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28 de outubro de 2020

A Dança da Água | Ta-Nehisi Coates

Terminei de ler A Dança da Água há quase um mês e ainda sinto que não sei exatamente o que falar sobre ele. Isso porque a história contada aqui é pesada, difícil de ser absorvida e real, apesar de todos os elementos ficcionais inseridos. A trama se passa em meados do século XIX na Virgínia, momentos antes da Guerra Civil estourar e, obviamente, em um período que a escravidão estava no auge. Mas vejam bem... A Dança da Água não é um livro sobre a escravidão. É um livro sobre liberdade. 

Hiram, o personagem principal é um escravo, mas não só isso: ele é filho do seu dono — situação muito comum nas fazendas escravocratas. Uma observação importante é que não existe a palavra "escravo" aqui; o autor se refere à eles como "tarefeiros", pessoas que trabalham na Tarefa. Sendo assim, Hiram é um tarefeiro com habilidades especiais: além de ser extremamente inteligente, possui memória fotográfica. E é isso que faz com que seu pai o leve para trabalhar na casa-grande. 

Num primeiro momento, assim como Hiram, achei que o senhor de Lockless estava demonstrando um pingo de compaixão pelo filho, mesmo sendo um mau caráter dos infernos por tê-lo feito sofrer quando criança ao vender sua mãe. Mas obviamente nós dois estávamos errados, já que o destino do jovem foi se tornar servo do meio-irmão, Maynard, o único filho legítimo Howell Walker. Porém, um acidente gravíssimo que quase lhe tirou a vida — o destino já não foi tão condescende com Maynard, que acabou morto — veio para mudar totalmente seu propósito naquele lugar. 

Acredito que, em toda minha vida, nunca tinha lido um livro com tom tão sóbrio quanto A Dança da Água. Por mais que tenha tido contato com outras temáticas importantes e sérias, nenhum tinha a narrativa tão tensa quanto essa. Mas é muito fácil entender essa característica, visto que as situações vividas pelos personagens não são nem um pouco fáceis. Tem muito drama envolvido, muitos acontecimentos duros e cruéis que, infelizmente, deixam claros os acontecimentos da época. 


A todo momento o conceito de liberdade é discutido no livro, o que, inclusive, me fez repensar muito sobre o que de fato essa palavra significa. Não é só sobre ser livre, independente, poder exercer o direito de ir e vir, no final das contas. Cada decisão que tomamos, cada relacionamento que vivemos (ou não), cada caminho que percorremos fazem parte dessa liberdade, e isso fica muito claro pelos olhos de Hiram.

Em determinado momento da história alguns elementos fantásticos são inseridos. Eu fiquei muito impressionada, porque isso foi feito com tanta leveza que eu realmente acreditei que todas aquelas coisas aconteceram/poderiam ter acontecido. E, para mim, esse é o maior triunfo de Ta-Nehisi Coates, fazer o leitor acreditar no poder que o protagonista carrega.

A Dança da Água é um livro sobre o escravo, não simplesmente porque o narrador, Hiram, é um escravo, e sim porque mostra as várias facetas de ser um escravo. Fala muito sobre família e como elas eram desfeitas num piscar de olhos, sobre ter sonhos e ambições mesmo quando tudo dizia que não podiam ter, sobre inúmeras coisas da vida deles que iam além da Tarefa e ser um tarefeiro. 

Enfim... Eu realmente não me lembro de ter tido contato com um livro do gênero realismo fantástico que fosse tão bem construído e, principalmente, que não alterasse tanto e/ou ofendesse o núcleo real da história.

Título Original: The Water Dancer ✦ Autor: Ta-Nehisi Coates
Páginas: 400  Tradução: José Rubens Siqueira ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora
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23 de outubro de 2020

Meus Livros Preferidos da Editora Arqueiro

A Editora Arqueiro é conhecida, principalmente, por seus romances de época. Vocês me conhecem e sabem que não sou muito fã do gênero. Por isso mesmo achei que essa listinha seria incrível para, além de indicar livros muito legais, mostrar que a Arqueiro é muito mais abrangente do que vocês imaginam!

Água para Elefantes foi um dos primeiros livros que eu comprei na vida, logo quando eu comecei a pensar em criar um blog para compartilhar as minhas leituras. É uma história muito bonita e um pouco triste, para falar a verdade... Mas fazer o quê, eu adoro derramar umas lagriminhas enquanto leio. Aliás, esse é um dos livros com finais mais lindos que me lembro de ter lido.

Comprei esse livro por um motivo apenas: ele estava muito barato. Eu nem sabia do que ele se tratava e fiquei muito feliz ao me deparar com uma história sobre a Segunda Guerra Mundial. Hoje em dia é muito fácil encontrar livros com essa temática, mas A Vida em Tons de Cinza tem um diferencial, apesar de todos os clichês de guerra: a personagem principal é lituana e, aqui, o vilão é Stalin, que tomou os países Bálticos em 1941. Esperem uma história carregada de drama e cheia de ensinamentos sobre fé e amor.

Esses são os dois únicos livros que li do Harlan Coben e são dois livros que amo muito, ou seja, com certeza teriam mais livros desse autor nessa listinha caso eu tivesse tido contato. Cilada e Não Conte a Ninguém são ícones do suspense, de verdade. Falo isso porque em ambas as histórias fui surpreendida com plots que funcionaram bem demais. Se alguém ainda tem um pingo de dúvida, acredito que essas são obras muito boas para conhecer a escrita de Coben, porque deram muito certo comigo!

Okay, eu tenho quase certeza que 90% das pessoas que lerem esse post conhecem essas obras aclamadíssimas da Nicola Yoon, mas como posso deixar de falar delas aqui? Tanto Tudo e Todas as Coisas quanto O Sol Também é Uma Estrela são muito sensíveis e poéticos... E nossa, a narrativa da Yoon é a coisa mais deliciosa do mundo, a gente não consegue parar de ler até terminar. É uma coisa tão doida que ela usa mil e um clichês e ainda consegue inovar, sabe? Ai, amo.

 
 
Entre Irmãs não é simplesmente meu livro preferido da Arqueiro: é um dos meus livros preferidos da vida, ficando empatado com pouquíssimos outros em primeiro lugar no meu coração. Gente, essa é uma das histórias mais emocionantes que eu li na vida, fico com os olhos cheios de lágrimas só de lembrar de tudo o que essas protagonistas passam. Ah, além de se passar no Brasil na época do cangaço, o que é um super ponto positivo, a história foi adaptada pela Globo em formato de minissérie e ficou muito, muito fiel — Marjorie Estiano e Nanda Costa donas da teledramaturgia brasileira, apenas. 

Ficaram interessados nos livros? Adquiram através dos links abaixo e ajudem o Roendo Livros a crescer! Ah, e não deixem de comentar se já leram algum deles e qual o livro da Editora Arqueiro que vocês mais gostam!

Outros posts da série: 

Meus Livros Preferidos da Editora Seguinte

20 de outubro de 2020

Ruptura | Monica Baumgarten de Bolle

O quanto você entende da situação econômica mundial decorrente da crise do COVID-19? Certamente, na era da pós-verdade e do bombardeamento constante de informações, no seu dia a dia se você procura minimamente sobre economia, já deve ter ouvido sobre teto de gastos, deflação, inflação, auxílio emergencial e outros termos que certamente desencadearam diversas dúvidas sobre conceitos de teoria macroeconômica que afetam nossas finanças pessoais e planos financeiros. Mas como entender de uma vez por toda a crise atual e preparar-se para seus efeitos? Na série de livros A Pilha de Areia, Monica Baumgarten de Bolle explica esses e outros conceitos com a didática e praticidade que a economia precisa ter para atingir e tornar parte compreensível do nosso dia a dia. 

A série de livros A Pilha de Areia leva esse nome em alusão à obra do poeta Jorge Luis Borges, que evidencia como pilhas de areia podem ser voláteis e até mesmo perigosas, como uma crise econômica. Partindo dessa riquíssima analogia, Ruptura é o primeiro volume da série escrito entre os meses de março e agosto de 2020, pela brilhantíssima e premiada economista brasileira Monica Baumgarten de Bolle, que durante a pandemia iniciou seu trabalho de divulgação e desmistificação do conhecimento econômico através de sua série no YouTube, "Economia em tempos de pandemia" que acompanhou as nuances da economia e da saúde pública nos últimos meses. 

Assim como no trabalho audiovisual, no livro, o conhecimento econômico é passado em palavras simples e sempre partindo do pressuposto da falta de conhecimento profundo de termos como inflação ou lastro. Esse é o melhor do livro: a simplificação do complexo. Através de imagens escritas à mão com hidra-cor, Monica traz gráficos-chave do cenário econômico atual, bem como tabelas de balanços de instituições financeiras super relevantes, como o Banco Central do Brasil. E com todo seu conhecimento, ela consegue trazer clareza e aplicações para termos que conhecemos há anos dos jornais, mas nunca havíamos compreendido o significado e relevância por completo. 

Navegando por questões além da pandemia, a autora debate sobre questões como Renda Básica Universal, saneamento básico universal, fornecimento de crédito pelo BNDES pra micro, pequenas e médias empresas. Diria que esse critério de passear por todos os temas e mostrar a conexão entre eles, da mesma forma que apontar as correlações positivas e negativas utilizando-se de gráficos explicativos, dados e pesquisas, tornam a leitura indispensável. 

Ruptura é, sem dúvidas, uma fonte confiável e pouco parcial sobre os rumos que a economia nacional e mundial seguirá após a crise. Além disso, existem participações de citações ou entrevistas com outros economistas renomados, assim como um capítulo dedicado a perguntas e respostas frequentes do "Economia em tempos de pandemia". Dentre outras coisas, esse livro lembrou-me porque deveríamos eleger políticos mais capacitados: conhecimentos de economia, política internacional, contabilidade, antropologia deveriam ser básicos para nossos representantes. A ignorância em baixo escalão já é uma pilha de areia por si só, imagine quando atinge os grandes tomadores de decisão da economia e demais rumos do país nos próximos anos.

Título Original: Ruptura ✦ Autora: Monica Baumgarten de Bolle
Páginas: 320 ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

15 de outubro de 2020

Talking as Fast as I Can | Lauren Graham


Depois de assistir Gilmore Girls e ler Quem Sabe Um Dia, ainda não estava preparada para deixar Lauren Graham, então decidi ler Talking as Fast as I Can (ou Falando o Mais Rápido Que Posso na edição nacional, publicada pela Editora Record). Se a série, o revival ou o primeiro livro da autora me deixaram com alguma dúvida ou incômodo, a segunda obra de Lauren respondeu até o que nunca imaginei perguntar.

De sua infância até um tempo após o lançamento de Gilmore Girls: Um Ano para Recordar, Lauren nos conta um pouco de tudo. Seu caminho antes de conseguir o papel como nossa querida Lorelai Gilmore, como foi gravar cada temporada do show original, um pouco sobre Parenthood (outra série em que ela é uma das personagens principais), a experiência ao escrever seu primeiro livro até enfim voltar ao papel de Lorelai mais uma vez.

I still find that, in general, having a plan is, well, a good plan. But when my carefully laid plan laughed at me, rather than clutch at it too tightly I just made a new one, even if it was one that didn’t immediately make sense. In blindly trying a different path, I accidentally found one that worked better. So don’t let your plan have the last laugh, but laugh last when your plan laughs, and when your plan has the last laugh, laugh back, laughing!

A escrita de Lauren é bem-humorada e nos prende a cada capítulo. Os capítulos são curtos (exceto os dois em que ela fala sobre Gilmore Girls e sobre o revival) e Lauren nos mostra algumas fotos suas quando mais nova e outras de cenas da série para completar o que está contando.

Além disso, ao mesmo tempo em que ela nos conta tudo sobre sua carreira e um pouco de sua vida pessoal, a autora nos dá dicas e conselhos baseados em suas próprias experiências. Isso foi uma das coisas que mais gostei enquanto lia. Consegui me identificar mais uma vez com a personalidade da atriz e senti como se a cada palavra ela estivesse realmente falando comigo, tanto que segui (ou pelo menos estou tentando seguir, hahaha) algumas das dicas mencionadas no livro.

Sometimes the idea of doing something is the most fun part, and after you go through with it, you feel deflated because you realize you’re back to looking for the next thrill.

Acredito que mesmo quem não conhece o trabalho de Lauren pode gostar da leitura, mas vale avisar que se você tem a intenção de assistir Gilmore Girls algum dia, deve pular o sexto e o décimo quarto capítulos, pois são os capítulos onde ela retrata como foi sua experiência na série e no revival, com vários spoilers.

Leve e divertido, Talking as Fast as I Can é um ótimo livro para ler quando queremos relaxar um pouco ou simplesmente conhecer mais sobre Lauren. Como foi dito, a obra irá agradar mais quem já conhece o trabalho da atriz, mas não deve ser descartado por quem não a conhece. Por fim, apesar de já ter seguido em frente com minhas séries e leituras, ainda estou procurando uma oportunidade para ler o último livro lançado por Graham, In Conclusion, Don't Worry About It (foi lançado nos EUA em 2018, mas ainda não foi publicado no Brasil) e aguardo ansiosamente seus próximos filmes, séries e livros.

 Título Original: Talking as Fast as I Can Autora: Lauren Graham
Páginas: 224 Editora: Ballantine Books

12 de outubro de 2020

Cinco Filmes Que Todo Mundo Acha Ruim, Mas Eu Amo Mesmo Assim

Eu não sou a pessoa mais cinéfila do mundo, mas sempre que decido assistir algum filme, opto por alguma coisa que eu já vi e que me traz aquela sensação de conforto e nostalgia. O mais engraçado é que 90% desses tais filmes que sempre escolho são odiados tanto pela crítica quanto pelo público, então resolvi vir aqui defendê-los porque realmente gosto deles!

Dei uma olhadinha no site Rotten Tomatoes — site que acumula críticas de cinema e televisão através de "termômetros" que representam a porcentagem de avaliações de críticos profissionais e da audiência que são positivas para determinada obra — e resolvi listar os filmes por nota do público, da maior para a menor!

01. Esposa de Mentirinha — Público: 59% | Crítica: 19%

Ok, não nego que poderia ter escolhido vários outros filmes do Adam Sandler aqui, tipo Como Se Fosse a Primeira Vez que eu também adoro, mas achei que Esposa de Mentirinha seria melhor, principalmente porque tem a Jennifer Aniston no elenco. Mas enfim, a primeira coisa que eu tenho que questionar é: COMO ASSIM as pessoas não gostam do Adam Sandler? Cara, ele é simplesmente o rei dos filmes de comédia, na moral. Eu quase morro de tanto rir com esse em específico, não aceito essa nota baixíssima da crítica!

02. A Nova Cinderela — Público: 53% | Crítica: 12%

A Nova Cinderela é tipo O filme da minha infância, sabem? Lembro que eu vi pela primeira vez na SBT, fiquei acordada até tarde da noite e amei demais! Na realidade, acredito que a Hilary Duff seja uma atriz que marcou presença na vida de várias crianças nos anos 2000, então não chega pra mim falando que esse filme é ruim que eu fico brava, viu? Claro que o fato de eu gostar de toda e qualquer releitura de Cinderella ajuda, não vou negar — inclusive Outro Conto da Nova Cinderela, protagonizado pela Selena Gomez.

03. O Que Esperar Quando Você Está Esperando — Público: 47% | Crítica: 23%

Ok, a minha vontade é de começar TODOS os itens dessa lista com "MEU DEUS COMO ASSIM AS PESSOAS NÃO GOSTAM DESSE FILME" porque sinceramente... Mas sério, vocês já viram O Que Esperar Quando Você Está Esperando? Explora as diversas possibilidades de ter um filho, de forma muito real e, obviamente, engraçada. Ah, não posso esquecer de citar uma coisa: tem o Rodrigo Santoro no elenco, tá?

04. Crossroads: Amigas para Sempre — Público: 39% | Crítica: 14%


Na minha humilde opinião as pessoas DEVERIAM simplesmente agradecer pela existência desse filme por motivos de: I'm Not A Girl, Not Yet A Woman. Mas falando sério, como não gostar de uma história de três amigas de infância que se afastaram e mesmo assim decidem viajar juntas de carona com um moço desconhecido e super misterioso? E de quebra tem cena pra rir, ficar com vergonha alheia e, claro, chorar — deixando claro que sou super suspeita pra falar, pois choro em qualquer coisa.

05. Confissões de Uma Adolescente em CrisePúblico: 35% | Crítica: 14%
 
 
Mais um da série "assisti pela primeira vez na SBT". E sim, os filmes da Lindsay Lohan também me acompanharam enquanto eu era criança/pré adolescente, então eu defendo todos com unhas e dentes. Tenho um carinho especial por Confissões de Uma Adolescente em Crise porque foi o primeiro que eu assisti depois que ela ficou mais velha, e na época a gente achava o máximo os dramas de meninas de 15 anos, né? Eu tô ciente que a Lola não é a protagonista mais carismática do mundo, mas não se pode ter tudo, rs.

Então, vocês têm algum filme assim? Que quando comentam todo mundo fala "credo, esse filme é péssimo, misericórdia" ou que pelo menos foi muito detonado pela crítica? Deixem nos comentário aqui embaixo! ❤

8 de outubro de 2020

Talvez Você Deva Conversar com Alguém | Lori Gottlieb


Lembro-me de no começo do ano fazer uma lista dos livros premiados e aclamados no New York Times e The Guardian de 2019, e no meio da lista havia um livro excêntrico que contava a história de uma terapeuta que tinha um terapeuta e como todos os seus pacientes refletiam em sua vida pessoal. Esse livro é Talvez Você Deva Conversar com Alguém, um romance doce que mescla realidade, ficção, teoria da psicologia, e muitos encontros e desencontros que certamente te farão rir, chorar e lembrar da sua própria psique. 

Lori é uma quarentona, com um filho concebido por inseminação artificial que trancou a faculdade de medicina e desistiu de outras 2 profissões antes de formar-se psicologia. Você confiaria sua vida a ela em um consultório de terapia? Esse é um dos primeiros dilemas a que somos apresentados: por que nos importamos tanto com a vida pessoal de terapeutas, quando no fundo, o que nos salvará é sua humanidade, vulnerabilidade e profissionalismo? Como você pode perceber, a protagonista tem o mesmo nome da autora, o que não é mera coincidência. Apesar dos nomes fictícios, a narrativa é um retrato dos anos de pacientes e consultório de Lori. Um autêntico mergulho no universo de mistérios da mente humana, certamente uma boa pedida a pacientes e profissionais. 

Após ser deixada pelo Namorado, Lori encontra mais impasses como ver-se solteira aos 40 anos com um filho pequeno e as loucuras de sua profissão. E como se não bastasse, uma doença autoimune e a iminente morte de seu pai tiram seu sono e sua paz. E assim o romance se desenrola, sobre um fundo caótico da vida adulta, sobre uma rotina caótica como a de qualquer outro ser humano. Acima de todas as coisas, é um romance que lembrará a todos os leitores como nossa vida é frágil, fugaz e como devemos aprender a superar nossos próprios demônios e anseios, preferencialmente através de uma boa terapia. 

Os que escolheram o caminho menos convencional, por 50 minutos (ou muitas páginas do livro) debruçam sobre Lori as mazelas e felicidades da vida cotidiana. O primeiro deles é um personagem insuportável, John, que como um bom homem intragável tem atrás de si uma alma ferida, apesar da vida aparentemente perfeita de roteirista de TV. A segunda é Charlotte, uma jovem alcóolatra com problemas de relacionamento, que para mim, é a personagem mais fraca do quarteto. A terceira é Rita, um verdadeiro furacão artístico sexagenário com seus cabelos ruivos e traumas domésticos e familiares inesquecíveis. E por fim, Julie, uma paciente terminal enfrentando a morte iminente. 

E através destas quatro psiques, Lori conta em primeira pessoa suas histórias, bem como existem passagens com diálogos emocionantes. Aliás, emocionante é um eufemismo para esse livro. É como se sua alma ficasse aberta diante das páginas e Lori previsse cada pensamento seu e explica-se no parágrafo seguinte porque seu suposto pensamento é incorreto, antiético ou simplesmente, humano. Sendo esta última palavra o que descreveria bem cada um dos 4 personagens principais que frequentam seu consultório: humanos. Imperfeitos, choram quando não veem opções, frágeis. E é incrível como ela relaciona traumas comuns de todos nós com essas 4 vidas, fazendo jus ao subtítulo do livro: Uma terapeuta, o terapeuta dela e a vida de todos nós. 

Recomendo este livro aos que pensam em fazer terapia, pois certamente farão você entender seu terapeuta e aproveitar melhor o momento. Recomendo também aos que não cogitam dissecar suas almas em um consultório, pois cada toque, cada página, cada conselho destas páginas farão você enxergar-se de uma maneira completamente nova e revigorada. 

Quando vi este livro com sua capa amarela e um pacote de lenços, não entendi o convite explícito à emoção. Ver um paciente morrer sem poder impedir, ajudar alguém a superar a morte de um filho, impedir um suicídio e quando preciso, segurar as rédeas da vida de um paciente lado a lado com ele. É com visceralidade tamanha de quem tem anos de experiência em psicologia clínica que Lori relaciona tudo isso a teorias importantes da Psicologia Moderna, citando Freud, Piaget e outros ícones.

Talvez Você Deva Conversar com Alguém é um livro para chorar, rir, repensar e tomar medidas novas na sua própria vida. É um livro para terminar cheio de post it e quem sabe manchar algumas páginas com lágrimas (e estará tudo bem). É como aqueles filmes que você assiste e quando termina, pensa: vou mudar minha vida e meus rumos a partir de hoje mesmo! Uma jornada psicológica e de saúde mental disfarçada em 450 páginas com diagramação impecável e excelente divisão em 4 partes e 58 capítulos.

Título Original: Maybe You Should Talk to Someone ✦ Autora: Lori Gottlieb
Tradução : Elisa Nazarian ✦ Páginas: 446 ✦ Editora: Vestígio
Livro recebido em parceria com a editora

6 de outubro de 2020

Análise de Séries: Os Hathaways

 
Oi, pessoal! Tudo bem? Eu sou a Cássia, e agora também faço parte da equipe do Roendo Livros. A ideia inicial é que eu escreva sobre romances de época, um dos meus gêneros literários preferidos, mas pode ser que eu apareça com algum outro tema por aqui — se a tia Ana deixar, claro!

Para esse meu primeiro post eu resolvi falar um pouco sobre uma das minhas séries preferidas: Os Hathaways, da autora Lisa Kleypas. Eu conheci essa série meio que por acaso, porque acabei ganhando o segundo livro em um sorteio no Twitter, mas deixei a obra parada na estante por um tempo (como se isso fosse alguma novidade). Porém, em 2018 eu resolvi ler o primeiro volume da série e me apaixonei logo nas primeiras páginas. Depois devorei o segundo e fiquei num limbo literário, porque os livros dessa série são um pouco difíceis de encontrar — juro que não sei porque a Arqueiro faz isso.... Mas eu felizmente consegui completar minha série (obrigada Enjoei, Estante Virtual e Pablo rs) e finalizar a leitura dos livros. 

A série é composta por cinco livros + um conto (Casamento Hathaway, lançado apenas em e-book) e ao longo da trama vamos acompanhando o dia a dia da família Hathaway, em que cada livro tem como enredo principal um dos irmãos: Amelia, Leo, Win, Poppy e Beatrix Hathaway — e também vou considerar o Marripen nessa lista, porque ele é praticamente um irmão adotivo dos personagens citados anteriormente. Ah, vale lembrar que o conto, apesar de ter sido lançado depois, se encaixa entre Sedução ao Amanhecer e Tentação ao Pôr do Sol, segundo e terceiro volumes da série, respectivamente. Seria interessante que a leitura acontecesse nessa ordem, mas não é obrigatório, como em quase todas as séries de romance de época!

Tenho um carinho muito especial por todos os livros da série, mas o meu preferido é, sem sombra de dúvidas, Paixão ao Entardecer. A irmã caçula, Beatrix, sempre foi a personagem com a qual eu mais me identifiquei dentro desse universo criado pela Lisa Kleypas, e ter um livro inteirinho só dela fez meu coração pular de alegria. Foi muito gratificante acompanhar o desenvolvimento dessa personagem tão querida, que não aceitava rótulos e não tinha vergonha de quem era. Beatrix sempre foi muito excêntrica, acho que é por isso que eu gosto tanto dela! 

Eu gosto muito da escrita da Lisa Kleypas, principalmente porque ela consegue envolver o leitor desde o mais simples diálogo, até a mais elaborada cena. E não é a toa que ela é uma das autoras queridinhas dos fãs dos romances de época. Lisa consegue ser, ao mesmo tempo, ousada e cativante. E isso me agrada demais, porque apesar de ser uma série que se passa em meados de 1840, ela criou personagens bem construídos, mulheres a frente do seu tempo e o mais importante: uma família unida. 
 
Aliás, se vocês estão pensando que os Hathaways faziam parte da aristocracia, vocês estão bem enganados — e isso é o que torna essa série tão única, porque podemos acompanhar o amadurecimento, crescimento, acertos e erros dos personagens. Eu particularmente adoro quando uma história faz com que eu me sinta "em casa", e foi essa a sensação que tive enquanto lia a série.

Nossa! Pensei que o post não iria ficar tão longo, mas é muito bom falar sobre algo que nos faz bem! ♥ Espero que vocês tenham gostado da temática que abordei, e se alguém quiser algum post sobre um romance de época específico — ou sobre algum assunto relacionado ao tema —, é só deixar um comentário!

Títulos: Desejo à Meia-Noite | Sedução ao Amanhecer |  Casamento Hathaway | Tentação ao Pôr do Sol | Manhã de Núpcias | Paixão ao Entardecer
Autora: Lisa Kleypas ✦ Páginas: Total de 1387
Tradutor: Lívia de Almeida, Débora Isidoro, Maria Clara de Biase e Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro

3 de outubro de 2020

Árvore dos Desejos | Katherine Applegate


Red é um carvalho-vermelho-americano de duzentos e dezesseis anéis de idade que não sabe contar piadas, mas conta ótimas histórias. Além de já ter visto várias e várias coisas nos seus muitos anos de vida, é a árvore dos desejos do bairro. Em todos os anos, no dia 1º de maio, pessoas de vários lugares visitam a árvore e amarram em seus galhos qualquer coisa em que possam escrever os maiores anseios dos seus corações. 

Quando, no meio da noite, Samar — filha de um casal de refugiados que veio morar na vizinhança — faz um pedido solitário para Red, a árvore percebe que talvez tenha chegado a hora de realmente fazer algo para ajudar. Assim, com a ajuda dos seus inquilinos, que são vários bichinhos fofos que vivem em seus galhos e ocos, Red tenta a todo custo realizar o desejo mais profundo da garotinha.

É uma tremenda dádiva amar ser quem você é.

Árvore dos Desejos veio como brinde extra na caixinha de aniversário de dois anos do clube Intrínsecos. Assim que botei meus olhos nele, soube que ia amar a história. Eu sou perdidamente apaixonada por livros infantis por causa das mensagens que eles passam, mas essa obra veio com algo a mais, uma atmosfera de contos de fada que é extremamente perfeita e bem-vinda, do tipo que deixa o coração da gente quentinho. 

Apesar da trama simples, característica que é clara em livros infantis, essa história dá uma aula sobre empatia a partir da personagem Samar, que é refugiada — e provavelmente muçulmana, analisando a partir da descrição das vestimentas da mãe — e não é muito bem aceita pela comunidade. Não consigo imaginar o quão horrível deve ser sair do seu país de origem por medo e continuar sofrendo constantes ameaças independente do local onde vive, sabem? Para mim também é inconcebível saber que as pessoas julgam pela religião ou país de origem...

Queria dizer que amizade não tem que ser complicada. Que às vezes nós é que permitimos que o mundo a transforme em uma coisa difícil.

Porém, mais que empatia, Árvore dos Desejos fala sobre amizades. Uma árvore e os animais que vivem nela... Duas crianças que não estão nem aí para os preconceitos dos adultos... A pureza desse laço... É difícil explicar, mas a escrita Katherine Applegate, que é delicadíssima, nos transporta para dentro da história de forma tão mágica que parece que a gente tá ali, vendo tudo de dentro de uma das casas da vizinhança e se deliciando com os sentimentos.

A edição da Intrínseca é um espetáculo a parte, com direito a capa que brilha e ilustrações magníficas de Charles Santoso, tudo o que a gente gosta, né? Mas é claro que o que ganhou o meu coração, de fato, além de todos os pontos positivos citados nos parágrafos anteriores, foi a metáfora por trás da árvore dos desejos: nunca esquecer dos nossos sonhos, nunca perder a esperança de que um dia eles se realizarão.

Título Original: Wishtree ✦ Autora: Katherine Applegate
Tradução: Thaís Paiva Páginas: 320 ✦ Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

1 de outubro de 2020

Top Comentarista: Outubro 2020

 
Às vezes eu me assusto de verdade quando vejo o quanto o ano está passando rápido, mesmo com todas essas coisas que estão acontecendo... Ou talvez possa ser impressão minha, já que minhas aulas voltaram (online, gente, se acalmem) e os dias estão bem corridos. É claro que minha vida pode estar a confusão que for que não esquecerei de vocês e do nosso amado top comentarista, tá? Portanto, o prêmio do mês, como sempre, será um vale compras no valor de trinta e cinco reais na Amazon e o período de inscrições vai de 01/10/2020 à 01/11/2020, lembrando que o último dia é apenas para a regularização de comentários.

Regras
- Comentar em todos os posts, exceto os de promoções, no período de 01/10/2020 à 31/10/2020;
- Não serão computados comentários genéricos, só aqueles que exprimem a opinião do leitor e mostram que ele realmente leu o post. Comentários plagiados de outras plataformas (lembrem-se que plágio é crime) ou que se repetem em outros blogs não serão considerados. Comentários do tipo serão excluídos sem aviso prévio e o participante será automaticamente desclassificado;
- É permitido apenas um comentário por post;
- Apenas as duas primeiras entradas do formulário são obrigatórias;
- A entrada "tweet about de giveaway" só será válida se a pessoa estiver seguindo o Twitter informado (@anadoroendo), bem como a entrada "comentar nos posts do Instagram", que só será validada se o perfil (@anadoroendo) for seguido pela pessoa que tiver comentado;
- Após o término do top, o Roendo Livros tem até 15 dias para divulgar o resultado;
- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito. O livro escolhido (na faixa de preço estabelecida) deverá ser informado no corpo do e-mail;
- Após feito o contato, o prêmio será enviado dentro de até 60 dias úteis;
- Para o livro ser enviado, é necessário que o ganhador passe o número do CPF para a Ana, já que agora os Correios solicitam uma declaração de conteúdo (saiba mais aqui) Só participe do sorteio se estiver de acordo;
- O Roendo Livros não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados no livro. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e ausência de recebedor. O livro não será enviado novamente;
- O Roendo Livros se reserva o direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.

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