As Nove Vidas de Rose Napolitano | Donna Freitas

As Nove Vidas de Rose Napolitano conta a história de Rose (obviamente). Ela é uma Doutora em Sociologia e trabalha como professora. É casada com Luke, um fotógrafo e atualmente eles estão em uma crise no casamento.

Uma coisa que sempre foi acordada entre eles é que Rose não queria ter filhos, nunca quis. Luke também não queria ter filhos. Até que ele muda de ideia, seja por sua própria cabeça ou influência dos pais. Eles começam a pressionar Rose e ela tem várias possibilidades na sua frente.

Sempre que digo às pessoas que não quero filhos, que Luke e eu não planejamos ter, olham para mim de um jeito estranho. Depois dizem algo condescendente, como que só vou descobrir meu verdadeiro propósito na vida depois de virar mãe.

E são dessas possibilidades que temos o livro. Temos 9 cenários, nos quais ela diz sim, talvez, quem sabe, não, de jeito nenhum, nunca… E pra cada um deles temos consequências dessas escolhas.

Pra alguém que não quer ter filhos, assim como a protagonista, o livro foi profundo e reflexivo. São tantos cenários, tantas ramificações de uma escolha que, de qualquer maneira, pode mudar uma vida. Eu achei a história extremamente bem escrita, Donna Freitas passeia entre as Roses, entre os anos, entre os cenários de uma forma tão fluida que eu li o livro em HORAS. No mesmo dia que chegou, eu comecei e terminei.

Eu tirei conclusões sobre a leitura que são muito pessoais, então, não dou conta de explicá-las e nem quero. Mas o livro fala sobre maternidade. Fala sobre mães que não queriam ser mães, sobre mães que queriam ser mães e não puderam ser e sobre mães que sempre quiseram ser mães e foram e claro, sobre mulheres que simplesmente não querem e precisam enfrentar vários julgamentos de uma sociedade que entende a mulher como uma "mãe à espera", sem perguntar se ela quer mesmo esse papel. 

É uma história muito intrigante, que te coloca num estado de reflexão sobre possibilidades, sobre estar bem com o que você deseja até você não estar, não porque mudou de ideia, mas porque todos acreditam que você vai mudar. O que eu levo da leitura são alguns questionamentos muito interessantes… O da escolha. O da possibilidade.

O livro é narrado em primeira pessoa e nós caminhamos com Rose e todas as suas "vidas". Uma dica pra você que for ler é de escrever em algum lugar qual é o cenário de cada "vida" porque às vezes fica meio confuso acompanhar em qual a gente tá se você não se guiar por alguma referência. Não atrapalha a leitura, anotar foi só um método que me ajudou a entender melhor as vidas de Rose.

Finalizo a resenha falando sobre Rose. Uma personagem incrível de acompanhar, muito real, você ama e você pode detestar em alguma das vidas. Mas o Luke eu só não gostei mesmo 😂. A mãe de Rose é uma personagem secundária tão incrível quanto a filha e apresenta o outro lado do principal ponto da leitura. Lembrando que existe sim um alerta de conteúdo para e sobre a maternidade.

Título Original: The Nine Lives of Rose Napolitano ✦ Autora: Donna Freitas
Páginas: 344 ✦ Tradução: Lígia Azevedo ✦ Editora: Paralela
Livro recebido em parceria com a editora

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10 Comentários

  1. O assunto já é bem intimo pras mulheres que talvez se identificam com o assunto e sendo narrado em primeira pessoa deixa a gente mais próxima da protagonista neh...
    quero muito ler o livro e espero gostar da leitura e das reflexões que a historia traz sobre o assunto de maternidade.

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  2. Que premissa.
    O mais parecido que cheguei desse plot foi Em Outra Vida, Talvez? da Taylor Jenkins Reed. Onde a protagonista vivia 2 realidades.
    Percebi pela resenha que Luke é tóxico

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  3. Ser mãe ou não ser, eis a questão! Mas é algo que causa tanta polêmica né? E desnecessária, afinal ser mãe é decisão particular e ninguém, ninguém tem nada com isso.
    Eu tenho uma filha e ouvia muito, porque não tem mais, filho criado sozinho não é bom. Dane-se no sentido literário do sentimento.
    Por isso com toda certeza do mundo, é um livro que quero demais e ver todas essas "escolhas" de Rose e suas consequências!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  4. Olá
    Hoje está sendo mais discutido sobre essa escolha da mulher querer ou não ter filho .Acho que vai da escolha de cada um
    Não adianta forçar uma coisa .onde fica a autenticidade nisso tudo ? A sociedade não pode impor nossas escolhas.
    Sou mãe , amo ser mãe. A vida pode e deve ser muito mais simples.
    Tem mulheres que não desejam ter filhos e está tudo ótimo. Vida que segue.

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  5. Olá Ana Gabriela!
    Adorei a capa do livro e, tendo eu mesma pensamentos conflitantes em relação à maternidade, me interessei muito pela trama. Realmente a sociedade nos enche de pressão para encontrar um cônjuge, casar, ter filhos e ainda ter uma carreira profissional bem sucedida - tudo antes dos 30, diga-se de passagem. É muito interessante a forma como a autora cria os cenários possíveis para uma decisão tão importante. Acredito que esse livro seja leitura obrigatória para todas as pessoas.
    Beijos

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  6. Eu acho que todo mundo que não quer ser mãe (eu 🙋‍♀️) já pensou em algumas possibilidades sobre essa questão e esse livro parece ser maravilhoso e algo que é muito fácil entende a personagem principal.

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  7. Ana!
    Acredito que seja um livro para todos, porque afinal, fomos 'educadas' para sermos mães e é um assunto que se relaciona com todas nós mulheres, mesmo que hoje em dia tenhamos a possibilidade de sermos quem quisermos ser, inclusive mãe ou não.
    cheirinhos
    Rudy

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  8. Que incrível! Nunca vi uma resenha desse livro, mas que gratificante conhecer por aqui. Eu sempre comento sobre a maternidade, mas acho que nunca parei pra pensar se a opção seria uma coisa definitiva. E parece ser muito interessante acompanhar todas as consequências de uma simples resposta.

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  9. Tenho o mesmo pensamento de Rose então certamente gostaria de ler esse livro.
    A pressão que a sociedade exerce sobre as mulheres sobre essa questão é imensa.

    Danielle Medeiros de Souza
    danibsb030501@yahoo.com.br

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  10. Olá! Gostei que o livro é bastante reflexivo, esse ainda é um tema tabu, pois ainda é muito forte esse direito de opinar na decisão da mulher de querer ou não ser mãe que a sociedade têm, (infelizmente), com certeza vai para a lista de desejados.

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