerra Mundial pode ter acabado, mas para a resistência a luta está apenas começando. Yael é sobrevivente de um campo de extermínio e tem uma habilidade especial é uma metamorfa, capaz de mudar a aparência física e assumir a forma de qualquer pessoa. Ela também é uma garota em fuga o mundo acabou de vê-la atirar e matar Adolf Hitler. Yael é a inimiga número 1 da Germânia e de seus aliados, e vai precisar se infiltrar no território inimigo mais uma vez se não quiser pagar com o seu próprio sangue. Em meio a segredos sombrios acompanhados por verdades obscuras, apenas uma pergunta paira na mente de todos do grupo de Yael o quão longe você iria por aqueles que você ama.

Título Original: Blood for blood
Autora: Ryan Graudin
Páginas: 440
Tradução: Guilherme Miranda
Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora

Ryan Graudin conseguiu criar uma história fascinante sobre como seria o mundo se Adolf Hitler tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial e, em Lobo por Lobo, a autora nos presenteou com uma trama repleta de reviravoltas e com um final atordoante de expectativas. Para ser sincera, estava um pouco receosa em começar a leitura de Sangue por Sangue, com medo de que tudo aquilo que gostei no primeiro livro fosse desperdiçado nesse segundo volume. Porém, a autora soube explorar todos os detalhes que criou e entregou uma duologia completa, angustiante, mas incrível.

No primeiro volume, Yael enfrentou, como Adele, as dificuldades do Tour do Eixo para ficar frente a frente com Hitler. Agora, depois de alcançar seu objetivo, embora com resultados bem diferentes dos desejados, ela se torna uma fugitiva do governo, e arrasta consigo Felix e Luka, que se viram envolvidos na conspiração da resistência por terem ficado tão próximos da rebelde.

Quanta salvação e perdição havia naquele único empurrão. Os Wolfe ficariam a salvo, mas haveria sangue. Sangue por sangue. Sangue para pagar. Um mundo inteiro de sangue.

Sangue por Sangue mantém o ritmo do primeiro livro, eletrizante e carregado de tensão. A cada cena há um novo obstáculo, alguma nova luta pela vida, e as reviravoltas trazidas no enredo são tão envolventes quanto no primeiro livro. Como adicional, além dos capítulos pela perspectiva de Yael, há alguns pelos pontos de vistas de outros personagens, como Luka e Felix, assim como interlúdios que mostram o passado deles. É enriquecedor vê-los sem o filtro do olhar da protagonista, já que se pode compreender suas motivações e a real complexidade de suas personalidades.

Adorei a forma como Graudin conseguiu inserir as mulheres em posição de destaque. Yael é uma protagonista forte, corajosa e determinada, e é ótimo ver a garota como a salvadora, de quem todos dependem, e não como aquela que precisa ser salva. Além dela, Henryka e Miriam são líderes, seja da resistência, seja do exército soviético. Não que os homens não tenham participação relevante na história, mas o fato de elas serem tão importantes quanto eles - ou mais - faz do enredo ainda mais instigante.

Outro ponto positivo foi o cuidado da autora com dados históricos, que fez a história quase verossímil. Não fosse a metamorfia inserida no enredo, creio que um possível reinado de Hitler seria bastante semelhante ao descrito nos livros, tão ou mais horripilante do que ocorreu durante a Segunda Guerra. Embora esse segundo volume tenha enfoque maior nas consequências das ações de Yael, ainda há passagens bastantes que falam sobre os campos de concentração, os experimentos nazistas, a estrutura de governo e poder alemão, entre outros detalhes muito bem trabalhados pela autora.

A questão do poder, aliás, leva a um fechamento surpreendente do livro. Eu até tinha uma suposição de que algo semelhante poderia ocorrer, tendo em vista o caminho pelo qual a trama estava levando. Mas não tinha imaginado nada tão elaborado quanto foi de fato.

— Você me deu uma chance de viver — Miriam disse. — Deu ao mundo uma chance de se libertar. Não é algo de que se envergonhar.

O único problema do livro foi a superficialidade com que Graudin narrou as diversas perdas de Yael. Eu sofri mais pelo que eu sabia sobre a história da protagonista do que pelo trabalho de texto da autora. Foram escritas apenas algumas passagens quase indiferentes sobre isso, e achei uma pena a autora não explorar melhor esses momentos. Acredito que, com tantos detalhes para fechar e justificar, tenha sido uma opção não se estender no sofrimento da personagem, mas realmente senti falta disso.

Sangue por Sangue é um livro sobre guerra, então as perdas são inevitáveis. O final é o mais feliz possível, mas sinto que preciso alertar que não é um final feliz, no fim das contas. Ainda assim, tem uma trama incrivelmente bem construída e trabalha com questões necessárias, como humanidade e identidade, sobre o real valor das pessoas, para além das aparências.

18 comentários:

  1. Olá Ju! Não conhecia essa duologia. Achei incrível a ideia da autora de criar essa trama referente a Segunda Guerra. Adore todo esse girl power, protagonistas fortes e obstinadas. Leri com certeza pois gostei bastante do enredo. Beijos

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  2. Não gosto de imaginar como seria se Hitler tivesse vencido; acredito que seria um caos e sem final feliz.
    Mas me surpreendeu perceber que é uma história diferente do que imagino, e muito bem construída. Gosto de romances históricos, principalmente quando retratam os tempos de guerra, mas não sei se leria essa duologia.

    Beijos

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  3. Ju!
    Interessante ver que a autora cria um mundo pós segunda guerra e com ascensão dos nazistas, já me atraiu por aí…
    Não li ainda o anterior, mas já gostei de saber que todo enredo termina sem nenhu furo e com tudo muito bem explicado.
    Já anotei aqui para fazer a leitura da duologia.
    Uma semaninha abençoada na paz do Senhor e FELIZ NATAL!
    “Celebrar o Natal é crer na força do amor, é isto que transforma o homem e o mundo. Feliz Natal!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!

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  4. Quando li a resenha do primeiro livro já quis demais poder conhecer a história. E li hoje mesmo em um outro blog que acompanho, que o livro está entre os melhores deste ano que se encerra.
    Parece que o segundo livro manteve a mesma linha de carga emocional, claro, com a inclusão de novos personagens fortes,mas também deixando aquela pontinha de desespero só de imaginar se tudo tivesse sido diferente.
    Quero muito ler os dois livros!
    Beijo

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  5. Quero muito ler este livro, pelo fato da trama ser muito bem construído, que envolve o leitor desde das primeiras páginas, além de que a continuação segue o mesmo ritmo do livro anterior. Outro ponto que gostei, foi o fato dos personagens serem bem construído, tendo perspectivas diferentes, que deixam a leitura ampla, nos proporcionando uma melhor visão dos fatos.

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  6. Não tinha tido muito interesse nesses livros quando vi, mas gosto de coisas com segunda guerra e a fantasia da história e bom ritmo me ganharam. Meio louco esse negócio de se metamorfo e tudo mais, mas gostei da ideia e de como isso pode ser trabalhado ali. A história parece ir mantendo aquela graça ao ler, faz a gente ficar curioso, interessado nos personagens e etc. Acho que iria gostar no fim das contas. Tem até umas questões legais ali sendo trabalhadas, a coisa toda de humanidade e o que a trama faz a gente pensar parece bom.

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  7. Oi! É interessante livros que se passam na Segunda Guerra Mundial, ainda mais com aspectos de fantasia e ficção científica!

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  8. Oi Ju,

    Ainda não li o primeiro livro, mas já conheço a escrita da autora e sei de sua capacidade em criar histórias inovadoras, mas com grandes toques de realidade. Em um livro com um plot como este espero o máximo de tensão e cenas com muita ação, pois a autora nos trás um cenário onde isso é a base da história e, acompanhando a resenha, a autora não deixa a desejar. Por ser um cenário de guerra, a ideia de uma protagonista feminina à enfrentar o inimigo é algo que se destaca, algo impossível no cenário real de luta contra Hitler. A respeito de Graudin não se estender muito no sofrimento da personagem, me parece mais uma característica da autora, pois foi algo que notei em uma outra obra sua. Na certa é uma duologia de destaque, com trama e personagens que despertam a curiosidade do leitor.

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  9. Olá, estou cobiçando essa duologia há muito tempo, e a cada resenha que leio a ansiedade só aumenta. Fica evidente que a autora conseguiu construir uma universo que convence o leitor, que compara a ficção com o que é conhecido sobre o nazismo de acordo com livros didáticos. Ainda que peque um pouco na caracterização dos personagens, a obra ainda chama atenção. Beijos.

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  10. Oi Ju...
    Não conhecia essa série, mas só de se tratar da Segunda Guerra Mundial já me chamou a atenção... Nunca parei para pensar como seria o mundo com Adolf Hitler como vencedor... Fiquei bastante curiosa para ler essa duologia, e se tratando de guerra, com certeza não espero um final muito feliz...
    Beijinhos...

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  11. Estou louco para ler essa continuação! Adorei o primeiro livro, achei o enredo muito bem desenvolvido e os personagens bem construídos. Essa temática que envolve as guerras são sempre muito interessantes. Ótima resenha.

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  12. Oi, Ju!!
    Não quero nem imaginar como seria o mundo se Adolf Hitler tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial, mas com relação ao livro quero muito ler esse livros pois adoro uma distopia!! Esse livro sem dúvida é uma excelente indicação!!
    Bjoss

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  13. Olá! Que aterrorizante pensar em um cenário em que Hitler seja o vencedor da guerra! Eu ouvi falar sobre o primeiro livro da duologia, mas muito por alto. Não sabia nem que já tinha o segundo volume e do que se tratava direito. Fiquei interessada porque gosto de livros em contexto de guerra, acredito que não podemos nunca nos esquecer do que aconteceu e os livros mantém essa memória horrorosa da humanidade viva.
    Também adoro livros com personagens femininas fortes! Precisamos de mais heroínas como a da história, rs.
    Beijos.

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  14. Oi Ju.
    Eu quero muito ler esse livro, eu adoro que ele fala de uma realidade que poderia ter sido real para a humanidade, gosto também que o livro é repleto de tensões, eu achei uma pena o fato de que achou que a autora narrou de forma superficial as perdas, mas infelizmente acontece.
    Bjs.

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  15. Tenho interesse em ler o livro, que maravilha que esse volume continuou ou até ficou melhor, parece muito envolvente e cheio de acontecimentos, essa fuga da personagem deve dar uma boa agitação na trama que já tem sua boa dose de adrenalina.

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  16. Comprei o e-book do primeiro livro mas acabei deixando tudo de lado não me lembro bem porquê mas acabei desistindo do livro e apagando ebook quem sabe eu volte a tentar ler

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  17. Olá Ju ;)
    Gostei bastante da premissa dos livros, e conhecia eles mas não sabia que a história envolvia o tema da 2 Guerra Mundial, algo que gosto demais em um livro.
    Que legal que a autora se preocupou em pesquisar fatos históricos, e deixar a história o mais real possível, adorei isso. Espero gostar da leitura, e achar a trama interessante como você achou.
    Bjos

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  18. Que livro interessante, não conhecia, porém achei interessante e um tema difícil, mas que para o autor houve uma criatividade muito grande ao descrever a guerra de uma forma impensável. Gostaria de ler esse livro e até mesmo ler os outros volumes.

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