18 de setembro de 2018

Resenha: Amor Amargo

Último ano do colégio: a formatura da estudiosa Alex se aproxima, assim como a promessa feita com seus dois melhores amigos, Bethany e Zach, de viajarem até o Colorado, local para onde sua mãe estava indo quando morreu em um acidente. O Dia da Viagem se torna cada vez mais próximo, e tudo corre conforme o planejado.
Até Cole aparecer.
Encantador, divertido, sensível, um astro dos esportes. Alex parece não acreditar que o garoto está ali, querendo se aproximar dela. Quando os dois iniciam um relacionamento, tudo parece caminhar às mil maravilhas, até que ela começa a conhecê-lo de verdade…
Em um retrato realista de um relacionamento conturbado, a autora Jennifer Brown – do sucesso A Lista Negra – nos leva até o limite de nossos sentimentos.

Título Original: Bitter End
Autora: Jennifer Brown
Páginas: 256
Tradução: Guilherme Meyer
Editora: Gutenberg
Livro recebido em parceria com a editora

Eu me lembro que, há alguns anos, tentei ler A Lista Negra, mas parei antes da página 50 por estar achando a história muito parada. Ainda assim, unicamente pelo tema proposto, resolvi que daria mais uma chance para Jennifer Brown com Amor Amargo. Acredito que, do fundo do meu coração, eu nunca li um livro tão pesado, triste e real em toda a minha vida. 

Alex é uma adolescente como qualquer outra: está no último ano do colégio, trabalha meio expediente em uma lanchonete da cidade onde mora e não vê a hora de se formar para visitar o Colorado junto com seus melhores amigos, Bethany e Zach. O lugar foi escolhido com um propósito: a mãe de Alex morreu em um acidente de carro quando estava indo para lá. Alex, Zach e Beth praticamente vivem para essa viagem: só falam nela e se encontram todo fim de semana para acertar os detalhes. Tudo vai muito bem, obrigada, até que Alex começa a dar aulas particulares para Cole.

O aluno novo é exatamente o tipo de cara que toda garota sonha em ter como namorado: romântico, se mostrava sempre muito gentil e atencioso. Ele até musicou um poema de Alex para demonstrar o seu interesse por ela... Parece um sonho, não é mesmo? Tanto que, num piscar de olhos, a protagonista se viu perdidamente apaixonada por Cole. No começo ela realmente vivia um Conto de Fadas, mas não demorou muito para sua vida se tornar um filme de terror.

Com o passar das páginas, Cole mostra quem é de verdade: um garoto ciumento, possessivo, controlador. Não precisou muito para eu perceber que o garoto não era nem um pouco normal: logo no começo do relacionamento dos dois, quando Cole passava o dia inteiro de olho em Alex — ele passava o dia inteiro no trabalho da menina sem fazer nada, só olhando para ela! —, eu sentia que tinha algo de muito errado acontecendo. Depois de pouco tempo, Cole começou a ficar explosivo e não conseguia controlar seus impulsos.

O que mais chama a atenção em Amor Amargo é que o ciclo do relacionamento abusivo é retratado com perfeição. Primeiro temos um cara carinhoso que se torna agressivo. No começo são "só" ofensas e, quando ele parte para a agressão física, a vítima tem certeza absoluta que ela fez alguma coisa de errado. Depois, o agressor pede desculpas, chora, pede pelo amor de Deus para a garota não abandoná-lo. Promete que nunca mais vai acontecer. É aí que acontece mais uma onda de explosão. Agride. Manda flores. Pede perdão. Promete...

A principal característica de um abusador é fazer a vítima se sentir dependente. Alex sentia que era impossível ser feliz sem Cole, mesmo com as agressões. Apesar de todo o medo que ela sentia, ela não tinha coragem de contar o que estava acontecendo para ninguém porque maior que o medo da agressão, era o medo do abandono. Para o agressor, virar o jogo é fácil: além de culpar a vítima por tudo que o faz perder o controle, ele vai se vitimizar, falar dos seus problemas, dos abusos que ele mesmo sofre.

Um ponto importante para destacar é que por mais que o agressor tenha sofrido no passado ou presente — no caso de Cole, ele cresceu vendo seu pai destratar sua mãe e a autora também deixa a entender que ele sofre diversos abusos psicológicos por parte do pai —, nada justifica uma agressão. Não importa se ele está reproduzindo algo que viu ou sofreu. Isso serve para tentar mostrar como a pessoa adquiriu essa personalidade, mas não devemos esquecer quem é o agressor.

Não sei se existe uma palavra para exprimir o que eu senti durante a leitura. Provavelmente a que chega mais perto é revolta, mas misturada com sofrimento, dor, tristeza. Não sei se existe uma expressão que contemple tudo isso. Eu lia com desespero, porque eu queria chegar logo no final, só porque eu tinha certeza que alguém ia conseguir ajudá-la. Quem já passou por uma situação parecida, mesmo sem incluir agressão física, sabe o quanto sufoca e machuca.

Jennifer Brown conseguiu mostrar até mesmo o sentimento de confusão que a vítima sente. É complicado, porque a gente sabe que está errado, que um namorado não deve falar coisas tão ofensivas para uma namorada, muito menos bater nela, mas ao mesmo tempo a gente não consegue entender o porquê de continuar gostando tanto da pessoa e ainda querer continuar com ela. A sensação de vazio ao pensar em ficar sem a pessoa é tão grande que é mais fácil aceitar que é melhor ficar mal acompanhada do que só. 

Apesar de funcionar como um alerta — inclusive nas últimas páginas existem informações muito esclarecedoras sobre relações abusivas —, eu preciso falar que para ler Amor Amargo a pessoa tem que ter um psicológico muito forte. Se você leu apenas essa resenha e se identificou com a personagem Alex, procure ajuda, você não está sozinh@. Ninguém merece ser maltratado. É sempre bom lembrar que, além da vítima nunca ser a culpada, amor é sinônimo de felicidade, não de tristeza e medo. 

16 comentários:

  1. Jennifer Brown sempre aborda temas fortes e polêmicos mas também necessários a discussão. Foi assim com A Lista Negra e agora com seu novo Mil Palavras.
    Quando leio um livro ou assisto um filme com relacionamento abusivo sempre quero entrar e dar uma sacudida na vítima.
    Quantas Alex não existem na vida real?

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  2. A Lista Negra está entre os livros que mais amei na vida. Não é também uma leitura fácil. Aliás, é bem forte e cruel.
    Namoro Amor Amargo faz um bom tempo, mas ainda não consegui ter e nem ler ele.
    Mas com toda a certeza do mundo, o amor não fere, não destrói, não põe culpa onde não existe. E pelo que li acima e em outras resenhas que já li desta obra, a autora conseguiu trazer toda a crueldade de um relacionamento abusivo dentro desta história.
    Espero ter e ler em breve.
    Beijo

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  3. Oi, Ana,

    Violência contra a mulher é um tema que eu acho deveria estar mais em pauta, ser abordado mais vezes nos livros. É um tema movido por muita intensidade.

    O intuito do livro, é muito importante, por nos transportar para aquela situação em si - e vermos através da Alex -, que não é tão fácil sair de uma situação como essa, como a culpabilidade sempre cai sobre a vítima.

    Só acho que as autoras (isso já aconteceu em "É Assim Que Acaba") deveriam parar de sempre justificar os atos dos agressores. Ao fazer isso, a mensagem do livro não é entregue corretamente, e os mesmos se passam por coitadinhos, mediante seus passados...

    Então, a leitura com certeza é válida. Espero lê-lo algum dia... Embora irei me irritar, em alguns momentos.

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  4. Oi, Ana,

    Violência contra a mulher é um tema que eu acho deveria estar mais em pauta, ser abordado mais vezes nos livros. É um tema movido por muita intensidade.

    O intuito do livro, é muito importante, por nos transportar para aquela situação em si - e vermos através da Alex -, que não é tão fácil sair de uma situação como essa, como a culpabilidade sempre cai sobre a vítima.

    Só acho que as autoras (isso já aconteceu em "É Assim Que Acaba") deveriam parar de sempre justificar os atos dos agressores. Ao fazer isso, a mensagem do livro não é entregue corretamente, e os mesmos se passam por coitadinhos, mediante seus passados...

    Então, a leitura com certeza é válida. Espero lê-lo algum dia... Embora irei me irritar, em alguns momentos.

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  5. Eu ainda não tive a chance de ler algo da Jennifer, mas recentemente li tantos comentários positivos sobre suas obras que fiquei interessada.
    Acho legal ela abordar esse relacionamento abusivo de uma maneira real, e pelo visto ela não romantiza - o que é essencial!
    Confesso que agora fico na dúvida se vou querer ler, me parece tão forte...
    A vítima nunca é culpada, desejo que possamos viver em uma sociedade que compreenda isso.

    Beijos

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  6. ANA!
    Deve mesmo ser um livro doloroso e até certo ponto, incompreensível para quem está de fora da situação.
    Tem vários aspectos psicológicos que interferem na mente de quem sofre os abusos em um relacionamento e com toda certeza, nós que nunca passamos por isso, fica difícil de compreender, mas quem passa, tem lá seus inúmeros motivos para aceitar e continuar...
    Deve ser um grande drama o livro e muito sofrimento.
    “O prazer dos grandes homens consiste em poder tornar os outros felizes.” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA SETEMBRO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  7. "Nada justifica uma agressão" como tu escreveu. Tenho receio de livros sobre relacionamentos abusivos, principalmente YA pelo medo que tenho que romantizem a coisa toda e banalizem o sofrimento. Pra quem já esteve em um relacionamento abusivo ou já conviveu com alguém que sofreu com um, ler uma romantização da dor é algo insuportável. Como colocado, o livro parece ser bem pesado e é importante atentar para o seu momento emocional na hora da leitura.

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  8. Oi Ana!
    Li algumas resenhas sobre o livro e confesso que o enredo abordar assuntos delicados e fortes já em chama atenção, acho que é válido termos ainda mais informações desses relacionamentos abusivos, então eu gostaria muito de ler esse livro.
    Bjs

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  9. Gostei muito daquele de lista negra e li esse por isso. Foi mais um impactante dela e o jeito que ela retratou o abuso foi bem real e fácil de entender. Quando li eu queria jogar o livro na parede de tana raiva pelo que a menina tava deixando acontecer, mas entendi que pra ela, na situação, era sempre um sinal de alerta atrás do outro mas com um garoto que ela amava. A complicação disso. Ficou bem na cara o que acontece nesses casos na mente da menina e as desculpas que ela arruma . E é interssante isso de mostrar os problemas do personagem e o que contribuiu porque por um lado não serve de justificativa, mas ilustra como a educação e orientação errada contribui pra esse tipo de coisa. O exemplo do outro influenciando as atitudes dele sabe? Fica o alerta pra como a gente educa os meninos na nossa sociedade. Faz pensar o que poderia ser diferente se tivessem uma orientação melhor nesses casos. Ajudaria um pouco, talvez. É um livro que no mínimo te faz pensar e foi outro dela que gostei muito de ler.

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  10. Faz tempo que quero ler A Lista Negra. Tenho também vontade de ler esse, apesar de ser pesado e não ser uma leitura fácil, o tema abuso sempre mexe muito com quem lê. Me coloco no lugar da vítima, não é uma situação fácil de lidar, saber o que ela passa faz com que vemos seu lado também, pois sempre julgamos porque não larga o agressor, mas a pessoa gosta dele então fica difícil ela achar que a culpa é dela.

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  11. Oi, Ana!!
    Nossa que livro é esse!! Deve ser difícil ler uma história com um tema tão pesado como o relacionamento abusivo, mas quero muito não só ler esse livro como também outros da Jennifer Brown.
    Bjos

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  12. Já li Amor Amargo!! Todas as mulheres (os homens também porque a situação pode ser inversa) deveriam ler este livro!! A leitura foi tensa, mas necessária!! Nunca passei por uma situação parecida, mas serve de alerta para qualquer pessoa que esteja em um relacionamento!!

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  13. Oi, Ana
    Ainda não li esse livro, mas quero muito ler.
    Mesmo sendo com um tema difícil gostei de saber que a autora conseguiu escrever todas as fases de um relacionamento abusivo.
    Beijos

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  14. Oi Ana,
    Eu li A Lista Negra este ano, pois sempre tive muita curiosidade com a escrita da autora e mesmo o livro sendo parado no início foi uma história bem comovente. Relacionamento abusivo é um tema importante de se retratar e eu sempre martelo na mesma tecla: a da responsabilidade que o autor tem em passar veracidade através da história. Por mais que Amor Amargo seja um livro de ficção, aqui a autora tema oportunidade de mostrar a realidade de muitas jovens e alertá-las sobre este tipo de relacionamento. Cole soube como agir com a Alex desde o início, soube como se aproximar, como conquistá-la e, principalmente, soube como manipular a relação a seu favor. E usar a desculpa de seu abuso próprio para justificar a forma como tratava Alex é bem característico mesmo de um agressor. Com certeza lerei este livro, mesmo sabendo que não será uma leitura fácil de digerir.

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  15. Eu adoro como a autora conseguiu captar a essência da dor da protagonistas e não foi o primeiro livro que eu li da autora. Mas não é meu favorito

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  16. Muito boa sua resenha, Ana.
    Explicou bem e tirou minhas dúvidas sobre o livro.
    Quero muito lê-lo, mas tô com medo kkk não tô pronta pra cenas tão fortes, então acho que deixarem pra ler mais frente.
    A lista negra também pretendo ler.
    É uma situação horrorosa né, mas é importantíssimo lermos mais sobre relacionamentos abusivos, para compreendermos e também para ajudarmos quem está passando por esse pesadelo.
    bjsss

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