10 de setembro de 2018

Quem Tem Medo do Feminismo Negro?: Cinco Motivos Para Ler


Djamila Ribeiro é uma militante conhecida no país pelo seu ativismo na internet. É graduada em Filosofia e mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo, com ênfase em Teoria Feminista. Escreveu por muitos anos no blog da CartaCapital e, atualmente, é colunista da revista Elle. Mas muito mais do que isso, Djamila é uma mulher linda, feminista, inteligente e forte, que inspira muitas outras mulheres através da sua luta contra o racismo. 

O seu livro mais recente é Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, que reúne uma série de artigos publicados no blog da CartaCapital entre 2014 e 2017, além de um ensaio autobiográfico inédito que introduz a obra. Se você ainda tem dúvidas, eis aqui cinco motivos que com certeza te farão ler esse livro. 

Djamila sabe muito bem do que está falando

É óbvio que a gente não precisa ser mestre em Filosofia Política com ênfase em Teoria Feminista para ser feminista e lutar por aquilo que acreditamos, mas uma formação dá a pessoa propriedade para falar sobre o assunto. Através dos seus textos, ela mostra que, apesar de termos um gênero que nos une, o racismo institucional nos separa. Por exemplo, uma mulher branca ganha 30% menos do que homens brancos numa mesma função, enquanto mulheres negras ganham até 70% menos. Em "Falar em racismo reverso é como acreditar em unicórnios", Djamila afirma:

Ser chamado de palmito não impede que a pessoa desfrute de um lugar privilegiado na sociedade, não causa sofrimento social.
O mesmo raciocínio se aplica às loiras que são vítimas de piadas de mau gosto ao serem associadas à burrice. É óbvio que se trata de preconceito dizer que loiras são burras, e isso deve ser combatido. Mas não existe uma ideologia de ódio em relação às mulheres loiras: elas não deixam de ser a maioria das apresentadoras de TV, das estrelas de cinema, das capas de revista. Não são barradas em estabelecimentos por serem brancas e loiras. Sofrem com a opressão machista, sim, mas não são discriminadas por serem brancas, porque o grupo racial a que fazem parte é o grupo que está no poder.
 — pág. 42-43.

É uma oportunidade para conhecer um pouco do feminismo negro

Se você digitar a palavra "feminismo" no Google, vai achar um monte de coisa legal — e esporadicamente um monte de coisas ruins publicadas por pessoas que não conhecem o movimento — sobre o assunto, mas quase nada é sobre o feminismo negro. A verdade é que a realidade da mulher negra é completamente diferente da minha, mulher branca: além da opressão que é resultado de uma sociedade machista e patriarcal, elas ainda têm que lutar contra o racismo que as persegue. E convenhamos, o feminismo não é para todas? 

É uma bela forma de desenvolver empatia

Veja bem, se eu sou uma mulher branca, eu não vivo a realidade das mulheres negras, que, por exemplo, têm muito menos oportunidades que eu, que são as maiores vítimas de feminicídio no país, que são a maioria das empregadas domésticas no Brasil... Mas para desenvolver empatia, sororidade, eu preciso no mínimo conhecer essa realidade, e nada melhor do que ler sobre, principalmente através de uma pessoa que tem tanto para nos dizer.

A escrita da Djamila não possui firulas

Muitas vezes a gente até quer estudar um assunto, se aprofundar nele, mas quase sempre só achamos aqueles artigos científicos em que a gente não entende duas frases seguidas. Em Quem Tem Medo do Feminismo Negro? não existe esse "problema". Djamila é sempre muito clara no que diz e usa uma linguagem acessível. É aquele coisa, só não entende quem não quer entender.

O livro é cheio de referências sobre outras mulheres feministas fodas

Para quem achar que o livro da Djamila foi só uma porta de entrada para o assunto, não se preocupe. No decorrer dos textos, ela cita várias mulheres dignas de reconhecimento, como as estrangeiras bell hooks, Patricia Hill Collins, Chimamanda Ngozi Adichie (Sejamos Todos Feministas, Americanah, No Seu Pescoço), Alice Walker (A Cor Púrpura) e Grada Kilomba, e as brasileiras Sueli Carneiro, Núbia Moreira e Jurema Werneck, além de várias outras. A própria Djamila deixa no final do livro duas páginas cheias de leituras e links sugeridos. 

Título Original: Quem Tem Medo do Feminismo Negro?
Autora: Djamila Ribeiro
Páginas: 152
Editora: Companhia das Letras
Livro recebido em parceria com a editora

Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Foi apenas no final da adolescência, ao trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, que Djamila entrou em contato com autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes e não mais querer se manter invisível. Desde então, o diálogo com autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo é uma constante.
Muitos textos reagem a situações do cotidiano — o aumento da intolerância às religiões de matriz africana; os ataques a celebridades como Maju ou Serena Williams – a partir das quais Djamila destrincha conceitos como empoderamento feminino ou interseccionalidade. Ela também aborda temas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil, além de discutir a obra de autoras de referência para o feminismo, como Simone de Beauvoir.

10 comentários:

  1. Djamila é uma figura importante para o feminismo e feminismo negro.
    Seus artigos são fortes e reais.
    Quem tem medo do feminismo negro deveria ser leitura obrigatória para homens e mulheres

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  2. Oi, Ana,

    É notável o quão aplicada em conhecimento a autora é. O ato da mesma repassar seus ideais, mostra-se importante e idealizador.

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  3. Vi esse livro recentemente e achei o título muito interessante.
    E esses 5 motivos conseguiram me chamar atenção; sabemos da importância do feminismo para todas nós, mulheres, mas acabamos não entrando na realidade de muitas outras.
    É uma maneira incrível e enriquecedora de conhecer essa realidade e com certeza ter essa empatia.
    Gostei!

    Beijos

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  4. Djamila com certeza é um dos nomes mais fortes na luta pelas mulheres dos últimos tempos. O mais irônico é que o trabalho dela em relação a isso é tão grande, tipo de tanto tempo, mas só agora que tem ganhado cada vez mais voz e isso é fabuloso.
    Há muita coisa a fazer? Sim, muita!
    Mas com certeza, a autora, a mulher oferecem para todos nós, lições importantes, principalmente sobre amor e respeito!!!
    Com certeza se tiver oportunidade, quero conferir.
    Beijo

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  5. Esse livro com certeza merece todo o sucesso e mais ainda, merece ser lido por todas. Já estava de olho nele e agora, depois de ler sobre sua opinião a respeito do livro é que fiquei com mais vontade ainda de ler.
    Beijos
    https://recolhendopalavras.blogspot.com/

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  6. Isso é uma coisa interessante sobre o assunto porque muitas vezes ja vi coisas assim falando mais da mulher em geral. Ter um lado mostrando as garotas negras e toda aquela coisa das oportunidades perdidas e ideias erradas é algo pra se abrir os olhos. Interssante o tema do livro e achei legal ela citar outras figuras que falam sobre feminismo também porque é sempre bom a gente ter mais opcoes do assunto. Queria ler alguns da Chimamanda por exemplo, ela tem muita história forte e livro bom. Pra quem já gosta do assunto é uma dica bem legal de leitura. Leria fácil também. Parece ótimo.

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  7. Olá Ana!
    Esse livro deve ser maravilhoso!
    Não entendo mto do assunto mais me interesso sempre qdo leio algo sobre, claro que vou qrer ler assim que conseguir uma oportunidade.
    Bjs!

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  8. Importante a leitura desse livro, sempre tem coisas sobre o assunto que nem imaginávamos, assim ficamos mais informados e conhecendo sobre essa luta que cada vez mais precisa ganhar espaço e respeito. É muito bom mais livros com o tema para também as novas gerações fazerem parte do movimento.

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  9. Muito interessante esse livro, para saber mais sobre esse movimento, é importante que cresça cada vez mais e atinja muitas pessoas, tem muitas referencias a mulheres que nem tinha ouvido falar, mas que fazem muito por nós mulheres.

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  10. Oi Ana,
    Confesso que não conheço a Djamila Ribeiro, mas pelas suas referências é uma autora que tem muito a nos mostrar e de forma correta e importante. Não posso dizer que sei tudo sobre o feminismo, mas tento sempre me manter por dentro de tudo que o envolve e o Feminismo Negro é justamente a parte que mais sinto falta de abordagem no movimento. O meu maior receio com o feminismo está nas diversas pessoas que passam a ideia errada adiante, fazendo com que o esforço de pessoas como Djamila perca a força e relevância. Acho que o mais me atraiu dos fatos apresentados é a escrita da autora, pois quero conhecer o assunto através de fontes que falem comigo e não que me encham de artigos ou expressões que não são minha realidade.

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