Guayrá | Jorge Marques Dias


O Guayrá é uma antiga região que pertenceu ao Império Espanhol. Em meados de 1630, as terras foram atacadas pelos bandeirantes, mas ainda que não fosse mais dominado pelos espanhóis, o Guayrá só foi reconhecido como território português em 1750. A partir de 1870, o local começou a ser ocupado por brasileiros e, em 1853, a província tornou-se o conhecemos hoje como o estado do Paraná.

Na trama criada por Jorge Marques Dias, que se passa no final do século 20, o Guayrá ainda existe e tornou-se uma pequena nação. Nuno, personagem que dá voz à história, apesar de viver em Portugal com sua família há muitos anos, nasceu no Guayrá e tinha um enorme desejo de retornar à sua terra natal. E eis que essa oportunidade chega como uma dádiva, em um momento em que ele precisava passar um tempo longe para decidir qual rumo tomar em sua vida pacata e deveras desinteressante. 

No primeiro quarto do livro acompanhamos a viagem conturbada do protagonista até chegar me seu destino final na América do Sul. Durante o percurso, Nuno se envolve com várias pessoas, e a sensação que eu tive no começo é que seriam personagens passageiros, do tipo que aparecem unicamente para preencher lacunas, sabem? É só à medida que o enredo se desenvolve que esses personagens vão mostrando sua importância para a história. 

Apesar da primeira metade da história ser bem lenta — afinal, leva bastante tempo até Nuno se acostumar com sua nova vida, uma vez que a curta visita se estende por um tempo indeterminado —, a escrita de Jorge Marques Dias é sensacional e muito convidativa. Interessante que eu senti a mesmíssima coisa enquanto lia O Senhor dos Anéis, que também é extremamente descritivo: parece que as coisas não andam, que nada vai acontecer, mas a verdade é que a trama é construída a partir dos detalhes. Cada pequena informação leva a um destino, e, para mim, esse é o propósito de Guayrá: nos atentarmos aos detalhes do cotidiano.

Não vou mentir para vocês. Guayrá é um livro bastante longo, com mais de 650 páginas, então pode ser um pouquinho difícil engatar na leitura. Sabe quando a gente pega um livro que é muito grande, passa um bom tempo lendo e constata que ainda faltam muitas páginas para descobrir o que vai acontecer com o protagonista? Dá uma ansiedade, né? Mas apesar disso, é justamente os pequenos mistérios que Jorge Marques Dias insere na trama que fazem com que queiramos seguir em frente: tudo o que a gente quer é saber onde história de Nuno vai parar.

Outra coisa que não posso deixar de falar é sobre a edição em si, que ficou muito bem feita. A fonte é de um tamanho super confortável — o que também ajuda a dar um gás na leitura — e eu fiquei simplesmente apaixonada pela capa, que é de um bom gosto incrível. Parece muito as capas dos clássicos publicados pela Penguin Companhia, que eu adoro. 

Recomendo Guayrá para pessoas que não se assustam fácil com livros muito grandes  — confesso que eu tenho um pouquinho, apesar de sempre gostar da experiência no final — e, é claro, para os apaixonados por tramas com contexto histórico real. O e-book está disponível para compra na loja Kindle, cliquem aqui para acessá-lo. Existe um outro livro de mesmo nome, portanto, caso forem comprar, atentem-se para o autor, certo?

Título Original: Guayrá ✦ Autor: Jorge Marques Dias
Páginas: 673 ✦ Editora: Chiado
Esse post foi patrocinado pelo autor, mas segue as diretrizes de autenticidade do Roendo Livros, que sempre divulga opiniões sinceras acerca de toda e qualquer obra

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10 Comentários

  1. Olá Ana Clara!
    Eu sou fascinada por romances históricos, mas apesar disso nunca li nenhum que se passa no Brasil. adorei saber da existência do Guayra, a qual desconhecia totalmente. Não gosto muito de tramas excessivamente descritivas, tenho dificuldade de me concentrar na história, mas quando os personagens são cativantes fica mais fácil. Obrigada por avisar sobre o livro homônimo, a gente pode se confundir mesmo.
    Beijos

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  2. Eu sou do time que se assusta com calhamaço.
    Mas Guayrá é um calhamaço que vale a pena, mesmo que as vezes não seja tão fluido como esperamos

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  3. Eu sou do tipo que adora contextos reais, livros históricos, livros que nos trazem informações e que nos fazem ter mais um pouquinho de conhecimento. Mesmo sendo enorme, acho que vale a pena sim!

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  4. Ana!
    Amo livros minuciosos, simplesmente pelo fato de saber que tudo está nos detalhes e temos de prestar muita atenção, mesmo que pareça monótono no início, quando o negócio pega, não queremos mais largar.
    cheirinhos
    Rudy

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  5. Eu só me assusto com calhamaços quando a fonte é pequena demais. Tipo Game Of Thrones que sonho em ler, mas a fonte não permite.
    Por isso, só de saber que a fonte desse livro é confortável, já dei uma animada total, afinal, é como viajar ao passado em uma verdadeira aula de história e isso aliado a um mistério, deve dar um gostinho todo especial.
    Como não conhecia o livro, já vai agora para aquela listinha interminável de desejados rs
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  6. Eu adoro livro com contextos históricos, é um ótimo meio de aprender e fica mais engajada como a história, porém confesso tem uns que pela quantidade de página me assustar. Eu achei esse interessante, gosto de personagens que envolvem com vários outros personagens criam laços.

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  7. A historia a gente vai acompanhando o protagonista, e quem ele vai encontrando ate achegar no destino que parece ser o misterio?! E essas relaçoes durante esse caminho parece ter um impacto pra frente. Geralmente gosto disso nos livros.
    Livro diferente, mas interessante.

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  8. Olá Ana
    Eu não conhecia esse livro mas gostei de saber mais um pouco sobre a história do estado do Paraná. Não lerei no momento mas quem sabe futuramente pois gosto desse gênero.

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  9. Não me assusto com calhamaços, mas esse a princípio não me pegou. Mas pode ser uma boa pedida para mudar de gênero um pouquinho.

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  10. Olá! Achei bem interessante o plot do livro, essa mistura do que aconteceu com o famoso “E se” é muito intrigante, pois nos deixa curiosa, e reflexiva em relação a como seriam as coisas se aquilo tivesse acontecido de forma diferente, o número de páginas realmente assusta um pouco, mas acredito que para esse tipo de enredo é essencial.

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