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31 de dezembro de 2021

Uma Separação | Katie Kitamura


A partir de agora posso constatar o fato que livros escritos por jornalistas são meus preferidos, dado seu teor visceral de realidade e prosa cheia de adrenalina: ponto comum aos grandes tabloides e livros bem escritos. E quando uma jornalista que já trabalhou no The New York Times decide escrever um thriller sobre divórcio? Não poderia ser menos perfeito que o terceiro romance de Katie Kitamura.

Em Uma Separação, temos a narrativa em primeira pessoa de uma mulher que está separando marido mas que aguarda em segredo a burocracia do jurídico, a pedido do cônjuge, Christopher. Depois de meses dessa vida conjugal suspense, ela acorda com uma ligação da sogra Isabella que pede que a nora busque pelo marido numa província da Grécia, onde estava antes de desaparecer completamente. Atônita e um pouco contrariada, a londrina decide ir buscar o caprichoso ex no paraíso dos deuses.

A partir de então, se sucede uma narrativa pesada com discursos indiretos e descrições inesperadas do cenário grego. Mani, a província onde se hospeda em um hotel luxuoso, está cercada por terrenos recém devastados por queimadas. Além disso, o comportamento mais distante e machista dos gregos é completamente diferente do que é vendido pela mídia, o que também traz outro tom à ambientação.

Nessa busca incessante pelo marido, a protagonista encontra as amantes que ele teve nos poucos dias na Grécia e reflete sobre todas as traições que levaram ao fim de seu casamento. Mas veja bem, aqui não temos a visão comum de vítima da pessoa traída, e sim uma postura de uma mulher que seguiu a vida nova e não se lamentará pelo conquistador nato com quem se casou. E é nessa altura que aparecem vários enxertos de importantes teorias da psicanálise e uma análise profunda das atitudes de Christopher.

Esse teor psicológico se mantém a outros personagens que aparece na trama, que são melhores descritos por seus comportamentos que por sua aparência. As análises de processo de luto, traumas e cura emocional são tópicos constantes enquanto se desenrola a busca por Christopher e uma falsa pesquisa sobre luto e morte, que era o tema do último trabalho a ser publicado por Chris antes do desaparecimento.

Foi, sem dúvida, uma das melhores leituras do ano e é o que eu descreveria como um livro que nos assusta pela descrição da própria realidade. Não tem cenas de suspense nem de crimes cometidos em primeira pessoa, mas ainda assim é apavorante porque pode acontecer conosco a qualquer momento. Além disso, o capítulo final é uma obra notável de literatura por si só, com seu tom de conversa e reflexão psicanalítica. Por fim, acredito que é uma recomendação forte para os fãs de thrillers psicológicos e livros que abordem processos de luto.


Título Original: A Separation ✦ Autora: Katie Kitamura
Páginas: 216 ✦ Tradução: Sônia Moreira ✦ Editora: Companhia das Letras

Livro recebido em parceria com a editora

27 de dezembro de 2021

Amor, Mentiras e Rock & Roll | David Yoon

Amor, Mentiras e Rock & Roll traz a história de Sunny Dae, um menino que carrega o título de nerd da escola — junto dos amigos — com muito orgulho. Apesar de todo o bullying que sofre por conta do cara popular. O clássico YA, né?

Mesmo gostando de todas as suas coisas de nerd e de ter bons amigos por ser quem ele é, quando Sunny conhece Cirrus, tudo muda. Cirrus é filha dos amigos do pai de Sunny e ela está se mudando com eles. Numa visita a casa de Sunny, Cirrus se confunde e acredita que o quarto do irmão "legal" e rockeiro de Sunny, que não mora lá faz tempo, é o dele. E ao invés de Sunny dizer "opa, quarto errado, querida!", ele decide que é uma ótima ideia mentir e dizer que sim, aquele quarto cheio de posters de banda e instrumentos musicais é dele. E pior, ele ainda diz que tem uma banda, sem saber tocar um acorde na guitarra.

Eu super entendo a vibe "vou mudar tudo o que sou por causa do crush" porque quando eu era adolescente, eu fiz isso também, mas assim… Sunny leva a mentira a um nível maior quando pede pros seus amigos — que também não sabem nada de música — fingirem que eles tem uma banda. Os elementos da história são surreais, mas meu maior problema não foi esse.

Meu problema é que nenhum dos personagens é cativante o suficiente pra carregar o livro e o leitor. Sunny é egoísta e chato, Cirrus se acha legal demais quando na verdade é superficial e completamente vazia. Não vale o trabalho de aprender um instrumento só pra fazer ela gostar dele, sabe? O livro também é muito esteriotipado, tipo, a gente tá quase em 2022, caro autor, vamos evoluir o pensamento?

Ele tentou fazer algo com o plot de bullying, uma redenção meio nada a ver que também não deu certo. Yoon também discute racismo e xenofobia no livro, o que é um ponto bastante interessante, mas eu tava com tanta preguiça da história em si que o bom não superou o chato. 

Talvez eu tenha ido com muita sede ao pote? Provavelmente, mas enfim, se você curte história adolescente — not my cup of tea — você vai curtir esse.

Título Original: Super Fake Love Song ✦ Autor: David Yoon
Páginas: 368 ✦ Tradução: Lígia Azevedo ✦ Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora

23 de dezembro de 2021

Billy Summers | Stephen King

Billy Summers é um assassino de aluguel, mas você precisa entender que ele só aceita fazer o serviço em gente má. Se a pessoa não for ruim, Billy cai fora. E agora que ele quer finalmente se aposentar, um último trabalho aparece. Cabe a um dos melhores atiradores do mundo fazer um serviço muito simples: dar fim a mais uma pessoa má e aí tudo acaba. Só descanso.

Mas algo intriga Billy dessa vez. Seria a imensa quantia de dinheiro — muito maior do que qualquer outro trabalho que ele tenha feito no passado — ou então o fato de ter que se mudar para uma cidadezinha e se misturar entre vizinhos e colegas por meses? Ele não sabe bem o que tem de errado, mas está disposto a descobrir. Billy só não faz ideia de que terminar seu último serviço seria, na verdade, o começo de algo muito maior e muito perigoso. Algo do qual nem Billy Summers poderia ter previsto.

Como vocês sabem, King gosta bastante de colocar experiências próprias em seus livros, assim como referências às suas obras. Billy Summers não é diferente nesse aspecto. Temos ligação dessa vez com O Iluminado (um dos livros mais famosos do autor), mas já adianto que se você nunca teve contato com essa obra em específico, não estraga sua experiência de leitura. King também faz com que Summers assuma a identidade de um escritor para acobertar o assassinato, coisa que já vimos em outros livros dele também e é um lugar comum para o autor. Mas dessa vez tudo é diferente.

Billy Summers não é um livro de terror, não tem sustos ou elementos sobrenaturais. É só o King escrevendo sobre um assassino de aluguel em seu último trabalho e como as coisas podem dar extremamente errado na vida de alguém. E ele faz isso de forma magnífica. Só gostaria de lembrar que existem alguns gatilhos de violência e coisas um pouco mais pesadas conforme o livro avança, então se você estiver passando por tempos difíceis, talvez você possa querer adiar essa leitura, ok?

Mr. Mercedes ainda é o melhor do King nesse gênero de thriller e policial, na minha humilde opinião, mas Billy Summers não fica muito longe disso. Vi que foi um livro que ficou bastante misto nas opiniões pois King divide o livro em dois, a narrativa de antes e depois do assassinato é bem diferente mesmo, mas por isso gostei tanto. Não achei enrolado como li por aí, e também não achei que o King colocou informações desnecessárias como as vezes pode acontecer em algumas de suas obras. Trocas Macabras é um exemplo disso — que eu gosto, mas sei que tem gente que se cansou antes da metade.

Para vocês que tem medo de ler algumas coisas do autor, como sempre digo: comecem por Carrie. Se ainda assim sentirem medo, podem começar por Billy Summers, sem problemas! Inclusive, é até meio esquisito dizer mas rolou um chorinho no final do livro. Não é a primeira vez que King me fez chorar, hehe, então eu sou suspeita, mas ainda assim recomendo fortemente a leitura.

Título Original: Billy Summers ✦ Autor: Stephen King
Páginas: 472 ✦ Tradução: Regiane Winarski ✦ Editora: Suma
Livro recebido em parceria com a editora

16 de dezembro de 2021

Heartstopper, volumes 1 e 2: Dois Garotos, Um Encontro & Minha Pessoa Favorita | Alice Oseman


Heartstopper é uma série em forma de quadrinhos criada por Alice Oseman, publicada primeiramente em forma de webcomic. Os protagonistas, Charlie e Nick surgiram pela primeira vez no romance de estreia da autora, Um Ano Solitário, que conta a história de Tori, irmã mais velha de Charlie. Os dois não têm muito destaque nessa trama, mas Oseman tinha muita vontade de contar como os dois garotos, que estão num relacionamento amoroso, se conheceram e passaram a namorar. E foi assim que surgiu Heartstopper: Dois Garotos, Um Encontro, o primeiro volume. 

De primeiro momento, pode parecer um pouco complexo a questão de como Nick se aproxima de Charlie, uma vez que ele é super popular por jogar no time de rúgbi, além de ser próximo de vários caras bem babacas, equanto Charlie é um garoto bem tímido e inseguro. Eu digo que é difícil entender, mas parando para pensar, os clichês escolares costumam ser assim, né? Uma pessoa popular, uma pessoa nerd, alguma coisa aproxima as duas e pronto, o romance está no ar. A diferença é que, desde o início, Nick se mostra muito diferente dos seus "amigos", muito educado, amigável, fofo... E foi isso que me conquistou. Não teve nenhum drama, a não ser Charlie jurar que Nick é hétero, rs.

Engraçado como nós estereotipamos as pessoas, não é mesmo? Por exemplo, é muito fácil para as pessoas aceitarem que Charlie gosta de meninos, simplesmente porque desde sempre ele foi mais sensível e quietinho, então essas características já foram associadas ao fato de ele ser gay. Nick, por sua vez, é todo forte, pratica um esporte considerado masculino, faz parte de um grupo composto majoritariamente por garotos hétero-cis... Então ninguém imaginaria que ele fosse tão sensível quanto Charlie e pudesse se apaixonar por ele. 

Gostei também da forma como Alice Oseman explorou a questão do bullying (que eu particularmente prefiro chamar de homofobia) quando Charlie foi obrigado a sair do armário por ter sido alvo de fofocas. Isso acontece bastante, principalmente com pessoas na faixa etária dos protagonistas, entre 14-17 anos. Inclusive, o volume 2, Heartstopper: Minha Pessoa Favorita está de parabéns nesse quesito. Nick percebeu que realmente queria ficar com Charlie, mas não estava necessariamente pronto para contar para as pessoas que também gostava de meninos e em momento algum foi forçado a isso.


Fiquei apaixonada pela forma como eles se apaixonaram, rs. Tudo começou com uma amizade, mas desde o início estava muito na cara que eles se gostavam, só não sabiam como admitir. É simplesmente muito fofo, quase explodi de tanto amor. Eu sou muito fã de relacionamentos simples, sem drama, sabem? Nada de reviravoltas mirabolantes estilo novela das nove, só algo calmo que flui perfeitamente com o passar do tempo. E Heartstopper é exatamente assim. 

Fiquem avisados: é impossível parar no primeiro volume. Logo que termina, já queremos dar continuidade na trama. Primeiro porque Charlie está apaixonado, mas acha que não é correspondido. Em segundo lugar, Nick está tentando entender quem ele realmente é, do que gosta, e isso tudo tem a ver com querer se abrir para as pessoas e ao mesmo tempo sentir medo, visto que nem sempre somos aceitos quando assumimos ser "diferentes" do que a sociedade espera. A coisa que eu mais amei no volume 2 e que realmente me deixou emocionada foi o apoio que Nick recebeu da sua mãe. Ai, gente, queria que fosse assim com todo mundo, juro! Coisa mais linda de se ver!

Além disso, a representatividade de Heartstopper não se limita a Charlie e Nick. Tem um casal composto por meninas, personagem trans, uma professora topíssima que tenta a todo custo corrigir seus alunos babacasa e diálogos importantíssimos para a geração atual. Por falar nisso, acho essa história perfeitinha demais para adolescentes, principalmente àqueles que estão se encontrando no universo LGBTQIA+.

Ah, queria falar especialmente sobre a tradução de Guilherme Miranda, que ficou maravilhosa demais! Isso porque ele conseguiu transformar várias referências de forma que fizessem sentido para nós, brasileiros, e isso é um trabalho excepcional! Além de tudo, combinou perfeitamente com traço delicado de Alice Oseman. Gente, não vejo a hora de ter os próximos volumes em mãos, meu coração clama por mais.

Título Original: Heartstopper ✦ Autora: Alice Oseman
Páginas: 288 + 320 ✦ Tradução: Guilherme Miranda ✦ Editora: Seguinte
Livros recebidos em parceria com a editora

13 de dezembro de 2021

Destruidor de Mundos | Victoria Aveyard


Provavelmente esse foi um dos lançamentos mais esperados em 2021 para quem é fã da Victoria Aveyard, aclamada autora da série A Rainha VermelhaDestruidor de Mundos chegou com a promessa de revolucionar o gênero alta fantasia, mas será que realmente chega lá?

A trama se passa no universo fictício de Todala, um continente que está ameaçado pela volta de um supervilão, Taristan, que está determinado a reabrir portais que o farão ser detendor de inúmeros poderes. A grande problemática é que esses portais são extremamente imprevisíveis e instáveis, podendo trazer criaturas perigosas que não hesitarão em destruir Todala. 

É nesse contexto que surge a protagonista, Corayne, filha de uma pirata que esconde inúmeros segredos. Um dele, inclusive, é a descendência da garota, que a torna muito poderosa e uma peça chave para a salvação de Todala. Não bastasse isso, digamos que Corayne é bem aventureira e está cansada de ser deixada para trás pela mãe, então não foi difícil convencê-la de que conseguiria impedir que Taristan completasse a missão. 

Enfim, não nego que o enredo de Destruidor de Mundos é muito chamativo, bem pensado e embasado. Prova disso é o mapa que acompanha o livro, que nos dá uma visão geral do continente e, de certa forma, ajuda a compreendermos os personagens e suas respectivas culturas. Porém, a narrativa é tão, mas tão, mas tão descritiva que, do fundo do meu coração, dá até preguiça. A começar pelo prólogo, que é extremamente longo, cansativo e com tantas informações que deixa o leitor confuso logo de cara. 

É comum que primeiros livros de séries sejam mais descritivos mesmo, afinal, o autor está apresentando um universo aos leitores. Mas Victoria Aveyard foi muito exagerada, gente. As informações precisam ser inseridas com cautela, afinal, nós precisamos entender o que está acontecendo, não é mesmo? Sinto que a autora se preocupou tanto em citar lugares, personagens e nomes que esqueceu, de fato, de desenvolver a história. 

Por exemplo, logo no prólogo, Aveyard nos apresenta as esferas e os fusos, mas só apresenta mesmo. Ela fala que esses termos existem, que são importantes para a trama, mas em momento algum explica o que eles são, o que torna a leitura muito complicada. É difícil demais se prender em um livro de fantasia em que não entendemos a magia por trás dele. Tanto que eu comecei a ler esse livro em meados de maio, pertinho do lançamento, e só fui conseguir terminá-lo agora.

Sobre os personagens, que tristeza, gente. Nenhum é desenvolvido o suficente a ponto de nos fazer gostar verdadeiramente deles. As personalidades são muito rasas, incluindo a de Corayne e Taristan. Esse último, inclusive, parece ser apenas uma aura do mal, que todo mundo ouve falar, sabe que é perigoso, mas que nunca aparece de fato.

Pensando por esse lado, Destruidor de Mundos é até um pouco incoerente... Quer dizer, logo no começo somos apresentados a um problema gigantesco e muito urgente, afinal, todos os personagens precisam parar Taristan antes que seja tarde, mas passam praticamente toda a história andando de um lado para o outro, sem nada importante acontecer de verdade. Não existe sequer uma cena de ação eletrizante que justifique tanta urgência, no fim das contas.

Como é um universo com muito potencial, tenho fé que Victoria Aveyard pode trazer o que há de melhor da história nos próximos volumes, desde que foque no que realmente importa. Mas, sinceramente, não posso dar certeza que estarei lá para conferir.

Título Original: Realm Breaker ✦ Autora: Victoria Aveyard
Páginas: 560 ✦ Tradução: Guilherme Miranda e Lígia Azevedo ✦ Editora: Seguinte
Livros recebidos em parceria com a editora

9 de dezembro de 2021

Guardei no Armário | Samuel Gomes


Guardei no Armário é um livro autobiográfico do autor Samuel Gomes. Samuca foi criado pelos pais sob o prisma evangélico, uma vez que eram membros da Congregação Cristã no Brasil e a família seguia fielmente os dogmas impostos pela Igreja. Apesar de viver em um ambiente estruturado, com pais que se amavam, uma irmã mais velha e convívio com o restante dos familiares, Samuel começou a perceber que não se encaixava por completo naquele sistema.

Dessa forma, a vida de Samuel nos é apresentada a partir de suas memórias, bem intimistas, diga-se de passagem, o que deixa tudo muito tocante. Sua forma de escrever é muito simples e direta, o que faz com que Guardei no Armário seja acessível e de fácil compreesão. Gostei muito de acompanhar a trajetória de Samuca, principalmente porque a história dele é parecida com a de milhares de pessoas espalhadas por esse Brasilzão: estar imerso em um cenário religioso e passar a conviver com imensos dilemas ao se descobrir LGBTQIA+. Além disso, é claro, Samuel nos apresenta outros dois eixos principais, que são sua origem periférica e sua negritude, e como a religião sempre era um ponto que permeava suas decisões. 

Com o passar das páginas, é notável o crescimento de Samuel, mas, ao mesmo tempo, foi muito dolorido ver como ele escondia seu verdadeiro eu por medo de decepcionar os pais, os membros da igreja e, acima de tudo, Deus. É angustiante demais, principalmente porque nos faz pensar quantas pessoas LGBTQIA+ passaram e ainda passam por isso durante a infância e adolescência. Triste, até, porque o Deus que eu conheço não castiga, não condena, não te manda para inferno. O Deus que eu conheço ama seus filhos independente de quem são, de como são. E, se somos quem somos, com todas as nossas características que nos tornam únicos e especiais, é por causa dEle. 

Era corriqueiro escutar, em algumas pregações, pastores comparando a vida de homossexuais à de criminosos ou até de assassinos. Já ouvi alguns pais dizerem que prefeririam um filho ladrão a um filho gay, pois só o primeiro teria a chance do perdão divino.

Samuel consegue falar de forma muito coerente sobre como os dogmas religiosos podem impactar a vida de uma pessoa, e traz muitas reflexões acerca disso. E isso inclui a forma como ele se exergava não apenas como homem gay, mas também como homem negro. Ele conta que foi muito difícil reconhecer sua negritude porque a maior parte da sua congregação era composta por pessoas brancas e porque muitos dos seus traços étnicos eram suprimidos pela igreja. Por exemplo, o cabelo tinha que ser cortado baixo para ser aprovado por Deus. Mas a gente sabe que, na verdade, isso vem do racismo que está nas pessoas e que a grande maioria das igrejas reproduzem o tempo inteiro. 

É claro que a parte que eu mais esperava era o momento em que ele se abriria para a família e foi muito emocionante. Não vou contar as reações porque quero que vocês leiam e se emocionem também, mas já digo que foi triste e bonito ao mesmo tempo, porque, apesar da dificuldade, Samuca finalmente conseguiu se livrar das expectativas que colocavam sobre ele. Esse processo fez com que ele sentisse a necessidade de falar sobre o assunto, e foi assim que surgiu o projeto Guardei no Armário. Para quem não sabem, além dos escritos, Samuel também tem um canal no YouTube que leva o mesmo nome e tem vários vídeos legais por lá, muito esclarecedores. Aprendi demais, sério. 

Além disso, Guardei no Armário tem um texto maravilhoso escrito pelo pai de Samuel, que quase me matou de tanto chorar, e outros vários depoimentos e entrevistas de pessoas LGBTQIA+ muitíssimo conhecidas na comunidade, como Nátaly Neri, Jonas Maria — eu amo acompanhar esse casal com todas as minhas forças — e Spartakus Santiago. Uma das coisas que eu mais gostei de fazer foi procurar as mídias sociais de cada um que eu ainda não conhecia para conhecer seus respectivos trabalhos, e só posso afirmar que isso fez com que minha experiência com o livro fosse ainda mais perfeita. 

Título Original: Guardei no Armário ✦ Autor: Samuel Gomes
Páginas: 304 ✦ Editora: Paralela
Livros recebidos em parceria com a editora

6 de dezembro de 2021

Uma Princesa em Tóquio | Emiko Jean

A reviravolta de Uma Princesa em Tóquio é digna de podridão da família real Britânica, viu?!

Izumi é uma garota normal que tem suas amigas e vive com sua mãe e um cachorro numa cidade da Califórnia (se isso não foi uma referência, eu vou fingir que é sim). Izzy nunca se sentiu norte-americana o suficiente por ter descendência japonesa e ser uma das únicas na cidade que é asiática. Mas isso pode estar prestes a mudar quando Noora, sua melhor amiga, utiliza o Google e boas habilidades de pesquisa para descobrir quem é o pai misterioso de Izumi.

A grande surpresa é ele ser o Príncipe Herdeiro do Japão.

De um jeito muito bizarro, Izumi acaba com membros do palácio da família Imperial na porta de sua casa com um convite: Vamos pro Japão? Seu pai quer te conhecer.

As mulheres da realeza são minuciosamente avaliadas. Tudo é colocado sob uma lupa. São criticadas por suas causas, seus vestidos e seus filhos.

Izumi vai porque acredita que é a oportunidade de descobrir quem ela é. 

Na minha própria vida, nunca fui protagonista. Simplesmente não sou uma estrela, não nasci pra isso. Sempre fui só a coadjuvante.

Eu sou traumatizada pela família real Britânica e todo tratamento de lixo que Meghan recebeu daquela gentalha, logo, eu tenho sérias dificuldades de entrar em histórias fictícias sobre a realeza. Mas a escrita de Emiko é muito cativante. 

Uma Princesa em Tóquio ainda romantiza e facilita coisas que não são fáceis, como a adaptação a uma vida de realeza. Fora que em teoria, Izumi é uma filha não reconhecida, então, eu acho difícil que ela recebesse o título de Princesa assim de graça rs. Mas no espírito da ficção, vamos fingir que sim. Ao mesmo tempo, Emiko traz um pouquinho de realidade pra história, já que existe um tablóide japonês que inventa histórias dos membros da família Imperial e Izumi, como a novata, é o alvo.  

Pelo menos não é o alvo por causa de trabalho interno do irmão do cônjuge dela né? *Cof

Comecei a resenha dizendo que a reviravolta é digna da realeza britânica e não pense que é pelo lado positivo viu. Eu nunca falo bem da família real 😂. O livro é narrado em primeira pessoa, pelo ponto de vista de Izumi intercalando com alguns artigos do tablóide japonês. É um livro bem leve, Young Adult, tranquilo, fácil. A autora colocou um pouquinho de questão política sobre ascender ao trono japonês, mas é uma pincelada rápida nisso. 

Eu não posso dizer que Izumi ou Akio (o guarda imperial de Izumi) me chamaram super atenção. Como se fossem personagens super encantadores e cativantes, mas o todo da história é ótimo pra passar o tempo. Sem grandes lições, entretenimento gostosinho. Filme de sessão da tarde, sabe? No geral, eu curti a história, mas talvez tenha faltado algo mais uau pra deixar uma grande marca em mim. Não significa que é ruim, apenas que não foi favoritado 😂.

Uma Princesa em Tóquio é um bom livro, ótimo pra curar ressacas.

Título Original: Tokyo Ever After ✦ Autora: Emiko Jean
Páginas: 312 ✦ Tradução: Raquel Nakasone ✦ Editora: Seguinte
Livros recebidos em parceria com a editora

3 de dezembro de 2021

Top Comentarista: Dezembro 2021

E vamos para o último top comentarista do ano! Gosto de aproveitar esse espacinho para agradecer a todos vocês que acompanham o blog e estão aqui todos os meses participando, comentando e interagindo comigo nas outras redes sociais. Vocês são demais, muito obrigada por tudo! Nada disso seria possível sem vocês! 

Além disso, gostaria de lembrá-los que os sorteios de aniversário do Roendo Livros ficam no ar até dia 11/12/2021, então não deixem de participar, tá bem?

Agora, vamos às instruções do top comentarista.

Antes era obrigatório comentar em todas as postagens para não ser desclassificado do concurso, mas a partir de agora vocês serão sorteados a partir dos comentários. Isso significa que não é obrigatório comentar em todos os posts: cada comentário que vocês fizerem devem ser cadastrados no formulário do Rafflecopter, que só aceita uma entrada por dia — recomendo que vocês comentem e preencham o formulário sempre que sair post novo, já que quanto mais comentários cadastrados, maior a chance de ganhar. Todos os meses um comentário será sorteado pelo aplicativo.

Atenção: só preencham o formulário nos dias em que comentarem no blog. Por exemplo, se em determinado mês tiverem 05 posts, o número máximo de entradas que cada participante pode ter no formulário é 05!

Desde janeiro o prêmio voltou a ser um vale compras no valor de trinta reais (R$30,00) na Amazon! Ah, as chances extras continuam: comentar nos posts do Instagram e tweetar sobre o top todos os dias em que tiver postagem nova por aqui, então aproveitem! Caso tenha restado alguma dúvida, podem me procurar nas redes sociais, tá bom?

Observações
- O período de validade desse top comentarista é de 01/12/2021 à 31/12/2021. Cada comentário que vocês fizerem devem ser cadastrados no formulário do Rafflecopter, que só aceita uma entrada por dia — recomendo que vocês comentem e preencham o formulário sempre que sair post novo, já que quanto mais comentários cadastrados, maior a chance de ganhar.
Não serão computados comentários genéricos, só aqueles que exprimem a opinião do leitor e mostram que ele realmente leu o post. Comentários plagiados de outras plataformas (lembrem-se que plágio é crime) ou que se repetem em outros blogs não serão considerados. Comentários do tipo serão excluídos sem aviso prévio e o participante será automaticamente desclassificado;
- É permitido apenas um comentário por post;
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- Após o término do top, o Roendo Livros tem até 15 dias para divulgar o resultado;
- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito. O livro escolhido (na faixa de preço estabelecida) deverá ser informado no corpo do e-mail;
- Após feito o contato, o prêmio será enviado dentro de até 60 dias úteis;
- Para o livro ser enviado, é necessário que o ganhador passe o número do CPF para a Ana, já que agora os Correios solicitam uma declaração de conteúdo (saiba mais aqui) Só participe do sorteio se estiver de acordo;
- O Roendo Livros não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados no livro. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e ausência de recebedor. O livro não será enviado novamente;
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- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.

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