24 de março de 2018

Resenha: Eu, Você e a Garota que vai Morrer

Foto: Cidade das Cerejas
Livro que deu origem ao filme vencedor do Festival Sundance 2015, nas categorias Público e Crítica, com estreia marcada para 12 de junho nos EUA. Na trama, Greg tem apenas um amigo, Earl, com quem passa o tempo livre jogando videogame e (re)criando versões bastante pessoais de clássicos do cinema, até a sua mãe decidir que ele deve se aproximar de Raquel, colega de turma que sofre de leucemia. Contrariando todas as expectativas, os três se tornam amigos e vivem experiências ao mesmo tempo tocantes e hilárias, narradas com incrível talento e sensibilidade.

Título Original: Me and Earl and the Dying Girl
Autor: Jesse Andrews 
Páginas: 288
Tradução: Ana Resende
Editora: Fábrica 231 

Eu, Você e A Garota Que Vai Morrer é uma mistura de acontecimentos improváveis e um narrador-personagem que consegue ser esnobe e sem autoestima simultaneamente. Greg Gaines tem 17 anos e é um garoto gordinho e fora dos padrões de beleza. No último ano do ensino médio, tudo o que ele quer é viver em paz com todos os grupos da escola, como fizera anteriormente. E em um futuro não muito distante, finalmente sair da escola Benson.

Com seu melhor amigo, Earl, compartilha sua paixão por cinema e ocasionalmente gravam remakes de filmes que gostam. O problema é que estes filmes são completamente sem noção e mal produzidos, aliás, como quase tudo que eles fazem e falam. Earl é um garoto tão incomum quanto Greg. Um “baixinho negro carrancudo” seria sua melhor descrição, mas em alguns momentos de diálogo ele diz frases que levam o leitor a refletir.

Os momentos em que as famílias dos garotos aparecem são geralmente lotados de críticas de costumes e frases desconexas e estereotipadas. Mas ainda há Rachel, A Garota Que Vai Morrer. A leucemia da garota alertou a mãe de Greg, que praticamente o obriga a tornar-se amigo novamente da ex-namorada. A situação parece comum, mas a forma como o protagonista lida com essa notícia e como resolve ajudar a garota, é o que traz a surpresa e anormalidade.

Então há uma chance de pensarem: ‘Sensacional! Vai ser uma história sábia e perspicaz sobre amar, morrer e crescer. Provavelmente vai me fazer chorar literalmente o tempo todo. Já estou muito empolgado! ’ Se essa é uma representação fiel dos seus pensamentos, talvez vocês devessem jogar este livro na lixeira e, então sair correndo.

Enquanto visita Rachel diariamente, Greg segue com suas atividades normalmente. Entretanto, a condição grave da amiga começa a perturbá-lo, e isso fica explícito. Não é uma preocupação amorosa ou altruísta, mas extremamente egoísta. Aliás, ele é um personagem pessimista, frio e sarcástico. Mesmo dando seu melhor ao tentar ser engraçado com Rachel em seus encontros, é como se fosse apenas um escape, como se ele mesmo quisesse correr e ficar distante das limitações dela.

Apesar de o título indicar que a relação dos três adolescentes vai ser o ponto principal do livro, não é exatamente assim. Com um relato diferente e repleto de piadinhas em uma vibe bem humorada, vários personagens aparecem rapidamente trazendo algum caso a ser narrado de uma forma engraçada. Definitivamente, o estilo Greg de encarar a vida é completamente inusitado, e mesmo com algumas anedotas cheias de palavrões apelativos, a jocosidade pode tornar-se irritante e sem graça entre vários momentos.

A razão disso era que animar a Rachel era uma das coisa na qual me tornara bom, e quando você é bom em alguma coisa, quer fazer isso sempre porque faz você se sentir bem. Então se eu queria ficar com a Rachel era por razões egoístas. 

Mesmo com algumas ressalvas, o livro tem várias particularidades como a narrativa maliciosa e desdenhosa, os personagens instantâneos, os casos estranhos da infância de Greg, a imaturidade notável dos protagonistas, as listas incríveis sobre tudo, além das brilhantes referências cinematográficas. Afora os elementos que gostei já citados, não posso esquecer-me do diferencial que mais me agradou: o formato de roteiro. Em algumas passagens, Greg interrompe o estilo linear de narração e segue o estilo roteiro, que inclusive, é bem diagramado.

Apesar de muitos pontos positivos e negativos, sorri muito e chorei pouco e desejei ter amigos tão insanos quando o Greg ou Earl. Não é um livro sobre câncer que vai mudar sua forma de pensar, e fazê-lo refletir. É um entretenimento que vai ajudar a retirar o estereotipo que assombra histórias com câncer envolvido. Pelo menos, assim eu espero.

14 comentários:

  1. Myla!
    Tem livros que são assim... insossos com o próprio protagonista.
    E o que mais me choca, já que nem sabemos do que se trata o livro, como ele pode ir parar nas telonas? É falta de bons roteiros? Será que é por que é voltado ao público jovem e eles vendem ingressos no cinema por assistirem qualquer enlatado? Faço como você: não sei...
    Não me interessei nenhum pouco pela leitura, mesmo sabendo que poderia até dar algumas risadas.
    Bom domingo de luz e paz!
    “Não acredite em tudo que ouvires! Há mentiras que sempre serão ditas, e verdades que jamais serão pronunciadas...” (Eliane Azevedo)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/2018/03/divulgacao-cultural-40-28-poetizando-e.html

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  2. Quando li este livro, tinha uma ideia totalmente diferente do que seria. Não digo que foi uma decepção, mas um enredo que tinha tudo para ser triste e comovente, acabou virando apenas um livro de passatempo.
    E não sei ao certo até hoje, se isso é totalmente ruim.
    Tipo "com tanta dor no mundo, bora ser mais leve?"
    Acredito que foi assim.
    Um cenário jovem, com personagens ainda amadurecendo, mas sem grandes perspetivas de nada,sobre nada!
    Não leria novamente!
    Beijo

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  3. Eu já vi muitas vezes esse livro, acho essa capa super bonita, mas é a primeira vez que leio uma resenha.
    Antes eu não tinha nenhuma vontade de ler, agora minha vontade passou para 50%.
    Eu gosto muito de sick-lit e YA, e parece que tem uma narrativa e diálogos que conquistam e nos fazem refletir. Ao mesmo tempo, me parece que não é uma história tão incrível...
    Mas se eu tiver a chance, vou ler.

    Beijos

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  4. Sei lá se iria gostar desse livro. Por um lado chamou atenção pelo tom de piadinha, a malícia, uma coisa mais engraçada, mas por outro me soou triste também, um clima estranho. Sei lá. Esse tipo de livro me chama atenção, mas esse aqui fiquei com o pé atrás. Não acho que seria fácil de ler. Ele não conseguiu me prender tanto pelas coisas que vi dele...

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  5. Oi, Myla.

    Bom, eu acho que a mãe do Greg acabou forçando a barra ao pedir que ele se aproximasse da ex-namorada. Tal atitude deveria partir dele, de livre e espontânea vontade... Formando assim, um vínculo real e humano.

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  6. Olá Myla!
    Desde que lançou esse livro eu tenho mto interesse me ler, ainda não consegui mais espero que um dia eu chegue lá. Desde que li uma resenha dle fiquei louca pra conhecer a escrita e o enredo, espero curtir bastante qdo essa chance chega.
    Bjs!

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  7. Oi Myla!
    Confesso que eu era uma das que achava que era "uma história sábia e perspicaz sobre amar, morrer e crescer" auhauhauha
    Não sei se eu ia gostar tanto do livro pelo que você contou, principalmente porque talvez eu não gostasse tanto do Greg.
    Entendi a proposta e acho super válido pra quem quer ler algo do gênero mas acho que não me interessei o suficiente para querer ler o livro.
    Bjs

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  8. Oi Myla,
    Naquela onda de livros com personagens doentes, vi muitas resenhas sobre Eu, você e a garota que vai morrer (principalmente com o lançamento do filme), mas como as críticas não foram muito positivas acabei perdendo o interesse em ler.
    Um fato que me chamou atenção, foi que aqui temos um protagonista que não é a pessoa doente e acho interessante que o foco da trama está nele, pois as pessoas que convivem com alguém que está morrendo também sofrem e um adolescente ter que aceitar isso não é fácil. E é possível perceber a forma como a situação da Rachel o afeta através de suas reações. Gostei da indição, mas não sei se lerei o livro.

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  9. Oi, Myla!!
    Já conhecia a história desse livro mas até o momento não tive oportunidade para fazer esse leitura. Bem, para falar a verdade esse livro nunca foi uma opção de leitura.
    Bjos

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  10. Deixe umas amento desse livro eu tava interessado em ler ele mas nunca começava de fato a leitura mas eu fiquei bem Surpresa porque eu não sabia que esse livro tinha sido adaptado para um filme mas confesso que eu não fiquei muito interessada em ver ele já que acabei de ver o trailer Mas como eu amo um bom suspense acho que vou dar uma chance ao livro

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  11. Parece ser um livro estranho, com esse personagem também estranho, acho que não leria, pois Greg não me agradou, confesso que não entendi bem o propósito do livro achei tudo muito diferente mas de um jeito que não chamou minha atenção.

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  12. Oi!
    Realmente esse é um livro bem diferente, durante a resenha a historia pareceu deixar o leitor curiosa, mas não me senti cativada pelos personagens, esse sentimento de os conectamos com eles e com sua historia me faltou, por isso acho que esse não seria um livro que irei gostar !!

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  13. Sempre achei que esse livro se tratasse de alguém querendo matar outra pessoa, não que envolvesse câncer. Sou meio receosa com histórias assim pois já sofri muito com familiares e amigos com essa doença e ficamos muito mexidos por isso, mas espero que esse seja diferente, como você falou aprece ser engraçado e espero ter a oportunidade de ler.

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  14. Oi Myla.
    Eu adorei a premissa desse livro.
    Todavia, não acho que essa seja uma leitura mais para mim, livros com essa vibe não costumam despertar minha atenção e se desperta, acabo na maioria das vezes me decepcionando, enfim, o que eu estou querendo dizer é: que preciso personagens mais maduros e apesar de ter acho intrigante, não acho que leria.
    Bjs.

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