O Melhor Que Podíamos Fazer | Thi Bui


O Melhor Que Podíamos Fazer é uma autobiografia em forma de quadrinhos da autora e ilustradora Thi Bui. Aqui, ela explora sua história e de sua família antes, durante e depois da Guerra do Vietnã, um grande conflito armado que perdurou por vários anos, de 01 de novembro de 1955 até 30 de abril de 1975, data que culminou com a queda de Saigon. Essa foi a segunda das Guerras da Indochina, oficialmente travada entre o Vietnã do Norte e o Vietnã do Sul, lar da família de Thi Bui. O norte era apoiado pela União Soviética, China e outros aliados comunistas, enquanto o sul era defendido pelos Estados Unidos, Coreia do Sul e várias outras nações anticomunistas.

A narrativa é feita pela autora e possui uma construção muito interessante, principalmente porque ela mescla suas próprias memórias às memórias dos pais. Então, conhecemos tudo o que acontece com eles através de vários olhos, inclusive em uma época que Thi Bui ainda nem tinha nascido (o nascimento dela e de todos os irmãos foi muito complicado, pois passaram muitos anos em meio à pobreza extrema num país que beirava o caos). A vida deles sempre foi difícil, mas, com a queda do Vietnã do Sul, foram obrigados a procurar asilo em outro país. E foi assim que chegaram aos Estados Unidos, lugar de cultura totalmente diferente da que conheciam. 


Fui totalmente envolvida pelos relatos de Thi Bui. As histórias dos pais dela, principalmente do pai, Bô, me marcaram completamente. Durante a leitura, a sensação que eu tinha é que eu estava lá — daí vocês conseguem imaginar o quão intimista esse quadrinho é. Porém, o mais incrível de tudo é a forma como a autora mostra o impacto dos acontecimentos históricos na história de sua própria família, em várias gerações. Obviamente o período da guerra é o mais difícil e sensível de toda a narrativa. 

Também é incrível como a temática abordada em O Melhor Que Podíamos Fazer é relevante para os dias atuais. O fato da família ser obrigada a se refugiar em outro país por causa de conflitos políticos lembra muito a história de inúmeros refugiados de hoje. Além da questão política, muitos se veem forçados a deixar seus verdadeiros lares por motivos religiosos, violações de direitos humanos e até mesmo outras questões econômicas. São obrigados a largar toda uma história para trás por um direito básico, o de sobrevivência.


De fato, a obra de Thi Bui desperta inúmeras reflexões. Todo o contexto exige do leitor muita sensibilidade. As ilustrações são angustiantes na mesma proporção em que são lindas, bem como os diálogos, que são marcantes, mas extremamente tristes. Os relatos de como eles passaram a viver em uma sociedade repleta de preconceitos com os refugiados são particularmente dolorosos... Fiquei emocionada também ao perceber a empatia da autora em relação aos próprios pais, porque foi a partir da escrita desse livro que ela começou a entender que eles são o que são por causa das marcas que carregam.

Às vezes é uma tarefa muito complicada falar sobre livros como O Melhor Que Podíamos Fazer... Parece que a gente fala, fala, fala e não fala nada... Sinto que todos os parágrafos desse texto são compostos por palavras vazias que não conseguem mostrar de fato o que eu senti, o quanto essa narrativa é sincera e transcendente, o quanto transmite esperança apesar dos pesares. Ou talvez consigam... Na verdade, espero que vocês possam tirar minhas dúvidas quanto a isso.

Título Original: The Best We Could Do ✦ Autora: Thi Bui
Páginas: 336 ✦ Tradução: Fernando Scheibe ✦ Editora: Nemo
Livro recebido em parceria com a editora
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17 Comentários

  1. Pelas imagens dá para perceber que os traços da GN são ao mesmo tempo fortes e delicados.
    E a história dessa família é de partir o coração mas também marcante e repleta de esperança. E permite ao leitor inúmeras reflexões sobre família, cultura, lar, futuro e etc

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  2. Eu admito que ainda não tinha visto essa Hq por aí e que surpresa gostosa e triste ao mesmo tempo. As ilustrações são belíssimas,mas sim, sofridas.
    A intensidade dos sentimentos não fica somente nas cores, mas nas letras, nas páginas e isso é uma coisa inovadora.
    Com certeza, já vai para a lista dos mais desejados!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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    1. A Nemo lança umas coisas bem legais, vale a pena dar uma olhada no catálogo, viu?
      Tenho certeza que você vai amar.

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  3. Olá Ana!
    Qualquer tipo de obra que aborda guerras provoca uma tremenda reflexão por parte de quem está lendo, e não parece ser diferente com essa HQ, que possui uma sensibilidade enorme, provavelmente por se tratar de um relato autobiográfico.
    Além de mostrar uma perspectiva realista em relação à Guerra do Vietnã, a HQ prende o leitor pelas outras questões que aborda, como o refúgio em um país que não media esforços para diminuir e humilhar a família vietnamita.
    E ao mesclar acontecimentos entre gerações o leitor consegue ter uma ampla noção do que era viver em um mundo que para muitos não apresentava mais esperança.
    Simplesmente tocante, beijos!

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  4. Olá Ana Clara!
    Lembro de ter estudado a Guerra do Vietnã na escola ao aprender sobre a Guerra Fria, mas com a pouca maturidade da adolescência não compreendia os impactos dessas guerras. Hoje, mais amadurecida, me emociono ao ler relatos como os da autora, é impossível não sentir empatia e se colocar no lugar dessas pessoas. As imagens da HQ nos aproximam ainda mais das histórias, tornando tudo mais intenso. Realmente é difícil expressar os sentimentos na resenha, mas eu entendi o que você quis passar pra gente.
    Beijos

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  5. Oi, Ana
    Você fez uma resenha que esclarece muito sobre o tema da HQ.
    As ilustrações e as cores dá para sentir um pouquinho da emoção e outros sentimentos que causa ao leitor.
    Já quero muito essa HQ para mergulhar nessa história triste, que foi a realidade da família da autora e poder entender a dimensão dessa guerra.
    Beijos

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  6. Ana!
    Admiro uma pessoa ter coragem de contar sua história sofrida, e, ainda se arriscar em uma HQ, talvez porque tenha mais alcance de leitura e ainda traga ilustrações, mesmo que simples, porém marcantes e que demonstram seus sentimentos e sua verdade.
    cheirinhos
    Rudy

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  7. ola
    entendo um pouco o que voce quer dizer no final ,provavelmente como foi uma leitura muito emocionante fica mesmo dificil passar para o papel tudo o que voce sentiu . como explicar sentimentos não é mesmo ? acredito que só realizando a leitura para experiemntarmos tudo o que sentiu

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    1. Justamente, foi muito emocionante. Parece que eu não consegui direito expressar em palavras o que senti.

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  8. Primeiramente, a paleta de cores dessa capa é maravilhosa! O traço do desenho também é muito bom. Não conhecia nenhuma publicação autobiográfica em formato de quadrinho, fiquei muito curioso pela leitura. A Guerra do Vietnã é um assunto muito pouco explorado nos livros, gostei da história.

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  9. Muito triste toda essa situação em que vemos até hoje! Nenhuma pessoa deveria larga seu, lar, seu país, seus sonhos. Mas as questões politicas, religiosas e econômicas dão essa força para vemos milhares de pessoas sentindo-se abandonadas, perdidas. Um livro com uma linda arte, sem duvidas cheia de dor e reflexão.
    Ainda não conhecia a autora, mas vou acompanhar de perto seus trabalhos, esse titulo é muito carregado de sentimento, fico me perguntando o que fazer, ou o que é o melhor a se fazer, e o melhor que eles podiam fazer? Sobreviver!
    Ótima resenha, bjs!

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  10. Já vi falar dessa história e me chamou atenção o fato de falar dessa guerra e dos impactos dela. Não vejo muito livro voltado pra isso, foram bem raras as leituras que comentassem o assunto. Ver pelos olhos da autora e das memorias de família, dela, deve ser bem impactante. O modo como ainda consegue ser atual pelo fato de falar de refugiados, o impacto da guerra na vida das famílias e etc. Politica e tudo isso. Parece ser bem interessante e gostaria de ler por isso.

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    1. A gente vê muito sobre guerra, mas sobre a guerra do Vietnã foi a primeira vez que vi também!
      Espero que você leia e goste! <3

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  11. Essa Hq é tocante, né?
    Você me deixou com vontade de ler, ainda mais com esse tom intimista.
    Acho importante falar sobre os refugiados, suas vidas e dificuldades em um novo país.
    Bom saber que deixa essa sensação de esperança.

    Beijos

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  12. Que lindo!!! Faz bastante tempo que não leio quadrinhos, mas esse me despertou muita vontade de lê-lo! O que me chamou mais atenção foi o fato do quadrinho, além de ter boas ilustrações, abordar temas tão atuais sobre política e refugiados. Amei!

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  13. Oii!
    Não conhecia o livro, mas adorei saber mais sobre ele e a historia que é abordado. Gosto bastante de livros que vai retrata essas épocas bastante tensas. Vou anotar para ler!

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    Tempos Literários

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  14. Oi, Ana
    Que história triste e complicada da Thi Bui.
    Imagino tudo que ela e sua família sofreram.
    Guerras são devastadoras demais. Fico sem palavras em ler esses livros, mas sei, o quanto são necessários e esse quadrinho já vai pra minha listinha.
    Bjs

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