A Regra é Não Ter Regras | Reed Hastings & Erin Meyer

Você já imaginou como seria trabalhar na Netflix? Esse provavelmente é o emprego dos sonhos de muitos jovens mundo a fora neste momento, principalmente com o aumento do valor agregado ao serviço de streaming às nossas vidas durante a quarentena. Mas será que você está pronto para a cultura? Sinceridade custe o que custar, ausência de política de férias e despesas, feedbacks constantes, poder de decisão em todos os níveis hierárquicos... Se você entende um pouco de organização corporativa certamente já vislumbrou o caos de clima organizacional e evitaria uma oferta de emprego por lá. Porém a maior surpresa de todas que o próprio CEO e uma importante escritora de negócios trazem é: a regra é não ter regras e isto nos leva ao sucesso. 

A Netflix virou fenômeno na vida dos brasileiros há cerca de 7 anos, quando o consumo de filmes por plataformas de streaming e on demand já eram realidade nacional. Apesar da controvérsia sobre o modelo de negócios e lucratividade, a companhia é um exemplo de empreendimento sólido, que conquistou o público e possui uma proposta de valor irrefutável. O que acontece no operacional para que esta startup do Vale do Silício se diferencie das demais é a cultura organizacional, que certamente é um fator determinístico. Sendo isso que levou Reed Hastings, CEO da Netflix, e Erin Meyer, vencedora do Thinker50, a escreverem e explicarem em 10 passos como toda a inovação deste unicórnio funciona por trás das telinhas. 

Partindo dos primeiros anos da companhia, somos arremessados a uma nova forma de fazer negócios. Certamente, o serviço de streaming revolucionou um mercado, pois começou como uma locadora de DVD's via serviço postal e tornou-se uma plataforma que pode ser acessa por diversos dispositivos, além de uma gigantesca produtora com indicações e premiações na Academia, como no Oscar ou Emmy. Mas o que fazem as mentes pensantes por trás de tudo? Como o título sugere, A Regra é Não Ter Regras mas como tudo se organiza para funcionar sem uma falência ou um caos?

O livro divide-se em três partes que apresentam como estruturar o que Reed chama de "Liberdade com Responsabilidade". Em cada uma das partes, existem três pilares que juntos, interligam-se e conseguem sustentar um ponto de vista com validade. Três é o número sagrado para os negócios, e gostei dessa abordagem para o livro. Outra característica brilhante é como ao final de cada capítulo, tópico ou parte, o pensamento é "Óbvio que isso não funciona na prática" domina, mas logo no começo do parágrafo seguinte, os próprios atores refutam os contra argumentos que possam ter surgido na cabeça do leitor. Isso é incrível, mas é igualmente desgastante. A sensação é que o livro vai deixando lacunas no texto que te deixem esperando por mais. Essa é exatamente a técnica sedutora que usam na produção de gigantes cinematográficos, como Stranger Things. Em um filme ou série é ótimo, é esperado, até. Entretanto, em um livro, parece que o leitor está apenas mordendo iscas para chegar ao fim, e não construindo um fluxo de ideias contínuo. 

Talvez nomeando essa característica como "marketeira" fique mais palpável o estilo narrativo. Um livro repleto de exemplos mirabolantes que certamente são reais, mas que nos levam a desconfiar se essa cultura pregada com tanto apreço no livro de fato funciona. São apresentados belíssimos argumentos para sustentar o pagamento dos melhores salários do mercado, a demissão de funcionários medianos, o compartilhamento geral de informações confidenciais... Mas como uma pessoa que já trabalhei em uma empresa que funciona bem há mais de 100 anos, me pergunto por quantos anos essa cultura será sustentável, ou melhor, quando este pode tornar o modo normal de todas as empresas operarem. 

Apesar da minha descrença da boa aplicabilidade de ações indicadas no livro, os autores avisam que não adianta tomar parte das medidas, elas funcionam apenas em rede, todas juntas, complementando-se. E isto me leva a outro porém, já que o que parece viável é replicar a cultura da Netflix ou continuar no status quo. Tal postura pode ser viável para novas startups, que começaram a conceber seus escopos de funcionamento e controle atualmente, mas não para multinacionais seculares. 

Apesar do debate levantado por mim, recomendo a leitura do livro, pois este certamente abrirá sua mente enquanto gestor ou como liderado. Como gestor, o tornará mais questionador do status quo da sua organização. Como liderado, o fará perceber elementos do ambiente de trabalho que podem ser um fardo ou boas surpresas no futuro. O ponto é que assim como a Netflix consegue nos prender por horas com seus algoritmos e conteúdos, este livro pode persuadi-lo com igual poder.

Título Original: No Rules Rules ✦ Autores: Reed Hastings & Erin Meyer
Tradução: Alexandre Raposo ✦ Páginas: 352 ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

Postar um comentário

16 Comentários

  1. Um livro de negócios bem interessante, nunca li nada parecido. Gostei de saber que Reed e Erin escrevem de um jeito muito didático e fluido. Definitivamente um ótimo livro.

    ResponderExcluir
  2. Oi My.
    Um livro de negócios mas com uma pegada dinâmica, atual, ágil. Que mostra a realidade do emprego dos sonhos de muitas pessoas.

    ResponderExcluir
  3. Não é um livro que eu leria, assim, por não ter esse foco em matéria de leitura, apesar de estar sempre querendo aprender.
    Mas agora cá entre nós, trabalhar na Netflix? Ah, sim. Isso seria sonho!!!!
    Por isso com certeza, se puder, é um aprendizado que quero muito conferir.
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

    ResponderExcluir
  4. My!
    Adorei o título do livro: A regra é não ter regras, porque é muito a minha cara, mas em termos de leitura do livro, não sei se leria não, primeiro porque não é muito do meu campo e depois porque deve ser um tédio.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  5. Amei a resenha. Estou querendo ler esse livro desde que vi que seria lançando, gosto muito de livros de negócios que nos mostram visões diferentes das que estamos acostumados. Acho que a Netflix foi muito assertiva nas suas escolhas de negócios.
    beijos
    http://www.dearlytay.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Trabalhar por lá parece ser mil maravilhas, de chegar a brilhar os olhos de alguns, mas a organização do trabalho realmente é mais complicada do que parece. Achei muito interessante eles irem respondendo possíveis dúvidas ao longo do livro (e a similaridade da técnica com a das séries, uau), mas parece ser mesmo desgastante. Quero ler algum dia, tem muito a ver com o que eu estudo e deve ser ótimo, apesar de tudo.
    Beijos

    ResponderExcluir
  7. Oi, My
    Eu acho tão legal o quanto a Netflix cresceu como empresa não somente que mostra filmes de terceiros mas agora os produz também. Tipo, parece que foi do nada né? Eu sempre acho legal essas histórias de ascensão e etc porque cursei Administração, então esses tipos de negócios são muito interessantes de serem estudados e se possíveis aprender algo com eles. Deve ser uma obra maravilhosa!
    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br/?m=1

    ResponderExcluir
  8. Olá, Mylane
    Vi o lançamento do livro, mas sua resenha é a primeira que leio.
    Claro que gostei muito da premissa do livro, bem interessante para que é empresário, empreendedor, estudante e muitas outras pessoas.
    Esse livro trás ideias para inspirar mudança organizacional, vai para lista de desejos.
    Me lembrou um pouco do que estudei na faculdade de Recursos Humanos, beijos.

    ResponderExcluir
  9. Olá My!
    Então, o livro parece ser bem interessante, apesar de que eu não tive tanto interesse em relação a ele. Mas acredito que isso fará muitas pessoas que forem ler ajudar em planos de negócios e etc.

    Blog: Tempos Literários

    ResponderExcluir
  10. Olá! Hahaha que o título do livro é quase que meu lema de vida (risos), acredito que será uma leitura daquelas que a gente se pega questionando tudo (eu pelo menos sim, aliás, já até comecei), e para ser sincera também faço parte do grupo que não acredita muito nesse modelo de sucesso, enfim, o jeito é ler para entender melhor.

    ResponderExcluir
  11. kkk, quando comecei a ler, já estava respondendo "queria, sim" sobre trabalhar na Netflix, aí li o resto. Realmente, nunca tinha pensado nisso. O livro parece trazer um olhar interessante sobre a dinâmica por trás da empresa, só não sei se gostaria muito de ler.

    ResponderExcluir
  12. acredito que essa regra só se aplica nessa empresa correto ?,é uma politica da empresa
    não é um livro que eu leria acho que é direcionado a um publico alvo .e u não me encontro nele
    parabens pela resenha

    ResponderExcluir
  13. Hello!!!
    De fato é a primeira resenha relacionada a um livro mais voltado pra negócios que vejo,não tenho como opinar sobre algumas coisas que não conheço,mas conheco a Netflix como consumidora e não posso deixar de afirmar que é uma grande empresa e se consolidou com muito sucesso nas terras tupiniquims, lógico que com tanta concorrência o melhor é se reinventar... Amo a Netflix mesmo assinando outros serviços não troco por nada :)

    ResponderExcluir
  14. Achei interessante por dar um contexto por trás desse negócio que mudou tanto o consumo de filmes e séries pra gente. Ver como surgiu, como funciona, as ideias e os obstáculos da industria e dos negócios. Mas é um livro muito especifico, tem que gostar da coisa ou estar muito interessado pra saber de tudo pra ter essa vontade de ler. Não me chama atenção. E achei meio estranho esse jeito de deixar lacuna no texto, curiosidade sem resposta direito, essas coisas. Hum...

    ResponderExcluir
  15. Oi, My!
    Sem dúvidas "A regra é não ter regras" é um livro bem interessante, principalmente quando falamos da Netflix, uma dos maiores serviços de streaming por assinatura atualmente.

    ResponderExcluir
  16. Oi, My
    Não leio muito livros sobre negócios, mas achei esse muito interessante. Criativo e que deu muito certo né.
    Bjs

    ResponderExcluir