Sempre em Frente & O Filho Rebelde | Rainbow Rowell


Quem leu minha resenha de Fangirl sabe bem o quanto eu de-tes-tei Simon Snow. Como eram várias passagens soltas, trechos bem aleatórios, acabou ficando muito confuso e cansativo. Nem dei bola quando a Seguinte anunciou o lançamento de Sempre em Frente & O Filho Rebelde, mas quando os livros entraram em pré-venda comecei a ficar curiosa... Afinal, a escrita da Rainbow Rowell é muito boa e a vontade de saber como ela desenvolveu a história falou mais alto. Então é isso, paguei minha língua de forma belíssima, porque eu adorei. rs

Antigamente, a primeira coisa que me incomodou muito na trama de Rowell foi a semelhança com Harry Potter, uma das séries que me acompanhou durante a infância. Para quem não conhece a trama, é basicamente a seguinte: Simon Snow é um feiticeiro, o escolhido, aquele que que garantirá a paz no Mundo dos Magos quando finalmente conseguir derrotar o Oco. Escolhido... Paz no mundo da magia... Um bruxão maligno que não vê a hora de acabar com tudo... Tudo isso com uma escola de bruxaria como pano de fundo... É muito parecido mesmo, né?

Só que a autora conseguiu inovar, minha gente. Primeiro porque a personalidade dos personagens é bastante diferente, o que, obviamente, só reflete a personalidade da Rainbow Rowell. Enquanto J. K. Rowling não cansa de fazer discursos preconceituosos, Rainbow dá um show de representatividade, principalmente ao dar vida a um romance LGBT+ de acelerar o coração. Além disso, temos Penélope, a melhor amiga de Simon, que é simplesmente perfeita.

Gente, Baz e Simon são TU-DO nessa vida, meu Deus do céu. E assim, é muito legal porque Rowell desenvolve o clichê enemies to lovers — que eu particularmente adoro — de forma bastante cativante. A gente começa Sempre em Frente achando que o arqui-inimigo do Simon é o Oco, mas Simon jura por Crowley que é Baz, o Oco é só um detalhe, rs. Mas desde o início a gente sabe que essa repulsa é paixão SIM, e nossa, acredito que o romance move a história. 

A única coisa que me incomodou um pouco é que Sempre em Frente não tem um começo propriamente dito. Quando a trilogia começa, os personagens já estão no último ano do colégio e nada do que aconteceu antes fica claro. Há algumas menções às aventuras anteriores, mas nada exatamente desenvolvido e eu senti bastante falta disso. O plot twist também não foi dos mais surpreendentes, mas ainda assim é satisfatório e deixa um gancho bacana para O Filho Rebelde.

Inclusive, a partir daqui falarei exclusivamente do segundo volume da trilogia, então terei que falar o desfecho de Sempre em Frente. Se vocês ainda não leram e têm interesse, saltem o restante desse parágrafo e o próximo. O primeiro volume termina obviamente com Simon derrotando as forças do mal, mas pagou um preço caro por isso, já que perdeu toda a sua magia. Se não tivesse adquirido asas e um rabo de dragão durante o processo, seria apenas um humano normal. 

A trama de Sempre em Frente se passa pouco tempo depois dos acontecimentos finais do primeiro livro da trilogia. Baz, Penélope e Simon fazem faculdade junto com os normais e dividem um apartamento. O problema é que depois que o Oco foi derrotado, Simon ficou muito deprimido e Penny não aguenta ver o melhor amigo tão triste. Assim, ela decide que eles, os três, vão visitar uma antiga amiga nos Estados Unidos — mas na verdade o que querem mesmo é um novo começo.

Nesse livro, os três personagens principais estão totalmente perdidos, diferentemente da autora, que parece ter finalmente encontrado um rumo para a história de Simon Snow.  Aqui eu senti verdadeiramente que Rainbow Rowell conseguiu abandonar suas inspirações para criar o próprio Universo, sabe? E o mais engraçado é que eu achei o início muito morno, típico de segundos volumes, que parece estar ali só para tapar um buraco. Só que de uma hora pra outra a trama dá uma guinada, apresenta novas aventuras e novos perigos, mostrando que ainda tem muita coisa para acontecer com Snow & companhia. Também surge um personagem novo com muito potencial e não vejo a hora de saber como ele será inserido no próximo livro. 

Mesmo com tantos ponto positivos, O Filho Rebelde possui um defeito muito grande, que é a imaturidade de Simon para lidar com seu relacionamento com Baz. Ele não tem motivo algum para afastar o menino e mesmo assim insiste em fazê-lo, na moral mesmo, é só drama. E tipo, eles já não são mais adolescentes para ficarem agindo como tal, então não tenho um pingo de paciência com esse chove-não-molha. Antigamente essa fórmula funcionava bastante, mas hoje em dia já não tenho tanta certeza...
 
Voltando para as coisas que têm para acontecer na trama e plots para desenvolver, que final foi esse, pelo amor de Deus? Com certeza deixa aquele comichão para Any Way the Wind Blows, que já está em pré-venda na gringa e será lançado no início de julho — se eu não estiver muito enganada, é o terceiro e último volume. Só me resta implorar para Editora Seguinte fazer um lançamento simultâneo né? Não dá bicho, já não aguento mais esperar. 

P.s.: Você também a-m-a-m os títulos desses livros?

Títulos Originais: Carry On & Wayward Son ✦ Autora: Rainbow Rowell
Páginas: 504 + 344 ✦ Tradução: Lígia Azevedo Editora: Seguinte
Livros recebidos em parceria com a editora

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11 Comentários

  1. Cath me irritou um pouco com essa obsessão por Simon em Fangirl por isso nem dei bola para os livros só dele maasss vendo algumas resenhas e hoje lendo a sua, Ana, a vontade tá começando a desabrochar.
    E como não tenho base de comparação, afinal nunca li HP, não me bloqueia Ana please) não irei ficar comparando

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  2. Oi, Ana
    Apenas li Eleanor e Park, e quero muito ler os outros livros da autora.
    Magia e outros detalhes relacionados com a mesma eu gosto muito, mas mesmo tendo semelhanças com Harry Potter fico feliz que a autora seguiu um caminho diferente.
    Creio que esse universo prende muito o leitor, e mesmo sem ler compartilho da sua ansiedade para o próximo livro.
    Beijos

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  3. ola
    confesso que não sou de ler de ler esse tipo de livro que é fantasia jovem adolescente . Lendo a sua resenha parece mesmo muito os livros de Harry Potter ,mas ainda bem que a autora deu um novo rumo para os personagens .Tenho certeza de deve ter agradado aos fãs da serie.

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  4. Oi Ana! Estou vendo muita gente falando desses livros e elogiando a escrita. Eu amo fantasia, mas quando a história fica padronizada eu desanimo. Fiquei interessada por ver que você menciona que algumas coisas surpreende na trama. Fiquei curiosa.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  5. Como ainda não li nenhum dos livros, fico aqui me roendo para fazer isso o quanto antes!
    Tá, mesmo que essa imaturidade no segundo livro tenha irritado um pouco, gostei da parte das reviravoltas(eu adoro isso)
    E sim, os títulos e capas dessas novas edições estão um escândalo de lindas!
    Quero muito ler e sim, são três livros, pelo que li rs
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  6. Acho as capas dos livros da Rainbow sempre tão lindas e adoro que ela sempre traz diversidade para as obras dela (realmente, nesse quesito, a J. K. é só decepção, nem acompanho mais). Bem, ao menos é o que eu consigo perceber ao ler as resenhas. Antes já quis muitooo ler os livros da autora, principalmente Eleanor e Park, mas nenhum estava me chamando a atenção mais, até ler essa resenha, pois não sabia que se tratava disso e que lembrava um Harry Potter atual.
    Beijos

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  7. Olá! Realmente essas capas estão lindas, como ainda não li Fangirl, então sei muito pouco sobre os personagens, confesso que essa semelhança com HP me deixou animada, ainda mais com toda essa representatividade, mesmo com essas ressalvas acredito que vai ser uma leitura para lá de boa hein.

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  8. Ana!
    Os títulos são bem diferentes e tomara que a editora traga o terceiro volume.
    Gosto da diversidade que a autora trouxe e mesmo tendo semelhança no enredo com o Harry, achei fantástico ver que a autora aproveitou a ambientação, entretanto, criou seus próprios personagens e bem diferentes dos que a 'inspiraram'.
    cheirinhos
    Rudy

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  9. Menina, vou te falar que o que mais gostei naquele outro livro foi essa ideia da fanfic nele. Ta bom que não sou fã daquela história que ela imita, mas o fato de ter um lado lgbt pra explorar me chamou atenção. Deu vontade de saber o que iria rolar. Um livro só deles é bem legal e quero ler. Só acho meio doido já começar como se tivessem outros livros, a gente deve ficar bem perdido. Mas parece uma trama que envolve. Mesmo com os defeitos nos livros, aquelas coisas de personagem imaturo e etc, tem uns panos de fundo legal e dá vontade de saber como ela fez essa história, o que desenvolveu aí. Lembro de ficar bem apegada quando li aquele outro livro, foi fácil gostar dos trechinhos e ter o livro pra ver tudo na integra deve ser bem gostoso! Tomara que lancem esse ultimo logo.

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  10. Olá Ana Clara!
    Eu li o primeiro livro na edição da editora Novo Século e gostei bastante. Realmente a semelhança com HP é muita, mas gostei da autora ter inserido novos elementos sobrenaturais como os vampiros e a história é muito engraçada. Compartilho da sua impaciência com essa insistência do Simon em arrumar empecilho pra não ficar com o Baz, não suporto isso num livro. Estou ansiosa para ler o segundo volume e fico na torcida para um lançamento simultâneo do terceiro também.
    Beijos

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  11. Eu também, durante a leitura de fangirl que AMO, não gostava da fanfic do simon kkkk, aí fiquei meio na duvida se lia ou não essa trilogia. Mas me deixou interessada por incrivel que pareça em relação aos personagens principalmente da personagem feminina da historia, entao talvez eu de uma chance.

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