A Casa Holandesa | Ann Patchett


A Casa Holandesa, lançamento da autora Ann Patchett, foi o vigésimo livro entregue no Intrínsecos, clube de assinatura da Editora Intrínseca. Nessa obra, conhecemos a história dos irmãos Maeve e Danny, abandonados pela mãe ainda pequenos, ficando sob os cuidados dos pai, Cyril, e das funcionárias da Casa Holandesa. Tudo corria relativamente bem até que Andrea entra na vida dessa família, casando-se com Cyril e trazendo na bagagem duas filhas e um coração de pedra.

Acredito que essa história pode ser muito bem comparada com o clássico Cinderella. Por exemplo, Andrea casou por puro interesse na Casa Holandesa ― e obviamente em qualquer dinheiro que conseguisse sugar ―, não pensava duas vezes em tirar de Maeve e Danny para dar às suas próprias filhas e se livrou dos dois na primeira oportunidade que teve. A única ressalva é que as meninas eram tão vítimas da mãe quanto os enteados, o que fez com que eu sentisse ainda mais raiva da mulher.

Todo o livro é narrado sob o ponto de vista de Danny, mas de uma forma bem interessante porque seus olhos basicamente só enxergam Maeve. Conhecemos o passado e o presente dos irmãos de forma não linear e, apesar de não ter nenhuma reviravolta impressionante, a narrativa é muito ágil. A gente quer saber porque Elna, a mãe, abandonou os dois, por exemplo, ou saber como Danny e Maeve chegaram aonde chegaram.

Olhamos para o passado pela lente do que sabemos agora, então não o vemos como as pessoas que éramos, vemos com os olhos das pessoas que somos hoje, o que significa que o passado foi radicalmente alterado. (p. 51)

E por falar em narrativa, o mais interessante desse livro é como a história é contada. Apesar de ser o narrador, não acredito que Danny seja o personagem principal. Parando para pensar, eu pouco sei sobre ele, no fim das contas, mas sei de detalhes muito vívidos de Maeve e da Casa Holandesa, portanto, me afeiçoei muito à elas. Seguindo essa mesma linha de pensamento, senti muita raiva de Elna o tempo inteiro justamente porque a visão que eu tive dela foi a visão de Danny, que nunca entendeu o porquê da mãe ter ido embora.

Como eu disse anteriormente, não existe nenhum plot twist, mas ficamos esperando por ele. Eu já li vários dramas familiares e gosto muito deles, mas ainda me incomodo um pouco com o fato de normalmente as narrativas decorrerem sem nenhum grande acontecimento, focando mais no desenvolvimento e crescimento dos personagens ao longo dos anos. A parte boa é que, apesar dos pesares, A Casa Holandesa consegue se sustentar dessa forma.

Obviamente é um livro que conta como uma casa moldou várias pessoas, mas acho que é mais que isso. É uma história sobre família, sobre como muitas pessoas que estão ao nosso redor podem não ter nosso sangue, mas cuidam de nós com muito amor e carinho... Mas, acima de tudo, é uma história sobre entender as pessoas e perdoá-las, mesmo que as decisões delas, de alguma forma, tenham mudado o curso da nossa vida.

Título Original: The Dutch House ✦ Autor: Ann Patchett
Páginas: 345 ✦ Tradução: Alessandra Esteche ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora
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26 Comentários

  1. Olá Ana!
    Eu, particularmente, não tenho problema com esse tipo de trama sem reviravoltas, inclusive dou preferência para livros focados totalmente no desenvolvimento dos personagens quando termino uma série fantástica densa, por exemplo.
    E aqui a autora não parece decepcionar em relação à construção tanto da atmosfera que permeia a casa Holandesa quanto dos personagens que a habitam (embora fosse ainda melhor se houvesse um pouco mais de espaço para Danny, visto que é ele que esta contando tudo pra gente).
    Mas como a forma de relato nos faz querer saber sempre mais e mais, isso não deve prejudicar o ritmo ágil de leitura.
    Beijos.

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  2. Oi, Ana
    Adorei a cor da capa!
    O enredo mostra um belo drama familiar, não entendo como a mãe pode abandonar os filhos e depois vem uma madrasta que maltrata os enteados e suas próprias filhas também.
    Mas percebi que os irmãos Maeve e Danny são bem unidos, deve ser uma leitura bela, que emociona muito o leitor com lenços para acompanhar.
    Quero ter oportunidade para ler, beijos.

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  3. Não conhecia este livro, mas acho que tu comentou já que estes são inéditos no Brasil, né. Então, este caso da Elna me lembrou muita coisa que já li sobre mães narcisistas, será que seria esse o caso? Se sim, é de passar raiva mesmo...

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  4. Intrínseca mais uma vez arrasando.
    Realmente pra mim foi impossível não comparar com Cinderella. Mas no decorrer do post, percebi que A Casa Holandesa foi muito além.
    Pelo que entendi, A Casa Holandesa é a personagem principal do livro. Ou uma das, dividindo o posto com Maeve.

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  5. A casa é a personagem, pelo que pude entender. Eu já não me importo muito com isso de não ter reviravoltas na história. Dramas já me interessam e muito e pelo que pude ler acima, o livro está repleto deles.
    Aliás, essas caixinhas de Sonhos da Intrínseca tem trazido cada livro que a gente fica doidinha para conferir,como espero conferir esse!!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  6. Olá Ana Clara!
    Achei a trama uma mistura de Cinderela, como você bem citou, com João e Maria, já que se trata de casal de irmão e a madrasta quer se livrar deles. Não me incomodo com a falta de ação, embora um plot atraia bem mais a atenção do leitor. Uma casa conta tanto a história de uma família, creio que por isso ela seja o fio condutor da obra. Que linda essa edição do Intrínsecos, a capa é simples mas a gente adora uma capa dura, né? A única coisa que me incomodou foi essa falta de caracterização de Danny.
    Beijos

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    1. Socorrooooo, tudo de bom essa comparação com João e Maria, encaixa direitinho! Concordo com você, são poucas as pessoas que conseguem se prender nesse tipo de narrativa, então um plot twist seria essencial.

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  7. Olá! ♡ Gosto de dramas familiares, mas as vezes também me incomodo com o fato de que são livros sem grandes reviravoltas ou acontecimentos. Mas, por outro lado, gosto bastante que nesse tipo de livro os personagens são bem trabalhados e podemos acompanhar seu desenvolvimento e crescimento.
    Enfim, fiquei curiosa para saber mais sobre a história.
    Beijos! ♡

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  8. Ah, eu amo dramas familiares, e quando se trata do gênero, não sinto falta de um plot. As histórias são tão complexas e envolventes.
    Essa semelhança com Cinderella é interessante.
    Pretendo ler esse.

    Beijos

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  9. ola sempre gostei desse tipo de romances sobre dramas familiares .essa é a segunda resenha que leio desse livro e ambas positivas . e tem muitos casos assim na vida real de crianças que foram abandonadas pelas mães.
    sim duvida é um livro que tenho vontade de ler

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  10. Ana!
    Interessante ver que apesar de ser a narradora, achou que a Danny não é a protagonista principal.
    Nós temos algo inerente em nossa personalidade que nos abala profundamente quando 'achamos' que perdemos algo para uma pessoas que talvez não a merecesse... e em algumas pessoas, isso se torna mais evidente e marcante, trazendo uma melancolia profunda, e acredito que o livro traz esse sentimento tão arraigado de perda.
    Gostaria de conhecer essa escrita carregada de camadas que vamos desvendendo aos poucos.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Concordo com tudo o que você falou... Esse livro é bem melancólico, parando para analisar a situação. Acho que você ia gostar!

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  11. Olá! Estou bem curiosa para conferir essa história e me emocionar a cada virada de página, também percebi uma certa semelhança com a Cinderela, mas acho que aqui o final feliz vai ser mais complicado.

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  12. Achei interessante a comparação com Cinderela, por esse ponto até chama atenção. Mas parece um livro bem passatempo, sem grandes coisas acontecendo hein...hum...A narrativa dele tem cara de ser bem gostosa na hora de ler e pode ser um bom livro pra entreter, mas é pra ler com essa ideia mesmo, não esperando demais.

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  13. Oii, Ana!!
    Adorei a comparação com Cinderela, pensei logo na história assim que eu li sobre a chegada da madrasta de Maeve e Danny.
    Gostei muito do livro tratar um drama familiar, apesar de realmente não poder esperar grandiosos acontecimentos, gosto de acompanhar como cada personagem lida com os problemas na história.
    Além do livro em si, essas edições do clube Intrínsecos são maravilhosas!! Um dos meus sonhos de consumo.
    Beijão!!

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  14. Olá,
    Gostei da sua resenha e da ideia central do livro, mas acho que essa falta de emoção, mesmo que sustente a obra, me incomodaria um pouco.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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    1. Obrigada, Ray! Entendo o seu ponto de vista. Essa falta de emoção não costuma agradar todas as pessoas mesmo.

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  15. Oiii ❤ Nossa, fiquei com muita dó de Danny e Maeve, é tão triste que a mãe os tenham abandonado e precisem lidar com uma madrasta horrível.
    Achei interessante que mesmo o livro sendo narrado por Danny o leitor não sabe muito sobre ele, acho que teria sido legal saber mais sobre ele.
    Estou curiosa para saber porquê a mãe das crianças as abandonou e se as coisas para os irmãos melhoram.
    Beijos

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  16. Gostei do quote! Mas como assim não tem reviravoltas? Quando eu leio, geralmente também fico esperando por isso. Deve ter sido gostoso ler e remeter a história à da Cinderela. O livro parece trazer lições bonitas, apesar de tudo.

    Beijos,
    Amanda Almeida

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  17. Oii,

    Adorei a sinopse do livro e a sua resenha, e você pode trazer um pouco disso para os dias atuais, quantos estilos de família nós temos? Quantos meio irmãos? É de se pensar em como tudo molda a nossa personalidade e caráter.
    Beijos!

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  18. Legal a comparação da história com Cinderella. Mas em contrapartida, o resto da história não me chamou tanto a atenção. É muito difícil um livro que mantém uma história linear durante todo o seu desenvolvimento, sem nenhum acontecimento maior, a escrita do autor tem que ser muito envolvente para tal. Ademais, a premissa não me empolgou.

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    1. Não costumo ter tanto problema com esse tipo de narrativa, mas assumo que é realmente mais difícil de agradar. Quem não gosta de uma boa reviravolta, né?

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  19. O que eu adorei no livro foram as relações entre os personagens e o desenvolvimento que a autora dá durante o livro. O lance de ter pessoas boas ao nosso redor, que não é do nosso sangue, mas é considerada da família é muito real. A Intrínseca tem um lançamento melhor que o outro!

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  20. Antes de falar em Cinderela, ja havia notado a semelhança. Não sou fã de dramas familiares, são cansativos para mim. Porém gostei do que foi apresentado, é uma boa opção de leitura.

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    1. Impossível não relacionar as duas obras, né? Logo que comecei a ler já me veio Cinderella na cabeça.

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  21. Oi, Ana
    Ai sinceramente acho que não lerei.
    Parece ser bem triste e dramático, sem boas reviravoltas.
    E já tô com raiva dessa madrasta.
    Bjs

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