SOCIAL MEDIA

7 de maio de 2022

A Camareira | Nita Prose

Comecei a ler A Camareira em fevereiro, assim que recebe o exemplar do Intrínsecos. A questão é que o início foi muito parado, então acabei deixando de lado por um tempo, para dar outra chance depois antes de desistir por completo. Finalizei a leitura em abril, e apesar de não ser o melhor livro de mistério do mundo, acabei gostando, mesmo com algumas observações. 

O livro é narrado por Molly, uma camareira que trabalha em um hotel de luxo, o Regency Grand. Ela é extremamente metódica e adora fazer o seu trabalho. A personagem é descrita pelos outros funcionários como "esquisita", "uma aberração", porque é diferente das outras pessoas. Ela não entende ironias, nem sabe classificar quando as pessoas estão sendo maldosas com ela. Isso não fica explícito no livro, mas provavelmente Molly está no espectro autista, o que faz com que todos se aproveitem dela de alguma forma.

E é por conta disso que Molly acaba se tornando a principal suspeita de um assassinato. Um belo dia, a camareira estava fazendo seu trabalho de sempre quando dá de cara com o Sr. Black, um homem muito rico e influente, mortinho da silva na cama do hotel. Apesar de não ter nada a ver com o ocorrido, uma sucessão de fatos faz com que Molly caia na mira da polícia. Mas afinal, o que aconteceu na suíte dos Black aquele dia? Quem é o verdadeiro assassino? Será que Molly é mesmo tão inocente?

De forma geral, A Camareira é um bom livro, principalmente se levarmos em consideração que é o primeiro da autora. Mas existem alguns poréns: em primeiro lugar, a narrativa demora um pouco para engatar. Acho que é porque a história se passa inteira sob o ponto de vista de Molly e ela acaba divagando muito, então as coisas custam a acontecer de fato. Outra coisa é que em determinado momento acabei perdendo a paciência com a personagem, porque as pessoas fazem ela de gato e sapato, coitada. Só que algumas coisas são muito óbvias, sabem? Depois fiquei me sentindo meio mal porque eu entendo as condições da personagem e ainda assim ficava "não é possível que isso está acontecendo".

O final, apesar de satisfatório e condizente, me incomodou um pouco. Porque assim, durante a narrativa inteira não tivemos nenhum indiciozinho do verdadeiro culpado... E quando ele finalmente aparece, fiquei com aquela sensação de que foi algo decidido pela autora no último minuto, sabem? Só pra não ficar sem um desfecho concreto... Mas não sei, pode também ter sido alguma falta de atenção minha, rs.

Assim, eu gostei da escrita da Nita Prose, mas senti que ficou faltando algo ainda. Acho que o livro é mais sobre o drama vivido por Molly do que sobre o mistério em si, então não sei se concordo muito com a classificação dada a ele. Para vocês terem ideia, durante toda a leitura o que eu mais senti foi pena da personagem principal do que curiosidade de fato. Então, acho que vale demais a leitura, desde que as pessoas não esperem um enigma muito elaborado. 

Título Original: The Maid ✦ Autora: Nita Prose
Páginas: 336 ✦ Tradução: Julia Sobral Campos ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

5 de maio de 2022

Hamnet | Maggie O'Farrell

Apesar de ser considerado um dos maiores autores e dramaturgos de todos os tempos, pouco se sabe a respeito da vida de William Shakespeare. Nascido em 1564, o poeta escreveu algumas das histórias mais conhecidas e amadas do mundo, como Romeu e Julieta, A Tempestade, Rei Lear, Macbeth, Sonho de uma Noite de Verão e Hamlet. Este último, parece ter sido inspirado em seu filho, Hamnet, que dá nome ao romance de Maggie O'Farrell, vencedor do Women's Fiction Award no Reino Unido e eleito um dos melhores livros de 2020. No Brasil, a obra foi lançada em 2021, tendo sido publicada primeiramente pelo Clube Intrínsecos.

O'Farrell preenche as lacunas na história de Shakespeare e se concentra em um dos episódios mais tristes da vida dessa família: a morte prematura de Hamnet, filho de Shakespeare e Agnes, irmão gêmeo de Judith e irmão mais novo de Susanna. Como a morte do filho pode ter influenciado Shakespeare? Como esse acontecimento trágico atingiu Agnes?

Num primeiro momento, o que mais me surpreendeu nesse livro foi a narrativa de Maggie O'Farrell, que consegue a proeza de ser poética e fluida ao mesmo tempo, profunda e rápida. As primeiras páginas ja conseguem prender o leitor pela ambientação e apresentação dos personagens. Quando Agnes é apresentada é impossível não se apaixonar por ela. Olhem que lindamente triste é esse trecho:

Ela cresce se sentindo errada, inadequada, morena demais, alta demais, demasiado indomável, demasiado obstinada, calada demais, esquisita demais. Cresce com a consciência de ser meramente tolerada, irritante, inútil, de não merecer amor, de precisar mudar de forma drástica, subjugar sua natureza, a fim de conseguir se casar. Cresce também com a lembrança do que significa ser amada de verdade, pelo que se é e não pelo que se deveria ser.

Agnes é forte, selvagem e sábia, mas sabe que essas características não eram as mais desejadas e admiradas em uma mulher. Esse livro é muito mais sobre Agnes do que sobre Shakespeare. Na verdade, o autor não é nominalmente citado nenhuma vez ao longo de todo o livro. As referências a ele são como "o pai", "o marido", "o filho" e assim por diante. E isso é incrível, pois demonstra que essa história não se apoia unicamente na fama do dramaturgo, pois realmente tem muito mais a oferecer.

O primeiro capítulo do livro mostra Hamnet procurando um adulto pela casa, pois sua irmã gêmea, Judith, não esta se sentindo bem. O tema que será pano de fundo para essa história já dá os primeiros sinais aqui: a peste bubônica. Tema este que, por si só, já é assustador. A atmosfera de tensão do livro é muito bem trabalhada através do medo das pessoas. Afinal, estar com a peste ou ver alguém que você ama com a doença era um verdadeiro pesadelo.

No segundo capítulo, voltamos alguns anos e acompanhamos Shakespeare e Agnes se conhecendo, enquanto somos apresentados aos pais e familiares de ambos também. E assim o livro segue, alternando capítulos que mostram o início do relacionamento dos pais de Hamnet e a vida do garoto já aos 10/11 anos de idade.

O leitor já sabe que o garoto que dá nome ao livro irá morrer, mas o livro demora para chegar nesse acontecimento. A princípio, isso me incomodou, mas depois eu entendi que a intenção da autora é fazer com que o leitor se afeiçoe a esse personagem, o veja nascer, crescer e se tornar o menino doce e amoroso que aparece no primeiro capítulo. Acompanhamos não apenas a vida de Hamnet, mas também o que a precede: o amor entre seus pais, as dificuldades enfrentadas por eles, as excentricidades de Agnes, a determinação de Shakespeare e o amor incondicional que eles sentem pelos filhos.

Todos os personagens desse livro são muito bem construídos, complexos e reais, mas preciso dizer que a Agnes e o Hamnet ganharam meu coração. Agnes com seus dons (que vocês só vão descobrir se lerem o livro) e Hamnet com sua delicadeza. Esse livro transborda amor em todos os momentos. E como é duro ver pessoas que se amam tanto perdendo umas às outras. O capítulo que narra a morte de Hamnet é de arrepiar. E a dor de Agnes é tão forte que deixou meu coração apertado.

Tentaria de tudo, faria de tudo. Abriria as próprias veias, rasgaram o próprio corpo e daria ao filho seu sangue, seu coração, seus órgãos, se de alguma coisa adiantasse.

O romance é dividido em duas partes e é a morte de Hamnet que marca essa divisão. A partir desse ponto, o livro passa a ser sobre luto, sobre perder um filho, um irmão, um sobrinho, um neto, sobre enterrar uma criança. E, gente, que difícil. Eu, que nunca pensei em ter filho, me peguei sentindo a dor da Agnes pela injustiça daquela situação, porque uma mãe jamais deveria ter de velar o corpo inerte de um filho.

O livro também é sobre o poder da arte. Poder capaz de trazer os mortos de volta, capaz de ressignificar tragédias e acalmar sofrimentos. Shakespeare lidou com a morte do filho do único jeito que sabia lidar com qualquer outra coisa: transformando em arte. Mas não apenas isso. Afinal, o livro explora diferentes formas de viver o luto. Cada pessoa encara esse momento de uma forma e O'Farrell soube explorar isso muito bem.

A edição da Intrínseca é um dos livros mais lindos da minha estante. A capa é lindíssima e tem uma textura diferente, áspera, como um tecido. As letras e margens grandes tornam o livro gostoso de ler. Amei que a fonte das letras é diferente. Eu nunca tinha lido um livro com essa fonte. Infelizmente, eu encontrei vários erros ao longo do livro, desde palavras escritas erradas até palavras faltando. Mas nada que prejudique a leitura e nada que não possa ser resolvido com uma revisão mais cuidadosa.

Recomendo demais esse livro. É bem o meu tipo de livro, que transborda sentimento e mexe com o leitor. Impossível fazer essa leitura e não sentir nada. Se você também ama leituras que mexem com a alma e o coração, você vai amar Hamnet.

Título Original: Hamnet ✦ Autora: Maggie O'Farrell
Páginas: 384 ✦ Tradução: Regina Lyra ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora
Ajude o blog comprando o livro através do nosso link! 

1 de maio de 2022

Top Comentarista: Maio 2022


Hoje vocês podem se orgulhar de mim: postei o primeiro top comentarista do ano na data certa, rs. Espero que isso signifique que as coisas estejam voltando ao normal, já que perdi um pouco o controle da minha vida nos últimos meses. Enfim, me contem... Como vocês estão? Vocês acreditam que só agora minhas aulas voltaram 100% presenciais? Tô feliz & com medo ao mesmo tempo (confesso que não sei mais fazer prova). Mas é aquele ditado, né? No fim, tudo vai dar certo.

Simbora para o top de maio? As regrinhas vocês já sabem de cor, mas não custa relembrar: antes era obrigatório comentar em todas as postagens para não ser desclassificado do concurso, mas a partir de agora vocês serão sorteados a partir dos comentários. Isso significa que não é obrigatório comentar em todos os posts: cada comentário que vocês fizerem devem ser cadastrados no formulário do Rafflecopter, que só aceita uma entrada por dia — recomendo que vocês comentem e preencham o formulário sempre que sair post novo, já que quanto mais comentários cadastrados, maior a chance de ganhar. Todos os meses um comentário será sorteado pelo aplicativo.

Atenção: só preencha o formulário nos dias em que comentar no blog. Por exemplo, se em determinado mês tiverem 13 posts, o número máximo de entradas que cada participante pode ter no formulário é 13!
 
O prêmio é um vale de trinta reais na Amazon! Ah, as chances extras continuam: comentar nos posts do Instagram e tweetar sobre o top todos os dias em que tiver postagem nova por aqui, então aproveitem! Caso tenha restado alguma dúvida, podem me procurar nas redes sociais, tá bom?

Observações
- O período de validade desse top comentarista é de 01/05/2022 à 31/05/2022. Cada comentário que vocês fizerem devem ser cadastrados no formulário do Rafflecopter, que só aceita uma entrada por dia.
Não serão computados comentários genéricos, só aqueles que exprimem a opinião do leitor e mostram que ele realmente leu o post. Comentários plagiados de outras plataformas (lembrem-se que plágio é crime) ou que se repetem em outros blogs não serão considerados. Comentários do tipo serão excluídos sem aviso prévio e o participante será automaticamente desclassificado;
- É permitido apenas um comentário por post;
- É obrigatório seguir o Roendo Livros via GFC e seguir o perfil @anadoroendo no Instagram para validar a participação;
- A entrada "tweet about de giveaway" só será válida se a pessoa estiver seguindo o Twitter informado (@anadoroendo);
- Após o término do top, o Roendo Livros tem até 15 dias para divulgar o resultado;
- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito. O livro escolhido (na faixa de preço estabelecida) deverá ser informado no corpo do e-mail;
- Após feito o contato, o prêmio será enviado dentro de até 60 dias úteis;
- Para o livro ser enviado, é necessário que o ganhador passe o número do CPF para a Ana, já que agora os Correios solicitam uma declaração de conteúdo (saiba mais aqui) Só participe do sorteio se estiver de acordo;
- O Roendo Livros não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados no livro. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e ausência de recebedor. O livro não será enviado novamente;
- O Roendo Livros se reserva o direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.

a Rafflecopter giveaway

29 de abril de 2022

Motivos Para Ser um Intrínseco


O Intrínsecos é o clube de assinatura da @intrinseca, perfeito para os amantes da literatura.
Como se já não fosse maravilhoso o suficiente receber um livro sem sair de casa, o clube ainda traz outras vantagens que eu amo demais:

 Ser surpreendido
Além da expectativa de esperar a caixinha e ir descobrindo tudo o que tem dentro — a editora lança pistas nas redes sociais pra gente tentar adivinhar, é uma delícia —, podemos receber um livro de qualquer gênero. Isso é ótimo, porque temos a oportunidade de conhecer histórias que não leríamos se fôssemos pesquisar antes de comprar. Por exemplo, eu nunca teria lido O Que Aconteceu com Annie, um suspense sobrenatural, se não fosse o Intrínsecos.

 Ter acesso ao lançamento antes de todo mundo
Sabe aquela novidade literária que é a aposta da editora? Pois então, quem assina o Intrínsecos recebe em primeira mão, uma vez que o lançamento nas livrarias só acontece várias semanas depois do lançamento no clube. Fico me achando super importante, sabem!? rs

 Caixinha imersiva
Nem adianta negar: assim como eu, você ama receber brindes e ter acesso a conteúdos extras, né!? Além de uma edição de luxo em capa dura super caprichada, a caixinha do Intrínsecos vem com marcador, um brinde incrível, postal com a capa comercial e uma revistinha com várias coisas legais sobre a obra. Tudo colecionável, tá? Confesso que meu item favorito é a revista, porque eu adoro as entrevistas, as curiosidades, os textos... Saber mais sobre quem escreveu ou qualquer coisa que tenha a ver com o tema.

 Montar uma coleção toda perfeita e colorida para embelezar a estante
Como vocês sabem, as edições do Intrínsecos são exclusivas. Capa dura colorida, fitilho, guarda enfeitada e tudo que nós leitores mais amamos. Cada mês é uma cor diferente, o que resulta na prateleira mais linda que você já viu na vida (e só minha opinião importa).

Gostou e quer fazer parte do clube?
Acesse para saber mais ➡️ https://bit.ly/timedaintrin

O Intrínsecos também tem um blog muito legal, com várias dicas, listas e outros conteúdos digitais extras: https://blog.intrinsecos.com.br/ 

23 de abril de 2022

Kim Jiyoung, Nascida Em 1982 | Cho Nam-Joo

Cho Nam-Joo, autora de Kim Jiyoung, Nascida em 1982, disse em uma entrevista que "a vida de Kim Ji Young não é muito diferente da que vivi. Eu acho que foi por isso que consegui escrever tão rapidamente sem muita preparação. As mulheres têm mais ou menos o mesmo tipo de experiência em suas vidas. Por exemplo, quando você encontra um homem desconhecido em um local isolado, você se sente ameaçada – mesmo que ele não esteja te seguindo particularmente. São esses tipos de coisas que reuni neste romance."

E é por isso que a protagonista, nascida em 1982, recebeu o nome mais registrado na Coreia do Sul no ano de seu nascimento. Porque Kim Jiyoung representa todas as mulheres, vivendo situações que são consideradas normais e corriqueiras, como ser discriminada e assediada.

Jiyoung tem 33 anos quando o livro começa. Casada e com uma filhinha, a mulher começa assumir a voz de outras mulheres, deixando seu marido preocupado. Então o romance revisita toda a vida de Jiyoung, com capítulos delimitando cada fase da sua vida, desde a infância, quando já começamos a acompanhar as sutis violências de gênero sofridas pelas meninas coreanas.

Tenho visto muitas pessoas usando esse livro para falar sobre o machismo na Coreia do Sul. Não sei se essa demarcação é tão verdadeira assim. Porque, sinceramente, a maioria das situações vividas por Jiyoung são situações que as mulheres enfrentam em qualquer lugar do mundo. Uma passagem que me perturbou muito foi quando Jiyoung percebe estar sendo seguida por um homem tarde da noite. Ele até pega o mesmo ônibus que ela e desce na mesma parada. Tive reações físicas de ansiedade lendo essa cena. Qualquer mulher sabe o pavor que algo assim gera em nós.

Por outro lado, o livro apresenta mesmo algumas particularidades sul-coreanas. Cho teve o cuidado de consultar estatísticas e dados oficiais para compor seu romance (todos referenciados em notas de rodapé), certamente temendo a repercussão negativa de um livro que denuncia violências tão naturalizadas. E ela estava certa, porque, apesar do sucesso, o livro gerou discussões calorosas em seu país de origem.

Uma das informações que mais me chocou foi a de que, até o início dos anos 90, era permitido, na Coreia do Sul, o aborto de meninas, pelo simples fato de serem meninas. Isso só parece ter mudado porque gerou uma disparidade no número de homens e mulheres. Então, sim, tem algumas informações bem específicas da Coreia do Sul, mas, no geral, o livro poderia ser sobre qualquer mulher em qualquer parte do mundo.

A vida de Jiyoung é apresentada ao leitor em detalhes, desde sua infância, quando começou a perceber que tinha direitos e deveres muito diferentes daqueles que se irmãos homens tinham. Durante a adolescência, Jiyoung teve de lidar com as regras de vestimenta e comportamento e percebeu que as garotas eram sempre culpadas por despertarem desejo sexual nos homens. Conheceu as cobranças da vida adulta de uma mulher, a diferença salarial em relação aos homens e a imposição para ser mãe. Tudo isso é mostrado no livro, evidenciando as pequenas e grandes violências sofridas pelas mulheres em diferentes fases da vida.

O livro é narrado numa sequencia de acontecimentos e pontuado com informações oficiais e dados estatísticos. É uma ficção que parece não-ficção e acho que essa realmente era a intenção da autora. Uma leitura rápida, com menos de 200 páginas, mas que não é nada leve. Eu marquei várias e várias passagens e fiquei com o coração apertado em muitos momentos. Empatia, raiva e tristeza foram os sentimentos predominantes para mim durante essa leitura.

Só para que vocês entendam como são apresentados esses dados e pesquisas ao longo do romance, vou colocar um exemplo aqui:

Em 2005, quando Kim Jiyoung se formou, uma pesquisa realizada por um site de busca de empregos revelou que apenas 29,6% dos novos contratados em cem empresas eram mulheres, o que foi mencionado como um grande avanço. Outra pesquisa realizada no mesmo ano demonstrou que, entre os gerentes de recrutamento de cinquenta grandes empresas, 44% dos participantes disseram “preferir contratar homens a mulheres com qualificações equivalentes”e ninguém “contrataria mulheres em vez de homens.

Ou seja, a autora insere sua personagem num contexto realista e comprova isso com pesquisas e dados oficiais. Eu gostei muito desse recurso e achei que ficou muito natural e ajudou a dar embasamento para as situações vivenciadas por Jiyoung.

Eu adorei o livro e a edição está linda. A capa chama a atenção e o livro merece o sucesso que vem alcançando. Na verdade, Kim Jiyoung, Nascida em 1982 é uma publicação original de 2016 e já tem até adaptação cinematográfica. O filme, lançado em 2019, reacendeu os debates sobre discriminação de gênero na Coreia do Sul. Algumas celebridades sul-coreanas já indicaram e elogiaram a história e, dentre elas, algumas foram fortemente criticadas por isso.

Kim Jiyoung, Nascida em 1982 conta a história que todo mundo conhece, mas que ninguém gosta de comentar. É aquela realidade feia que a gente prefere não olhar. E por isso é tão controverso. Eu amei essa leitura. Como mulher, me sinto segura para dizer que não há exageros ou mentiras no livro. É um retrato realista do que é ser uma mulher.

Título Original: Palsip Yi Nyeon Saeng Kim Jiyoung ✦ Autora: Cho Nam-Joo
Páginas: 176 ✦ Tradução: Alessandra Esteche ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora