12 de setembro de 2019

Resenha: Os Gigantes da Montanha

Uma companhia teatral decadente chega a uma vila mágica povoada por fantasmas e governada pelo Mago Cotrone. Sua história convida os leitores para uma reflexão fundamental: qual o lugar da arte num mundo cada vez mais pragmático e dominado por “gigantes” insensíveis à poesia e ao poder da imaginação?
Com idealização e roteirização de Inês Peixoto para o universo das HQs, criado a partir da montagem do Grupo Galpão (dirigida por Gabriel Villela), Os gigantes da montanha ganha vida pelo olhar encantado dos artistas Carlos Avelino e Bruno Costa, trazendo para a linguagem dos quadrinhos a magia dessa obra inacabada do dramaturgo italiano Luigi Pirandello.

Título Original: I Giganti Della Montagna
Autor: Luigi Pirandello
Páginas: 104
Tradução: Beti Rabetti
Editora: Nemo
Livro recebido em parceria com a editora
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Os Gigantes da Montanha é uma fábula escrita por Luigi Pirandello na década de 30 e é um marco da dramaturgia do século XX. A peça é encenada pelo Grupo Galpão — que é mineiríssimo, graças a Deus sob direção de Gabriel Villela desde 2013 e foi trazida para o mundo dos quadrinhos agora em 2019, pelas mãos dos artistas Carlos Avelino e Bruno Costa, com idealização de Inês Peixoto, que também faz parte do Grupo Galpão. 

A história narra a chegada de uma companhia de teatro, que está arruinada economicamente, a uma vila onde a magia reina. O lugarzinho misterioso, isolado do resto do mundo, é comandando por um mago, Cotrone, que convence os atores a permanecerem na vila representando apenas para si mesmos. Porém, a Condessa Ilse, esposa do dono do grupo teatral, está tão obcecada por uma montagem chamada A Fábula do Filho Trocado que exige apresentá-la mundo afora. A solução encontrada pelo mago foi "convidar" seus companheiros gigantes da montanha, um povo que não só não valoriza a arte, como a odeia.

Apesar de ser extremamente famosa, a obra de Pirandello não foi finalizada devido a morte do seu autor. A cena final, onde a companhia apresentaria A Fábula do Filho Trocado para os gigantes não foi escrita: o fim foi apenas contado para o seu filho na véspera de sua morte. Sendo assim, o seu final aberto nos permite duas interpretações: a apresentação, de fato, onde os gigantes se curvariam ao grupo, ou uma enorme tragédia, resultado da fúria dos mesmos gigantes.

Os Gigantes da Montanha veio ao mundo com a intenção de firmar uma crítica sobre a desvalorização do teatro nos tempos de hoje, onde tudo é extremamente realista e objetivista. Tendo em vista os diálogos, os textos e ideia proposta pelo autor, que são bem intrincados, não sei consegui chegar, de fato, à essa moral da história. Acredito que o final, escrito de verdade, seria imprescindível para o total entendimento da obra.

Nunca tive a oportunidade de assistir à peça, mas pelas fotos, tenho certeza que Carlos Avelino conseguiu colocar no papel a essência da história, mostrando com riqueza de detalhes as maquiagens e os figurinos. Os diálogos foram condensados por Inês Peixoto, que interpreta a Condessa Ilse na versão teatral.

9 comentários:

  1. Um livro interessante e gostei disso de falar de teatro nele. Dar uma moral pra uma arte que começou tantas outras é bonito. Mas achei muito doido não ter um final. Mesmo pelas circunstancias, não deu pra fazer, mas é uma coisa que pode acabar prejudicando aquela graça do livro mesmo. Chama atenção e amo essas histórias com magia, clima de contos de fada e etc. Mas ficar só imaginando o verdadeiro fim da história acaba sendo meio triste.

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  2. Olha que genial! Ainda não sabia nem da existência da peça e nem deste livro trazendo isso dos quadrinhos e claro, do teatro. Triste né isso de poucas pessoas terem acesso ainda a este tipo de arte, principalmente aqui pros lados do interior.
    Falta de interesse, falta de incentivo, falta de vontade. Acho que junta tudo.
    Por isso, obras assim e peças também tem que continuar sendo levadas a todos nós e claro, incentivadas!!
    Com certeza se tiver oportunidade, quero muito conferir.
    Beijo e viva a magia!

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  3. Eu conheço - de nome - o grupo Galpão, mas me envergonho em dizer que não conheço essa peça.
    Tenho um amor imenso pelo teatro, então será muito bacana fazer essa leitura.
    Amei a resenha!

    Beijos

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  4. Olá! ♡ Nossa, eu não conhecia essa fábula, nem o autor e o Grupo Galpão, confesso que ultimamente estou bem desinformada sobre o mundo do teatro, apesar de adorar essa arte.
    Achei bem interessante a premissa da história, é uma pena que o autor não conseguiu finalizar a obra.
    Gostei muito da crítica da obra, sobre a desvalorização do teatro, um tema realmente muito relevante levando em consideração os tempos em que vivemos.
    Obrigadas pela indicação! Beijos! ♡

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  5. Gigantes da Montanha é uma obra atemporal. Com críticas a sociedade, quem a governa, a desvalorização do teatro e consequentemente quem vive dele. Cabia lá na década de 30 e continua bem atual. Tudo isso permeado pelo bom humor

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  6. Ana!
    A escrita de um livro sobre críticas sobre como anda o teatro, principalmente aqui no Brasil, deve ser interessante mesmo que o final não tenha sido escrito, poderiam pelo menos ter colocado um adendo sobre o final que ele repassou para o filho.
    cheirinhos
    Rudy

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  7. Oiii ❤ Essa parece uma ótima leitura, gostei da trama ser sobre um grupo de teatro com problemas financeiros e tudo mais.
    É uma pena que o final não tenha sido concluído e, por isso, não dê para saber se os gigantes fizeram parte da peça ou o que. Isso me deixou bem curiosa.
    Me chamou a atenção a crítica contida na obra, de que o teatro vem sendo desvalorizado, o que realmente é uma pena, já que essa arte é muito importante e precisa ser conservada.
    Beijos ❤

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  8. Achei a premissa bem original, que traz a questão da desvalorização da arte teatral. Me fez lembrar a Literatura de Cordel. Tão rica e tão pouco apreciada.
    É uma pena que seja uma obra inacabada, mas acontece, né?

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  9. Olá!
    Adoro um teatro, ele nos traz uma historia de uma maneira maravilhosa. Já fui em um teatro que tratou da historia de A bela e a Fera, eu amei. Esse livro é interessante, me deixou bastante curiosa por ela. Afinal a capa e linda!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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