30 de maio de 2022
Heartstopper, volume 3: Um Passo Adiante | Alice Oseman
26 de maio de 2022
O que dizem as estrelas: Contos astrológicos ou astrocontos | Luly Trigo
Sei que quando o assunto são signos, a gente vai entrar em divergência: metade das pessoas acredita e metade vai passar reto haha, mas eu estou na parcela de pessoas que gosta de checar o horóscopo da semana — e que até de certa forma é um assunto que molda algumas áreas da minha vida. Mas mesmo para aqueles que acham uma completa baboseira, o livro O Que Dizem as Estrelas vai te tirar umas reflexões e gargalhadas.
A premissa de O Que Dizem as Estrelas é muito "básica" e por isso certeira: 12 contos, um para cada um dos 12 signos. Luly apresenta os personagens, conta sua história, em seguida mostra um pouco de como pessoas daquele signo funcionam e umas informações extras.
Um ponto bastante positivo é a Luly não forçar nenhuma situação para ser mais moderninha ou inclusiva, ela apenas escreve e as coisas fluem naturalmente. No conto sobre meu signo, Libra, a personagem é claramente vegetariana (ou gosta muito de vegetais haha). Você só descobre isso pois a autora coloca de forma muito casual essa questão, sem ser em forma de militância ou impondo algo sobre outros personagens, deixando o livro leve.
É claro que é normal gostar mais de alguns contos do que de outros, principalmente por rolar essa identificação (inclusive do mapa astrológico), mas acredito que não dá para ser unânime, principalmente pelo que vi de outros leitores por aí. Mas um dos queridinhos é o de Aquário, todo narrado através de mensagens no celular.
Eu não sou uma pessoa que lê muitos livros de contos, ainda mais se não forem de terror, mas adorei esse aqui. Primeiro por me interessar no assunto, mas também por ser um livro divertido. Mesmo que você não entenda absolutamente nada desse rolê astrológico, a autora dá um jeito de te inserir nesse mundo e as histórias por si só te envolvem e fazem querer saber do desfecho.
22 de maio de 2022
Viúva de Ferro | Xiran Jay Zhao
7 de maio de 2022
A Camareira | Nita Prose
Comecei a ler A Camareira em fevereiro, assim que recebe o exemplar do Intrínsecos. A questão é que o início foi muito parado, então acabei deixando de lado por um tempo, para dar outra chance depois antes de desistir por completo. Finalizei a leitura em abril, e apesar de não ser o melhor livro de mistério do mundo, acabei gostando, mesmo com algumas observações.
O livro é narrado por Molly, uma camareira que trabalha em um hotel de luxo, o Regency Grand. Ela é extremamente metódica e adora fazer o seu trabalho. A personagem é descrita pelos outros funcionários como "esquisita", "uma aberração", porque é diferente das outras pessoas. Ela não entende ironias, nem sabe classificar quando as pessoas estão sendo maldosas com ela. Isso não fica explícito no livro, mas provavelmente Molly está no espectro autista, o que faz com que todos se aproveitem dela de alguma forma.
E é por conta disso que Molly acaba se tornando a principal suspeita de um assassinato. Um belo dia, a camareira estava fazendo seu trabalho de sempre quando dá de cara com o Sr. Black, um homem muito rico e influente, mortinho da silva na cama do hotel. Apesar de não ter nada a ver com o ocorrido, uma sucessão de fatos faz com que Molly caia na mira da polícia. Mas afinal, o que aconteceu na suíte dos Black aquele dia? Quem é o verdadeiro assassino? Será que Molly é mesmo tão inocente?
De forma geral, A Camareira é um bom livro, principalmente se levarmos em consideração que é o primeiro da autora. Mas existem alguns poréns: em primeiro lugar, a narrativa demora um pouco para engatar. Acho que é porque a história se passa inteira sob o ponto de vista de Molly e ela acaba divagando muito, então as coisas custam a acontecer de fato. Outra coisa é que em determinado momento acabei perdendo a paciência com a personagem, porque as pessoas fazem ela de gato e sapato, coitada. Só que algumas coisas são muito óbvias, sabem? Depois fiquei me sentindo meio mal porque eu entendo as condições da personagem e ainda assim ficava "não é possível que isso está acontecendo".
O final, apesar de satisfatório e condizente, me incomodou um pouco. Porque assim, durante a narrativa inteira não tivemos nenhum indiciozinho do verdadeiro culpado... E quando ele finalmente aparece, fiquei com aquela sensação de que foi algo decidido pela autora no último minuto, sabem? Só pra não ficar sem um desfecho concreto... Mas não sei, pode também ter sido alguma falta de atenção minha, rs.
Assim, eu gostei da escrita da Nita Prose, mas senti que ficou faltando algo ainda. Acho que o livro é mais sobre o drama vivido por Molly do que sobre o mistério em si, então não sei se concordo muito com a classificação dada a ele. Para vocês terem ideia, durante toda a leitura o que eu mais senti foi pena da personagem principal do que curiosidade de fato. Então, acho que vale demais a leitura, desde que as pessoas não esperem um enigma muito elaborado.
5 de maio de 2022
Hamnet | Maggie O'Farrell
Apesar de ser considerado um dos maiores autores e dramaturgos de todos os tempos, pouco se sabe a respeito da vida de William Shakespeare. Nascido em 1564, o poeta escreveu algumas das histórias mais conhecidas e amadas do mundo, como Romeu e Julieta, A Tempestade, Rei Lear, Macbeth, Sonho de uma Noite de Verão e Hamlet. Este último, parece ter sido inspirado em seu filho, Hamnet, que dá nome ao romance de Maggie O'Farrell, vencedor do Women's Fiction Award no Reino Unido e eleito um dos melhores livros de 2020. No Brasil, a obra foi lançada em 2021, tendo sido publicada primeiramente pelo Clube Intrínsecos.
O'Farrell preenche as lacunas na história de Shakespeare e se concentra em um dos episódios mais tristes da vida dessa família: a morte prematura de Hamnet, filho de Shakespeare e Agnes, irmão gêmeo de Judith e irmão mais novo de Susanna. Como a morte do filho pode ter influenciado Shakespeare? Como esse acontecimento trágico atingiu Agnes?
Num primeiro momento, o que mais me surpreendeu nesse livro foi a narrativa de Maggie O'Farrell, que consegue a proeza de ser poética e fluida ao mesmo tempo, profunda e rápida. As primeiras páginas ja conseguem prender o leitor pela ambientação e apresentação dos personagens. Quando Agnes é apresentada é impossível não se apaixonar por ela. Olhem que lindamente triste é esse trecho:
Ela cresce se sentindo errada, inadequada, morena demais, alta demais, demasiado indomável, demasiado obstinada, calada demais, esquisita demais. Cresce com a consciência de ser meramente tolerada, irritante, inútil, de não merecer amor, de precisar mudar de forma drástica, subjugar sua natureza, a fim de conseguir se casar. Cresce também com a lembrança do que significa ser amada de verdade, pelo que se é e não pelo que se deveria ser.
Agnes é forte, selvagem e sábia, mas sabe que essas características não eram as mais desejadas e admiradas em uma mulher. Esse livro é muito mais sobre Agnes do que sobre Shakespeare. Na verdade, o autor não é nominalmente citado nenhuma vez ao longo de todo o livro. As referências a ele são como "o pai", "o marido", "o filho" e assim por diante. E isso é incrível, pois demonstra que essa história não se apoia unicamente na fama do dramaturgo, pois realmente tem muito mais a oferecer.
O primeiro capítulo do livro mostra Hamnet procurando um adulto pela casa, pois sua irmã gêmea, Judith, não esta se sentindo bem. O tema que será pano de fundo para essa história já dá os primeiros sinais aqui: a peste bubônica. Tema este que, por si só, já é assustador. A atmosfera de tensão do livro é muito bem trabalhada através do medo das pessoas. Afinal, estar com a peste ou ver alguém que você ama com a doença era um verdadeiro pesadelo.
No segundo capítulo, voltamos alguns anos e acompanhamos Shakespeare e Agnes se conhecendo, enquanto somos apresentados aos pais e familiares de ambos também. E assim o livro segue, alternando capítulos que mostram o início do relacionamento dos pais de Hamnet e a vida do garoto já aos 10/11 anos de idade.
O leitor já sabe que o garoto que dá nome ao livro irá morrer, mas o livro demora para chegar nesse acontecimento. A princípio, isso me incomodou, mas depois eu entendi que a intenção da autora é fazer com que o leitor se afeiçoe a esse personagem, o veja nascer, crescer e se tornar o menino doce e amoroso que aparece no primeiro capítulo. Acompanhamos não apenas a vida de Hamnet, mas também o que a precede: o amor entre seus pais, as dificuldades enfrentadas por eles, as excentricidades de Agnes, a determinação de Shakespeare e o amor incondicional que eles sentem pelos filhos.
Todos os personagens desse livro são muito bem construídos, complexos e reais, mas preciso dizer que a Agnes e o Hamnet ganharam meu coração. Agnes com seus dons (que vocês só vão descobrir se lerem o livro) e Hamnet com sua delicadeza. Esse livro transborda amor em todos os momentos. E como é duro ver pessoas que se amam tanto perdendo umas às outras. O capítulo que narra a morte de Hamnet é de arrepiar. E a dor de Agnes é tão forte que deixou meu coração apertado.
Tentaria de tudo, faria de tudo. Abriria as próprias veias, rasgaram o próprio corpo e daria ao filho seu sangue, seu coração, seus órgãos, se de alguma coisa adiantasse.
O romance é dividido em duas partes e é a morte de Hamnet que marca essa divisão. A partir desse ponto, o livro passa a ser sobre luto, sobre perder um filho, um irmão, um sobrinho, um neto, sobre enterrar uma criança. E, gente, que difícil. Eu, que nunca pensei em ter filho, me peguei sentindo a dor da Agnes pela injustiça daquela situação, porque uma mãe jamais deveria ter de velar o corpo inerte de um filho.
O livro também é sobre o poder da arte. Poder capaz de trazer os mortos de volta, capaz de ressignificar tragédias e acalmar sofrimentos. Shakespeare lidou com a morte do filho do único jeito que sabia lidar com qualquer outra coisa: transformando em arte. Mas não apenas isso. Afinal, o livro explora diferentes formas de viver o luto. Cada pessoa encara esse momento de uma forma e O'Farrell soube explorar isso muito bem.
A edição da Intrínseca é um dos livros mais lindos da minha estante. A capa é lindíssima e tem uma textura diferente, áspera, como um tecido. As letras e margens grandes tornam o livro gostoso de ler. Amei que a fonte das letras é diferente. Eu nunca tinha lido um livro com essa fonte. Infelizmente, eu encontrei vários erros ao longo do livro, desde palavras escritas erradas até palavras faltando. Mas nada que prejudique a leitura e nada que não possa ser resolvido com uma revisão mais cuidadosa.
Recomendo demais esse livro. É bem o meu tipo de livro, que transborda sentimento e mexe com o leitor. Impossível fazer essa leitura e não sentir nada. Se você também ama leituras que mexem com a alma e o coração, você vai amar Hamnet.
Livro recebido em parceria com a editora
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1 de maio de 2022
Top Comentarista: Maio 2022
Observações- O período de validade desse top comentarista é de 01/05/2022 à 31/05/2022. Cada comentário que vocês fizerem devem ser cadastrados no formulário do Rafflecopter, que só aceita uma entrada por dia.- Não serão computados comentários genéricos, só aqueles que exprimem a opinião do leitor e mostram que ele realmente leu o post. Comentários plagiados de outras plataformas (lembrem-se que plágio é crime) ou que se repetem em outros blogs não serão considerados. Comentários do tipo serão excluídos sem aviso prévio e o participante será automaticamente desclassificado;- É permitido apenas um comentário por post;- É obrigatório seguir o Roendo Livros via GFC e seguir o perfil @anadoroendo no Instagram para validar a participação;- A entrada "tweet about de giveaway" só será válida se a pessoa estiver seguindo o Twitter informado (@anadoroendo);- Após o término do top, o Roendo Livros tem até 15 dias para divulgar o resultado;- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito. O livro escolhido (na faixa de preço estabelecida) deverá ser informado no corpo do e-mail;- Após feito o contato, o prêmio será enviado dentro de até 60 dias úteis;- Para o livro ser enviado, é necessário que o ganhador passe o número do CPF para a Ana, já que agora os Correios solicitam uma declaração de conteúdo (saiba mais aqui) Só participe do sorteio se estiver de acordo;- O Roendo Livros não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados no livro. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e ausência de recebedor. O livro não será enviado novamente;- O Roendo Livros se reserva o direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.






