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24 de junho de 2023

TUDUM 2023


A primeira edição do Tudum aconteceu em janeiro de 2020 e foi icônica. Inclusive tem post aqui sobre ele, e lendo você consegue ter uma ideia do quanto o festival já era enorme e divertido desde aquela época. Ele chegou a acontecer online também, por causa da pandemia. Mas a gente tava com saudade de um eventinho presencial né? E a edição de 2023 (que aconteceu do dia 16 ao dia 18 no Ibirapuera) veio aí pra provar que conseguiria sim ser ainda maior e melhor!

Lógico que eu precisava dar aquela conferida e trazer um post cheio de fotos e informações do festival da Netflix, um evento brasileiro gratuito que se tornou mundialmente famoso por trazer atores internacionais, novidades, ativações e conteúdos incríveis das séries que a gente mais gosta.

Já começa lindo pela fachada!

Falando assim parece até publi, mas vou contar a verdade sobre o festival. A primeira coisa é que os ingressos foram distribuídos pelo Sympla de forma gratuita, e isso gerou fraude. Cada pessoa poderia retirar um ingresso por CPF, até três ingressos por conta, mas vimos muitas pessoas vendendo esses ingressos, o que é ilegal e gerou confusão, claro.

Depois que, mesmo com ingresso você não tinha a garantia de entrada no evento. Como assim? O pavilhão estava sujeito à lotação, e quando isso acontece, só entra uma pessoa quando outra sair e assim por diante. Mas como tinha muita coisa pra fazer e o evento acontecia das 12h até as 21h, a gente sabia que as pessoas não sairiam dali rapidinho. Prevendo um caos no sábado, a gente chegou as 8h30 da manhã kkkk e valeu a pena! Então vou contar tudo que a gente conseguiu fazer e estandes que não tivemos coragem de chegar perto.

Já chegamos ganhando o copo do festival. Lá tinha bebedouro disponível e pipoca grátis sempre que você quisesse, o que eu achei incrível (e é algo que já tinha em 2020 e eles mantiveram).

Assim que entramos fomos direto para o segundo andar. A ideia era fazer ou agendar as coisas mais concorridas assim que a gente entrasse e eram lá que estavam todas elas. Sabíamos que depois seria impossível chegar perto de algumas atrações, mesmo com agendamento. E eu estava certa, a fila depois ficou ridícula, em todas elas!

Todos os brindes que pegamos nos estantes: posters, bottons e rolou até cervejinha!

Então de primeira fomos para Heartstopper. O quarto do Charlie estava sem fila, assim como o fliperama, então entramos direto. Eles deixavam a gente subir na cama, mexer na bateria, nos livros, nas roupas. Simplesmente perfeito, quartinho de milhões. Já no fliperama a gente podia jogar na garrinha pra conseguir um donut igual na série! Não tive sorte no donut, mas ganhamos um bottom. Aliás! Todos os estandes tinham brindes, seja bottom, poster, pin!

É óbvio que não ia deixar de tirar uma fotinha no quarto do Charlie, protagonista de Heartstopper, uma das minhas séries preferidas da atualidade

Depois fomos para o Koreatown, que tinha vários cenários de muitos dramas, além de uma área de alimentação com comida coreana. All of Us Are Dead, A Advogada Extraordinária, Round 6... Sim, você podia jogar Batatinha Frita 1, 2, 3, cabo de guerra, tirar fotos nos cenários, em cabines, enfim! Muito fofo. Eu não sou uma pessoa que curte muito drama, mas faz parte do meu trabalho (pra quem não sabe, eu trabalho com eventos de cultura coreana aqui em SP também ), então foi muito gratificante ver esse espaço lindo.

A entrada pro Koreatown, com várias atrações muito legais!

Aí seguimos para o espaço do Cobra Kai. Esse foi INCRÍVEL! Eu tava meio assim de entrar no espaço por pura vergonha haha mas as pessoas que estavam trabalhando ali eram muito fofas e acolhedoras. Eu não tirei foto pois era um estande totalmente imersivo, mas vou deixar meu vídeo aqui para vocês verem um pedacinho da experiência. Você podia pintar a cerquinha do senhor Miyagi, entrar no Miyagi-Do e fazer um teste de equilíbrio, bater muito nos bobs (os bonecos que são utilizados para praticar luta em academia) no Cobra Kai e no Presas de Águia a gente não chegou a entrar pois estávamos atrasadas para... Wandinha!

Esse foi o primeiro agendamento que eu fiz correndo, já sabendo que iria lotar. A área contava com o pátio da escola Nevermore, a pista de dança do baile (em que você podia fazer a dancinha da Wandinha com staffs muito queridos e talentosos), o quarto da Enid e Wandinha e também a parte escondida, que só era liberada se você estralasse os dedinhos. Lá o atelier do Xavier aparecia, cheio dos desenhos dele. Do lado de fora do quarto uma atriz caracterizada de Wandinha tocava violoncelo, e logo do lado tinha até a moto do Tio Chico, com o próprio, para mais momentos de fotos. Nesse eu entrei sozinha e uma das Wandinhas me ajudou tirando as fotos, depois de eu ter prometido que ela poderia me torturar kkkk gente, esse foi perfeito!

Detalhes do quarto da Enid e da Wandinha

Entramos no estande da Bud Zero que tinha degustação e espaço de atrações de Round 6 e Sintonia. Aliás, esse espaço só era acessível para maiores de 18 anos, e era muito legal! Infelizmente só fiz videozinho dele também, pois foi tudo rapidinho. Ganhamos duas Buds temáticas das duas séries numa sacolinha fofíssima.

Fomos ainda no quarto da Aimee de Sex Education. Tinha o cenário do posto (aquele, daquele momento esperado, que não vou dar spoilers), mas acabamos não entrando, por causa da fila. Depois passamos no corredor dos armários de Eu Nunca (#TeamBen) e subimos novamente para ir andar no roller de Stranger Things. Desse eu não tenho foto, só vídeozinho, mas logo atrás tinha o cenário do cemitério, em que a gente podia escontrar a Max, e lápides um tanto quanto emocionantes. Quem viveu sabe!

Cenários de quarto dos personagens pisam demais! Esse aqui é o da Aimee, de Sex Education. Que saudade dessa série, gente!

Com licença, só dou moral para quem é #TeamBen, beijos.

O cenário do cemitério de Stranger Things. Adorei tirar essas fotos!

Fotinho na carruagem Bridgerton pois impossível não pensar
na Ana, né?

Conseguimos ainda entrar numa parte do estande de One Piece para ver os figurinos e props usados nas filmagens do Live Action, e na carruagem de Bridgerton. De fora vimos o resto das atrações que estavam lindas, tanto a fachada do castelo quanto o pomar da Rainha. Ainda tinha uma praça de alimentação gigante e lugares para descanso (o que é bem importante, depois de tanta dança, luta, patins e correria).

Estandes que não conseguimos entrar por causa da fila ou que decidimos nem tentar foram os de Bridgerton, Sandman (pois era o mesmo cenário da CCXP que já tínhamos tirado fotos em dezembro), You, Emily em Paris, Casamento às Cegas (que você podia arrumar até um date), o navio de One Piece, The Witcher, Resgate 2 e Agente Stone.

Num geral posso dizer que foi um eventão incrível. Isso que nem falei das atrações internacionais que estiveram aqui como Henry Cavill, Gal Gadot, Chris Hemsworth, Maitreyi Ramakrishnan, India Amarteifio, Corey Mylchreest e Nicola Coughlan, entre muitos outros!

Apesar do frio e das filas, é um evento que curto muito e pretendo voltar sempre que possível. E aí, você foi no Tudum também? O que mais gostou e o que mais sentiu falta no evento?

18 de junho de 2023

Veludo, de Fátima Sousa, é um drama complexo ambientado na Alemanha nazista


Livros de romances históricos não aparecem tanto nas minhas listas de lidos do ano, muito por eu preferir histórias mais juvenis, mas é um gênero que costumo gostar bastante — ainda que a maior parte das histórias seja bem difícil de digerir. Veludo chamou minha atenção logo de cara, porque é ambientado durante e após as Primeira e Segunda Guerras Mundiais... E se você procurar pelos termos na aba de pesquisas aqui do blog, vai notar que costumo me interessar muito por esses enredos, que costumam ter uma carga dramática muito grande. 

Leia também:
✦ A Guerra que Salvou Minha Vida, de Kimberly Brubaker Bradley
O Labirinto do Fauno, de Cornelia Funke & Guillermo del Toro
✦ Uma Vez, de Morris Gleitzman

Nessa trama, Fátima Sousa nos apresenta Peter Berger, um ambiciosíssimo médico alemão que não mede suas ações para conseguir o que quer. Desde muito novo apresenta um caráter dúbio, que é ressaltado quando se filia ao Partido Nazista — digamos que os ideais antissemitas do partido eram exatamente o que ele precisava para dar vazão aos seus próprios pensamentos — e se torna amigo íntimo de Adolf Hitler.

Sua trajetória acabou fazendo com que fosse enviado à Auschwitz, onde trabalharia com Josef Mengele e outros médicos na seleção das vítimas a serem mortas nas câmaras de gás e realizaria experimentos em humanos. Muito frio e calculista, nada parece ser capaz de mudá-lo ou fazê-lo sentir alguma coisa, incluindo sua esposa e seus três filhos, até que ocorre uma reviravolta que promete mudar tudo.

Peter Berger é um personagem extremamente bem construído, porque a narrativa é feita de uma forma que o acompanhamos do nascimento à fase adulta. Achei interessantíssimo que desde muito pequeno Peter demonstrava sinais de que era "diferente", como se algo muito ruim tomasse conta dele desde a primeira infância. Justamente por isso muitas cenas são extremamente difíceis, envolvendo não só racismo, mas assassinatos e estupros. Então, de certa forma, todo o caminho para nos apresentar o protagonista é feito de forma que seja muito fácil odiá-lo. 

Acho que por essas e outras Veludo não é um livro fácil. Não só pelas cenas aterrorizantes envolvendo Peter, mas também pelo contexto em que elas acontecem. Os diálogos são muito chocantes, principalmente a naturalidade com que falam sobre a morte de milhares de pessoas, como se fosse algo corriqueiro, que tivesse que acontecer por um bem maior. Foi muito difícil para mim ler essas coisas, e olha que não costumo me abalar facilmente. Por mais pesados que sejam, esses cenários e conversas só trouxeram mais verdade para a história.

Outra coisa que me fez pensar bastante durante a leitura foi a questão da criação. Quer dizer, até que ponto nossos pais são responsáveis por nosso caráter? Por exemplo, os pais de Peter eram totalmente avessos ao Partido Nazista e sempre passaram esses ideais para o filho, e mesmo assim ele optou por seguir uma ideologia tão horrível. Por que ele era assim? Aliás, por que tantas pessoas são assim, inclusive nos dias de hoje? Como se deixam enganar por discursos tão traiçoeiros? 

Por causa dos inúmeros gatilhos, repito que esse livro não é para qualquer um. Foi escrito com o intuito de afrontar e causar sentimentos conflitantes, e com certeza ele faz isso. Peter é um personagem complexo com um desfecho mais complexo ainda, que pode não agradar a todos. Tenho certeza que é uma trama que me fará refletir por muito tempo. A quem interessar possa, Veludo está disponível gratuitamente no Kindle Unlimited!

Título Original: Veludo ✦ Autora: Fátima Sousa
Páginas: 494 ✦ Editora: Publicação independente
Esse post foi patrocinado pela autora, mas segue as diretrizes de autenticidade do Roendo Livros, que sempre divulga opiniões sinceras acerca de toda e qualquer obra

15 de junho de 2023

Nick e Charlie, de Alice Oseman: uma novela sobre os dilemas do primeiro amor


Todo mundo que me acompanha minimamente sabe que eu sou apaixonada por Heartstopper. A série de quadrinhos criada por Alice Oseman conquistou a mim e ao mundo inteiro, porque retrata um relacionamento tranquilo e feliz, bem diferente dos dramalhões que estamos acostumados a ver quando os personagens são LGBTQIAP+. Acontece que nada é perfeito, nem mesmo o namoro de Nick e Charlie: nesta novela, a autora mostra o primeiro embate mais sério entre nossos protagonistas.

Leia também:
Heartstopper: Dois Garotos, Um Encontro & Heartstopper: Minha Pessoa Favorita
Heartstopper: Um Passo Adiante
Heartstopper: De Mãos Dadas

Nick está terminando o ensino médio e logo mais vai morar fora para fazer faculdade. Charlie, por sua vez, é um ano mais novo e pela primeira vez desde o início do namoro vai ficar sem a sua companhia diária. É uma baita mudança, e Charlie se sente constantemente irritado por Nick estar tão animado para ir embora. Quer dizer, é ótimo que ele vá fazer faculdade e tudo mais, mas a maior parte do tempo Charlie sente que o namorado não vai sentir falta dele... Ou será que Nick realmente quer se ver livre dele o mais rápido possível?

Juntamente com o sentimento de culpa, afinal, Charlie deveria estar feliz com as conquistas do Nick, vem esse sentimento terrível de insegurança. A única coisa que passa na cabeça dele é que eles não vão conseguir superar um relacionamento à distância — e aparentemente essa questão não parece ser uma preocupação para Nick. Também não ajuda muito todo mundo falar que "namoros adolescentes não duram" ou que "você não vai amar seu primeiro namorado para sempre"... 

Para mim, todos as questões apontadas por Oseman em Nick e Charlie são super válidas. Primeiro porque relacionamentos juvenis de fato não são levados a sério. Ninguém espera que a gente se case com o primeiro namoradinho, e ninguém valida nossa dor se esse namoro chega ao fim. Sempre tem alguém pra falar que você vai amar outras pessoas, ou que nem era amor de verdade, num momento em que só queríamos um pouquinho de colo... Depois, namorar à distância é bem difícil e as inseguranças são muito reais, falo por experiência própria. Namorei dessa forma por mais de cinco anos antes de me casar e sei que é muito complicado, mas quando há companheirismo e diálogo, as coisas dão certo!

É aí que entra minha única observação negativa com essa novela, a falta de diálogo entre Charlie e Nick. Charlie estava constantemente triste com a partida iminente do Nick, mas não conversava com ele sobre isso e pior, queria que o garoto percebesse esses sentimentos sem que ele precisasse verbalizar. Por causa disso, eu fiquei muito irritada com o Charlie pela primeira vez na vida! Eu sei que ele é naturalmente inseguro e que a depressão piora tudo, mas nenhuma doença, por pior que seja, dá aval pra gente agir como idiota. 

Eu realmente fiquei muito braba, principalmente no plot, mas ao mesmo tempo "aceitei" o comportamento deles por entender que eram dois adolescentes agindo como adolescentes. Acho que quando a gente está nessa fase, não saber se expressar e esperar que as pessoas ao nosso redor adivinhem o que estamos sentindo é muito comum. 

No fim das contas, gostei bastante da novela, mas ainda prefiro os quadrinhos. Acredito que a dinâmica de Nick e Charlie é bem melhor em Heartstopper, e os problemas, quando existem, não dizem respeito ao relacionamento em si, e sim às individualidades dos personagens. É interessante lembrar que, originalmente, Nick e Charlie veio antes dos quadrinhos! A Alice reformulou essa novela pra poder ser relançada, porque algumas coisas foram mudando conforme ela escreveu Heartstopper. Mas é claro que foi uma ótima leitura, principalmente para matar a saudade dos meus bebezinhos!

Título Original: Nick and Charlie ✦ Autora: Alice Oseman
Páginas: 168 ✦ Tradução: Guilherme Miranda ✦ Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora

10 de junho de 2023

A Última Missão de Gwendy, a melancólica conclusão da trilogia escrita por Stephen King & Richard Chizmar

Este é o terceiro e último livro da saga A Pequena Caixa de Gwendy, então cuidado com possíveis spoilers dos volumes anteriores. Se você quiser ler a resenha do segundo livro, pode clicar aqui e depois voltar para esse post!

Nesse livro acompanhamos Gwendy em sua velhice. Quando era apenas uma criança, foi lhe oferecida uma caixa com botões coloridos que podiam tornar seus desejos em realidade. Mas o truque era que eles podiam também dar vida aos maiores pesadelos e destruições possíveis. Já adulta e bem sucedida, Gwendy se vê no mesmo dilema, quando a caixa volta para as suas mãos. E finalmente aqui, vemos a protagonista já idosa e experiente, atuando como Senadora dos Estados Unidos, tentando manter esse poder tão grande distante das forças malignas que tentam se apossar da caixa.

A questão que ela tenta responder é simples e complexa ao mesmo tempo. Ela precisa esconder a caixa, mas qual seria o local adequado para conter tal poder? Existe um meio de acabar com isso de uma vez por todas?

Pode ser que para algumas pessoas o começo do livro seja meio caótico e desorganizado, mas eu curti. King volta a dividir a escrita com Chizmar, o que fez o livro ficar mais equilibrado novamente e sinceramente, gostei bastante disso. A trama fica bem mais complexa e senti um maior aprofundamento nos personagens. Uma outra coisa muito legal desse volume é que temos menções de outras obras do King. Sem spoilers, mas que são legais para quem já acompanha o autor.

Além disso, A Última Missão de Gwendy mostra o lado político do King, provavelmente compartilhado com Chizmar. Quem conhece o autor sabe muito bem as opiniões dele sobre o ex-presidente norte-americano. Sendo ele próprio muito politizado, sem medo de se posicionar, é óbvio que as questões políticas têm um papel muito importante nessa história.

Fiquei com uma sensação boa de ter visto várias etapas da vida de Gwendy, seu amadurecimento e crescimento, suas escolhas no passar dos anos (e livros). É uma trilogia que fala bastante sobre ação e consequência, e que faz a gente pensar bastante sobre o que faria com tanto poder em mãos, tendo ainda mais simpatia pela protagonista — que usa sim a caixa, mas que sofre por isso. Também é uma trilogia que não acaba felizinha. Na verdade ela nunca teve esse tom, mas com o passar dos livros ficou ainda mais sombria, e é por isso que o final pode soar melancólico e diferente do esperado.

No final, recomendo a série como um todo. É diferente do que Stephen King costuma trazer para suas obras, mas ainda tem o toque de genialidade do autor, misturada à escrita do Richard Chizmar que casou perfeitamente com a proposta dos livros. Acho que os autores conseguiram entrar em um consenso que funcionou extremamente bem.

Título Original: Gwendy's Final Task ✦ Autor: Stephen King & Richard Chizmar
Páginas: 424 ✦ Tradução: Regiane Winarski ✦ Editora: Suma
Livro recebido em parceria com a editora

6 de junho de 2023

Melhor do Que Nos Filmes, de Lynn Painter, na verdade é igualzinho à eles


Sempre fui apaixonada por livros voltados para o público jovem adulto. Por causa disso, tinha certeza que eu ia amar Melhor do Que Nos Filmes, comédia romântica da autora Lynn Painter. E não é que eu não tenha gostado, porque com certeza a história é bem fofinha e fluida, daquelas que a gente termina sem nem ver, mas não sei... Acho que esperava um pouco mais dele, e sei que ele como um livro de comédia romântica clichê não prometia nada além disso... Dessa forma, ao terminar esse livro, comecei a me questionar se meus gêneros preferidos da vida continuam sendo preferidos aos 28 anos de idade. 

Na trama, temos como protagonista a jovem Liz Buxbaum, que está no último ano do ensino médio e sonha em viver um amor digno das comédias românticas. Ela é muito fã desse tipo de filme porque sua mãe a ensinou a gostar deles quando ainda era viva. As duas se juntavam para maratoná-los e, de certa forma, Liz sente que esses filmes mantêm a memória da mãe mais forte dentro dela. É claro que viver um romance igual aos das telinhas seria perfeito, porque não era isso o que a mãe esperava dela? 

A oportunidade perfeita surge quando Michael Young, o crush da infância de Liz, simplesmente resurge das cinzas após dez anos morando fora. Quando eles se esbarraram no corredor da escola, Liz sente que o Universo está mandando uma mensagem para ela: os dois nasceram para ficar juntos. O plano era fazer com que Michael a convidasse para o baile de formatura e, se para isso ela precisasse implorar pela ajuda de Wes, seu vizinho insuportável que era amigo próximo do seu par perfeito, ela o faria. 

Como puderam perceber, o enredo não tem muito segredo e desde o início sabemos o que vai acontecer com os personagens. E eu amo esse tipo de história, que mesmo sabendo o desfecho, acompanhamos o desenrolar porque é gostosinho. O romance realmente é muito fofinho e sinceramente, quem é Michael na fila do pão perto do Wes? A minha grande questão com esse livro foi a protagonista e os dilemas dela. 

Tudo bem, eu sei que não é justo eu esperar problemas muito elaborados de um livro adolescente... Mas acho que, aos 17 ou 18 anos, não somos mais crianças. A gente já tem que ter maturidade o suficiente para conseguir lidar com algumas situações sem magoar as pessoas ao nosso redor. Liz, muitas vezes, tem comportamentos muito infantis e imaturos para uma adolescente da idade dela. Vou dar exemplos, mas para isso precisarei dar alguns spoilers leves, então sugiro que pulem o próximos dois parágrafos caso queiram manter a surpresa da leitura. 

Como eu falei no início da resenha, Liz perdeu a mãe. Como ela era muito novinha quando aconteceu, ela morre de medo de esquecer a imagem dela. A questão é que Liz tem uma madrasta, uma mulher muito legal, que não consegue se aproximar dela porque a garota sente que está traindo a memória da mãe. Em momento algum sinto que a Helena quer roubar esse posto, só quer fazer parte da vida da Liz, mas em 90% das interações que elas têm a protagonista está sendo babaca ou tendo pensamentos babacas. Realmente, eu não consigo imaginar o que é perder a figura materna, mas poxa, agir como uma garotinha de 10 anos é demais para mim. Esse foi o ponto que mais me incomodou. Só que ao mesmo tempo não consigo compreender os sentimentos dela porque mainha, graças a Deus, está comigo. Não compreendo esse luto e não sei como lidaria com essa questão, mas não acho palpável esse tipo de comportamento em uma pessoa quase adulta.

Além disso, a postura da Liz com a melhor amiga é bem estranha. Como assim essa é sua amiga mais próxima, talvez a única que você tem, e você mente para ela ininterruptamente? E se você está mentindo porque não quer ouvir algumas verdades, é porque sabe que o que está fazendo não é muito legal, sabem? Não gostei nada dessa atitude da protagonista, até porque, ao meu ver, eram mentiras sem sentido que iam trazer um conflito futuro totalmente desnecessário. Sou do time que conversar e ser sincera é sempre o melhor caminho. 

Em contrapartida, eu gostei muito da interação entre Liz e Wes. Primeiro porque de todos os clichês românticos, o que eu mais gosto é romance de mentira — não pela mentira, obviamente, mas pelo desenvolvimento dos personagens que começam não se gostando muito e, com a convivência, percebem que são ótimos juntos —, e segundo porque o Wes é um príncipe. Mesmo com algumas atitudes duvidosas da Liz, ele continou fofo e respeitoso. 

Agora, Melhor do Que Nos Filmes é uma bela reflexão de como idealizamos nossos relacionamentos, principalmente quando somos jovens. De fato sonhamos com os maiores clichês do mundo, né? Falo por experiência própria, já que sou da época em que todas as garotas hétero/bi queriam namorar o Edward Cullen — e a Bella, é claro. Por isso gostei do processo da Liz de perceber que se as pessoas não são perfeitas, os romances são menos perfeitos ainda.

Voltando para o questionamento que introduzi no primeiro parágrafo... Sinto que estou ficando um pouco velha para esse gênero literário, no fim das contas — e não é muito clichê da minha parte dizer isso? Já não me identifico mais com as questões juvenis, então muitas vezes acabo achando a trama um pouco maçante e os personagens meio insossos... Mas tenho consciência que não é culpa do livro ou mesmo dos personagens, afinal, que adolescente não é chato?

Assim, se você gosta de comédias românticas como 10 Coisas que Eu Odeio em VocêO Casamento do Meu Melhor Amigo e O Amor Não Tira Férias, gosta de se deparar com esse tipo de referência — inclusive de trilhas sonoras! — em livros, e não se importa com questões superficiais de adolescentes ou pelo menos consegue relevá-las por entender que são problemas da faixa etária, Melhor do Que Nos Filmes é a pedida perfeita para você. 

Título Original: Betther Than the Movies ✦ Autora: Lynn Painter
Páginas: 352 ✦ Tradução: Alessandra Esteche ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

4 de junho de 2023

Top Comentarista: Junho 2023


Já começo esse post pedindo mil desculpas pelo atraso! Isso nunca aconteceu nessa proporção, mas semana passada trabalhei tanto que simplesmente não tive tempo de ligar o computador à noite para escrever... Nem vou entrar no mérito do quanto minhas leituras estão atrasadas, nossa... Só espero conseguir me reorganizar agora no início de junho (se o TCC deixar, é claro). Mas enfim, antes tarde do que mais tarde, estou aqui para divulgar o top comentarista do mês!

As regrinhas vocês já sabem de cor, mas não custa relembrar: antes era obrigatório comentar em todas as postagens para não ser desclassificado do concurso, mas a partir de agora vocês serão sorteados a partir dos comentários. Isso significa que não é obrigatório comentar em todos os posts: cada comentário que vocês fizerem devem ser cadastrados no formulário do Rafflecopter, que só aceita uma entrada por dia — recomendo que vocês comentem e preencham o formulário sempre que sair post novo, já que quanto mais comentários cadastrados, maior a chance de ganhar. Todos os meses um comentário será sorteado pelo aplicativo.

Atenção: só preencha o formulário nos dias em que comentar no blog. Por exemplo, se em determinado mês tiverem 13 posts, o número máximo de entradas que cada participante pode ter no formulário é 13!

O prêmio é um vale de trinta reais na Amazon! Ah, as chances extras continuam: comentar nos posts do Instagram e tweetar sobre o top todos os dias em que tiver postagem nova por aqui, então aproveitem! Caso tenha restado alguma dúvida, podem me procurar nas redes sociais, tá bom?

Observações
- O período de validade desse top comentarista é de 04/06/2023 à 30/06/2023. Cada comentário que vocês fizerem devem ser cadastrados no formulário do Rafflecopter, que só aceita uma entrada por dia.
Não serão computados comentários genéricos, só aqueles que exprimem a opinião do leitor e mostram que ele realmente leu o post. Comentários plagiados de outras plataformas (lembrem-se que plágio é crime) ou que se repetem em outros blogs não serão considerados. Comentários do tipo serão excluídos sem aviso prévio e o participante será automaticamente desclassificado;
- É permitido apenas um comentário por post;
- É obrigatório seguir o Roendo Livros via GFC e seguir o perfil @anadoroendo no Instagram para validar a participação;
- A entrada "tweet about de giveaway" só será válida se a pessoa estiver seguindo o Twitter informado (@anadoroendo);
- Após o término do top, o Roendo Livros tem até 15 dias para divulgar o resultado;
- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito. O livro escolhido (na faixa de preço estabelecida) deverá ser informado no corpo do e-mail;
- Após feito o contato, o prêmio será enviado dentro de até 60 dias úteis;
- Para o livro ser enviado, é necessário que o ganhador passe o número do CPF para a Ana, já que agora os Correios solicitam uma declaração de conteúdo (saiba mais aqui) Só participe do sorteio se estiver de acordo;
- O Roendo Livros não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados no livro. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e ausência de recebedor. O livro não será enviado novamente;
- O Roendo Livros se reserva o direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.
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