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30 de setembro de 2022

Heartstopper, volume 4: De Mãos Dadas | Alice Oseman

Heartstopper, a série de livros que acompanha Nick, Charlie e seus amigos, chegou para ficar. Vocês sabem que eu sou obcecada por essa história e pelo que ela representa para nós da comunidade LGBTQIAP+: ponto alto da trama está em um relacionamento leve, tranquilo, sem nenhum drama super pesado que existe apenas para fazer os personagens sofrerem. Em resumo, Heartstopper mostra que o amor não precisa e nem deve ser complicado!

No quarto volume, intitulado Heartstopper: De Mãos Dadas, acompanhamos o avanço do namoro dos nossos protagonistas preferidos, rs. Durante a excursão para Paris, Nick finalmente se sentiu pronto para contar para as pessoas que está em um relacionamento amoroso com Charlie, a coisinha mais fofa do mundo. Porém, como nem tudo são flores, também foi durante essa viagem que Nick confirmou que Charlie tem um transtorno alimentar. Esse volume, então, tem um tom um pouco mais sério, porque o foco principal é o diagnóstico de anorexia do Charlie e os vários transtornos que vêm junto, como ansiedade e automutilação. 

Minha opinião sobre os volumes anteriores:
Heartstopper: Dois Garotos, Um Encontro & Heartstopper: Minha Pessoa Favorita
✦ Heartstopper: Um Passo Adiante

O que eu mais amo na Alice Oseman é que, por mais tenso que o assunto seja, ela consegue trazê-lo de forma leve. Então, por mais que existam gatilhos nesse livro e partes bem difíceis, nada é ofensivo e autora tenta — e consegue — apresentar as situações de forma muito singela. Tendo isso em vista, acredito que Oseman foi muito responsável, principalmente porque ela faz questão de deixar claro que por mais que o amor seja importante, às vezes precisamos de ajuda profissional. No fim das contas, não há amor que cure transtornos mentais...

O Nick é a coisa mais fofa do mundo, vocês já sabem disso... Mas ele se mostra um perfeito cavalheiro nesse quarto volume, porque ele está muito preocupado com Charlie. Busca saber mais sobre o transtorno, passa a observar mais o namorado e demonstra um apoio muito grande. Essa parte foi bem bonita de acompanhar, ainda mais levando em consideração que Charlie não tem um diálogo muito bom com seus pais. Isso é até contraditório, porque ele recebe um suporte enorme dos pais desde que foi tirado do armário, mas ainda existe essa distância entre eles. Charlie simplesmente não consegue pedir ajuda, sabem? E, bom, realmente não é fácil pedir ajuda.

No meio disso tudo, também acompanhamos os dilemas dos outros personagens. O próprio Nick está enfrentando problemas em casa que dizem respeito ao seu irmão homofóbico e seu pai ausente; Darcy, apesar de ter um astral maravilhoso, não pode nem contar para a família sobre sua sexualidade; e Tao e Elle também têm uns momentos de fragilidade. 

Apesar dos momentos difíceis, Heartstopper: De Mãos Dadas mostra que sempre há uma luz no fim do túnel. Deixa claro que o processo de cura é lento, mas é possível, principalmente quando temos o apoio das pessoas que amamos. O final foi feito para deixar a gente querendo mais, e eu não vejo a hora de poder ler mais sobre meus personagens preferidos. 

Título Original: Heartstopper Volume 4 ✦ Autora: Alice Oseman
Páginas: 384 ✦ Tradução: Guilherme Miranda ✦ Editora: Seguinte
Livros recebidos em parceria com a editora

28 de setembro de 2022

Cinco Motivos Para Adquirir um Kindle


Todos os amantes da literatura pensam em comprar um Kindle em algum momento. Comigo foi assim, mas demorei para ter coragem de fazer esse investimento, uma vez que tinha muito medo de gastar uma pequena fortuna com um aparelho que poderia acabar encostado no meio das minhas coisas. Porém, posso dizer que ter um Kindle mudou minha vida como leitora. Por isso, a convite do Guia Esperto, resolvi listar para vocês cinco motivos para adquirir esse leitor digital. Tenho certeza que esse post vai ajudar quem ainda está com pé atrás!

01. Capacidade de armazenamento

Eu sei que ter uma estante enorme toda preenchida com livros é o maior desejo de qualquer leitor, né? Eu mesma tenho uma aqui em casa e não vai demorar muito para que eu tenha que arranjar outra, que Deus me ajude. Mas não há como negar que uma das maiores vantagens do Kindle é a praticidade para armazenar as obras: independentemente da escolha do modelo, ele tem a capacidade de manter centenas de livros, o que é maravilhoso quando a gente tem que viajar — a melhor coisa do mundo é saber que vamos ter várias opções sem precisar carregar peso por aí —, não tem muito espaço para guardar livros físicos em casa ou simplesmente quer diminuir o consumo de papel impresso.

02. Aumento do ritmo de leitura

Quem tem Kindle pode confirmar a veracidade dessa afirmação: a gente lê muito, mas muito mais rápido em e-book do que em livros físicos. É muito fácil levar o Kindle na bolsa porque ele é muito levinho e quase não ocupa espaço, o que dá oportunidade pra lermos em qualquer lugar: no ônibus, no intervalo entre uma aula e outra na faculdade, na hora do almoço no serviço, quando temos que esperar atendimento, em filas... Enfim, qualquer lugar mesmo, o céu é o limite. Ah, e a bateria dura horrores, a gente até esquece a última vez que foi preciso carregar, viu?

03. A tela do Kindle é própria para leitura

A gente pode até ler em outros dispositivos, eu inclusive fiz isso por muito tempo antes de ter um Kindle, mas a diferença entre as telas é muito gritante. Parece que a gente tá lendo, literalmente, numa folha de papel. Eu realmente achei que não faria tanta diferença quando comparado com o celular ou computador, mas faz demais. Além disso, os novos modelos contam com iluminação embutida ajustável, o que permite que a gente leia até mesmo em lugares mais escurinhos de forma muito confortável. Esse ponto é a coisa mais genial do mundo, porque me permite ler até na minha caminha maravilhosa com a luz apagada — esse "detalhe", aliás, foi o que mais corroborou para o aumento no meu ritmo de leitura!

04. Opções de leitura praticamente infinitas

A Amazon por si só possui um catálogo imenso de e-books cujos preços são, geralmente, bem mais em conta se comparados com as versões físicas. Mas obviamente os benefícios não param por aí: vocês provavelmente já conhecem o Kindle Unlimited, o programa de assinatura da Amazon que oferece mais de um milhão de livros pelo valor de R$19,90 por mês, mas eu não me canso de indicá-lo e exaltá-lo. Gente, pelo amor de Deus, por menos de R$240 por ano a gente pode ler vários livros que não seriam comprados por esse mesmíssimo valor, é bom demais!

05. Marcações, notas e dicionário

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer nos meus livros físicos é marcar trechos impactantes e deixar anotações sobre o que eu li, me ajuda demais a fixar a leitura. No Kindle não é muito diferente! Existem essas opções no aparelho que tornam a leitura mais prática e eficaz. Estão lendo um livro e dão de cara com uma palavra que vocês não têm noção do que significa? É só clicarem em cima dela para terem acesso ao dicionário. Leram um trecho maravilhoso e querem guardá-lo para sempre? Basta selecionarem a frase para destacá-la ou escreverem algo sobre ela. Todas essas informações ficam reunidas em arquivos dentro do próprio Kindle, não é demais?

Eu sei, eu sei... Já estão morrendo de vontade de sair desse post para comprar um Kindle, né? Mas e agora, qual modelo escolher? Não se preocupem: o Guia Esperto preparou um post completo falando sobre como escolher o melhor Kindle de acordo com suas necessidades!

O Guia Esperto é um site especializado em indicações de diferentes nichos: eletrônicos, eletrodomésticos e até mesmo utensilhos de cozinha! Sabem aquele trabalho chato de pesquisa que dá a maior preguiça de fazer? Eles fazem para nós e, com os resultados, realizam um guia de compras a partir de uma avaliação e seleção detalhada de cada produto. Não deixem de conferir!

Esse post foi patrocinado pelo Guia Esperto 

23 de setembro de 2022

Três motivos para ler A Princesa e o Leprechaun, de Jonathan Rock


Cali é a princesa mais linda dentre todos os reinos existentes. Ela é tão linda, mas tão linda, que não existe nenhuma outra pessoa que chegue aos pé dela — com exceção, talvez, de sua mãe, que já não está mais entre os vivos. Porém, sua beleza se torna um problema quando seu próprio pai, obcecado, resolve casar-se com ela. Para fugir desse destino terrível, Cali multila o próprio rosto para se livrar dessa maldição e conseguir fugir do seu reino.

Durante a fuga, entretanto, é sequestrada por saqueadores que acreditam que Cali é, na verdade, uma bruxa extremamente poderosa. Em sua primeira noite no covil dos saqueadores, Cali recebe uma visita um tanto inusitada: um Leprechaun, aparentemente inofensivo, que oferece ajuda à princesa em troca de praticamente nada. Acontece que Cali é muito ingênua e não pensou que estaria se metendo em uma confusão ao fazer um acordo com um Leprechaun. 

Não sei se vocês repararam, mas estou em uma vibe bem "leituras curtas" nos últimos dias. Fiquei bem feliz quando o autor Jonathan Rock me procurou para ler A Princesa e o Leprechaun, uma vez que era justamente o que eu estava procurando. Achei a história bem legal, então resolvi fazer um post citando os principais motivos pelos quais vocês devem lê-la.

1. Têm uma pegada de contos de fada dark

O mais legal desse conto é o estilo da narrativa, que é um conto de fada no estilo dos originais dos Irmãos Grimm. Fato é que a maioria de nós teve contato com os contos de fada pelos desenhos animados, e em todas essas narrativas as histórias foram adaptadas para o público infantil. A Princesa e o Leprechaun, porém, se envereda por horizontes um pouco mais sombrios, sem essa censura e aquele famoso final feliz que é tão comum nos recontos a lá Disney. 

2. O conto é um prequel de um universo criado pelo autor

O drama de Cali é apenas a história que introduz um universo fantasioso criado por Jonathan Rock, O Mundo de Pedra. Dessa forma, caso leiam e fiquem curiosos após o final chocante de A Princesa e o Leprechaun — e saibam vocês que eu fiquei bastante —, é fato que ainda têm muita água para rolar. 

3. É uma obra nacional e está disponível no Kindle Unlimited

Apesar de ter achado que algumas informações ficaram implícitas demais, o que acabou deixando algumas pontas soltas, a trama é bastante interessante. Jonathan Rock é brasileiro, bastante criativo e, mesmo jovem, tem bastante potencial! Outra coisa bacana é que tanto A Princesa e o Leprechaun quanto o restante das obras que integram O Mundo de Pedra estão disponíveis no Kindle Unlimited, o que configura, além de tudo, uma oportunidade perfeita para assinar o benefício.

Ah, o autor está no Instagram como @o_estoriador, caso queiram acompanhar as novidades por lá!

Título Original: A Princesa e o Leprechaun ✦ Autor: Jonathan Rock
Páginas: 57 ✦  Editora: Publicação independente
Esse post foi patrocinado pelo autor, mas segue as diretrizes de autenticidade do Roendo Livros, que sempre divulga opiniões sinceras acerca de toda e qualquer obra

19 de setembro de 2022

Lore Olympus: Histórias do Olimpo | Rachel Smythe

Lore Olympus é um reconto do mito de Hades e Perséfone. Originalmente publicado no Webtoon, a história em quadrinhos se tornou um fenômeno e inaugura o novo selo da Companhia das Letras, a Suma HQ. Apostando no sucesso da história no Brasil, a editora já tem data para os lançamentos dos volumes 2 e 3. No total, serão 4 volumes e o segundo já chega em outubro.

Nesse primeiro volume, conhecemos não apenas os personagens centrais, Hades e Perséfone, mas muitos outros nomes da Mitologia Grega, como Zeus, Poseidon, Hera, Deméter, Eros, Afrodite, Ártemis, Apolo e assim por diante.

Nos quadrinhos, os deuses são retratados com jovialidade e leveza, dando um tom divertido para a história. Eu realmente dei boas risadas com o livro. É fácil gostar de certos personagens, bem como é fácil odiar outros. Cada personagem tem uma personalidade bem definida, assim como cada um possui uma cor. Os quadrinhos são super coloridos e é possível identificar cada Deus pela sua cor. Perséfone é rosa e Hades é azul.

Esse primeiro livro mostra o começo dessa relação improvável entre o Deus do Submundo e a Deusa da Primavera, e é impossível não ficar com um sorriso bobo no rosto enquanto acompanhamos o envolvimento entre os dois. Envolvimento este que é todo desajeitado, digno de um enredo adolescente (amo!).

O final do primeiro volume me deixou louca pelo próximo, pois a sensação que eu tive foi que a história terminou quando estava só começando. Chega logo, outubro, pois eu quero o segundo volumeeeeee.

Logo no início, a autora fez questão de deixar um alerta de gatilho que eu achei super válido. A cena que torna importante esse alerta envolve violência sexual e, apesar de não ser nada explícita, é de doer. Fiquei emocionada lendo.

Lore Olympus é um clichê. O Deus do Submundo, badboy e cafajeste se apaixonando pela Deusa meiga da primavera. Ele achando que não tem chance e ela achando que ele jamais se interessaria por ela. A gente já viu essa história uma centena de vezes e veria mais uma centena sem reclamar, né?!

Se você já sabe um pouco sobre Mitologia Grega, você vai amar. E se você não sabe nada, como eu, vai amar também. Não me atrapalhou em nada não conhecer os deuses. Inclusive, fui pesquisar um pouco depois e percebi que a autora respeito bastante os mitos originais. Então, dá pra conhecer bastante da Mitologia original através desse reconto jovem e fofo.

Foi uma leitura rápida e gostosinha e eu recomendo demais pra passar o tempo, aquecer o coração e se desligar do mundo real.

Título Original: Lore Olympus ✦ Autora: Rachel Smythe
Páginas: 384 ✦ Tradução: Érico Assis ✦ Editora: Suma HQ
Livro recebido em parceria com a editora

15 de setembro de 2022

E se o seu marido simplesmente desaparecesse da noite para o dia? A Última Coisa que Ele me Falou, de Laura Dave


E pior ainda... Se você chegasse em casa e, além de não encontrar a pessoa que ama, encontrasse um bilhete escrito por ela com apenas duas palavras: "Proteja ela"? É exatamente isso que acontece com Hannah, personagem de A Última Coisa que Ele me Falou, da autora Laura Dave. Owen Michaels é viúvo, pai de uma adolescente, recém casado com sua nova esposa e inexplicavelmente desaparece após a empresa na qual trabalha se envolver em um escândalo financeiro.

Não foi difícil para Hannah descobrir que o bilhete de Owen se referia a sua filha, Bailey, a única pessoa que faria o marido sumir dessa forma. Hannah e Bailey não possuem uma relação muito amigável, digamos assim, mas são obrigadas a deixar as diferenças de lado para descobrirem o que está acontecendo. Sinceramente? Não tenho ideia do que eu faria no lugar da protagonista. 

Começo dizendo que fiquei bem irritadiça com a trama em um primeiro momento. Apesar da curiosidade, fiquei um pouco de saco cheio com a Bailey, porque esse negócio de detestar a madrasta, para mim, é um negócio bem ultrapassado. Não é como se as duas se odiassem, Hannah fazia de tudo pra agradar a menina e só recebia falta de educação em troca. Entendo que é difícil dividir a atenção do pai, principalmente porque ele era a única pessoa que ela tinha de verdade, mas nossa senhora, não é para tanto.

De certa forma, o que me manteve presa à narrativa foi realmente o mistério envolvendo Owen. A gente começa achando ele fugiu por ser cúmplice da fraude na empresa, mas a medida que as peças do quebra-cabeças vão se encaixando, o leitor descobre que o buraco está muito mais embaixo. E por falar em quebra-cabeças, confesso que fiquei um tanto desapontada com a facilidade com que as informações iam aparecendo. Vou dar um exemplo: às vezes Hannah estava sentada na porta de casa remoendo o desaparecimento de Owen e simplesmente se lembrava de uma história que ele tinha contado nas primeiras conversas entre eles e plim!, essa história levava a protagonista a alguma pessoa que teve contato com Owen há séculos e ela descobria uma nova pista. Não só parece forçado como de fato é.

A escrita da Laura Dave é muito boa, apesar de se tornar maçante em alguns momentos. Acredito que essa característica se deu justamente por conta do que eu citei no parágrafo acima, as coisas acontecendo fácil demais e sempre seguindo um mesmo roteirinho. Dito isso, acredito que o maior defeito de A Última Coisa que Ele me Falou seja a forma como foi vendido: tá muito mais para um drama familiar do que para um thriller, uma vez que o foco é a relação entre Hannah e Bailey e as decisões que elas têm que tomar frente ao acontecido. 

Pode até ter parecido que não, mas eu gostei do livro! Li bem rápido e me entreteu bastante, principalmente levando em consideração que foi o primeiro livro que li depois de ter ficado um tempo considerável sem ler. Mas a verdade é que eu gostei porque notei logo de início que seria um drama narrando uma jornada entre madrasta e enteada, porque se eu estivesse esperando a solução de um grande mistério teria me decepcionado demais. Tenham isso mente caso queiram ler!

Título Original: The Last Thing He Told Me ✦ Autora: Laura Dave
Páginas: 400 ✦ Tradução: Ana Rodrigues ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

11 de setembro de 2022

Não Nasci Para Agradar | Michelle Quach

Em Não Nasci Para Agradar conhecemos Eliza Quan, uma adolescente que não tem um pingo de medo de expressar suas opiniões. Seu maior sonho é se tornar editora-chefe da escola e ela se preparou tanto para isso que tem certeza que vai conseguir... Até Len DiMartile, um ex-atleta popular, decidir disputar o cargo. Mesmo sem preparo algum, o garoto parece ser favorito pelo simples fato de ser homem. É de ficar indignada mesmo, né? Até porque isso é uma coisa que acontece muito na vida real: infelizmente mulheres precisam ser um milhão de vezes melhores que os homens pra ocuparem o mesmo cargo que eles.

Acontece que Eliza fica tão p* da vida que escreve uma espécie de manifesto, algo para ela mesma, como se fosse um diário, falando sobre esse absurdo. O grande problema é que esse texto é postando sem a autorização dela, daí vocês já podem imaginar a confusão! Para acalmar as coisas, o diretor da escola meio que obriga os dois a trabalharem juntos. Com o passar do tempo, Eliza percebe que Len não é tão terrível assim e que ele não é seu rival, de fato. Nem preciso dizer o que vai acontecer, né?

Não vou negar que a primeira coisa que me interessou nesse livro foi o título, que é simplesmente perfeito. Mas é óbvio que a história não fica atrás: quem não ama um romance colegial com pano de fundo feminista? Porém, eu estaria mentindo pra vocês se disesse que amei demais, porque acabei me decepcionando um pouco com o enredo, principalmente no que diz respeito a questão da desigualdade de gêneros... No fim, acho que foi uma expectativa criada por mim mesmo, porque desde o início a autora deixa claro que é um romancinho mesmo. 

Vi muita gente reclamando do fato de Eliza e Len terem ficado juntos no final (e eu não considero isso um spoiler, por motivos óbvios). Na real, as maiores reclamações não são por ela ter ficado com ele de fato, mas pelos sentimentos dela de estar apaixonada pelo menino que fez com que ela entrasse numa baita confusão, digamos assim. E eu acho que é motivo SIM para sentimentos contraditórios, porque em momento algum, na minha opinião, ela estava se sentindo assim por estar apaixonada por um HOMEM, e sim por estar apaixonada por Len. Tipo, ela escreveu um manifesto, ela moveu mundos e fundos na escola por causa dele, o que as pessoas iam pensar? E gente, cá para nós, podemos até falar que não, mas nos importamos e muito com o que as pessoas pensam de nós, principalmente quando somos adolescentes. Então eu super entendi. 

E nesse sentido também não acho que o romance pode ser classificado como enemies to lovers. Não teve todo aquele climão, aquelas briguinhas de cachorro e gato, a Eliza não deixa claro que não gosta do Len nem nada do tipo. Ela "só" estava indignada com a situação e era isso que ela odiava. Tanto é que ela convivia com o Len muito de boa, todos os momentos em que estavam juntos eram tranquilos, momentos de descobertas e tudo mais, o que eu achei bem bacana. 

Eu gostei do romance, de verdade, gente. Podem até me julgar, mas eu gostei. Não é a coisa mais desenvolvida do mundo, mas também não acho que aconteceu do nada. Se você passa a conviver mais com uma pessoa, é óbvio que vai se afeiçoar a ela de uma forma ou de outra. E eu curti porque a autora conseguiu balancear as coisas, sabe? Ela escancara os privilégios que homens têm nessa sociedade patriarcal e machista, ao mesmo tempo em que mostra que o problema é muito maior do que simplesmente odiá-los, sabem?

Outra coisa bastante legal é que a maior parte dos personagens são não-brancos. É interessante porque vai muito além dos protagonistas, a autora criou todo o enredo pensando nisso, acredito que por causa da própria vivência dela, uma vez que é estadunidense descendente de chineses e vietnamitas. A Eliza, querendo ou não, é um pouquinho da Michelle Quach, então além de tudo tivemos uma visão sobre como o patriarcalismo ainda permeia a cultura deles. 

Obras que falam sobre feminismo sempre ganham o meu coração, porque se eu tô aqui tendo acesso a esse livro, se eu tô aqui na internet expondo minha opinião sobre as coisas que leio, se eu tô existindo com o mínimo de dignidade possível, é porque muitas mulheres lutaram por isso. Ainda temos muito o que conquistar, mas estamos no caminho!

Título Original: Not Here to Be Liked ✦ Autora: Michelle Quach
Páginas: 400 ✦ Tradução: Ana Beatriz Omuro  ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

7 de setembro de 2022

Estado Elétrico | Simon Stålenhag

Estado Elétrico é uma história contada a partir de imagens e blocos de texto. Não exatamente como uma história em quadrinhos comum, mas seguindo a mesma premissa de ser uma leitura gráfica. Ela me chamou a atenção pelas artes, que são super imersivas e atmosféricas, um tipo de arte que eu adoro, que une elementos bizarros a imagens comuns: uma estrada com um robô gigante, por exemplo.

Foi uma leitura rápida que eu fiz durante meu horário de almoço. Justamente por ser tão rápida, eu não quero entrar em detalhes, pois acho que vale a pena descobrir mais sobre a história durante a leitura, mas posso dizer que a história se passa em 1997, mas não o ano de 97 que nós conhecemos. Nessa realidade, 1997 é futurista, altamente tecnológico e apocalíptico.

Acompanhamos a protagonista, Michelle, e seu robô, Skip, em uma jornada pelos Estados Unidos. O leitor só descobre o objetivo dessa viagem perto do fim do livro. E vou dizer pra vocês: que tristeza. É uma reviravolta de deixar o coração apertado. Na verdade, toda a história é de apertar o coração. As imagens por si só deixam uma sensação de melancolia no leitor, os cenários destruídos e abandonados, as cores frias e a sujeira e a morte que estão por toda parte.

Esse apocalipse se deu num mundo onde as pessoas se conectam a projetores neurais, um dispositivo que a pessoa coloca na cabeça, como um capacete, e isso parece levá-la a uma realidade virtual viciante. Presas nessa realidade alternativa, as pessoas esquecem de viver suas vidas reais, chegando ao ponto de morrerem. As semelhanças com nossos queridos dispositivos móveis certamente não é mera coincidência.

Os textos trazem mais detalhes sobre o passado de Michelle e permitem que o leitor conheça melhor essa personagem e seu background. Mas também são várias as páginas sem texto nenhum, apenas com uma imagem que fala por si só e que passa muitas sensações. Eu achei a maioria das imagens bastante perturbadora. Também há algo de onírico nas artes. Uma delas, inclusive, me lembrou um sonho específico que eu tive.

Simon Stålenhag é um artista sueco que mistura Lovecraft com ficção científica. Seu design é criativo e admirável, motivo pelo qual já estou seguindo o autor no Instagram para poder acompanhar seus trabalhos mais de perto (mas eu prometo não passar tempo demais no Instagram, Simon).

Pesquisando mais sobre o autor, descobri que suas artes são criadas digitalmente, mas que ele gosta de deixá-las com aparência de pinturas a óleo. Além disso, suas criações têm como referência fotografias que ele mesmo tira.

Pra finalizar, eu preciso falar dessa edição. O livro é bem maior que um livro comum, em capa dura, predominantemente em azul e rosa (uma combinação que sempre dá certo) e a capa possui um alto-relevo lindíssimo, dando tridimensionalidade para a imagem de capa (a visão de um parabrisa dianteiro com gotas de chuva).

Artes incríveis, história linda e uma edição maravilhosa. Recomendo!!

Título Original: Passagen ✦ Autor: Simon Stålenhag
Páginas: 144 ✦ Tradução: Daniel Galera ✦ Editora: Quadrinhos na Cia.
Livro recebido em parceria com a editora
Ajude o blog comprando os livros através do nosso link! 

4 de setembro de 2022

Top Comentarista: Setembro 2022


Ai gente, prometi para mim mesma que não ia atrasar o top comentarista nunca mais, só que às vezes as coisas fogem do nosso controle. Estive muito atarefada com as atividades da faculdade, e deu no que deu. Peço desculpas de coração pelo transtorno, mas já diria o ditado, "antes tarde que mais tarde", né? A notícia boa é que esse mês entro de férias e a meta é ler lindamente e fingir que a UFVJM nem existe, rs.

As regrinhas vocês já sabem de cor, mas não custa relembrar: antes era obrigatório comentar em todas as postagens para não ser desclassificado do concurso, mas a partir de agora vocês serão sorteados a partir dos comentários. Isso significa que não é obrigatório comentar em todos os posts: cada comentário que vocês fizerem devem ser cadastrados no formulário do Rafflecopter, que só aceita uma entrada por dia — recomendo que vocês comentem e preencham o formulário sempre que sair post novo, já que quanto mais comentários cadastrados, maior a chance de ganhar. Todos os meses um comentário será sorteado pelo aplicativo.

Atenção: só preencha o formulário nos dias em que comentar no blog. Por exemplo, se em determinado mês tiverem 13 posts, o número máximo de entradas que cada participante pode ter no formulário é 13!
 
O prêmio é um vale de trinta reais na Amazon! Ah, as chances extras continuam: comentar nos posts do Instagram e tweetar sobre o top todos os dias em que tiver postagem nova por aqui, então aproveitem! Caso tenha restado alguma dúvida, podem me procurar nas redes sociais, tá bom?

Observações
- O período de validade desse top comentarista é de 01/09/2022 à 30/08/2022. Cada comentário que vocês fizerem devem ser cadastrados no formulário do Rafflecopter, que só aceita uma entrada por dia.
Não serão computados comentários genéricos, só aqueles que exprimem a opinião do leitor e mostram que ele realmente leu o post. Comentários plagiados de outras plataformas (lembrem-se que plágio é crime) ou que se repetem em outros blogs não serão considerados. Comentários do tipo serão excluídos sem aviso prévio e o participante será automaticamente desclassificado;
- É permitido apenas um comentário por post;
- É obrigatório seguir o Roendo Livros via GFC e seguir o perfil @anadoroendo no Instagram para validar a participação;
- A entrada "tweet about de giveaway" só será válida se a pessoa estiver seguindo o Twitter informado (@anadoroendo);
- Após o término do top, o Roendo Livros tem até 15 dias para divulgar o resultado;
- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito. O livro escolhido (na faixa de preço estabelecida) deverá ser informado no corpo do e-mail;
- Após feito o contato, o prêmio será enviado dentro de até 60 dias úteis;
- Para o livro ser enviado, é necessário que o ganhador passe o número do CPF para a Ana, já que agora os Correios solicitam uma declaração de conteúdo (saiba mais aqui) Só participe do sorteio se estiver de acordo;
- O Roendo Livros não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados no livro. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e ausência de recebedor. O livro não será enviado novamente;
- O Roendo Livros se reserva o direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.

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