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30 de agosto de 2020

O Dia Depois do Fora | Laura Conrado

 
Acredito que nunca tenha passado por tantas emoções dentro de um livro só, e isso não foi um comentário necessariamente positivo. Sabe aquela historia de se interessar pela capa? Então, foi bem isso. Amei a capa de O Dia Depois do Fora, e a partir daí, expectativas foram criadas. Ao ler a sinopse no verso da capa fiquei mais animada ainda para a começar a leitura. Nas primeiras páginas somos apresentados à Melissa e o seu drama de levar um fora na reta final  da faculdade. Ela vai se tornar uma dentista e está prestes a perceber que tudo que já tinha sonhado para o futuro não sairá como o planejado. 

Mel é uma garota que desde criança deseja ser dentista e vê nessa profissão a sua chance de sair da condição que a família vive e ser feliz longe dali. Estudou bastante e passou na universidade federal e lá conheceu Fred, por quem se apaixonou perdidamente e faz vários planos para o futuro dos dois, juntos. Durante o namoro, Melissa mudou bastante e, por medo de não ser aceita como era por causa da condição em que vivia, criou várias mentiras e assim foi levando o relacionamento. Então, ela se vê perdida ao levar um fora, já que tudo que havia pensado para si envolvia Fred. Se vendo numa situação desesperadora e dessejando que a dor que sente passe logo, Melissa faz um pedido inusitado: "Se houvesse um jeito de amanha não ser amanhã... eu preciso muito de ajuda! Muito!". A partir daí, Melissa passa e reviver esse dia inúmeras vezes.

Ao reviver o terrível dia pela segunda vez, Mel conhece Auxiliadora, a resposta para seu pedido da noite anterior. Em forma de bastante purpurina e uma luz fortíssima, Auxiliadora guia Melissa e a faz abrir sua mente e perceber as coisas a sua volta com outros olhos. Revivendo "o dia depois do fora" várias vezes, Mel se aproxima mais da pessoas realmente importantes e nota as decisões erradas que tomou durante a vida inteira. Com a mente mais aberta para perceber as coisas que faziam mais sentido na vida dela, os dias voltam a passar normalmente e conhecemos uma Melissa bem diferente da apresentada no início, muito mais madura e disposta a mudar e, quem sabe, encontrar um verdadeiro amor.

Surge, lentamente, um pequeno agradecimentos por estar vivendo o presente. Sem me culpar por erros nem me machucar buscando falhas que mataram meu namoro. E sem me desesperar com os dias que virão sem ele, mesmo que ainda goste de Fred. Hoje sou só eu e minhas lágrimas. E amanhã... Bem, eu já aprendi que não sei nada sobre ele.

Apesar do enredo ser bom, me senti perdida inúmeras vezes e até mesmo cansada dessa história de reviver os dias, principalmente no início da narrativa, já que muitos momentos e até mesmo falas eram exatamente iguais. O que me motivou a continuar a leitura foi a forma que a autora conduziu a narrativa, que despertou em mim uma vontade gigantesca de saber o que aconteceria com Melissa e como a história enfim terminaria.

Gostei bastante das personagens femininas, que lutam pelo que querem, fortes e batalhadoras... Melissa está inserida nesse meio, apesar de ter errado no início ao mentir por ter vergonha das suas origens simples. Nesse contexto, uma coisa muito boa que aconteceu foi acompanhar o amadurecimento da protagonista. Gosto de dizer a história da Mel (tirando a doideira de viver o mesmo dia várias vezes, rs), é a história de muitas garotas por aí!

A escritora desenvolve o enredo de uma maneira fluida e fácil de ser entendida. Em vários momentos é póssivel se identificar com a protagonista e sentir na pele os dilemas que ela vive. O livro é uma lição de vida, cheio de ensinamentos sobre se aceitar como é verdadeiramente, sobre amar e, acima de tudo, amor a si mesmo. Apesar da minha dificuldade com as partes repetitivas, gostei de O Dia Depois do Fora, leitura leve que me fez questionar muitas coisas sobre a vida.

Título Original: O Dia Depois do Fora ✦ Autora: Laura Conrado
Páginas: 266 ✦ Editora: Bertrand Brasil
Livro recebido em parceria com a editora
Texto por Raíssa Gasquel 
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28 de agosto de 2020

Sol da Meia-Noite | Stephenie Meyer


Obviamente todo mundo aqui conhece, no mínimo, o enredo principal de Crepúsculo: uma adolescente como qualquer outra que se apaixona perdidamente por um vampiro. A história de amor entre Bella Swan e Edward Cullen marcou gerações e continua fazendo parte da vida de tantos leitores, e justamente por isso Sol da Meia-Noite foi tão aguardado por nós. Depois daquela confusão toda com o vazamento dez anos atrás, achei que nunca mais teria acesso à história do primeiro volume da saga através dos olhos do Edward. E cá estou eu, depois de tanto tempo — e depois de tanto encher o saco de vocês no Instagram —, para contar minhas impressões totalmente duvidosas, diga-se de passagem, para vocês.

Não vou destrinchar o enredo porque acredito que a maioria de vocês já teve contato pelo menos com o filme e sabe como a história funciona. A única mudança verdadeira entre Crepúsculo e Sol da Meia-Noite é o narrador, ou seja, os acontecimentos permanecem os mesmos. Ainda assim, há muitas informações novas e interessantes, principalmente sobre o passado do Edward e sobre a família Cullen no geral. Gostei muito também de saber detalhes sobre cada membro da família, mas uma das coisas que eu mais gostei de verdade foi a proximidade entre Emmett e Edward, coisa que a gente não percebe através da narração da Bella.

Como vocês bem sabem, o livro possui mais de 700 páginas e muitas pessoas ficaram se perguntando o porquê disso, visto que Crepúsculo tem pouco mais que 400. A justificativa é que o narrador, dessa vez, é um vampiro ansioso. Parece engraçado, mas é a verdade. O Edward pensa muito, analisa mil e uma possibilidades dos mínimos acontecimentos que podem decorrer de alguma decisão que ele toma e sim, isso preenche páginas e mais páginas. Eu particularmente não achei ruim, porque eu já sabia que a personalidade dele era essa e eu gostava mesmo de saber o que ele estava pensando.

Ainda assim, hei de concordar que o ritmo de Sol da Meia-Noite é muito mais lento que os outros livros da série e obviamente isso é resultado da combinação entre Edward pensativo-filosófico e os capítulos que são extremamente longos. Gente, é óbvio que eu vou defender o Edward a todo custo, então não esperem menos, pelo amor de Deus, mas vocês me conhecem e bem sabem que eu odeio capítulo grande demais, então sim, isso para mim foi um ponto negativo. É claro que a história começa de fato a ficar mais interessante a partir do momento que Edward decide conversar com Bella, ainda que tenhamos que lidar com os pensamentos dele sobre ter que se afastar a todo custo por ser perigoso demais — desconheço ser mais dramático, porém amo.

Desde Crepúsculo eu já notava uma postura extremamente protetora do Edward, mas foi só aqui que eu percebi, na realidade, que o moço é bem neurótico, para não dizer obcecado. Eu já cansei de comentar com vocês que acho a coisa mais ridícula do mundo ele entrar no quarto da Bella à noite, né? E tendo contato com os pensamentos dele fiquei ainda mais incomodada, principalmente porque ele sabia que não era certo, mas não conseguia se controlar. Não consigo exatamente encontrar uma justificativa para tal comportamento... Mas ao mesmo tempo entendo que não é um relacionamento comum, afinal, estamos falando de uma humana e um vampiro, né? Ah, eu também sempre fico muito pistola com o lance dele achar que sabe o que é melhor pra Bella sempre, sendo que a única pessoa que pode saber disso é ela mesma!

Sempre que eu assisto aos filmes ou tenho contato com os livros fico pensando no quanto esse relacionamento em específico ilustra os romances dos anos 2000 e o quanto a gente achava que eles eram perfeitos. Acho que hoje já conseguimos ter um discernimento melhor, né? Por exemplo, eu não acho nem um pouco saudável a dependência que eles têm, esse negócio de um não conseguir viver sem o outro, mas eu entendo que isso era o normal para a época e era essa a visão que tínhamos de amor. Mas também confesso que passo um pouquinho de pano sim, já que vejo tantos problemas e continuo gostando da história e panfletando pra todo mundo. Paciência...

Em compensação, se tem uma coisa que eu achei bem legal é o tanto que o Edward exalta a Bella. É engraçado porque ela não pode abrir a boca que ele já fica: "nossa mas ela é muito boa, perfeita, caridosa, prestativa, cuidadosa, amável, gentil, sincera, empática, corajosa, encantadora..." e todos os melhores adjetivos que vocês possam imaginar. Eu achei legal porque em Crepúsculo a Bella se autodeprecia tanto que é realmente difícil a gente achar alguma coisa realmente interessante nela, então é pelos olhos do Edward que a gente confirma que a menina é realmente especial, que ela tem um coração maravilhoso e bom!

Sou suspeita para falar, mas a cena da campina foi a coisa mais linda e brega do mundo, e eu amo! E também quase morri quando chegou na parte do jogo de beisebol, a sensação que eu tive foi que estava lendo tudo pela primeira vez. A caçada também é muito mais eletrizante pelo ponto de vista do Edward e trás muitas respostas... Tipo como eles fizeram para encontrar a Bella e chegar a ela tão rápido, tudo envolvendo coisas sobrenaturais, obviamente. E lembram daquela desculpa que deram "a Bella caiu dois lances de escada e atravessou uma janela"? Só posso dizer que os Cullen realmente pensam em tudo, rs.

Bom, acho que eu falei tudo o que eu queria... E realmente foi uma experiência muito legal para mim, principalmente por causa do sentimento de nostalgia, sabem? Toda vez que eu lia as baranguices românticas que eles diziam um pro outro ficava me sentindo uma adolescente de 15 anos, da mesma forma que me senti quando li pela primeira vez. Por isso, nessa resenha em específico, não tô levando muito em conta toda a minha experiência como leitora, no sentido de apontar várias falhas de enredo, problemas na narrativa ou na construção dos personagens... Eles existem, mas amei tanto esse livro por causa dos sentimentos que ele me trouxe que não poderia ter sido menos que perfeito. E acho que vocês entendem.

Título Original: Midnight Sun ✦ Autora: Stephenie Meyer ✦ Páginas: 736 
  Tradução: Carolina Rodrigues, Flora Pinheiro, Giu Alonso, Maria Carmelita Dias, Marina Vargas e Viviane Diniz ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora
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24 de agosto de 2020

Nascido do Crime | Trevor Noah


Quando soube que o livro de janeiro da TAG Inéditos seria a autobiografia de um comediante, fiquei muito feliz e ansiosa. Mal podia esperar pela caixinha e pela história divertida que ela traria. Afinal, eu já li autobiografias de comediantes antes e me apaixonei. Não digo que estava completamente errada, de fato Trevor traz um tom de humor à sua história. Mas Nascido do Crime é muito mais que uma historinha engraçada sobre a vida de um comediante, pois mesmo quando o autor nos faz rir, nos questionamos se rir é realmente o que deveríamos estar fazendo.

Se eu tivesse me dado ao trabalho de ler a sinopse com mais atenção antes de tirar  minhas conclusões, talvez eu não tivesse pensado que daria gargalhadas do início ao fim. Trevor Noah nasceu na África do Sul, quando ainda existia o apartheid. Ele é filho de mãe negra e pai branco, por isso, para a época, "nascido do crime". Em sua autobiografia, ele nos conta um pouco de como foi nascer em um período ainda conturbado na África do Sul, como ele nunca se sentia parte de nenhum grupo mas, ao mesmo tempo, aprendeu a usar isso a seu favor.

Eu me tornei um camaleão. Minha cor era sempre a mesma, mas eu conseguia mudar a percepção dos outros sobre quem eu era. Se alguém falasse comigo em zulu, eu respondia em zulu. Se alguém falasse comigo em tswana, eu respondia em tswana. Talvez eu não me parecesse com você, mas, se eu falasse como você, éramos iguais.

A narrativa é dividida em três partes, que apesar de não terem títulos e acabarem indo ou voltando no tempo em algum momento, retratam sua infância, adolescência e um pouco da sua vida após o Ensino Médio. Apesar de Trevor ser obviamente o foco do livro, sua mãe foi uma pessoa que me impressionou bastante. Existe um capítulo em que o autor nos conta um pouco da história dela e percebemos claramente que ela era uma mulher a frente do seu tempo.

A relação entre os dois também é impressionante. Trevor diz que desde criança ela sempre o tratou de igual para igual, enquanto outras mães mal conversavam com seus filhos, pois não era assim que as coisas funcionavam. Uma coisa que me fez rir bastante sobre os dois foi um momento em que eles discutiam através de cartas, isso mesmo, cartas. Cada um tinha que escrever uma carta argumentando porque o outro estava errado e as respostas só eram aceitas se fossem escritas também.

— Por que isso tudo? Por que mostrar ao Trevor o mundo se ele nunca vai sair do gueto?
— Porque — respondia ela -, mesmo que ele nunca saia do gueto, ele vai saber que o gueto não é o mundo. Se eu conseguir pelo menos isso, já terei feito o suficiente.

Ao contar sua história, Trevor acaba esbarrando em vários assuntos que ainda hoje são problemáticos e geram discussões. Obviamente discute-se muito o racismo, mas também nos deparamos com problemas relacionados à religião e violência doméstica. Na maior parte do tempo Noah retrata tudo com bom humor e muitas vezes me peguei rindo quando na verdade eu deveria estar chorando.

Já foi anunciado que a obra será adaptada para as telinhas e mal posso esperar para ver como isso será feito! Além disso, em entrevista à TAG, Trevor disse que pretende escrever outro livro (mas sem pressa), então já estou ansiosa esperando pelos próximos capítulos dessa história.

Quando eu recebi esse livro, definitivamente não estava esperando a história que eu li. Nascido do Crime superou expectativas que eu nem sabia que tinha criado e com certeza está na minha lista de livros favoritos da vida.

Título Original: Born a Crime ✦ Autor: Trevor Noah ✦ Páginas: 336 
Tradução: Fernanda de Castro Daniel ✦ Editora: Verus & TAG Experiências Literárias
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20 de agosto de 2020

Como o Cérebro Cria | David Eagleman & Anthony Brandt


Como o Cérebro Cria é um dos últimos documentários da Netflix explorando como nossas sinapses nervosas transformam o mundo ao nosso redor e geram inovação todos os dias. Além de ter uma fotografia incrível e explorar o melhor do gênero, o longa nos mostra que criatividade não é magia: ela não passa de uma série de processos biológicos e sociais encadeados. Toda essa genialidade é fruto das pesquisas de dois cientistas incríveis, David Eagleman e Anthony Brandt, que escreveram o livro que deu origem ao documentário homônimo. Uma excelente pedida de leitura aos empreendedores, designers, engenheiros, estudantes, professores e demais pessoas que querem enxergar o cérebro da melhor maneira possível: como a máquina mais poderosa de todas. 

O livro é dividido em três partes: a primeira apresenta a necessidade da criatividade, a segunda explora as características essenciais da mentalidade criativa e a parte final mostra como estimular a criatividade em nossas incubadoras para o futuro. 

A primeira parte foi a mais disruptiva para mim, ela mostra como somos movidos pela curiosidade e pelo novo. Explicando não apenas os fatores sociais e externos, já também uma explicação fisiológica do cérebro e porque ele funciona de tal maneira. Achei que as imagens de atividades cerebrais honraram belamente o título do livro. Além disso, somos apresentados ao processo "entortar-quebrar-mesclar" que compõe as fases de nosso funcionamento cerebral criativo social e fisiológico. Para os nerds de plantão como eu, foi um deleite arrebatador. 

Na segunda parte, os autores apresentam diversos cases de inovações bem recebidas (e outras nem tanto) pelo público, sejam estas artísticas ou funcionais. Desde instalações artísticas boicotadas ao icônico iPhone, os autores explicam o porquê do sucesso e insucesso dos frutos da criatividade humana. Certamente, um prato cheio para aqueles que amam inovação ou desejam criar um negócio ou arte em um futuro próximo. 

Por fim, a minha parte preferida foi a terceira, intitulada "Cultivar a criatividade". Como o título sugere, aqui descobri onde cada um de nós pode incentivar ou ser incentivado para executar ou liderar processos mais criativos. Sejam estes processos na academia, na sala de aula ou no ambiente de trabalho, como alguns cases sugerem. 

Repletos de imagens, cases de sucesso, referências artísticas e corporativas brilhantes, Como o Cérebro Cria traz um formato completamente novo de não-ficção que também tange assuntos científicos com maestria. Sem dúvidas, aos que amam os dois estilos literários, tem tudo para tornar-se o favorito da estante. 

Com uma escrita científica acessível e com muitas frases de efeito dignas de posts reflexivos nas redes sociais, o livro é uma fonte de insights para os mais atentos, e uma fonte de entretenimento inteligente e acadêmica aos leitores mais descontraídos. Não é à toa que a Netflix tornou-o documentário: o livro é brilhantemente singular!

Título Original: The Runaway Species ✦ Autores: David Eagleman & Anthony Brandt
Tradução: Donaldson M. Garschagen e Renata Guerra 
Páginas: 320 ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

18 de agosto de 2020

Semana Especial Rick Riordan: Percy Jackson, Os Olimpianos & Eu

Foto: Ana Gabriela

Uma das séries de mais sucesso do Rick Riordan é Percy Jackson & os Olimpianos, que retrata a mitologia grega no século XXI ao acompanhar a vida de um pré-adolescente que descobre que é filho de ninguém menos que Poseidon, o deus do mar. Eu não sei se vocês sabem, mas hoje, dia 18 de agosto, é aniversário desse personagem tão querido por tantas pessoas e tão importante para a carreira do tio Rick, então a Intrínseca convidou todos os parceiros para falarem um pouco mais sobre as obras dele em uma semana especial.

Resolvi falar especificamente sobre Percy Jackson & os Olimpianos nesse post porque foi, infelizmente, a única série que eu li do Rick Riordan, mas o autor faz muito sucesso também com outras séries e trilogias:

  • As Crônicas dos Kane, trilogia focada em mitologia egípcia;
  • Magnus Chase e os Deuses de Asgard, trilogia que  mitologia nórdica;
  • Os Heróis do Olimpo, continuação de Percy Jackson, baseada na mitologia greco-romana e se passa seis meses após os acontecimentos de O Último Olimpiano;
  • As Provações de Apolo, que retoma os acontecimentos do último livro da série Os Heróis do Olimpo. Com narração sob o ponto de vista de Apolo, conta as aventuras do deus que, após irritar Zeus, foi expulso do Olimpo, tornando-se um mero mortal. 

Arte por Viria
Para variar, eu li Percy Jackson unicamente por influência do meu irmão — sim, o mesmo que encenava as cenas de Crepúsculo comigo. Ele tinha 14 anos e era obcecado por séries e praticamente me obrigava a ler tudo o que ele lia. Quando ele começou a série ficou tão empolgado que não parava de falar sobre ela, sobre o acampamento meio-sangue, sobre os personagens incríveis que tinham mais ou menos a nossa idade... Então eu obviamente não me aguentei, comecei a ler O Ladrão de Raios assim que ele terminou. Eu tinha 15 anos nessa época.

Depois de ler todos os livros e fazermos o teste para saber de qual deus éramos filhosprazer, Ana Clara Oliveira Magalhães, filha de Athena —, entramos em um grupo no Facebook que nem existe mais cheio de pessoas tão fissuradas como nós. Lá a gente fazia um monte de quizzes, que funcionavam como batalhas e angariavam pontos para os deuses, conversávamos sobre a saga e sobre os burburinhos de novos lançamentos. Enfim, a gente enlouquecia junto e era bem legal, porque sabíamos que existiam (e ainda existem, né?) pessoas do país inteiro que pensava como a gente. 

Não sei se todos vocês já tiveram contato com Percy Jackson, mas todo o enredo criado é muito interessante. Primeiro, o fato de Percy ser filho de um dos três grandes deuses é uma ameaça à ordem das coisas, o que resulta em grandes batalhas envolvendo várias profecias, algumas muito assustadoras, inclusive. Segundo, a narrativa é feita pelo protagonista e, como ele tem apenas 12 no primeiro volume, tudo é muito simples e fluido. Para mim é um ponto positivo porque alcança faixas etárias menores. Acredito que crianças nos seus 8-10 anos iriam se identificar muito com a história e iriam se desenvolver junto com os personagens.

Arte por Viria
Por falar neles, nem só de Percy vive essa série, né? Afinal, o que seria dele sem a Annabeth Chase, filha de Athena e a única pessoa que consegue impedir o menino de fazer burrada? Ou o Grover, o sátiro responsável pelos dois pré-adolescentes que é basicamente o melhor amigo que eles têm.... E o meu favorito, Tyson, que aparece no livro O Mar de Monstros e muda basicamente todo o curso da história. Para ser sincera, todos os personagens secundários são muito importantes para a trama e são super bem construídos, incluindo os vilões, que a gente ama odiar.

Aliado aos personagens, existe o próprio universo criado por Rick Riordan, que é um dos mais legais e únicos entre todas as séries que eu conheço. A forma como ele insere a mitologia grega mesclando as antigas histórias que a gente aprende na escola com acontecimentos atuais é excepcional e, de fato, muito bem explicado no decorrer das páginas. É realmente uma história muito especial e que, na minha opinião, foi construída de formidavelmente. Mesmo sendo uma série infantojuvenil — sou suspeita para falar porque é meu gênero literário preferido —, todas as coisas fazem sentido, inclusive as soluções mágicas que o autor encontra para resolver alguns problemas.

O mais legal de tudo é que faz mais de dez anos que tive meu primeiro contato com Percy Jackson & os Olimpianos e o encanto continua o mesmo. Também foi uma série muito importante para a minha inserção do mundo literário e sou muito grata ao Rick Riordan por isso. Sempre penso especificamente nesses livros quando as pessoas me fazem perguntas do tipo "qual livro você acha interessante para começar a gostar de ler?" ou "que história você indicaria para o meu filho de 10 anos?". Então, é realmente impossível não comemorar uma data tão importante para uma série que, mesmo depois de tanto tempo, continua fazendo sucesso e ganhando leitores!

Feliz aniversário, Percy! 
E obrigada por tudo, Rick Riordan!

16 de agosto de 2020

O Diário de Nisha | Veera Hiranandani


O ano é 1947. Nisha, uma garotinha calada de 12 anos, mora com o pai, a avó paterna, o irmão gêmeo e o cozinheiro em uma casa bem grande em Mirpur Khas, cidade onde o pai atua como médico. Atualmente, Mirpur Khas está localizada na província de Sindh, no Paquistão, mas nem sempre foi assim. Há pouco mais de 70 anos, a Índia deixou de ser colônia britânica e o país se dividiu de forma não amigável: de um lado permaneceu a Índia, de maioria hindu, e do outro foi "criado" o Paquistão, de maioria muçulmana. Foi a maior migração forçada da história, motivada principalmente pela violência entre os grupos.

Todas essas informações que normalmente aprendemos na escola — nesse momento gostaria de lembrar que não foi o meu caso, já que nunca ouvi falar sobre tais acontecimentos no ambiente escolar, o que, na minha opinião, é uma falha gigantesca no ensino — nos são dadas por Nisha, que escrevia todos os acontecimentos em um diário que ganhou de aniversário do seu único amigo, o cozinheiro Kazi. Em Mirpur Khas hindus e muçulmanos conviviam pacificamente, mas a partir de um momento da história, até andar na rua se torna perigoso. É através dos olhos de Nisha que acompanhamos a trajetória dessa família hindu que é obrigada a deixar o lar, deixar os amigos, deixar toda uma vida para trás para ter a chance de sobreviver.

Apesar de ter 12 anos, Nisha ainda é muito inocente, principalmente porque tentam a todo custo esconder as informações dela — e tudo o que ela sabe é seu irmão Amil que conta. Ela não entende porquê as pessoas têm que brigar umas com as outras, muito menos porque ela tem que sair de casa levando consigo apenas o que consegue carregar. Durante a longa caminhada até a Índia hindu, Nisha se depara com cenas horrendas envolvendo assassinatos. Os dois grupos eram ambos vítimas e agressores. Para vocês terem ideia, quando a migração chegou ao fim, em 1948, cerca de 15 milhões de pessoas havia se deslocado e mais de de um milhão de pessoas morreu enquanto tentava. Ver isso através dos olhos de criança foi muito doloroso.

Com o passar das páginas, que são direcionadas à mãe de Nisha, que morreu durante o parto, vamos descobrindo informações sobre a família que deixam a história ainda mais difícil de ser digerida. Além disso, Nisha nunca foi de falar muito, e acaba encontrando na escrita uma forma de se expressar. O fato de direcionar para a mãe as palavras no diário mexeram muito comigo, porque foi a única forma que ela encontrou de se aproximar da mãe que nunca conheceu — e da qual o pai fala muito pouco.

Eu sempre gosto muito de histórias narradas sob a perspectiva de crianças, porque os acontecimentos são sempre muito mais emocionantes justamente pela descrição sutil que elas fazem. Isso acontece em O Diário de Nisha também, mas realmente o que deixa a história mais tocante é a forma como Veera Hiranandani conseguiu retratar a falta que a menina sente da mãe. Tendo isso em vista, saliento que o livro em si é mais sobre os sentimentos de Nisha em relação ao conflito, seu crescimento no decorrer da trama, do que sobre o conflito em si. Isso, obviamente, não faz com o que o livro seja ruim, muito pelo contrário, o torna mais real. Afinal, até que ponto uma menina indiana de 12 anos conheceria as tensões religiosas?

Além disso, uma coisa que chamou minha atenção no passar das páginas foi a conexão de Nisha com a culinária. Foi muito interessante, além de conhecer a preparação de alguns pratos, ver como a protagonista se apoiava no ato de cozinhar como forma de se livrar dos problemas. Na Índia, o ato de comer em família é muito importante e Nisha se sentia feliz em prover o alimento para as pessoas que amava, até mesmo nos momentos mais difíceis, então gostei muito de acompanhar esses momentos.

Um ponto muito interessante é que Veera Hiranandani se inspirou na história da própria família para dar vida à história de Nisha. Em entrevista para o blog da DarkSide, ela conta que apesar de estar tão próxima dessa realidade, nunca aprendeu sobre a Partição na escola:

Meu pai e sua família tiveram que deixar sua casa em Mirpur Khas durante a Partição da Índia. Ouvi meu pai, minhas tias e tios contando essa história enquanto crescia – várias semanas depois da Independência, meu pai, seus quatro irmãos e irmãs e sua mãe decidiram deixar o Paquistão e passaram pela nova fronteira de trem. [...]
Eles perderam a casa e a comunidade onde viveram, mas conseguiram chegar em segurança do outro lado. Muitas pessoas não conseguiram. Quando fiquei mais velha, tive curiosidade, fiz pesquisas e me perguntei por que nunca aprendi sobre a Partição na escola, nos EUA, um evento tão significativo em nossa história global.

O Diário de Nisha é um relato tocante sobre uma família que, apesar de ter perdido quase tudo, nunca perdeu a esperança. É o retrato de inúmeras pessoas que conseguiram chegar ao seu destino, mas sem se esquecer daqueles que se perderam pelo caminho. Também não deixa de ser uma história sobre o amor e como ele une as pessoas apesar das diferenças. 

Título Original: The Night Diary ✦ Autora: Veera Hiranandani
Páginas: 288 ✦ Tradução: Débora Isidoro ✦ Editora: DarkSide Books

11 de agosto de 2020

A Saga Crepúsculo e algumas das suas problemáticas


Não é segredo para nenhum leitor do Roendo Livros que eu sou fã da saga Crepúsculo. Os livros protagonizados por Bella e Edward contribuíram imensamente para a minha vida de leitora, já que eles foram a porta de entrada para eu me tornar essa blogueira que vos fala hoje. 

Na época em que li pela primeira vez, o meu exemplo de homem passou a se tornar Edward Cullen e queria desesperadamente um romance como o deles. Queria alguém que cuidasse de mim como o Edward cuidava da Bella, alguém que me protegesse, que soubesse exatamente o que eu queria, que me tratasse com todo aquele cuidado. O que esperar de uma menina que passou a transição para adolescência toda lendo livros cujos envolvimentos românticos eram iguais aos que citei anteriormente? 

O meu eu de 13 anos não identificava os problemas presentes nessa história porque tudo o que ela via ao seu redor eram comportamentos muito parecidos com o que ela havia lido, então, para a Ana de 2008, aquilo ali era o normal. Hoje, aos 25 anos, consigo enxergar muitas coisas que não são tão legais assim e, mesmo como fã, mesmo que eu ainda goste da saga, acho de extrema importância falar um pouquinho sobre essas coisas com vocês. 

Acho que nada melhor que começar justamente falando sobre o fato de Edward ser tão obcecado pela Bella: primeiro querendo matá-la e depois, do nada, "perceber" que na verdade a amava incondicionalmente. Hoje em dia fico me perguntando como ela correspondeu aos sentimentos dele mesmo sabendo que o quão atraído ele se sentia pelo sangue dela... Eu ficaria aterrorizada, mas sendo Edward quem é, não consigo e nem estou em posição de julgar a Bella, mesmo se não houvesse toda aquela história dos vampiros naturalmente atraírem os humanos. Nesse contexto, consigo enxergar principalmente três coisas que me incomodam imensamente:

1. Edward entrando no quarto da Bella à noite enquanto ela dorme. Cheguei nessa parte em Sol da Meia-Noite e a justificativa que temos é que ele tinha medo do que poderia acontecer com a Bella enquanto ela dormia — como, por exemplo, cair um meteoro em cima dela ou algo do tipo. Para mim, nada justifica. É estranho, invasivo, assustador. Meu eu de 13 anos achava romântico, rs.

2. A quantidade de vezes que Edward literalmente manda a Bella fazer coisas simples, como comer ou vestir um agasalho. Foram só exemplos, mas o tempo todo ele tenta dizer o que ela deve ou não fazer. Ok, ele é um vampiro que lê mentes, mas não consegue ler a dela e não sabe como lidar com um ser humano tão frágil, mas ainda assim me irrita. Aqui também acho que pode entrar a questão de ele não deixar a Bella fazer nada sozinha por achar que ela vai se partir no meio. Aos 13 anos, achava que isso era cuidado.

3. Edward stalker psicótico maluco maníaco neurótico vigiando cada mísero passo da Bella pela mente das outras pessoas. Não preciso nem comentar, né?

Sinceramente esse GIF é T-U-D-O pra mim, nossa...
Esses pontos são até meio óbvios, mas já pararam para pensar no quanto a Bella era sufocada por basicamente todos os homens ao redor dela? Além de ficar quase todo tempo sob a mira do Edward, existiam os colegas da escola que, ao menos num primeiro momento, também não a deixavam em paz. Grande exemplo disso é quando ela fala que iria viajar no fim de semana do baile e ainda assim receber mil convites, mesmo os caras sabendo que ela iria viajar (o que, inclusive, gera uma rivalidade feminina totalmente sem necessidade, né?). O Charlie, pai da Bella, apesar de muito bonzinho, não parecia confiar 100% nela — vocês se lembram aquela parte em que ele desconecta os cabos da bateria da caminhonete porque jurava por Deus que ela ia tentar sair escondida à noite?

E por falar em outros homens, o que dizer do Jacob? Dá pra acreditar que aquele serumaninho fofo do primeiro volume se tornaria o mais escroto dos escrotos? Tudo bem, confesso que nunca fui muito fã do personagem de forma geral, então realmente posso ser bem injusta nesse quesito, mas não dá pra defender de forma alguma, por exemplo, ele beijando a Bella a força em Eclipse ou todos os abusos psicológicos que ele fazia para que a menina escolhesse ficar com ele. Ah, e para quem tem curiosidade em saber: sim, a Bella traiu o Edward naquele beijo super esquisito que rola depois, achei a coisa mais sem sentido do mundo.

Às vezes eu fico refletindo refletindo sobre o fato da Bella nunca ter tido escolha... Tipo, a partir do momento que ela conheceu o Edward, o destino dela meio que já estava traçado, né? Tudo passou a girar em torno dele e todas as decisões dela eram tomadas pensando num futuro onde ela se tornaria vampira para passar o resto da eternidade com ele. Ela nunca foi realmente livre e hoje eu enxergo isso e não desejo um amor tão pesado, sabem? Mesmo quando Edward vai embora pelo simples fato de ele sempre achar que sabe o que é melhor pra Bella, ela se manteve presa à ele... Não sei se vocês entendem o que eu quero dizer, mas enfim.

É nesse ponto que vocês se perguntam: "Ana, mas como é possível você amar Crepúsculo tanto assim e apontar esse tanto de problema!? Como assim você é tão cadelinha do Edward mesmo assim??"

Acho que a minha resposta padrão para isso é que eu tenho consciência que essa história foi escrita em 2005 e naquela época a gente não falava sobre esses assuntos. E é verdade. Eu fico realmente feliz que hoje conseguimos ter consciência sobre certos comportamentos a ponto de refletirmos sobre eles. Então, sim, eu consigo enxergar todas essas coisas e várias outras — tipo o lance do imprinting ou o fato de praticamente não existir personagens negros em todos os livros da saga, fatos que podemos discutir aqui nos comentários — sem deixar de gostar de algo que foi e ainda é tão importante para mim. Reconhecer esses erros, aceitá-los e falar sobre eles com naturalidade é mil vezes melhor que criticar as pessoas que gostam da série, não é mesmo?

Mesmo assim, eu gostaria de fazer um adendo importante: sim, eu continuarei criticando livros que foram escritos recentemente ou no século passado que romantizam estupro e qualquer outro tipo de violência contra mulher. Continuarei levantando pautas importantes aqui no blog sobre LGBTfobia, racismo e todo e qualquer tipo de preconceito mesmo que o livro tenha sido escrito em 1810. Mais que importante, é necessário que a gente não feche os olhos para nenhuma dessas coisas. 

Eu tive vontade de escrever esse texto porque já passei da metade de Sol da Meia-Noite e comecei a pensar muito sobre esse assunto em específico, porque depois de ler vários pensamentos do Edward tive certeza que ele realmente é neurótico, na falta de palavra melhor, rs. E sim, mesmo assim tô aqui igual adolescente de novo amando o livro e me sentindo super nostálgica. A diferença é que agora eu enxergo tudo e, melhor ainda, não me culpo mais ou me acho uma completa babaca por carregar essa história no coração.

9 de agosto de 2020

Daqui a Cinco Anos | Rebecca Serle


Já quero começar a resenha desse livro avisando que o texto inteiro será um grande spoiler, portanto, não passem daqui caso tenham vontade de ler Daqui a Cinco Anos. Eu fiquei tão indignada com tanta coisa que precisarei contar detalhe por detalhe para que vocês entendam como me senti. Recado dado, vamos às minhas considerações (e já aviso também que falei bastante palavrão, simplesmente não consegui controlar, me desculpem).

Primeiramente, apesar de toda a raiva que passei, devo confessar que o enredo proposto por Serle é deveras instigante. Tudo começa com Dannie, a protagonista, arrasando numa entrevista de emprego na empresa de advocacia que sempre sonhou em trabalhar. Além do mais, seu namorado incrível aproveita o dia especial para pedi-la em casamento. O que poderia dar errado em sua vida? Quando volta para casa, acaba pegando no sono e acorda em um apartamento totalmente diferente, com outra aliança de noivado no dedo e na companhia de um homem que não faz ideia de quem seja. A data? 15 de novembro de 2025, cinco anos no futuro. 

Depois de passar um tempo nesse cenário, Dannie acorda novamente no presente. Mesmo abaladíssima com o que passou, resolve tratar a situação como o que é de verdade, um sonho — ou seria um pesadelo? Pois bem, a protagonista segue sua vida normalmente e há um salto de quatro anos e meio na história. Tudo está dando certo, óbvio. Já subiu de cargo na empresa, mas ainda não se casou com David porque jura que ambos têm planos mais importantes para cumprir e, afinal, eles já vivem juntos, não é mesmo? 

Gente, se preparem, porque eu realmente vou contar basicamente o livro inteiro, tá? Não tava brincando no primeiro parágrafo. Nesse meio tempo, conhecemos outra personagem, Bella, a melhor amiga de infância da Dannie. Ela é muito rica, do tipo que vive a vida intensamente, se apaixona por várias pessoas, mas nunca consegue manter um relacionamento. Mas aí ela conta para Dannie que encontrou o cara perfeito, que tem certeza que eles são almas gêmeas e quer apresentar o novo namorado para amiga a todo custo. E esse encontro realmente acontece. Vocês já conseguem imaginar quem é a pessoa? Isso mesmo, o sujeito do sonho de tantos anos atrás!

Até aí tudo bem, afinal, Aaron é o namorado da melhor amiga e além do mais, Dannie jura que está num relacionamento maravilhoso. E para mim já tá errado aí, porque o relacionamento entre Dannie e David é mais frio que a minha geladeira quando tá no máximo e fico muito triste por ela acreditar que isso é bom. Parece que o sonho dela com a empresa de advocacia é a única coisa que tem importância real na vida dela, então David fica totalmente de lado, prova disso é que ela demora QUATRO ANOS E MEIO para marcar a data do casamento e isso só acontece porque ela tem medo que aquela visão que teve com Aaron se concretize. 

Mas enfim, continuando... Em determinado ponto da história, descobrimos que Bella está com câncer em estágio avançado e obviamente já saquei que a personagem ia morrer no momento em que li a informação. Aaron com toda sua pinta de bom moço fala que não vai abandoná-la e coisa e tal, e realmente acompanha Bella durante todo o tratamento, chegando, inclusive, a pedir a mão dela em casamento. Só que o tempo todo a gente sente uma tensão entre Dannie e Aaron, porque ela sabe o que vai acontecer e porque tá na cara que ele na verdade deseja Dannie. Isso por si só já me matou de raiva, porque ficou muito na cara que o Aaron só ficou com a Bella até o final porque tinha certeza que ela ia morrer. Ah, no meio dessa confusão toda, David FINALMENTE percebe que Dannie nunca quis realmente se casar com ele, que na moral nunca foi nem apaixonada por ele de verdade, e termina tudo (tipo, semanas antes do casamento).

Aí acontece uma coisa que para mim foi o AUGE dos AUGES. Bella, depois de ter feito vários tratamentos, chega num ponto que não consegue levantar mais da cama, mas com a ajuda de Aaron, que é arquiteto, dá de presente pra Dannie um apartamento maravilhoso, todo mobiliado. E sim, é o apartamento em que ela acorda durante o sonho-visão. Quem leva Dannie para uma tour no apê é o Aaron, o que acontece? O CARA BEIJA A MOÇA. Tipo assim, ele tem uma NOIVA QUE TÁ PROSTRADA EM CIMA DA CAMA, PRESTES A MORRER, e tá lá beijando outra. Eu nem me surpreendo com essa atitude, porque já não espero muita coisa de homem, mas o que me matou de ódio de verdade foi DANNIE TER CORRESPONDIDO O BEIJO. Eu achei que não podia piorar, né, mas piora...

Chega o tal dia 15 de dezembro de 2025, o aparente terror da vida de Dannie. Vocês sabem o que acontece nesse dia? A morte da Bella. Aí acontece o seguinte: literalmente após o enterro da menina, Aaron e Dannie transam, seguindo o roteiro do sonho da protagonista. Isso mesmo que vocês leram. O corpo da menina MAL ESFRIOU e o namorado e a melhor amiga estão lá transando no apartamento que ela deu de presente. Tipo, eu sabia que isso ia acontecer, mas o que me deixou puta da cara foi o fato de Dannie não fazer SIMPLESMENTE NADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA PARA EVITAR QUE REALMENTE ACONTECESSE!! E o tempo inteiro no livro ela fica com o papinho de "ai não quero que aconteça pipipi popopo", mas não perdeu a oportunidade, sabem? Parece que os dois estavam só esperando a Bella morrer, misericórdia. 

O pior de tudo é que essa transa acontecer simplesmente por acontecer, porque eles nem se gostam de verdade. É como se tivesse sido um teste pra saber se ia dar certo ou não e no fim da noite eles descobriram que foi um erro. Tipo, que coisa mais escrota? Que espécie de melhor amiga é essa, gente? E assim, eu juro para vocês que teria sido menos ridículo se a autora realmente tivesse feito os dois ficarem juntos, porque né, a gente não escolhe por quem se apaixona. Mas não, foi tudo em vão. No fim das contas, foi isso o que me deixou com mais raiva, principalmente porque a justificativa foi "ah não, aconteceu porque estávamos muito tristes com a morte da Bella". CARALHOOOOOOOOOOOOO, que forma mais esquisita de lidar com o luto, né? Transando com o noivo da melhor amiga morta. Pai da glória, não desce por nada nesse mundo. 

Agora chegamos no único ponto positivo de Daqui a Cinco Anos: apesar dos pesares, a narrativa é boa, é fluida demais. Não consigo entender como um enredo tão legal pôde ter ido ladeira abaixo dessa forma. E sabem, o fato de Bella ser uma personagem legal e atenciosa, com aquela felicidade só por estar viva, só fez com que eu ficasse com mais ódio de tudo. Até agora acho inconcebível Dannie ter sido tão péssima para uma pessoa que sempre esteve ao lado dela. Isso para mim não é postura de amiga, de verdade. 

Bom, aí vem uma coisa realmente interessante. Notei que a maioria das pessoas que teve contato com a história gostou do que leu. E mais, as pessoas realmente se emocionaram com o desfecho criado por Rebecca Serle. Aí fica aquele questionamento de sempre... O problema é comigo porque eu sou chata demais e não consigo relevar filhadaputagem? Problematizei demais uma história que deveria ser só sobre amor fraternal, supostamente? Depois de lerem tudo o que eu falei nesse texto, me respondam, por favor, se eu estou exagerando. É sério.

Título Original: In Five Years ✦ Autora: Rebecca Serle
Páginas: 290 ✦ Tradução: Alexandre Boide ✦ Editora: Paralela
Livro recebido em parceria com a editora
Ajude o blog comprando o livro através do nosso link!

6 de agosto de 2020

Nosso Lugar | Tabata Amaral


Tabata Amaral tem apenas 26 anos e foi a segunda deputada mais votada nas eleições de 2018. Astrofísica e cientista política formada em Harvard, é um outlier do retrato dos jovens das periferias brasileiras. Sua origem nordestina, seu ativismo pela educação e seu currículo impecável são apenas alguns dos diferenciais desse ícone político brasileiro. Apesar das controvérsias nas votações da Reforma da Previdência no ano passado, é impossível negar a sensatez e a capacidade absurda de Tabata em tudo que ela se propõe a fazer.

Com caráter autobiográfico, Nosso Lugar começa pela infância de Tabata no bairro Vila Missionária na capital paulista. Apesar das inúmeras dificuldades e problemas familiares, a postura perseverante e otimista a levam a lugares inimagináveis, como ao renomado colégio Etapa e posteriormente, a olimpíadas internacionais de conhecimento. Como resultado inevitável de suas conquistas, a jovem foi aprovada em nove universidades estrangeiras e escolheu Harvard, onde mesmo com a paixão por Astrofísica, decidiu especializar-se em Ciência Política.

Os anos em Harvard, a trajetória internacional, o ativismo pela educação são pilares que levaram Tabata à política. Em certo trecho, ela narra que nada melhor que alguém capacitado para tomar os cargos políticos do Brasil, representativos ou não. E quem melhor que um graduado em Harvard para ocupar esse lugar?

A doçura na escrita dos momentos mais difíceis e o agradecimento constante a todos que a apoiaram certamente fará qualquer leitor admirá-la além de seus feitos públicos. Tabata é uma mulher de coração gigante que sonha em entregar educação de qualidade a todos, como ela teve acesso apenas devido a bolsas estudantis.

Dentre as três partes principais do livro, existe a que descreve o período eleitoral. Repleto de autos e baixos, ao final, a deputada federal deixa dicas para mulheres que desejam ingressar na política brasileira. Desde conselhos de confiança e crença pessoal, existem passagens pragmáticas que ensinam jovens desafortunados a bancarem suas campanhas de forma justa e legal.

Em apenas 133 páginas, em uma narrativa acelerada com tom de conversa, a jovem da periferia mostra como alcançou grandes feitos em Brasília e como segue lutando pelo direito das minorias e da educação universal nacional. É inspirador, revigorante, engraçado e triste. E certamente uma autobiografia que mudará os rumos da minha própria história.

Título Original: Nosso Lugar ✦ Autora: Tabata Amaral
Páginas: 133 ✦ Editora: Companhia das Letras
Livro recebido em parceria com a editora

4 de agosto de 2020

Promoção: It's Edward's Turn


Sim, eu sei que vocês estavam tão ansiosos por esse momento quanto eu, já que foram mais de dez anos de espera... Mas agora chegou a nossa vez, um dos nossos maiores sonhos de fã finalmente se tornou realidade: chegou a hora de conhecermos essa história que tanto amamos na visão de Edward Cullen, nosso crush adolescente preferido.

É óbvio que vocês não ficariam de fora dessa, por isso, minhas amigas Intrínseca, Cássia (Procurei em Sonhos) e Ana (Aquele em Que Ana) nos unimos para sortear para vocês um kit LINDO & MARAVILHOSO de Sol da Meia-Noite, com o livro, caneca e marcadores personalizados.

A capa do livro vocês já conhecem, os marcadores mais lindos do mundo — com direito a tassel e tudo, imagens abaixo, rs — são da lojinha Mermaid Tales e a caneca foi feita com muito carinho pela lojinha EstampArte.


Para participar, basta ficar atento às regras abaixo, preencher o formulário e torcer bastante. O sorteio terá duração de 20 dias, no período de 04/08/2020 a 24/08/2020, participem à vontade e aproveitem as entradas que dão mais pontos de participação. E sim, caso queiram saber, euzinha queria muito poder participar desse sorteio, nossa — a caneca é a coisa mais linda do mundo, chorani.


Regras
- A promoção terá duração de vinte dias, do dia 04/08/2020 ao dia 24/08/2020;
- As opções obrigatórias valem 1 ponto cada, enquanto as opcionais valem 5 pontos cada;
- Após o término da promoção, o Roendo Livros tem até cinco dias úteis para divulgar o resultado;
- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito;
- Após feito o contato, os prêmios serão enviados dentro de até 60 dias úteis (prazo que pode ser prolongado devido o período de quarentena);
- É obrigatório residir em território nacional ou ter endereço de entrega no Brasil;
- Para o livro ser enviado, é necessário que o ganhador passe o número do CPF para a Ana, já que agora os Correios solicitam uma declaração de conteúdo (saiba mais aqui). Só participe do sorteio se estiver de acordo. O exemplar de Sol da Meia-Noite será enviado pela editora Intrínseca e os demais prêmios serão enviados por suas respectivas lojas;
- O Roendo Livros e os parceiros não se responsabilizam por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados no livro e nos produtos. Também não se responsabilizam por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e/ou ausência de recebedor. Os prêmios não serão enviados novamente;

- O Roendo Livros e os parceiros se reservam o direito de dirimir questões não previstas neste regulamento;
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.

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3 de agosto de 2020

Observações Sobre Um Planeta Nervoso | Matt Haig


Imagine estar fazendo compras em um supermercado comum e de repente começar a ter um ataque de pânico e choro compulsivo? Essa pode ser a realidade de pessoas com ansiedade, depressão ou ataques de pânico. Mas o que pode nos levar a determinado colapso? Matt Haig traz essas e outras respostas para os resultados negativos do estilo de vida contemporâneo e excelentes dicas sobre como podemos ser mais felizes, aproveitar o que temos e manter uma boa saúde mental. Best-seller com outros romances adultos publicados, o autor finalmente decidiu falar sobre sua própria ansiedade e ataques do pânico. Tudo a fim de ajudar os leitores ao redor do mundo, naturalizando os transtornos mentais e ajudando a superá-los através de uma narrativa envolvente, doce e que pode ser lida rapidinho.

Divido em 18 partes, Observações Sobre Um Planeta Nervoso é uma coletânea de crônicas sobre a ansiedade e como as coisas boas da vida se distanciam de nós a medida que queremos viver apenas o futuro, seja ele próximo ou não. Passando por diversos temas e como precisamos ser resilientes para resistir às compulsões e comparações que a vida online nos impõe, é uma leitura obrigatória para usuários de redes sociais. Em todas as passagens, existem frases icônicas de grandes nomes da literatura e das ciências sociais, o que afirma que o nervosismo que vivemos hoje não é tão atual assim. E que devemos ser mais cuidadosos que as gerações passadas com nossa vida pessoal. 

Mas nem só de vida pessoal se compõe o livro de Matt, já que ele também explora as esferas profissionais dos humanos, evidenciando nosso distanciamento da natureza e a atração quase magnética ao trabalho e telas acessas. Como o autor fala, "a receita perfeita da infelicidade" está em tudo que fazemos hoje esperando que reflita no amanhã. Isso nos torna nervosos e nos mata lentamente. 

Não se expulsa uma dor engolindo de maneira compulsiva, tuitando ou bebendo. Chega o momento que é preciso encará-la. Se encarar. Em um mundo de um milhão de distrações, você continua tendo uma só mente.

Uma analogia perfeita é a lesão por esforço repetitivo da mente. Por assimilar demais, pensar demais, preocupar demais, deixamos de viver o agora e sentenciamos nosso presente por um futuro que pode não existir. Dentre essas e outras lições valiosas, Matt consegue tranquilizar o leitor e passar listas de sentenças sobre coisas que nos fazem acreditar e que não necessariamente são verdade. Você não precisa suportar um trabalho horrível, você pode ter dias ruins, você pode querer o seu lazer. 

Talvez, esse seja o melhor caráter da obra do autor: nem tudo vem escrito em letras garrafais, mas certamente algo nas palavras dele o lembrará de algo que você precisa enfrentar, superar, repensar. É quase como uma sessão de terapia de 300 páginas. Algo, que certamente, nós, nervosos do século XXI, precisamos cada vez mais.

Título Original: Observações Sobre Um Planeta Nervoso ✦ Autor: Matt Haig
Tradução: Donaldson M. Garschagen e Renata Guerra  
Páginas: 320 ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

1 de agosto de 2020

Top Comentarista: Agosto 2020


Finalmente chegou o mês mais aguardado do ano para quem é fã de Crepúsculo. Meu Deus, vocês têm noção que finalmente vamos ler Sol da Meia-Noite? Vocês se preparem porque obviamente esse mês eu não vou falar de outra coisa... E fiquem de olho, porque vem surpresa por aí, viu? No nosso amado top comentarista, como sempre, o prêmio será um vale compras no valor de trinta e cinco reais na Amazon e o período de inscrições vai de 01/08/2020 à 01/09/2020, lembrando que o último dia é apenas para a regularização de comentários.

Regras
- Comentar em todos os posts, exceto os de promoções, no período de 01/08/2020 à 31/08/2020;
- Não serão computados comentários genéricos, só aqueles que exprimem a opinião do leitor e mostram que ele realmente leu o post. Comentários plagiados de outras plataformas (lembrem-se que plágio é crime) ou que se repetem em outros blogs não serão considerados. Comentários do tipo serão excluídos sem aviso prévio e o participante será automaticamente desclassificado;
- É permitido apenas um comentário por post;
- Apenas as duas primeiras entradas do formulário são obrigatórias;
- A entrada "tweet about de giveaway" só será válida se a pessoa estiver seguindo o Twitter informado (@anadoroendo), bem como a entrada de compartilhamento no Facebook que também só será válida se a pessoa for curtidora da página;
- Após o término do top, o Roendo Livros tem até 15 dias para divulgar o resultado;
- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito. O livro escolhido (na faixa de preço estabelecida) deverá ser informado no corpo do e-mail;
- Após feito o contato, o prêmio será enviado dentro de até 60 dias úteis;
- Para o livro ser enviado, é necessário que o ganhador passe o número do CPF para a Ana, já que agora os Correios solicitam uma declaração de conteúdo (saiba mais aqui) Só participe do sorteio se estiver de acordo;
- O Roendo Livros não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados no livro. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e ausência de recebedor. O livro não será enviado novamente;
- O Roendo Livros se reserva o direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.

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