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23 de janeiro de 2022

Livros cinco estrelas de 2021


Já diria o ditado: antes tarde do que mais tarde! Sei que estou um pouquinho atrasada, mas não poderia deixar de vir mostrar para vocês todos os livros que avaliei com cinco estrelas no ano de 2021. Tô muito animada para vocês verem a lista completa, porque tem de tudo um pouco, inclusive romance de época, rs. 

Livros cinco estrelas dos anos anteriores

2020
2019
2018
2017
2016
2015
 
A seguir, os melhores livros do ano, na minha humilde opinião, por ordem de leitura


Verdades do Além-Túmulo, Caitlin Doughty
Minha Vida Fora dos Trilhos, Clare Vanderpool

Me apaixonei perdidade por Verdades do Além-Túmulo por motivos óbvios: o humor em algo que é considerado tabu, afinal, não sabemos lidar com a morte. Como é um livro voltado para o público infantil e inspirado nele, já que a autora responde perguntas feitas por crianças e adolescentes, é fácil demais se divertir. 

Minha Vida Fora dos Trilhos, apesar da trama simples, me tocou por completo. Existe um belo mistério envolvendo uma cidadezinha no Kansas, passagens no passado e no presente, tudo o que amamos e que impulsiona nossa curiosidade. Adorei também que a autora inseriu dados históricos na trama, tudo muito natural! O final é bem previsível, mas não menos emocionante. "Existem livros bons que são bons porque nos surpreendem, e existem livros bons porque são muito bem escritos e tocam o nosso coração, que é o caso de Minha Vida Fora dos Trilhos".

Longo e Claro Rio foi a minha maior surpresa, até agora, enquanto assinante da TAG Inéditos. É um romance policial, mas carregadíssimo de drama, característica que amo demais em qualquer tipo de livro. Todos os personagens são muito reais, é como se fossem nossos vizinhos, sei lá... Mas o que me conquistou de verdade foi uma certa reviravolta que me pegou totalmente desprevenida. 


A Cinco Passos de Você, Rachael Lippincott, Mikki Daughtry & Tobias Iaconis
O Avesso da Pele, Jeferson Tenório

Ai meus amores, os famosos sick lits né, quem não ama? Um drama infinitooooooo, e quando morre alguém então? O que eu mais amei em A Cinco Passos de Você, além do fato de eu ter morrido de chorar, foi justamente o fato de ser diferente, sabem? E eu amei o final do livro, me deu esperença demais... Agora, o final do filme quebrou meu coração. Cês já viram?

O Avesso da Pele foi o melhor nacional que li há tempos... As palavras de Jeferson Tenório são muito difíceis e verdadeiras, extremamente necessárias. Acho que nunca tinha lido na minha vida um texto tão impecável e maravilhoso!

Gente, pelo amor de Deus, como que O Conde Enfeitiçado não é o livro preferido de vocês dos Bridgertons? Não tem o mínimo de cabimento vocês preferirem O Visconde que me Amava à essa obra prima dramática??? Em primeiro lugar, a Francesca é perfeita & sofrida, que por si só dá uma carga a mais para o enredo. Em segundo lugar, como ela já foi casada anteriormente, achei a história infinitamente mais madura que qualquer outra. Nem tentem discordar de mim, ouviram? rs


Hibisco Roxo, Chimamanda Ngozi Adichie
Sem Ar, Jennifer Niven
Arlindo, Ilustralu

Chimamanda Ngozi Adichie é uma das maiores escritoras da atualidade, acho que quanto a isso não há discussão. Já li outros livros dela e todos são maravilhosos, então já esperava que Hibisco Roxo estivesse no mesmo nível. Nunca um livro tinha me despertado tantos sentimentos... Senti raiva, tristeza, desejei coisas muito ruins para um personagem, me senti tão desprezível quanto esse personagem... Enfim. As passagens também são muito fortes, então tem que ler com bastante cuidado.

Vi muitas pessoas criticando bastante a protagonista de Sem Ar, provavelmente meu clichê de verão preferido da vida. Ela é bastante impulsiva e imatura, eu entendo, mas que adolescente não é? E eu tenho certeza que o mocinho compensa todos os defeitos, porque ele é maravilhoso demais... Até eu me apaixonei um pouco por ele, e eu amo quando livros fazem isso... Como que é possível a gente se apaixonar por uma pessoa que nem existe de verdade?

Arlindo é sem palavras, né? Muito interessante a visão de um personagem LGBTQIA+ que vive na região que, apesar de ser a mais linda do país, também é a mais homofóbica. Fiquei foi deveras apaixonada pelas inúmeras menções à cultura pop dos anos 2000, bateu aquele sentimento de nostalgia delicioso, e o sotaque nordestido só deixou tudo muito melhor!


Blackout, Dhonielle Clayton, Tiffany D. Jackson, Nic Stone, Angie Thomas, Ashley Woodfolk & Nicola Yoon

Vocês não calculam a felicidade que eu tenho só de ver o quanto nossa literatura está tendo destaque em grandes editoras! Enquanto Eu Não Te Encontro é mais um livro cheio de representatividade, imerso em um clichê estilo Sessão da Tarde que raramente encontramos quando os personagens são LGBTQIA+. A escrita do Pedro Rhuas é muito leve e divertida, não vejo a hora de ler outras coisas dele!

E sim, temos mais um Julia Quinn entre os livros cinco estrelas de 2021! Eu gostei demais mesmo de E Viveram Felizes Para Sempre, o livro de contos que encerra as histórias de uma das nossas famílias preferidas da literatura. Adorei cada detalhe de todos os contos e fiquei muito feliz de ter um gostinho a mais desses irmãos que conquistaram o meu coração.

Blackout foi uma grata surpresa no fim de 2021. É um livro escrito por seis autoras diferetes, como se fossem contos, com personagens diferentes em cada "capítulo", mas que estão conectados de alguma forma. Gostei mais de umas histórias do que de outras, mas de forma geral o livro é tão bem conectado que foi impossível não amar!


É óbvio que os dois primeiros volumes de Heartstopper estariam nessa lista! Foi e está sendo uma delícia acompanhar como a amizade entre duas pessoas se transforma em amor. Além de tudo, um dos dois protagonistas está se descobrindo, é a coisa mais fofa do mundo! As famílias dos dois meninos apoiam eles demais, e foi isso o que mais me emocionou... Ah se todas fossem assim...

O Homem Que Morreu Duas Vezes é o segundo volume da série que acompanha nossos amados velhinhos de O Clube do Crime das Quintas-Feiras. Gostei infinitamente mais dele porque a história é muito melhor construída. Além disso, passamos a conhecer melhor os protagonistas que foram apresentados pra gente no primeiro livro, com o bônus da Joyce, que é minha personagem preferida, ter tido um espaço muito maior.

Estava bem aqui montando essa lista e rachando de rir porque não faz um pingo de sentido, né? Tem livro de tudo quanto é gênero diferente, e que bom! Vocês também são assim? Deixem aqui os livros preferidos de vocês no ano passado!

18 de janeiro de 2022

O que eu amei vs. O que eu não gostei em A Outra Garota Negra, de Zakiya Dalila Harris

Seguindo a vibe do lançamento incrível da Intrínseca, A Metade Perdida, decidi dar a chance para mais um romance de mulheres negras da editora. De fato, A Outra Garota Negra tem mistério, humor, política e todas as pautas relevantes de racismo que fizeram eco na internet nos últimos anos. Entretanto, nesse novo livro encontrei alguns obstáculos que fizeram que eu demorasse muito para terminar o livro e é sobre eles que também falarei nesse post.

A assistente editorial Nella Rogers é a única funcionária negra da Wagner Books. Quando outra negra, Hazel, começa a trabalhar no cubículo ao lado do dela, ela pensa que encontrou um aliado. Mas, com o passar das semanas, Nella percebe que Hazel se tornou a favorita do escritório – e ela mesma está sendo deixada de fora de projetos importantes. Em seguida, as notas começam a aparecer em sua mesa: deixe Wagner agora.

O que eu amei

1. A ambientação no corporativo de uma editora

Confesso que foi um dos motivos que me atraiu para a leitura e não deixou a desejar. A autora pinta com sutileza todos os tons do dia a dia de trabalho em uma renomada editora nova-iorquina. Os Starbucks gigantes logo cedo depois de muito tempo no metrô e a chegada no escritório que parece ter parado no tempo, no estilo Mad Men. Era o que eu esperava, e eu tive, um livro sem muitas interrupções para conversas online, apenas quando necessário. Em um negócio extremamente presencial dos livros físicos, são nos contatos corpo a corpo, nos bilhetes e ligações que acendem as fagulhas do mistério principal da trama.

2. Os negros não são iguais na vida real e são representados de maneira diversa em A outra garota negra

Uma garota negra conservadora e, a outra, progressiva com seus dreadlocks. Geralmente essa dicotomia já é algo marcante nos filmes adolescentes, mas não quando se trata de garotas negras, que geralmente sustentam sempre o mesmo estereótipo em todos os filmes, já que nos livros raramente são protagonistas ou chegam a ter algum papel de destaque. E é nessa dicotomia que se sustenta a desconfiança entre as personagens, ao mesmo tempo que o desejo de agradar, de formar um quilombo. 

3. Diversidade de um negro só, não é diversidade

Os programas corporativos de diversidade sempre se esforçam para que o único funcionário de grupo sub-representado seja a cara das suas campanhas ou que promovam por si só a própria diversidade da companhia. Esse mito é satirizado no livro com brilhantismo.

O que eu não gostei

1. A competividade e inveja entre negros não é um tema a ser encorajado. Menos ainda entre mulheres negras.

No estilo Garotas Malvadas com um pouco de O Diabo Veste Prada, existe uma rivalidade que já se instaura entre a narradora e a recém chegada assistente negra. Enquanto a garota nova tenta ser amigável e simpática com todas, Nella descreve em primeira pessoa o quanto irrita a presença da colega de baia. Você deve estar pensando: mas isso é a metade dos filmes hollywoodianos, qual o problema? 

Resumidamente, o tema de rivalidade feminina quando abordado dessa maneira sustenta diversas teorias patriarcais e machistas de que mulheres são incapazes de apoiar umas às outras. E afunilando o problema para mulheres negras, isso reforça a ideia de que além de serem mulheres desunidas, a comunidade negra, mesmo em desvantagem social devido ao racismo, não consegue se apoiar. 

A inimizade faz parte da trama, mas talvez o tema pudesse ser abordado de outra maneira e com uma perspectiva que levantasse uma abordagem crítica no leitor.

2. Excesso de temas apelativos como #BlackLivesMatters

Nada me causa mais tristeza e revolta que ver pessoas levantando esses temas e hashtags o tempo todo, como se fossem a solução do racismo. São importantes, sim, mas tem ações mais efetivas que estas. Não sei como a autora se posiciona diante dos temas, mas achei o acesso constante a eles durante a narrativa um pouco cansativo.

3. O mundo corporativo não é para preguiçosos

A protagonista tem uma postura um pouco relaxada diante do seu próprio trabalho e se irrita constantemente quando o fazem melhor. O mundo corporativo não é para preguiçosos. É necessário correr atrás dos seus objetivos ou alguém conseguirá antes que você (talvez no lugar que seria seu). E sinto que o livro não explicou tão bem o motivo de tanto remorso e acabou ganhando uma narradora amarga e pouco envolvente.

4. Parece que o livro foi escrito para ser um filme ou série e por isso tem um ritmo cinematográfico que não ficou tão bom em texto, na minha opinião

Autoexplicativo já que o livro vai virar série nos próximos meses. Talvez essa já fosse uma intenção desde o princípio.

Espero que tenham gostado das minhas opiniões sobre A Outra Garota Negra e consigam ler e tirar suas próprias conclusões. Para quem busca mais romances com protagonistas negras indico fortemente A Metade Perdida, um dos meus favoritos de 2021. 

Título Original: The Other Black Girl ✦ Autora: Zakiya Dalila Harris
Páginas: 384✦ Tradução: Flávia Rössler, Maria Carmelita Dias ✦ Editora: Intrínseca

Livro recebido em parceria com a editora

8 de janeiro de 2022

As decepções literárias de 2021


Não adianta, por mais que a gente queira gostar de tudo o que lê, sempre têm algumas histórias que acabam nos decepcionando. Sempre gosto de lembrar que minha experiência com os livros é única, não é porque eu não curti que vai acontecer o mesmo com vocês, certo? 

Na restrospectiva de hoje, mostrarei a vocês os livros que menos me agradaram no decorrer do ano de 2021 e apontar os pontos principais para que isso acontecesse. 

As decepções literárias dos anos anteriores

2020
2019
2018
2017
2016

A seguir, as piores obras de 2021, por ordem de leitura & na minha humilde opinião


Os Tais Caquinhos, Natércia Pontes
Cores do Cerrado, Ana Paula Gomes

Acredito que meu maior problema com Eu Não Sei Quem Você É foi o fato da autora deixar dúvidas de quem estava falando a verdade com realação ao estupro da personagem principal. A gente sempre deve partir do pressuposto que a vítima é, de fato, uma vítima, mas Penny Hancock fazia a todo momento que a gente acreditasse que ela estava mentindo, e isso me incomodou demais. Além disso, o final foi a gota d'água, que de nada ajuda mulheres reais que já foram abusadas sexualmente. 

Os Tais Caquinhos não é um livro ruim, para falar a verdade, mas me causou muito estranhamento. Existe um personagem que é acumulador, então a casa é uma nojeira só e não consegui muito bem lidar com isso. Li o livro inteiro com nojo, e mesmo sabendo que talvez essa fosse a intenção da autora, não consegui aproveitar tanto a narrativa. 

O mesmo vale para Cores do Cerrado, que também não é ruim, só não é o tipo de leitura que me agrada muito. A grande questão é que o livro foi "vendido" para mim como um romance arrebatador, com cenas um pouco mais quentes, e não tenho nenhum problema com isso. Porém o livro é um erótico pesadíssimo, com cenas muito explícitas, coisa que eu não curto muito. Se você é desse time, com certeza vai amar!


Jogador Número Dois, Ernest Cline
A Caminho do Altar, Julia Quinn

De fato, Jogador Número Dois foi um dos piores livros de 2021 MESMO. É o clássico livro escrito unicamente porque o primeiro fez sucesso e o autor achou que seria uma boa ideia repetir a dose para, quem sabe, desembolar mais uma graninha. Não tinha necessidade de uma continuação, e olha que nem do primeiro eu gostei tanto assim, achei apenas razoável. 

Uma das minha maiores decepções do ano foi A Caminho do Altar. Por ser o livro de encerramento da série, tirando o livro de contos, é claro, esperava um desfecho mais digno. Parece que a Julia Quinn tava meio sem ideias do que escrever, sei lá. Muito batida essa história da "melhor amiga feia", não gosto desse tipo de coisa. 

Tamara Jong também não é um livro péssimo, mas tive alguns probleminhas com a quantidade de personagens, nomes e cenários, então demorou um pouco para que eu engatasse na leitura. Apensar de não ser realmente necessário, acho que essa dificuldade seria menor se eu tivesse lido o primeiro volume da série antes. 


Venha o que Vier, Rainbow Rowell
Destruidor de Mundos, Victoria Aveyard

Bom, aqui no final da lista estão as maiores decepções do ano, por assim dizer. Fiquei muito triste com Venha o que Vier, porque eu gostei bastante dos dois primeiros livros da trilogia e queria um final mais surpreendente e digno, não algo escrito por obrigação, só pra cumprir tabela. Como eu comentei na resenha, uma páginas a mais no segundo livro teria sido uma solução bem melhor. 

Nem tenho o que dizer sobre Destruidor de Mundos. De todos da lista, o único que cogitei abandonar. É tudo muito confuso, uma enxurrada de informações logo nos primeiros capítulos, os personagens principais passam praticamente o livro todo só vagando, ou seja, nada importante acontece de verdade.

Agora é a vez de vocês deixarem aqui nos comentários os livros que foram decepção durante o ano de 2021, e eu adoraria saber o porquê do veredito, também. 

5 de janeiro de 2022

Resumo Trimestral: Outubro, Novembro & Dezembro 2021


Não sei o que acontece comigo no fim do ano que eu simplesmente não consigo ler direito. Acho que fico tão exausta com tanta coisa pra fazer que simplesmente não rende, sabem? Isso acontece com vocês também ou rola o inverso? Porque vejo muita gente que faz o impossível para tentar ter tudo o que propôs em janeiro, risos.

De outubro a dezembro li 13 livros, a grande maioria em dezembro mesmo, que foi quando dei uma animadinha porque fiquei com bastante vontade de bater minha meta de ler pelo menos 65 histórias no ano e, para minha felicidade, consegui!


Leiam também:
Resumo Trimestral: Janeiro, Fevereiro & Março 2021
Resumo Trimestral: Abril, Maio & Junho 2021

Recapitulando, foram lidos 2 livros em outubro, 3 em novembro e 8 em dezembro, contabilizando um total de 4882 páginas. Gosto de somar a quantidade de páginas que só assim a gente aceita de verdade que, no fim das contas, lemos bastante coisa. Minha maior decepção desse trimestre foi Destruidor de Mundos, que tem um enredo bem legal, mas muito mal aproveitado. Venha o Que Vier também não ficou muito atrás, pra mim nem devia ter sido escrito. Também achei Os Dois Morrem no Final bem mais ou menos, esperava mais emoção.

Acho que bati meu record de cinco estrelas num mesmo período de tempo, nem creio. Fiz muitas leituras legais, o que me deixou bem feliz no fim das contas. Eu simplesmente amei os contos de E Viveram Felizes para Sempre, com certeza compensaram o final desastroso da série. Heartstopper fez meu coração explodir de tanto amor e também me apaixonei por Blackout, muito bem amarradinho. 

Todas as resenhas escritas por mim podem ser conferidas nos links abaixo:


Vocês também podem dar uma olhadinha nas resenhas das meninas também, porque elas são perfeitas & maravilhosas:

Love

Ah, outra coisa que eu achei legal e queria mostrar para vocês, aproveitando o espaço, é minha retrospectiva do Skoob para o ano de 2021! Acho massa porque ficam os dados certinhos. Por exemplo, li durante todo o ano 19.600 páginas, com tempo equivalente a quase um mês! 


É isso, gente! Já tô aqui curiosa para saber os dados de vocês do ano passado, deixem aqui nos comentários! E fiquem de olho porque nos próximos dias já vou lançar para vocês a famosa listinha com os melhores e piores do ano.

3 de janeiro de 2022

Blackout: O amor também brilha no escuro | Dhonielle Clayton, Tiffany D. Jackson, Nic Stone, Angie Thomas, Ashley Woodfolk & Nicola Yoon


Blackout é nada mais nada menos que um livro sobre amor adolescente. O cenário é o mais improvável de todos: um apagão na enorme cidade de Nova York. Sendo assim, a trama, dividida em histórias criadas em parcerias por seis grandes autoras, se passa em apenas um fim de tarde extremamente quente. São seis contos com protagonistas diferentes, mas que estão ligados entre si de alguma forma:

  • A Longa Caminhada, de Tiffany D. Jackson
  • Sem Máscara, de Nic Stone
  • Feitas Para se Encaixar, de Ashley Woodfolk
  • Todas as Grandes Histórias de Amor… E pó, de Dhonielle Clayton
  • Sem Dormir até o Brooklyn, de Angie Thomas
  • Seymour & Grace, de Nicola Yoon

Apesar de cada autora ter tido seu espaço e tê-lo aproveitado muito bem, diga-se de passagem, acredito que a fio que une todas as tramas é A Longa Caminhada. Além de ser o texto mais longo, dividido em vários atos alternados, Tam e Kareem são os personagens que dão início à história como um todo. De alguma forma, são constantemente lembrados durante as outras narrativas, algo que achei bastante interessante. 

Não parecem contos aleatórios reunidos em uma antologia sobre algum tema qualquer. As histórias se encaixam tanto que, mesmo com as características individuais de cada autora, a narrativa é bastante homogênea. Inclusive, um dos pontos altos de Blackout é justamente identificar as referências que conectam os contos.

Das seis autoras, já conhecia Nic Stone, Nicola Yoon e Angie Thomas, e foi muito bacana notar as peculiaridades de cada uma delas presentes nessas histórias também. Por exemplo, na minha concepção, Nicola Yoon é especialista em desenvolver romances que acontecem em apenas um dia, porque ela faz a gente acreditar que os personagens vão dar certo de verdade, sabem? Realmente botei fé em Seymour & Grace, e convenhamos que não é todo autor que consegue desenvolver bem o "amor à primeira interação", né? Segue a mesma linha de O Sol Também é Uma Estrela, que eu também adoro.

Agora, na minha opinião, a verdadeira importância de Blackout está na representativamente. Para início de conversa, quase todos os personagens são negros, se não todos. Quantas vezes na vida tivemos contato com um livro em que isso acontece? Depois, muitas das autoras apostaram em relacionamentos fora da bolha hétero-normativa, o que também é significante. Nic Stone deu vida a um personagem bissexual que ainda está se descobrindo, Ashley Woodfolk acendeu a fagulha do amor entre duas garotas...

Eu gostei de todas as histórias, sem exceção, mas confesso que foi A Longa Caminhada que fez meu coração bater mais forte. Talvez tenha sido o fato de se estender por todo o livro e deixar aquela sensação deliciosa de "ai meu Deus o que vai acontecer com esses dois", ou talvez tenha sido a atmosfera de encontros e desencontros, confusões e dramas tão comuns na juventude... Só sei que foi muito especial! 

Blackout é muito diverso, mas não só isso. Todas as autoras são muito responsáveis em suas escolhas e eu gostei demais disso. É o típico livro pra livrar a gente daquela ressaca literária, porque a narrativa é bem simples e não foge muito do clichê do gênero, mas foi tão bem desenvolvivo e bem amarrado que é impossível não gostar. Aliás, já tô bem querendo fazer uma petição pras autoras escreverem um livro inteiro de umas 300 páginas cada sobre os personagens que criaram, o que acham?

Ah, só mais uma coisinha antes de finalizar: que coisa mais fofinha a edição da Editora Seguinte! Diagramação impecável, cheia de detalhes e pelo amor de Deus, uma capa que simplesmente brilha no escuro, gente! É demais para mim, sério. :')

Título Original: Blackout 
Autoras: Dhonielle Clayton, Tiffany D. Jackson, Nic Stone, Angie Thomas, Ashley Woodfolk & Nicola Yoon
Páginas: 272 ✦ Tradução: Karine Ribeiro ✦ Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora